Chuva Negra

 

A chuva negra que cai sobre o novo,

Não respinga no jardim em que se plantaram sonhos,

Fazendo com que já não brotem seus grãos,

Deixando murcharem as pétalas da rosa pálida.

 

A chuva negra permite apenas que nasçam no jardim,

As violetas cinzas do esquecimento,

Distantes umas das outras,

Separadas por uma terra amarga, nascem flores de saudade.

 

A chuva negra cai nas noites de lua,

E suas gotas têm um falso brilho de esperança,

Em que se tenta se agarrar, mas desaparece ao tocar,

E escorre pelos dedos, não se pode segurar.

 

A chuva negra traz aos telhados uma certa morbidez,

Que escorre com a fuligem,

Lavando a poeira do que se teve ao sol,

Manchando de cinza as paredes que sustentam o nada.

 

Quem se abriga destes telhados,

Ao ouvir essa chuva cair, sente tristeza,

Como se algo se partisse, ou alguém partisse,

E sente, mas cala, por não saber bem o que é.

 

Mas quem está só sob a chuva negra,

Sente esperança, como se algo de bom pudesse chegar,

E como se quisesse esse algo de bom pra recomeçar,

E sente, mas espera, por não saber bem o que quer.

Rosa Panerari

 

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