I SAF
PUC
I Semana dos Alunos de Pós-Graduação em Filosofia da PUC-Rio
SEXTA
22
SETEMBRO
15:00h -  Mûthos e lógos no Fédon de Platão                                                
Alexandre Jordão Baptista
No início do Fédon, Platão aponta o lógos como o gênero de discurso próprio ao filósofo, em oposição ao mûthos, que caracterizaria o poeta (60b-1 – 61b-7). No sofista, lógos é definido como um discurso consistindo de um entrelaçamento de nome(s) e verbo(s) e que, enquanto discurso, é sempre discurso sobre alguma coisa, podendo, dessa forma, ser considerado verdadeiro ou falso, na medida em que expressa a realidade apontada de forma adequada ou não (262a-1 –263b 2-8). No entanto, tal verificação, e conseqüentemente tal juízo sobre a verdade e a falsidade contida no discurso, só é possível se as realidades apontadas são de alguma forma acessíveis ao homem. Para Platão (A República VI), dois gêneros de realidades satisfazem esta exigência: as coisas sensíveis, apreendidas pelos sentidos, e as formas inteligíveis, apreendidas pelo intelecto. De maneira que, para além da acepção comum de lógos como performance, como discurso em geral, este termo adquire em Platão o sentido específico de discurso verificável. É esta perspectiva que define a distinção entre lógos e mûthos, onde o segundo é caracterizado, em oposição ao primeiro, como discurso inverificável, uma vez que os objetos referidos neste gênero de relato são inacessíveis tanto ao intelecto quanto aos sentidos e portanto não passíveis de verificação. Entretanto, o próprio Platão parece não respeitar suficientemente este limite e não poucas vezes propõe lógos sobre acontecimentos e personagens que não satisfazem a condição de verificabilidade mencionada acima e, o mais importante, um dos pontos principais de sua filosofia – a alma e tudo o que ela tem de imortal – se situa, justamente, num nível intermediário entre o mundo das formas inteligíveis e o das coisas sensíveis, ou seja, num nível sobre o qual, segundo a doutrina platônica, a princípio, nenhum lógos seria possível. É no Fédon que Platão se ocupa especificamente com este tema; nele, Sócrates tenta convencer seus companheiros sobre a imortalidade da alma recorrendo tanto a discursos argumentativos (lógos) quanto a um mito escatológico, narrado no fim do diálogo, sobre o destino da alma após a morte. O objetivo deste trabalho é analisar como esses dois gêneros de discurso (mûthos e lógos) utilizados por Platão se relacionam no interior do diálogo e porque Platão, enquanto filósofo, se vê obrigado a “fabricar” um mito para dar conta do problema do destino da alma humana após a morte corporal.
 

Programação:

                  Quarta-feira, 20 de setembro
               Quinta-feira, 21 de setembro
               Sexta-feira, 22 de setembro

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