SALVEM O MEU RIO
Sady Mac
Das nuvem escuras do céu
os pingos se fizeram chuva
Caíram sobre a terra seca
poças logo se formaram ao chão
Vejo-me criança, feliz, pés descalços
correndo, pulando, chutando água
fazendo barquinhos de papeis
que se iam sem destinos
nas cachoeiras formadas
nos valos das calçadas
Veias de água a serpear
Em murmúrios
perdidas em direção ao rio...
Ah! Quanta imaginação
Nestes meus sonhos de menino
Hoje vejo com amargura
o meu rio tão tristonho
Poluído de águas turvas quase parando, sem vida...
Meu rio, meu rio...
Das poças da minha infância
Onde me banhava, brincava em tuas águas cristalinas
Agora tão maltratado,
agonizando
salvem o meu rio, os rios...
sem eles a vida será em vão...
Quem sabe depois da chuva
O arco íris se abra
Em suas cores a se espalhar na imensidão
Nos meus sonhos de menino
Verei você gracioso novamente, límpido, caudaloso
A correr em direção ao mar
Salvem o meu rio...
MANUTENÇÃO DA VIDA NA TERRA
Sady Mac
Roda, gira, vira e se vai!
Milhões de anos sou assim
O teu mundo que continua resistindo
As agressões que me fazes ...
Cortas a seiva da minha vida
Mutilado enfrento a dor de dar tanto
Tão pouco receber de volta
Moribundo estou e você não percebe...
Para, parem...Eu sou a vida de vocês
Sou o ar que tu respiras todas manhas
A terra abençoada, arada, plantada
o alimento que te sustenta...
Sou o teu sol a te iluminar Todos os
dias
A te aquecer nas noites frias
Sou lua das noites estreladas que admiras extasiado
E
te acalento os sonhos ao dormir...
Este teu mar azul, imenso, lindo
Que olhas a se perder de vista
E pensativo ouve seus marulhos
Um canto a natureza, ou um grito de
socorro...
Estas nuvens carregadas
A despejar sobre a terra o liquido da
vida
E na terra molhada, castigada
Vêem brotar a vida adormecida...
Sou a mata verde que destrói
Abrindo clarões sem piedade
Da serra que me corta sem dó
Expondo meu cerne caído ao chão...
Parem, pensem!
Eu sou sua vida que te mantém em pé
A vida sua é a minha vida
Parem de se mutilar e cuidem de
mim...