Veneração (HiperDulia) de Maria Santíssima, de acordo com a doutrina Católica.


Muito já se debateu com os Irmãos Separados (protestantes) - os irmãos da Igreja Ortodoxa Oriental aceitam plenamente Maria - sobre a Veneração Católica à pessoa de Maria Santíssima. O texto abaixo é a íntegra do Concílio Vaticano II sobre este tema.

Todo aquele que se diz católico deve seguir este dogma católico. Ele é totalmente baseado nas Sagradas Escrituras, e por séculos aceito pelo povo cristão. A questão da promulgação em concílio é apenas a confirmação do que que o Povo de Deus sempre acreditou desde o princípio do cristianismo.

Farei alguns comentários sobre o texto. COM:

Sublinhei algumas passagens abaixo para destaca-las

CAPITULO VIII: A BEM-AVENTURADA VIRGEM

MARIA MÃE DE DEUS NO MISTÉRIO DE

CRISTO E DA IGREJA

1. PROÊMIO

[A Bem-aventurada Virgem no Mistério de Cristo]

52. Deus benigníssimo e sapientíssimo, querendo realizar a Redenção do mundo, “quando veio a plenitude do tempo, enviou seu Filho, feito da mulher, para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gálatas 44-5). “O qual, por amor de nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou, por obra do Espírito Santo, de Maria Virgem” (1). Este mistério divino de salvação se nos revela e perpetua na Igreja, que o Senhor constituiu como Seu corpo. Unidos a Cristo como Cabeça e em comunhão com todos os Seus santos, os fiéis devem venerar também a memória “primeiramente da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo” (2).

(1) Símbolo Constantinopolitano

(2) Missal Romano

« COM: Como por ação da primeira mulher: Eva - o pecado entrou no mundo, por intermédio de Maria: a Primeira Mulher, a que tem a primazia entre todas as mulheres - obediente ao plano de Deus - veio a Salvação. Por meio de Adão - simples homem - o pecado entrou no mundo. O Redentor não poderia ser um simples homem, mas O próprio Deus encarnado. A Mulher que o traria ao mundo também não poderia ser uma simples mulher, mas a escolhida, a filha predileta do Pai. Maria, predestinada desde o princípio, foi divinamente preparada para receber em seu puríssimo ventre o Senhor Jesus Cristo. »

[A Bem-aventurada Virgem e a Igreja]

53.       Pois a Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo e trouxe ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. Em vista dos méritos de seu Filho foi redimida de um modo mais sublime e unida a Ele por um vinculo estreito e indissolúvel, é dotada com a missão sublime e a dignidade de ser Mãe do Filho de Deus, e por isso filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo. Por este dom de graça exímia supera de muito todas as outras criaturas, celestes e terrestres. Mas ao mesmo tempo está unida, na estirpe de Adão, com todos os homens a serem salvos. Mais ainda: é verdadeiramente a Mãe dos membros (de Cristo)... porque cooperou pela caridade para que na Igreja nascessem os fiéis que são os membros desta Cabeça” (3). E por causa disso é saudada também como membro supereminente e de todo singular da Igreja, como seu tipo e modelo excelente na fé e caridade. E a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, honra-a com afeto de piedade filial como mãe amantíssima.

(3) Santo Agostinho

« COM: Maria foi redimida pelo Sacrifício de seu Filho Jesus Cristo, mas ao contrário de nós foi agraciada com a Imaculada Conceição, tendo em si a antecipação da Graça Salvífica de Cristo, em vistas do Filho que iria gerar. Quando da anunciação o anjo diz: "Alegre-se cheia de graça!" (Lc 1,28), ou seja, Maria JÁ ESTAVA cheia (plena, sem possibilidade de aumento) da graça de Deus. Ora, isto deixa mais do que claro o Dogma da Imaculada Conceição. Maria não recebeu a Graça de Deus com a anunciação de Gabriel, mas JÁ, desde sua concepção, ERA CHEIA DE GRAÇA. »

[Intenção do Concílio]

54.       Por isso o Sacrossanto Sínodo, ao expor a doutrina sobre a Igreja, na qual o divirto Redentor opera a salvação, quer esclarecer com empenho tanto a missão da Bem-aventurada Virgem no mistério do Verbo Encarnado e do Corpo Místico, como os deveres dos homens remidos para com a Mãe de Deus, mãe de Cristo e mãe dos homens, mormente dos fiéis. Contudo o Concilio não tem em mente propor a doutrina completa sobre Maria, nem quer dirimir as questões ainda não trazidas à plena luz pelo trabalho dos teólogos. Mantém-se por isso em seu direito as opiniões que nas escolas católicas se propõem livremente acerca daquela que na Santa Igreja ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós (4).

(4) Paulo VI “Allucutio in Concilio” 4-12-1963

« COM: A Igreja, em sua sempre evidente prudência, não decreta autoritariamente a doutrina completa sobre Maria, deixando livre aos teólogos os estudos e as teses marianas. »

II. A MISSÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM NA ECONOMIA DA SALVAÇÃO

[A Mãe do Messias no Velho Testamento]

55.       As Sagradas Letras do Velho e do Novo Testamento, como também a veneranda Tradição, mostram o múnus da Mãe do Salvador na Economia da salvação com sempre maior clareza e a apresentam como digna de nossa consideração. Os livros do Antigo Testamento descrevem a história da salvação pela qual o advento de Cristo neste mundo lentamente preparado. Estes documentos primitivos, tais como são lidos na Igreja e entendidos à luz da revelação posterior e plena, manifestam com sempre maior nitidez a figura da mulher, Mãe do Redentor. Vista sob esta luz, ela já é profeticamente esboçada na promessa dada aos primeiros pais caídos no pecado, quando se fala da vitória sobre a serpente (cf. Gn 3,15). De modo semelhante é esta a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho cujo nome será Emanuel (Is 7,14; cf. Miq 5,2-3; Mt 1,22-23). Ela mesma sobressai entre os humildes e pobres do Senhor que d’Ele esperam e recebem com fé a salvação. Com ela enfim, excelsa Filha de Sião, depois de uma demorada espera da promessa, completam-se os tempos e se instaura a nova Economia, quando o Filho de Deus assumiu dela a natureza humana a fim de livrar o homem do pecado pelos mistérios de Sua carne.

« COM: A Tradição (Tra-Dire) é a vivência do Ser Igreja que, desde o princípio do cristianismo, acumula as experiências de clérigos, teólogos, filósofos e leigos no estudo e meditação da Revelação divina sob a Luz do Espírito Santo. Jesus Cristo assumiu a sua Natureza Humana de Maria. Deste modo Ele, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, é um Ser Único numa união hipostática das duas naturezas. »

[Maria na Anunciação]

56. Quis, porém, o Pai das misericórdias que a encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho, para que assim como a mulher contribuiu para, a morte, a mulher também contribuísse para a vida. O que de modo excelentíssimo vale da Mãe de Jesus, a qual deu ao mundo a própria Vida que tudo renova e foi por Deus enriquecida com dons dignos para tamanha função. Daí não admira que nos Santos Padres prevalecesse o costume de chamar a Mãe de Deus toda santa, imune de toda  mancha de pecado, como que plasmada pelo Espírito Santo e formada nova criatura. Dotada desde o primeiro instante de sua conceição dos esplendores de uma santidade inteiramente singular, a Virgem de Nazaré é por ordem de Deus saudada pelo Anjo anunciador como “cheia de graça” (cf. Lc 1,28). E ela mesma responde ao mensageiro celeste: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Assim Maria, filha de Adão, consentindo na palavra divina, se fez Mãe de Jesus. E abraçando a vontade salvífica de Deus com coração pleno, não retida por nenhum pecado, consagrou-se totalmente como serva do Senhor à pessoa e obra de seu Filho, servindo sob Ele e com Ele, por graça de Deus onipotente, ao mistério da redenção. Por isso é com razão que os Santos Padres julgam que Deus não se serviu de Maria como de instrumento meramente passivo, mas julgam-na cooperando para a salvação humana com livre fé e obediência. Pois ela, como diz S. Irineu, “obedecendo se fez causa de salvação tanto para si como para todo o gênero humano” Donde não poucos Padres antigos afirmam de bom grado em sua pregação: “O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade, a virgem Maria desligou pela fé”. Comparando Maria com Eva, chamam-na de "mãe dos viventes”; e com freqüência afirmam: “veio a morte por Eva e a vida por Maria” (5).

(5) São Jerônimo

« COM: Como já dito, Maria é Cheia de Graça desde sua Imaculada Conceição, e por isto não é um instrumento passivo, mas cooperante na Economia da Salvação. »

[A Bem-aventurada Virgem e o Menino Jesus]

57. Esta união entre Mãe e Filho na obra da salvação manifesta-se desde o tempo da virginal Conceição de Cristo até Sua morte. Manifesta-se primeiramente quando Maria, levantando-se com pressa para visitar Isabel, é saudada como bem-aventurada por causa de sua fé na salvação prometida e o precursor exultou no seio da mãe (cf. Lc 1,41-45). Manifesta-se no dia de natal, quando a Mãe de Deus mostrou cheia de alegria aos pastores e Magos seu Filho primogênito, que não lhe violou, mas sagrou a integridade virginal. Quando, depois de oferecido o óbolo dos pobres, apresentou-O no templo ao Senhor, ouviu a Simeão prenunciando simultaneamente que o Filho seria um futuro sinal de contradição e uma espada perpassaria a alma da mãe, para que se revelassem os pensamentos de muitos corações (cf. Lc 2,34-35). Quando o Menino Jesus se perde e seus pais o procuram com dor, encontram-no no templo ocupado nas coisas que eram de seu Pai; e não entenderam a palavra do Filho. Mas sua Mãe conservava tudo isto em seu coração para meditar (cf. Lc 2,41-51).

« COM: "... para que se revelassem  os pensamentos de muitos corações ..." Com a espada, a dor que compartilhou com Jesus, seu Filho, aos pés da cruz, Maria passou para a História da Salvação com a Mãe das Dores. Somos irmãos de Jesus pela fé, portanto filhos de Maria na mesma fé. Não devemos ter medo de revelar, manifestar, mostrar ao mundo, os pensamentos que existem em nossos corações (mentes) a respeito da Mãe de Jesus e nossa Mãe. »

[A B. Virgem Maria no ministério público de Jesus]

58.       Na vida pública de Jesus Sua Mãe aparece significativamente. Já no começo, quando, para as núpcias em Caná da Galiléia, movida de misericórdia, conseguiu por sua intercessão o inicio dos sinais de Jesus, o Messias (cf Jo 2,1-11). No decurso da pregação de seu Filho ela recebeu as palavras pelas quais, exaltando o Reino acima de raças e vínculos de carne e sangue, Ele proclamou bem-aventurados os que ouvem e guardam a palavra de Deus (cf. Mc 3,35 e Lc 11,27-28), tal como ela mesma fielmente o fazia (cf. Lc 2,19 e 51). Assim a B. Virgem avançou em peregrinação de fé. Manteve fielmente sua união com o Filho até à cruz, onde esteve não sem desígnio divino (cf. Jo 39,25). Veementemente sofreu junto com seu Unigênito. E com ânimo materno se associou ao Seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vitima por ela mesma gerada. Finalmente, pelo próprio Cristo Jesus moribundo na cruz foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: Mulher, eis ai teu filho (cf. Jo 19,26-27).

« COM: Em Caná Jesus antecipou sua hora por causa do pedido de sua Mãe. Maria é Bem-Aventurada, dede sua Imaculada Conceição, e também bem-aventurada porque ouve e guarda a Palavra de Deus. Maria estava aos pés da cruz, algo que os soldados romanos não permitiam, sofrendo com seu Filho.. consentindo no Sacrifício em favor do gênero humano. Maria estava lá, representando a todos nós, e foi dada, por Jesus, a nós como nossa Mãe. »

[A B. Virgem depois da Ascensão de Jesus]

59.       Tendo sido do agrado de Deus não manifestar solenemente o mistério da salvação humana antes de derramar o Espírito prometido por Cristo, vemos os Apóstolos antes do dia de Pentecostes “perseverando unanimemente em oração com as mulheres e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos d’Ele“ (At 1, 14), e outrossim Maria implorando com suas preces o dom do Espírito, o qual já na Anunciação a havia coberto com sua sombra. Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E, para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores (cf. Apoc 19,16) e vencedor do pecado e da morte, foi Exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo.

« COM: Maria, cheia de graça desde sua Imaculada Conceição, fiel seguidora do seu Filho sofrendo junto a Ele aos pés da cruz, é muito mais que uma pessoa cristianizada - Ela é uma pessoa Cristificada - e, portanto, pelo atributo atemporal de Deus, está na Gloria Eterna de Corpo e Alma. Sendo a Mãe do Rei do Universo, é coroada em razão do seu Sim ao Projeto de Deus. »

III.         A BEM-AVENTURADA VIRGEM E A IGREJA

[Maria serva do Senhor na obra da redenção e santificação]

60.       Um só é o nosso Mediador segundo as palavras do Apóstolo: “Porque um só é Deus, também há um só Mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, que se entregou para redenção de todos” (1 Tim 2,5-6). Todavia a materna missão de Maria a favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui esta mediação única de Cristo, mas até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da Bem-aventurada Virgem a favor dos homens não se origina de alguma necessidade interna, mas do divino beneplácito. Flui dos superabundantes méritos de Cristo, repousa na Sua mediação, dela depende inteiramente e dela adere toda a força. De modo algum impede, mas até favorece a união imediata dos fiéis com Cristo.

« COM: Ao contrário do que pensam e apregoam os nossos irmãos separados, herdeiros de Lutero, a Igreja Católica sempre proclamou Jesus Cristo como o Único Mediador. »

61.       Predestinada desde a eternidade junto com a Encarnação do Verbo divino, como Mãe de Deus, por desígnio da Providência divina, a Bem-aventurada Virgem foi nesta terra a sublime mãe do Redentor, singularmente mais que os outros Sua generosa companheira e humilde serva do Senhor. Ela concebeu, gerou, nutriu a Cristo, apresentou-O ao Pai no templo, compadeceu com seu Filho que morria na cruz. Assim de modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por tal motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça.

« COM: Jesus é um só ser: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, em uma união hipostática destas duas naturezas, portanto Maria é a TEOTÓKOS - Mãe de Deus - Jesus Cristo. Ou podemos dividir a Natureza de Jesus? »

62.       Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente, a partir do consentimento que ela fielmente prestou na Anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve, até à perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este salvífico múnus, mas por sua multíplice intercessão prossegue em granjear-nos os dons da salvação eterna. Por sua maternal caridade cuida dos irmãos de seu Filho, que ainda peregrinam rodeados de perigos e dificuldades, até que sejam conduzidos à feliz pátria. Por isso a Bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, Adjutriz, Medianeira, Isto, porém, se entende de tal modo que nada derrogue, nada acrescente à dignidade e eficácia de Cristo, o único Mediador.

Com efeito, nenhuma criatura jamais pode ser colocada no mesmo plano com o Verbo encarnado e Redentor. Mas como o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos seja pelos ministros seja pelo povo fiel, e como a indivisa bondade de Deus é realmente difundida nas criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do Redentor não exclui, mas suscita nas criaturas uma variegada cooperação que participa de uma única fonte.

A Igreja não hesita em proclamar esse múnus subordinado de Maria. Pois sempre de novo o experimenta e recomenda-o ao coração dos fiéis para que, encorajados por esta maternal proteção, mais intimamente adiram ao Mediador e Salvador.

« COM: A eficácia do Sacrifício de Cristo é plena e em nada pode ser acrescentada. Nenhuma criatura, nem Maria ou outra pessoa qualquer, pode ser colocada no mesmo plano que Jesus. »

[Maria, tipo da Igreja como Virgem e Mãe]

63.       Em virtude da graça da divina maternidade e da missão pela qual ela está unida com seu Filho Redentor, e em virtude de suas singulares graças e funções, a Bem-aventurada Virgem está também intimamente relacionada com a Igreja. Já S. Ambrósio ensinava que a Mãe de Deus é o tipo da Igreja na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo. No mistério da Igreja — pois também a Igreja é com razão chamada mãe e virgem — a Bem-aventurada Virgem Maria ocupa um lugar eminente e singular como modelo de virgem e de mãe. Crendo e obedecendo, ela gerou na terra o próprio Filho do Pai, sem conhecer varão, coberta pela sombra do Espírito Santo, e, como nova Eva, não deu crédito à antiga serpente, mas aceitou sem mescla de dúvida e falsidade a palavra do mensageiro de Deus. O Filho que ela gerou foi por Deus constituído primogênito entre muitos irmãos (cf. Rom 8,20), isto é, entre os fiéis em cuja geração e formação ela coopera com materno amor.

64.       Por certo a Igreja, contemplando-lhe a arcana santidade, imitando-lhe a caridade e cumprindo fielmente a vontade do Pai mediante a palavra de Deus recebida na fé, torna-se também ela mãe. Pois pela pregação e pelo batismo ela gera para a vida nova e imortal os filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus, Ela é também a virgem que integra e puramente guarda a palavra dada ao Esposo. Imitando a Mãe de seu Senhor pela virtude do Espírito Santo conserva virginalmente uma fé íntegra, uma sólida esperança e uma sincera caridade (6).

(6) Santo Ambrósio

« COM: Maria é Modelo para o cristão. Ela é exemplo de cristificação, de entrega total à vontade de Deus. »

[As virtudes de Maria que devem ser Imitadas na Igreja]

65.       Enquanto na Beatíssima Virgem a Igreja já atingiu a perfeição, pela qual existe sem mácula e sem ruga (cf. Ef 5,27), os cristãos ainda se esforçam para crescer em santidade vencendo o pecado. Por isso elevam seus olhos a Maria que refulge para toda a comunidade dos eleitos como exemplo de virtudes. Piedosamente nela meditando e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, a Igreja penetra com reverência mais profundamente no sublime mistério da Encarnação, assemelhando-se mais e mais ao Esposo. Pois Maria, entrando intimamente na história da salvação, une em si de certo modo e reflete as supremas normas da fé. Quando é proclamada e cultuada, leva os fiéis ao seu Filho, ao sacrifício do Filho e ao amor do Pai. A igreja, porém, buscando a glória de Cristo, torna-se mais semelhante ao seu excelso Tipo, e constantemente progride na fé, esperança e caridade, procurando e cumprindo a vontade divina em tudo. Esta é a razão também por que em sua obra apostólica a Igreja se volta para Aquela que gerou a Cristo, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem  a fim de que pela Igreja nasça também e cresça nos corações dos fiéis. Esta Virgem deu em sua vida o exemplo daquele materno afeto do qual devem estar animados todos os que cooperam na missão apostólica da Igreja para a regeneração dos homens.

IV.        O CULTO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM NA IGREJA

[Natureza e fundamento do culto]

66. Por graça de Deus exaltada depois do Filho acima de todos os anjos e homens, como Mãe santíssima de Deus, Maria esteve presente aos mistérios de Cristo e é merecidamente honrada com culto especial pela Igreja. Com efeito, desde remotíssimos tempos a Bem-aventurada Virgem é venerada sob o titulo de Mãe de Deus, sob cuja proteção os fiéis se refugiam súplices em todos os seus perigos e necessidades. Por isso, mormente desde o Sínodo de Éfeso, o culto do povo de Deus a Maria cresceu maravilhosamente em veneração e amor, em invocação e imitação, de acordo com suas próprias proféticas palavras: “Chamar-me-ão bem-aventurada todas as gerações, porque fez em mim grandes coisas o Poderoso” (Lc 1,48). Este culto, tal como sempre existiu na Igreja, embora seja inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encarnado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, e o favorece poderosamente. As várias formas de piedade para com a Mãe de Deus - que a Igreja aprovou dentro dos limites da sã e ortodoxa doutrina, segundo as condições dos tempos e lugares e a índole e capacidade dos fiéis fazem com que, enquanto se honra a Mãe, o Filho, por causa de Quem tudo foi criado (cf Col 1,15-16) e no Qual por agrado do Pai eterno reside toda a plenitude (Col 149), seja devidamente conhecido amado, glorificado e que sejam guardados seus mandamentos.

« COM: A veneração (HiperDulia) prestada a Maria, em sua essência, é totalmente diferente da Adoração (Latria) que prestamos apenas a Deus. A Igreja sempre aprovou - dentro dos limites da hiperdulia - a veneração da Mãe do Salvador. »

[O espírito da pregação e do culto]

67. O Sacrossanto Sínodo ensina deliberadamente esta doutrina católica e admoesta ao mesmo tempo todos os Filhos da Igreja a que generosamente promovam o culto, sobretudo o Litúrgico, para com a Bem-aventurada Virgem, dêem grande valor às práticas e aos exercícios de piedade recomendados pelo Magistério no curso dos séculos e observem religiosamente o que em tempos passados foi decretado sobre o culto das imagens de Cristo, da Bem-aventurada Virgem e dos Santos. Mas com todo o empenho exorta os teólogos e os pregadores da palavra divina a que na consideração da singular dignidade da Mãe de Deus se abstenham com diligência tanto de todo o falso exagero quanto da demasiada estreiteza de espírito. Sob a direção do Magistério cultivem o estudo da Sagrada Escritura, dos Santos Padres e Doutores e das liturgias da Igreja para retamente ilustrar os ofícios e privilégios da Bem-aventurada Virgem que sempre levam a Cristo, origem de toda verdade, santidade e piedade. Com diligência afastem tudo que, por palavras ou por fatos, possa induzir os irmãos separados ou quaisquer outros em erro acerca da verdadeira doutrina da Igreja. Ademais, saibam os fiéis que a verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, excitados a um amor filial para com nossa Mãe e imitação das suas virtudes.

« COM: O culto litúrgico de Maria é o mais correto, pois segue rigorosamente a Doutrina da Igreja Católica - sem os perigos dos excessos - e é uma celebração que conta com a participação, no sentido da universalidade da Igreja, de todos os cristãos irmanados pela fé. Todos os cristãos católicos devem exprimir sua veneração (hiperdulia) para com Maria de forma consciente e prudente. Devemos, também, defender esta doutrina católica mesmo perante os ataques de alguns irmãos separados, procurando mostras a eles as maravilhas que o todo-poderoso fez a Maria e, por intermédio dela, a todos nós. »

V.  MARIA, SINAL DA ESPERANÇA SEGURA E DO CONFORTO AO PEREGRINANTE POVO DE DEUS

68. Nesse ínterim a Mãe de Jesus, tal conto está nos céus já glorificada de corpo e alma, é a imagem e o começo da Igreja como deverá ser consumada no tempo futuro. Assim também brilha aqui na terra como sinal da esperança segura e do conforto para o povo de Deus em peregrinação, até que chegue o dia do Senhor (cf. 2 Ped 310).

69.       Causa grande alegria e consolação a este sacrossanto Sínodo o fato e não faltarem também entre os irmãos separados os que dão a devida honra à Mãe do Senhor e Salvador, especialmente entre os Orientais que com férvido impulso e coração devoto concorrem ao culto da sempre Virgem Mãe de Deus. Todos os fiéis cristãos supliquem instantemente à Mãe de Deus e Mãe dos homens, para que Ela, que com suas preces assistiu às primícias da Igreja, também agora, exaltada no céu sobre todos os bem-aventurados e anjos, na Comunhão de todos os Santos, interceda junto a seu Filho até que todas as famílias dos povos, tanto as que estão ornadas com o nome de cristão, como as que ainda ignoram o seu Salvador, sejam felizmente congregadas na paz e concórdia, no único Povo de Deus, para a glória da Santíssima e Indivisa Trindade.

[Promulgação]

Todo o conjunto e cada um dos pontos que foram enunciados nesta Constituição dogmática pareceram bem aos Padres do Sacrossanto Concílio.

E Nós, pelo Poder Apostólico por Cristo a Nós confiado, juntamente com os Veneráveis Padres no Espírito Santo a aprovamos, decretamos e estatuímos. Ainda ordenamos que o que foi assim determinado em Concílio seja promulgado para a glória de Deus.

Roma, junto de São Pedro,

no dia 21 de novembro de 1964.

Eu, PAULO, Bispo da Igreja Católica.

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