MARIA NA HIST�RIA DA SALVA��O


"Os livros do Antigo e do Novo Testamento e a tradi��o mostram, o modo que se vai tomando cada vez mais claro, e colocam, diante dos nossos olhos a fun��o da M�e do Salvador na Economia da Salva��o. Os livros do Antigo Testamento descrevem a hist�ria da Salva��o, que a passos lentos, a vinda de Cristo ao Mundo. Estes primeiros documentos, tais como s�o lidos na igreja e entendidos � luz da Revela��o Completa, iluminam pouco a pouco, sempre com amor clareza, a figura de uma mulher, a da M�e do Redentor". (LG 55)

 Ao longo do Antigo Testamento conhecemos Maria profeticamente esbo�ada na longa espera da promessa que termina quando os tempos atingem sua plenitude, e o filho de Deus assume dela a natureza humana para nos salvar. Deus previu de longe a Virgem Maria, e a preparou, esbo�ando alguns tra�os de sua fisionomia, de modo que, considerando alguns textos do Antigo Testamento, vemos que nele estava latente o que se tornou presente no novo. Jesus e Maria est�o prefigurados p�r outras pessoas e p�r profecias narradas no Antigo Testamento. Deus em um ato de amorosa condescend�ncia, quis fazer conhecer e amar p�los homens a Sua M�e Sant�ssima, mesmo antes que ela tocasse a terra com seus p�s imaculados. N�o se pode negar que Maria tem seu papel singular na Hist�ria da Salva��o da humanidade, Assim todos os povos, que ansiavam pela salva��o, estiveram `a espera de Jesus como de Maria, M�e universal do Criador e das criaturas. Maria pertence, ao mesmo tempo, � Antiga e � Nova Alian�a: Ela encerra o Antigo Testamento e abre o Novo, inaugurando a plenitude dos tempos. Ela une o povo de Israel ao Salvador esperado, pois o Antigo Testamento n�o � sen�o uma longa expectativa do Salvador. Atrav�s dos anseios dos Patriarcas e dos Profetas, sentimos a presen�a de Maria delineada, esbo�ada, cada vez mais n�tida e precisamente. Maria assim resume e encarna a longa prepara��o de vinte s�culos, que precederam a vinda do Messias. O povo de Israel fora escolhido p�r Deus para ser o instrumento de Seus planos em rela��o aos outros povos. Em Maria, filha do povo de Israel verdadeiramente fiel ao pensamento de Deus e ao Seu apelo, o amor de Deus vai realizar-se no seu des�gnio de Salva��o universal. Escreve o Pe. Dani�lou: "Ela n�o � somente a filha de Israel, mas aquela p�r quem a ra�a de Israel se projeta sobre a humanidade inteira, pois ela � tanto filha de Abra�o quanto filha de Davi, e ao mesmo tempo, M�e da Divina Gra�a, mediadora universal, M�e do g�nero humano... � Aquela que aceitou n�o ser somente judia; consentiu que seu cora��o se dilatasse at� os limites do mundo...Ao fim da hist�ria de Israel, a Virgem Maria � verdadeiramente o �xito perfeito do que Deus tinha Querido realizar." O plano divino da Salva��o, que nos foi revelado plenamente com a vinda de Cristo "compreende em si todos os homens, mas reserva um lugar singular � mulher que foi a M�e daquele ao qual o Pai confiou a obra da Salva��o "(S. Jo�o Damasceno) . Diz Jo�o Paulo II na sua Carta Enc�clica "Redemptoris Mater', que "A M�e do Redentor tem um lugar bem preciso plano da Salva��o porque ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho nascido de uma mulher, nascido sob a Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos � Lei para que receb�ssemos a ado��o de Filhos"(Gl 4,4-6). Maria � assim a mulher da qual nasceu Redentor e a nossa filia��o divina. No momento em que o Esp�rito Santo plasmou no seio da Virgem Maria a natureza humana de Cristo, o Verbo Eterno, que estava junto do Pai entra no tempo, e o tempo se toma "tempo de Salva��o". Assim � que Cristo e Maria Sant�ssima se tornam indissoluvelmente ligados na hist�ria da nossa Salva��o. Nossa Senhora � como uma carta de Deus para a humanidade, escrita n�o com tinta, mas com o Esp�rito de Deus, n�o em t�buas de pedra, mas em t�bua de carne, usando as palavras de S�o Paulo � igreja de Corinto (II Cor 3,2-3). A compara��o � muito justa, pois Maria � M�e de toda a Igreja e Modelo para todos os Crist�os. Ningu�m como ela acolheu a palavra de Deus e a p�s em pratica t�o fielmente. Devemos ler esta carta que � Maria, trilhar um caminho de escuta e de obedi�ncia � palavra de Deus, p�r uma docilidade ao Esp�rito Santo.

Alguns t�m afirmado ser sup�rflua a devo��o � Nossa Senhora, e alegam a verdade de que Deus, sendo onipotente, poderia salvar a humanidade sem Maria. De fato Deus, em Sua onipot�ncia, poderia nos salvar at� sem a Encarna��o do Seu Filho, mas foi justamente usando Sua onipot�ncia que Ele livremente, decidiu faz�-lo deste modo. ASSIM E P�R LIVRE DECIS�O DIVINA, Nossa Senhora tem um lugar bem preciso na Hist�ria da Salva��o de toda a humanidade. No Seu Amor e Sabedoria, o Pai realmente decidiu colocar Maria dentro do Mist�rio de nossa Salva��o.

Ora��o Senhora do Sil�ncio

M�e do Sil�ncio e da Humildade, tu vives perdida e encontrada no mar sem fundo do Mist�rio do Senhor.
Tu �s disponibilidade e receptividade. Tu �s fecundidade e plenitude. Tu �s aten��o e solicitude pelos irm�os. Est�s revestidas de fortaleza. Resplandecem em ti a maturidade humana e a eleg�ncia espiritual. �s senhora de ti mesma antes de ser nossa Senhora.
Em ti n�o existe dispers�o. Em um ato de simples e total, tua alma, toda im�vel, est� paralizada e identificada com o Senhor. Est�s dentro de Deus, e Deus dentro de ti. O Mist�rio total te envolve e te penetra e te possui, ocupa e entrega todo o teu ser.
Parece que em ti tudo ficou parado, tudo se identificou contigo: o tempo, o espa�o, a palavra, a m�sica, o sil�ncio, a mulher, Deus. Tudo ficou assumido em ti, e divinizado.
Jamais se viu figura humana de tamanha do�ura, nem se voltar� a ver nesta terra uma mulher t�o inefavelmente evocadora.
Entretanto, teu sil�ncio n�o � a aus�ncia mas presen�a. Est�s abismada no Senhor e ao mesmo tempo atenta aos irm�os, como em Can�. A comunica��o nunca � t�o profunda como quando n�o se diz nada, e o sil�ncio nunca � t�o eloq�ente como quando nada se comunica.
Faze-nos compreender que o sil�ncio n�o � desinteressante pelos irm�os, mas fonte de energia e de irradia��o, n�o � encolhimento mas proje��o. Faz-nos compreender que, para derramar, � preciso preencher-se.
Afoga-se o mundo no mar da dispers�o, e n�o � poss�vel amar os irm�os com um cora��o disperso. Faze-nos compreender que o apostolado, sem sil�ncio, � aliena��o, e que o sil�ncio, sem apostolado, � comodidade.
Envolve-nos em teu manto de sil�ncio e comunica-nos a fortaleza de tua F�, a altura de tua Esperan�a e a profundidade de teu Amor.
Fica com os que ficam e vem com os que partem.
� M�e Admir�vel do Sil�ncio!

INACIO LARRA�AGA

 

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