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O
suar sangue, ou "hematidrose", é um fenômeno raríssimo. É
produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma
fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma
profunda emoção, por um grande medo. Conhecemos
a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a
Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então
ordena a flagelação de Jesus. Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo
pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas
sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos
devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam
com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias
do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe
Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe
impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe
correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia
em uma poça de sangue. Depois
o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os
algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os
espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o
quanto sangra o couro cabeludo). Pilatos,
depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega
para ser crucificado.Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal
da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre
o Calvário. Jesus
caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de
pedregulhos. Os soldados o puxam com as
cordas. O percurso, é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé
após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão
cobertos de chagas. Quando
ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso.Sobre o
Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a
sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem
já tirou ma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada
fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações
nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão
violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não
é o fim. O sangue começa a escorrer. Jesus
é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pé e pedregulhos.
Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com
uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos.
Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no
sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem
sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo
mediano foi lesado. Pode-se
imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que
se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor
mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão
dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência.
Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso
permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo
se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A
cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um
suplício que durará três horas. O carrasco e seu ajudante empunham a
extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé;
conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois
rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os
ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas
cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio.A cabeça de Jesus
inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se
na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas
de dor. Pregam-lhe os pés. Ao
meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara
de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A
garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um
soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida,
em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um
estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se
enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps
esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido
de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se
generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida
aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração
se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue
mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático
em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se
transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico. Jesus
é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se.
A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Mas o que
acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio
sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração
dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais
ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial. Por
que este esforço? Porque Jesus quer falar: "Pai, perdoa-lhes porque não
sabem o que fazem". Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e
a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na
cruz: cada vez que quer falar, deverá levar-se tendo como apoio o prego dos pés.
Inimaginável! Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames
de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco
depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo
serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas. Todas
as suas dores, a sede, as câimbras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos,
lhe arrancam um lamento: "Meu Deus, meu Deus, porque me
abandonastes?". Jesus grita: "Tudo está consumado!". Em seguida
num grande brado diz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". E
morre. Em meu lugar e no seu. Autor:
Dr. Barbet, médico francês Fonte:
www.veritatis.com.br 10/03/2004 |
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