I SAF
PUC
I Semana dos Alunos de Pós-Graduação em Filosofia da PUC-Rio
QUARTA
20
SETEMBRO
10:40h -  A lucidez e o nada. O niilismo negativo de Emile Cioran
Rosário Rossano Pecoraro
Filósofo do “não”, negador impetuoso e solitário do universo, impiedoso e lúcido ao denunciar o Nada, a inconsistência de tudo aquilo que “é”, o pensador franco-romeno Emile Cioran (1911-1995) representa um momento fundamental na história do niilismo. É nele que o “pensamento negativo” chega até às máximas e devastadoras conseqüências. Cioran não pára de corroer-se e corroer o universo. Não pára de espargir sobre si e sobre tudo aquilo que é o ácido da lucidez e de renunciar a qualquer tipo de libertação, que não seria outra coisa senão uma nova ilusão.
Ele não aceita consolações: percorreu as sendas do conhecimento sem nunca abandonar a lucidez e descobriu o absurdo cósmico, a falta absoluta de um sentido. Místico sobrevivente do êxtase, “toca” o Nada, recai no mundo sensível, afunda-se no tédio, na negação sem ação, na melancolia. A lucidez não é compatível com nenhuma forma de construção. O filósofo romeno não abdica a nenhum desejo criador, não abaixa a cabeça perante nenhuma vontade de potência. Possuidor da consciência do Nada, limita-se a sentir o universo, desvelar, escrever. Limita-se a subsistir raivosamente em uma intemporalidade negativa na qual não é possível nem viver nem morrer, nem existir nem matar-se. Porque tudo é vão, também o suicídio é uma polêmica inútil contra a indiferença. 
Filósofo rebelde, esquartejador misericordioso, Cioran nos deixa como herança o seu duvidar sem interrupção, a sua lucidez, o seu sorriso feroz sobre o universo, a sua incessante “lição de perplexidade”, o seu pessimismo cósmico, a sua filosofia ética da Renúncia. 

Programação:

                  Quarta-feira, 20 de setembro
               Quinta-feira, 21 de setembro
               Sexta-feira, 22 de setembro

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