| I | SAF
PUC |
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| 10:40h - | A lucidez
e o nada. O niilismo negativo de Emile Cioran
Rosário Rossano Pecoraro |
| Filósofo do “não”,
negador impetuoso e solitário do universo, impiedoso e lúcido
ao denunciar o Nada, a inconsistência de tudo aquilo que “é”,
o pensador franco-romeno Emile Cioran (1911-1995) representa um momento
fundamental na história do niilismo. É nele que o “pensamento
negativo” chega até às máximas e devastadoras conseqüências.
Cioran não pára de corroer-se e corroer o universo. Não
pára de espargir sobre si e sobre tudo aquilo que é o ácido
da lucidez e de renunciar a qualquer tipo de libertação,
que não seria outra coisa senão uma nova ilusão.
Ele não aceita consolações: percorreu as sendas do conhecimento sem nunca abandonar a lucidez e descobriu o absurdo cósmico, a falta absoluta de um sentido. Místico sobrevivente do êxtase, “toca” o Nada, recai no mundo sensível, afunda-se no tédio, na negação sem ação, na melancolia. A lucidez não é compatível com nenhuma forma de construção. O filósofo romeno não abdica a nenhum desejo criador, não abaixa a cabeça perante nenhuma vontade de potência. Possuidor da consciência do Nada, limita-se a sentir o universo, desvelar, escrever. Limita-se a subsistir raivosamente em uma intemporalidade negativa na qual não é possível nem viver nem morrer, nem existir nem matar-se. Porque tudo é vão, também o suicídio é uma polêmica inútil contra a indiferença. Filósofo rebelde, esquartejador misericordioso, Cioran nos deixa como herança o seu duvidar sem interrupção, a sua lucidez, o seu sorriso feroz sobre o universo, a sua incessante “lição de perplexidade”, o seu pessimismo cósmico, a sua filosofia ética da Renúncia. |
Programação:
Quarta-feira, 20 de setembro
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