- Petúnia e Walter Dursley - soltou o homem, e Harry demorou um tempo para se calar e entender a informação. - Seus tios estavam entre a multidão de pessoas que presenciou o suposto fenômeno, como elas o chamam. Como havia dito, tratava-se de um centro comercial, e é possível que estivessem lá a passeio ou algo do tipo.

Harry continuou calado, agora vários flashes envolvendo aquela família passavam diante de seus olhos, e ele não conseguia pensar em algo muito concreto, até que uma pergunta inevitável se insinuou em sua garganta.

- Eles estão...?

- Mortos? - continuou Savage. - Nã;o, apenas com alguns ferimentos e certas seqüelas devido a azarações que esperamos ser facilmente reversíveis. Fora isso, apenas um certo... estado de choque. A meu ver, e acredito que isso também já deva ter sido notado por todo o lugar, parece que eles não estão se sentindo muito confortáveis, embora não estejam em condições de fazer algo a esse respeito.

Ele sentiu o provável pingo de preocupação que pudesse vir a ter escoando pelos seus poros; o fato de passar toda a vida sendo humilhado e mal tratado pelos tios não significava que queria vê-los mortos.

- Mas por que toda essa vinda até aqui? Só para me darem essa notícia? Seria muito mais fácil eu ter ido logo para lá. - Nesse ponto Harry parou e pensou um pouco, achava muito pouco provável que os Dursley quisessem algum tipo de ato de solidariedade dele.

Savage soltou um longo suspiro, como se estivesse se preparando para mais outra rajada de informações.

- Com esse ressurgimento inesperado - e ccom essa última palavra Harry ergueu furioso o olhar. “Inesperado?” - Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, não é muito prudente transportarmos todos os feridos pelo caminho convencional, então abrimos uma rede Flu, e um certo número deles está indo para o St. Mungus por aqui mesmo, pelo Ministério. - Mais alguma pergunta, Potter? - disse, num tom que queria esconder que, na verdade, aquilo estava um caos. Vendo o segundo olhar furioso que Harry lhe lançava, Savage apenas estendeu a mão em direção à lareira. - Acredito que queira dar uma olhada nos seus parentes agora.

Harry parou, pensativo. Não tinha certeza se os Dursey ficariam felizes com uma visita sua, ou se mesmo ele queria isso. Em contrapartida, imagens dos parentes rodeados pelas coisas que mais detestavam no mundo, e sem poderem reagir, batiam na soleira da porta de sua mente e sabiam que ele não resistiria em abrir - nem que fosse para dar uma espiada.

- Nesse caso - decidiu Harry -, estou inddo.

- Ah, só mais uma coisa - interveiio Savage, adquirindo uma expressão mais séria que até então. - Espero que se lembre do interrogatório a que terá de se submeter. - Com isso, Harry teve um novo súbito acesso de raiva; a idéia não cruzava sua cabeça há um bom tempo. - De qualquer forma, lembrado ou não, deverá estar aqui amanhã à tarde.

Savage mal havia acabado de proferir a frase, Harry já tinha virado as costas para o mesmo, quase praguejando, e por muito pouco não entrou nas chamas sem ter o devido cuidado de jogar o pó de flu.


* * * *

Já deveria ser umas duas da tarde, e o sol se insinuava preguiçoso pelo quarto. Quando Hope abriu os olhos, viu que tinha perdido a hora, disse “merda” e se desvencilhou dos lençóis, ainda lutando para manter os olhos abertos. A auror sonolenta cruzou a extensão do quarto até um pequeno guarda-roupas de duas portas do outro lado e as abriu com certa violência.

- Aargh... - Parou no meio do movimento de dar um salto para trás ao perceber que a figura grande e pálida pendurada pelas pernas no cabide apertado da mobília era Sanguini. Ainda precisava se acostumar com certos costumes típicos da raça.

Ao olhar para si e notar que pegara no sono com a roupa do dia anterior e que, portanto, abrira o guarda-roupas em vão, Hope tratou de fechá-lo e poupar Sanguini dos raios do sol; a pele dele e os raios solares eram duas coisas que não batiam, isso ela aprendera bem.

Ela virou-se para a pequena janela do aposento e só então notou que não havia acordado por conta própria, que o som onírico do pisotear de um imponente grifo era, na verdade, pequenas bicadas no vidro da janela. Hope reconheceu, ao olhar atentamente para a mesma, uma coruja parda tentando chamar sua atenção, já impaciente. Ela desfez o encanto sobre a janela, e a ave invadiu a sala, dando uma agitada volta no quarto com um bater de asas em tom de protesto.

- Deveria dizer a seu dono que há formas mais eficazes e rápidas de comunicação - murmurou para a coruja - e aproveitar para tirar umas férias - concluiu, surpresa com o próprio senso de humor, que julgava já extinto.

Quando finalmente a coruja pousou contrariada no criado-mudo e permitiu que lhe desamarrasse o bilhete da pata, apenas esperou Hope concluir o processo e alçou vôo rumo ao horizonte. Ao desenrolar o pedaço de pergaminho e seus reflexos se aterem primeiramente à forma da grafia, arregalou os olhos num impulso, já lendo o que dizia o bilhete. Nele havia apenas uma informação, e abaixo, uma assinatura com uma palavra carinhosa que ela costumava usar há muito tempo. Só podia ser dele.

Hope Short fechou a mão em torno do pergaminho e olhou através da janela, para a paisagem que se descortinava à sua frente, pensativa .


* * * *

Assim que saiu das chamas, Harry se viu novamente no hall de entrada do St. Mungus, estranhando o fato de Savage não ter enviado pelo menos uma dúzia de brutamontes para que ficassem em seu encalço, como cães farejadores. Olhou ao redor, e desta vez o eco dos passos de pessoas agitadas misturado ao som de suas vozes e ao seu perceptível lamento parecia bem maior. Imaginava se grande parte daqueles incidentes não teria sido causado pelos ataques recentes dos Comensais da Morte, e por um momento quase esqueceu o que fora fazer ali.

Sem demora, dirigiu-se ao balcão de recepção, tentando não se alterar com os olhares curiosos que a mulher de branco atrás de uma pilha de papéis lhe lançava, já com os pequenos óculos redondos caindo pela curva do nariz.

Quando citou o nome dos tios para que fossem devidamente verificados na lista de entradas, ela dirigiu-lhe outra olhada de cima que causava o mesmo impacto que uma sobrancelha bem levantada, e Harry já conseguia imaginar o porquê; provavelmente a passagem daqueles três trouxas daria muito assunto durante uns bons meses.

O garoto ainda ficou estático diante do corredor que levava aos quartos, apenas percebendo os vários vultos atravessando, indo e vindo pela extensão branca, agora turva pela sua indecisão e dúvida do que estava mesmo fazendo ali. Sem se dar conta da iniciativa das próprias pernas, ele se deixou levar.

Quando notou que se encontrava diante de uma porta lustrosa com uma placa indicativa, foi com certa apreensão acerca da receptibilidade dos medibruxos mediante aqueles três, que ele abriu devagar a porta da sala número oitenta e oito.

Então viu uma das cenas mais bizarras que já tinha visto, e que o fizera ter uma reação involuntária que disparou de seu estômago e forçou saída pela boca afora, fazendo-o ter um sintoma de princípio de risada; de fato, as três pessoas encolhidas e agarradas umas às outras apresentavam cores anêmicas e faces ligeiramente cansadas e abatidas, que provavelmente poderiam ser derivadas da situação em que se encontravam no presente momento, não fosse o ataque anterior. Porém isso não as impedia de gemerem, arregalarem os olhos e gritarem furiosamente para o pobre e coitado medibruxo que deveria estar gastando toda a paciência acumulada durante os anos de estudo, toda a paciência necessária para o cargo, e que ele não esperava ter de gastar tudo de uma vez só, enquanto esticava uma mão na qual segurava um recipiente transparente com um líquido azul-claro, visivelmente uma poção.

- ...Agora isso! - Foi o que Harry conseguiu distinguir assim que entrou no quarto. - Querem nos envenenar! Nos tirem daqui! NOS TIREM DAQUI! - esperneava sua tia Petúnia, agarrada a Walter, com Duda sendo esmagado entre eles, com as bochechas quase saltando para fora do rosto. Os três pareciam querer recuar em cima da única cama em que estavam, embora no local houvesse mais duas, até o ponto de subirem ou atravessarem a parede.

- Temos advogados, os melhores do pa&iiacute;s! - bradou agitado tio Walter, com a expressão de quem tentava fazer medo em alguém, e sabia estar fracassando miseravelmente. - Vocês, suas aberrações, vou mandar TRANCAFIAR vocês, sua raça maldita, numa solitária! Estão ouvindo!!

O medibruxo, um jovem rapaz de cabelos castanhos curtos, parecia estar se esforçando ao seu limite para não demonstrar, seja lá o que tivesse para demonstrar, e já estava querendo revirar os olhos. Ele colocou uma das mãos sobre o rosto e, depois, notou a presença de um Harry estupefato, admirando a cena. Olhou para um canto mais afastado do quarto.

- Ah, Sr. Shacklebolt, finalmente o garotto chegou - murmurou, para uma figura encorpada e alta esperando encostada na parede, os braços cruzados, num tom ansioso, quase num suspiro, tão baixo que Harry, ainda com a atenção voltada para os tios, provavelmente não ouviu.

Como se a cena estivesse sendo filmada em câmera lenta, mais quatro faces se voltaram para Harry, três delas, atônitas.

As faces pálidas dos três Dursley se deram ao luxo de corar de raiva apenas pela simples presença de Harry. O garoto simplesmente não deu ouvidos às inúmeras maldições que foram lançadas e muito menos às acusações de que ele era o grande culpado pelo atual estado deles. Diante dos três ali, não achava que sentia apenas pena, ao menos, beeem lá no fundo estava aliviado de saber que eles não sofreram nada de grave. Começou a pensar se no final daquilo tudo, os Dursley teriam coragem de voltar a morar na casa da Rua dos Alfeneiros; tudo indicava que não, e lembrou-se das inúmeras voltas que fizeram na véspera do seu aniversário de onze anos, indo até mesmo parar num casebre abandonado no meio de um mundo d´água, para fugir do “inofensivo” Hagrid. Se fosse para fugir dos Comensais então, os Dursley seriam capazes de mudar de planeta.

Balançando a cabeça, Harry afastou-se da família mergulhada em desespero, por um lado genuíno, porém por outro, patético. Acharia difícil que eles dessem ouvidos aos medibruxos e realmente acreditassem que os líquidos multicoloridos que tentavam lhes descer goela abaixo eram para o seu bem, e não algum veneno ultra poderoso que os transformaria em sapos. Agora era a hora para eles tentarem se tornar um pouco melhores e aprender a colher as conseqüências de seus atos.

Após as devidas explicações que recebera do profissional sobre o estado dos tios, que serviu para confirmar que se tratava apenas de alguns feitiços de reversão fácil e, principalmente, ataque de nervos, Harry deixou-os novamente aos cuidados do medibruxo, que deveria estar pagando penitência por toda uma vida de pecados. Em meio a outro berro agourento, ele sentiu duas mãos grandes e pesadas em seus ombros; era Kim.

Eles se olharam, Harry não o tinha visto assim que entrara na sala, o que quase o fez dar um salto. Não conseguia relacionar a estada do auror ali com alguma missão “não largue dos calcanhares do Potter”, principalmente porque ele era um membro da Ordem... ou fora. De qualquer forma, o olhar sério de Kim também tirou de sua mente a especulação sobre ser levado até a Toca naquele momento.

Kim guiou-o a uma parte mais reservada do aposento, longe dos olhares fulminantes dos Dursley ou da curiosidade dos demais ocupantes da sala.

- Precisamos conversar - disse ele, num vvolume calculado. - Preciso ser rápido, não seria bom se o Ministério trouxa desse por minha falta.

Harry lembrou que Kim, no momento, estava servindo como uma espécie de guarda-costas infiltrado no governo trouxa, e não foi preciso mais que isso para concluir que o que quer que ele tivesse a dizer, não seria mera formalidade.

- Acredito que você tenha vindo dirreto do Ministério para cá - começou Kim. - Fizeram questão de contar a você pessoalmente a história dos seus tios e então te mandaram direto para cá, certo? - E ele continuou após o sinal desconfiado de Harry: - Não posso falar mais nada aqui, tenho de levá-lo a um lugar. Agora.

O tom urgente na voz de Kim fez o sexto sentido de Harry dar um salto e uma martelada em seu crânio. Ele olhou Kim nos olhos com cautela, sem querer deixar transparecer a sombra de dúvida que ameaçava pairar sobre sua cabeça. Aquilo tudo estava ficando cada vez mais estranho, e o convite para ir sabe-se-lá-onde com ele, sozinho, fazia seu sistema de alerta vermelho dar o máximo de si. Seria ele o verdadeiro Kim?

O homem à sua frente suavizou a expressão e deu um leve sorriso com o canto da boca.

- Ótima sacada, Harry. Sei o que ddeve estar pensando nesse momento, mas se eu fosse um deles, você já teria sido pego numa armadilha. Só faltou um pouco mais de antecipação de sua parte. - Pôs a mão em seu ombro, inclinando o corpo até seu rosto ficar a poucos centímetros do de Harry. - Precisamos ir agora à Rua dos Alfeneiros - murmurou, tão baixo que Harry teve que se concentrar para ouvir. - Você tem que ver uma coisa. Lupin estará lá.

- Acho que não tenho escolha, certto? Afinal, eu já poderia ter sido pego. - Sorriu da mesma forma que Kim o fizera, olhando na direção onde estavam os Dursley, que também deveriam estar pagando por todos os seus pecados. Assim que recebeu a tentativa de consolo de Kim, dizendo-lhe que com aquela família, o pior já havia passado, ele deixou seu corpo ser levado pelo tradicional puxão no umbigo, e eles sumiram num piscar de olhos.

Conforme dito, no instante seguinte eles se materializaram na sala de estar da casa que Harry passara tantos longos e tortuosos verões. Harry observou ao redor e não conseguiu encontrar no estado geral do ambiente algo de anormal, capaz de fazer Kim se abalar de seu novo "emprego" até o St. Mungus; a única coisa fora do comum na sala no presente momento, além do próprio Kim, era Lupin em pé num dos cantos, aguardando a chegada deles.

- Obrigado mesmo, Kim. - Lupin veio ao enncontro deles, apertando a mão do auror com a gratidão estampada no olhar, e olhou para Harry.

- Mas afinal, o que significa isso tudo? - indagou um frustrado Harry, levantando os dois braços ao longo do corpo. - O que o Ministério nos aprontou desta vez?

- Você saberá em instantes, embora nem mesmo nós tenhamos certeza do real significado da informação que colhemos. Mas me diga, o que exatamente te disseram lá dentro?

- Que por um acaso, os Dursley estavam a passeio num daqueles shoppings quando, de repente, os Comensais resolveram fazer um ataque em plena luz do dia - encenou Harry, com a voz afetada para parecer uma versão ridicularizada da fala de Savage. - Se quer saber, fora o fato dos Comensais estarem ficando mais atrevidos, é muito estranho para engolir.

Lupin ergueu uma sobrancelha. O tipo de gesto que sugeria um belo “Ah, é?”

- Sei que é estranho, Harry, mas aacredite ou não, até certo ponto da história eles não estavam mentindo. De fato, houve um ataque a um desses shoppings, e sim, seus tios estavam lá.

- O quê? Mas então...

Lupin interrompeu a fala do garoto com um gesto da mão.

- Acreditamos que o Ministério, ouu alguém em particular lá dentro, esteja querendo ocultar certos fatores - informou. - Não fosse as informações que Kim conseguiu, teríamos perdido essa - continuou Lupin, agora fazendo sinal para o auror, que começou a fazer movimentos circulares com a varinha. - Secretamente, ele captou uma imagem de como estava esse mesmo local algumas horas atrás. - Enquanto falava, uma corrente de ar colorida e disforme saía em espiral da ponta da varinha de Kim e tomava conta do ambiente. - Acho que eles terem levado você até lá foi mera desculpa para ganharem tempo e ajeitar isso, antes que alguém mais ficasse sabendo. - Virou a cabeça para o que antes eram as espirais mágicas, que agora tinham sobreposta toda a realidade da sala, como um papel de parede.

Harry não teve chance de articular uma nova frase ao olhar para a nova visão que o feitiço lhe mostrava e ver do que Lupin estava falando com seus próprios olhos.


* * * *

BAM!

Um corpo agonizante se chocara violentamente contra o chão, todos os seus músculos numa luta desconcertante, recolhendo-se ante a dor.

- M... mas milorde... - a voz saíra quase num engasgo, colocada para fora como as gotas de suor que vazavam de seu corpo.

- Não deveria ter a audácia de se queixar - sibilou uma voz, tão seca quanto o deserto. - Estou sendo bastante razoável, mal considero isso um castigo. Você deveria saber, não é?

Nott sorveu o ar em grande quantidade, embora até o ato de respirar lhe causasse dores. Internamente, amaldiçoou o motivo de sua desgraça e praguejou secretamente de forma ainda pior o fato de não saber qual era exatamente esse motivo. De qualquer forma, realmente deveria estar agradecido. Metade do plano fora executado com sucesso, e ele não estava tendo nem um terço do sofrimento que as falhas realmente graves implicavam aos seus autores. Porém, ele sabia que algo mais estava irritando o Lorde das Trevas; estava com plena ciência de que a notícia que um de seus comparsas viera trazer ao mestre recentemente não fora das melhores: todos os indícios indicavam que os Comensais que ele havia mandado para um país vizinho haviam sido capturados e deveriam estar agora trancafiados numa cela escura e repleta de magia preventiva. Não que o estado deplorável deles fosse do interesse do Lorde das Trevas, não. Mas o contexto era péssimo, e agora ele estava ali, no chão, também pagando por isso, como forma dele canalizar a sua fúria.

- Agora, erga-se. Quero ouvir novamente a história que veio trazer até mim, Nott. - O Comensal ergueu apenas a cabeça, deparando-se com a bainha de uma conhecida, negra e, até certo ponto, esfarrapada capa.

O corpo magro de seu mestre se inclinou e depois se abaixou, ainda assim ficando num nível maior que seu servo largado no chão. Ele abaixou um braço de cores quase cadavéricas e tocou a parte inferior do queixo de Nott com a ponta da varinha, mantendo os olhos com duas fendas verticais ofídicas fixados nos dele.

- Foi... exatamente como disse, milorde - iniciou Nott mais uma vez, tentando não perder o controle da própria voz devido ao mal-estar que estava sentindo. - Fomos até lá e fizemos conforme as suas ordens...

- E...? - indagou Lord Voldemort, com um tom arrastado, misturado a um inconfundível toque irônico.

- E está... estávamos nos saindo muito bem, volto a dizer, mas... mas então, vieram. Saídos não conseguimos adivinhar de onde, eles vieram, e... - Nott parou a narrativa, como se estivesse ciente de que seu mestre também tinha decorado muito bem aquela parte - e então nos vimos obrigados a bater em retirada.

Lord Voldemort tirou a varinha do queixo do Comensal com visível irritação, levantou-se e ficou de costas para o mesmo, iniciando uma lenta caminhada pelo ambiente familiarmente obscuro do aposento.

- Deixe-me concluir seus pensamentos, Nott. Quer dizer que meus Comensais foram atacados em plena missão - ele se virou lenta, perigosa e ameaçadoramente, os olhos estreitos e a boca rasgada num esgar - e sequer sabem por quem?

O Comensal fechou os olhos com uma careta e ficou esperando a próxima pontada dolorosa, que não veio. Ele abriu os olhos, surpreso pela falta de repreensão, e viu seu mestre pensativo.

- Pois muito bem. - Ele ouviu Lord Voldemort murmurar. - Acho que terei de mandar alguém mais competente verificar isso. - Voldemort voltou seu olhar para o Comensal, com um novo meio-sorriso irônico. Dizendo isso, ergueu o braço esquerdo e, com a outra mão, tocou a varinha na imagem de uma cobra enroscada em uma caveira que, ao seu toque, começou a se mover entre os orifícios do crânio estampado em seu braço.

Não muito tempo se passou, e um estalo foi ouvido bem ao lado do Comensal que agora tentava se erguer e ficar numa posição mais digna perante seu mestre. Um Homem completamente envolto pelas tradicionais vestes de Comensal da Morte apareceu no local e aproximou-se do homem que o convocara, tirando a máscara e ajoelhando-se perante o Lorde das Trevas.

- Meu caro Severus, tenho um novo serviço para você.

* * * *

"Viagens" da autora! - Olá o/
Bem, espero que tenham gostado do capítulo e, em especial, do outro extra logo aí acima. =) Eu disse que ia tentar trazer um desenho novo pra vocês a cada capítulo, não disse? =)

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