| I | SAF
PUC |
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| 15:00h - | Mûthos
e lógos no Fédon de Platão
Alexandre Jordão Baptista |
| No início do Fédon,
Platão aponta o lógos como o gênero de discurso próprio
ao filósofo, em oposição ao mûthos, que caracterizaria
o poeta (60b-1 – 61b-7). No sofista, lógos é definido como
um discurso consistindo de um entrelaçamento de nome(s) e verbo(s)
e que, enquanto discurso, é sempre discurso sobre alguma coisa,
podendo, dessa forma, ser considerado verdadeiro ou falso, na medida em
que expressa a realidade apontada de forma adequada ou não (262a-1
–263b 2-8). No entanto, tal verificação, e conseqüentemente
tal juízo sobre a verdade e a falsidade contida no discurso, só
é possível se as realidades apontadas são de alguma
forma acessíveis ao homem. Para Platão (A República
VI), dois gêneros de realidades satisfazem esta exigência:
as coisas sensíveis, apreendidas pelos sentidos, e as formas inteligíveis,
apreendidas pelo intelecto. De maneira que, para além da acepção
comum de lógos como performance, como discurso em geral, este termo
adquire em Platão o sentido específico de discurso verificável.
É esta perspectiva que define a distinção entre lógos
e mûthos, onde o segundo é caracterizado, em oposição
ao primeiro, como discurso inverificável, uma vez que os objetos
referidos neste gênero de relato são inacessíveis tanto
ao intelecto quanto aos sentidos e portanto não passíveis
de verificação. Entretanto, o próprio Platão
parece não respeitar suficientemente este limite e não poucas
vezes propõe lógos sobre acontecimentos e personagens que
não satisfazem a condição de verificabilidade mencionada
acima e, o mais importante, um dos pontos principais de sua filosofia –
a alma e tudo o que ela tem de imortal – se situa, justamente, num nível
intermediário entre o mundo das formas inteligíveis e o das
coisas sensíveis, ou seja, num nível sobre o qual, segundo
a doutrina platônica, a princípio, nenhum lógos seria
possível. É no Fédon que Platão se ocupa especificamente
com este tema; nele, Sócrates tenta convencer seus companheiros
sobre a imortalidade da alma recorrendo tanto a discursos argumentativos
(lógos) quanto a um mito escatológico, narrado no fim do
diálogo, sobre o destino da alma após a morte. O objetivo
deste trabalho é analisar como esses dois gêneros de discurso
(mûthos e lógos) utilizados por Platão se relacionam
no interior do diálogo e porque Platão, enquanto filósofo,
se vê obrigado a “fabricar” um mito para dar conta do problema do
destino da alma humana após a morte corporal.
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