| I | SAF
PUC |
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| 15:20h - | Sobre a relação
entre "regras" e "aplicação de regras" em Kant, Frege e Wittgenstein
Nilson Assunção Alvarenga |
| As observações
de Wittgenstein sobre “seguir uma regra” podem ser melhor compreendidas
quando as vemos tentando dar resposta ao mesmo problema enfrentado por
Kant em sua doutrina do esquematismo e por Frege em seu texto sobre o “pensamento”,
qual seja: o problema do critério para a correta aplicação
daquelas regras que são constitutivas do sentido de um “juízo”
(Kant), de uma “sentença” (Frege) ou de um “lance num jogo de linguagem”
(Wittgenstein).
Kant, depois de empreender sua dedução transcendental das categorias, considera a questão sobre como empregar corretamente estas que são as regras para a formação de juízos passíveis de verdade ou falsidade. A resposta é que o critério para avaliar a correta aplicação de uma regra do entendimento (categoria) a objetos é a possibilidade dessa aplicação ser mediada por um esquema transcendental (Kant, KrV:A137-47=B176-87). Frege encara um problema análogo ao de Kant. Investiga como um pensamento, estruturado segundo as leis constitutivas da lógica e que fornece o sentido das sentenças que o expressam, pode ser apreendido por aquele que emprega essas sentenças (Frege: “Der Gedanke”). Já aqui, a recorrência a processos mentais como locus de investigação do critério para aplicação das regras constitutivas do pensamento é descartada. Uma sentença é dotada de sentido se expressa um pensamento, o qual tem existência num terceiro domínio, nem material nem mental; apreender um pensamento é entrar em contato com essa entidade abstrata da qual a sentença não é mais que a “vestimenta” externa. Wittgenstein, depois de se guiar por um modelo mais próximo ao de Fregue, no Tractatus, passa a considerar o “seguir uma regra” como uma praxis. Isto eliminaria a possibilidade de um critério prévio à vigência de uma técnica e de um treinamento conducente à correta aplicação de regras. Regra e aplicação caminham juntamente, de modo que só pode “apreender” uma regra quem “vê” sua aplicação no marco de um jogo de linguagem. (Philosophische Untersuchungen:§§88-108, §§138-155, §§179-242). Situar as observações de Wittgenstein no mesmo contexto de investigação conceitual de Kant e Frege no tocante aos critérios de aplicação de regras do pensamento possibilita observar as Investigações Filosóficas como uma batalha em duas frentes: por um lado, Wittgenstein continua a velha luta contra o mentalismo, recusando o apelo à esfera mental como via de acesso àqueles critérios; por outro, porém, passa agora a lutar contra as próprias armas que Frege havia mobilizado (e que também ele empunhara no Tractatus): a “sublimação” da lógica passa a ser tão combatida quanto a solução mentalista, ambas levando a uma separação nítida entre regra e aplicação, um passo em falso para o autor das Investigações. O trabalho a ser apresentado pretende expor os resultados iniciais obtidos numa primeira comparação entre os textos mencionados, apontando para direções a serem seguidas futuramente. |
Programação:
Quarta-feira, 20 de setembro
Quinta-feira, 21 de setembro
Sexta-feira, 22 de setembro