A VISITAÇÃO


Na Visitação, Isabel, a prima de Maria, exulta de alegria no Espírito Santo, e proclama quão bendita é Maria, e quão bendito é o fruto do seu ventre. De fato, não existe senão uma bênção, expressa em Maria e no divino fruto que ela carrega. Maria leva em seu ventre a maior bênção que Deus dará ao mundo. E Maria sob a inspiração do mesmo Espírito Santo que inspirou Isabel, vai louvar à Deus, que fez nela maravilhas. Mas ela não vai evocar no Magnificat somente o grande acontecimento que é a maternidade divina, mas todas as maravilhas que Deus realizara através dela, em todas as gerações que virão. A presteza de Maria, em visitar Isabel é física, cronológica, pois realmente o termo hebraico significa "apressadamente". Mas tal diligência e disponibilidade não nascem de um simples desejo humano de "ajudar "a prima numa necessidade, nem de duvidas acerca do que Deus lhe tinha revelado pelo anjo, mas de uma grande disponibilidade de Espírito, conseqüência da alegria que lhe proporcionou sua vocação, de esperança que transborda de sua alma. Maria não foi para "checar o sinal, mas para contemplá-lo. Só que, chegando lá, ela própria criou um novo sinal: ... a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espirito Santo". A saudação de Maria provoca o sinal preparado pôr Deus: O movimento natural da criança no seio de sua mãe converte-se em sinal de gozo e simpatia, suscitado pelo encontro. E a paz que Maria anuncia irrompe sobre Isabel e sobre a vida que se move no seio da anciã. E Maria então contempla o sinal de Deus: a vida que leva em seu seio é portadora de alegria escatológica e de paz. Maria evangeliza com a sua presença e a reação dos evangelizados evangeliza a própria Maria. O encontro com Maria fez com que Isabel ficasse cheia do Espírito Santo e profetizasse. O Espírito de profecia trepai sobre ela numa antecipação do que vai acontecer em Pentecostes algum tempo depois: a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos. Proclama que Deus abençoou o seio de Maria tornando-o prodigiosamente fecundo, reconhece que Maria é autêntica Mãe do Messias, e profetiza a bem-aventurança que Jesus vai proclamar futuramente (Lc 11,28) sobre aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam (Feliz és tu que acreditastes) Sobre Isabel repousa a paz de Maria.

O Magnificat, desde o século I que a igreja reza com este cântico na sua Liturgia, proclamando pôr um lado a história da Salvação realizada em Israel e pôr outro a obra efetuada pôr Deus através da maternidade de Maria. Percebe-se assim que a comunidade cristã, desde o início, já vê Maria como modelo e figura da Igreja, reconhecendo que verá acontecer em si o que ocorreu a Maria, tanto que Sto Irineu diz: "Maria, cheia de alegria, exclama profetizando a Igreja: minha alma engrandece ao Senhor". Em seu cântico, Maria representa Israel, para quem se cumpriram as promessas da Salvação. Maria recolhe os anseios de todo o AT, que se alegre pela Salvação futura. Em seu louvor está incluída a atitude de todos aqueles que experimentaram a satisfação pela intervenção de Deus ao mandar o Messias. No louvor de Maria está condensado o louvor da Igreja.

O Magnificat não pode ser compreendido sem Maria. Tampouco sem a Igreja, pois ele não expressa apenas os sentimentos de Maria, mas também os sentimentos da comunidade cristã que experimentou a vitória de Deus sobre a morte de Jesus na Ressurreição. A fé da Igreja se manifesta neste cântico, saído da fé profunda de Maria na Visitação. Aquilo que desde a Anunciação permanecia oculto na profundidade da obediência à fé, manifesta-se agora claramente, como uma chama vivificante do Espírito. As palavras usadas pôr Maria no umbral da casa de Isabel, que nos fazem vislumbrar sua experiência pessoal e êxtase de seu coração, constituem uma inspirada profissão de fé, na qual a resposta à palavra da Revelação se expressa com a elevação espiritual e poética de todo o seu ser a Deus.

Mas o Magnificat propõe à igreja a melhor resposta humana que se pode dar à proposta de Deus. Ao identificarmo-nos com os sentimentos de Maria, chegamos à verdade sobre Deus, sobre nós, sobre os outros, sobre o mundo... Entendemos que a verdade de Deus (a única verdade) não é uma verdade teórica, mas histórica, uma verdade que acontece, que se realiza e nos realiza. Maria é a primeira testemunha da maravilhosa verdade sobre Deus, que se realizará plenamente mediante o que fez e ensinou Seu Filho, e definitivamente, mediante Sua cruz e Ressurreição.

Maria é a primeira testemunha da verdade sobre o homem, porque anuncia o amor misericordioso de Deus pôr ele. O Deus do Magnificat, o verdadeiro Deus, se derrama totalmente sobre o homem, especialmente sobre o mais necessitado, tanto física, como psicologicamente e espiritualmente.

O Magnificat é assim o modelo acabado de oração e de vida de louvor no Espírito.  

Hosted by www.Geocities.ws

1