Elane
Tomich
A dádiva da tempestade
incita-me ao mar remoto,
onde o azul
se transforma
em porquês de maremoto.
Lavei minhas poucas
verdades
onde a pergunta se forma.
Lá onde o mar vira espelho,
mirei-me no inverso do verde
em ponto de incerta beleza.
Então vi o
quanto era velho
sentir o que sentido perde,
no proceder da
certeza.
Entre o verde e o azul,
prefiro o acontecimento
de vadiar
no destino
em ondas de norte a sul,
na vírgula do advento,
do sem fim
ser, inquilino.
Lá, onde o mar se contorce
qual dança de naja
encantada,
dunas guardando o segredo
calado espanto no aporte
às águas
dos afogados
e às cinco mágoas do medo.
Parece
interrogação
entrando dentro da gente.
O imenso não sei do mar,
de
curvas faz furacão,
da dúvida, meio ambiente
em verde de azul
celebrar.