AROEIRA
Por Ant�nio Amaury Silva J�nior

NOME CIENT�FICO
Schinus terebinthifolius Raddi. 

FAM�LIA BOT�NICA
Anarcadiaceae. 

SINON�MIA CIENT�FICA
Schinus chichita Spreng. Schinus chichita weinmanniifolius Mart. Schinus antiarthriticus Mart. ex March. Sarcotheca bahiensis Turcz. 

SINON�MIA POPULAR
Aguar�-iba, aroeira-branca, aroeira-do-brejo, aroeira-do-campo, aroeira-do-paran�, aroeira-mansa, aroeira-pimenteira, aroeira-precoce, aroeira-vermelha, b�lsamo, cambu�, coraciba, corne�ba, fruta-de-cotia, fruto-de-sabi�, pimenta-brasileira, pimenta-rosa, pimenteira-do-peru. 

HABITAT
Planta nativa do Brasil, Argentina e Paraguai, vegetando da Bahia at� o Rio Grande do Sul, principalmente junto ao litoral e nas caatingas nordestinas. Ocorre em cap�es das florestas estacionais semidec�duas, em capoeiras das encostas, � beira dos rios e no campo, como invasora de �reas abandonadas (RODRIGUES e SILVA 1996). Ocorre ainda � beira de c�rregos, em v�rzeas �midas e at� mesmo em solos secos. 

FITOLOGIA
Planta arb�rea pequena, medindo 3 a 5m, mas podendo atingir at� 15m de altura, perene e perenif�lia. Tronco  de casca grossa, cinzenta, lisa, com fissuras finas e longitudinais e com ramos mais ou menos pubescentes. Folhas compostas, membran�ceas, verde-escuras, imparipenadas, pubescentes quando novas, com pec�olo dotado de uma pequena asa lateral, composta de 2 a 10 pares de fol�olos s�sseis, oblongos, agudos ou obtusos, de base assim�trica, glabros e com a margem sutilmente serreada e com aroma de manga. Infloresc�ncia paniculada terminal, reunindo flores pequenas de cor amarelo-p�lido. Frutos globulares, avermelhados, brilhantes, com cerca de 1,5mm de di�metro, com o pericarpo liso, brilhante e fr�gil. O florescimento ocorre de dezembro a abril e a frutifica��o de maio a junho.  AGROLOGIA ? Espa�amento: 4 x 4m. Propaga��o: sementes. Um grama de sementes cont�m cerca de 90 a 95 sementes. A germina��o ocorre entre 11 e 25 dias (NOGUEIRA 1998). As sementes s�o postas a germinar em saquinhos pl�sticos perfurados contendo substrato organo-mineral.  ? Plantio: ano todo. ? Colheita: inicia aos 3 anos de idade da planta.  PARTE UTILIZADA Casca. 

FITOQU�MICA 
O frutos cont�m os �cidos  3-a-hidroxi-masticadien�ico e masticadien�lico ou schinol (JAIN et al. 1995) e o triterpeno terebintona. A casca cont�m cerca de 55% de resina, 40% de goma, �leo essencial, tanino, saponinas e lip�deos. A resina cont�m cardol. As folhas cont�m miricetina, quercetina, campferol, leucocianindina, triacontano e b-sitosterol (LIST e HORHAMMER 1979). O �leo essencial das folhas, de colora��o amarela e l�mpida, cont�m 21,69 a 17,87% de a-pineno e 55,19 a 63,04% de a-2-careno (FEITOSA et al. 1998). As sementes cont�m 25 a 45% de �leo essencial, composto principalmente de felandreno, 8 a 11% de �leos verde-escuros, 10,8% de prote�nas e 32,2% de lip�deos (WATT e MERRIL 1963). � relatada tamb�m a ocorr�ncia da pentagaloilglicose (HAYASHI et al. 1989). SANTOS et al. (2000d) verificaram diferentes concentra��es dos principais fitoqu�micos encontrados nas folhas e frutos (Tabela 4). As folhas cont�m 8,1% de cinzas, 0,2% de s�lica, 20200ppm de c�lcio, 979ppm de magn�sio, 67,9ppm de ferro, 30,4ppm de mangan�s, 22,6ppm de zinco e 11,1ppm de cobre (LOPES et al. 2000d).   Tabela 4. Principais componentes do �leo essencial das folhas e frutos de Schinus terebenthifolius.  Componentes - folhas Teor (%) Componentes-  frutos Teor (%) D-2-careno 61,87 b-eudesmol 28,01 a-pineno 18,65 10-epi-g-eudesmol 17,54 b-mirceno 5,84 Elemol 17,31 Limoneno 2,74 �xido de cariofileno 3,19 r-cimeno 1,22 a-eudesmol 1,99 Trans carveol 1,10 Carvacrol 0,95 Limoneno glicol 0,80 Fonte: SANTOS et al. (2000d) 

PROPRIEDADES TERAP�UTICAS
Anti-s�ptica, afrodis�aca, adstringente, bactericida, estimulante, t�nica, viricida (WATT e BREYER-BRANDWIJK 1962; DUKE e WAIN 1981), antiinflamat�ria (CARVALHO et al. 2000), cicatrizante, febr�fuga, depurativa, antimicrobiana (SELE��ES...1999), b�quica, bals�mica, hemost�tica, antidiarr�ica (REITZ 1954) e diur�tica. �s folhas e frutos s�o atribu�das propriedades antibi�ticas (WATT e BREYER-BRANDWIJK 1962).  

INDICA��ES
A resina, casca, folhas e frutos s�o utilizados para o tratamento de tumores, sobretudo dos p�s, no Brasil (HARTWELL 1971). � considerada um rem�dio popular para afec��es uterinas (FEITOSA et al. 1998), gripe, resfriado, uretite, cistite, blenorragia, hemoptise, afec��es d�rmicas, distens�o dos tend�es, atonia muscular (REITZ 1950), artrite, �lcera, feridas (NOGUEIRA 1998), bronquite, contus�es, diarr�ia, calafrios, gota, reumatismo, ci�tica, incha�os, s�filis, tendinites, ci�tica, tumores e �lceras. O suco ou a macera��o das ra�zes s�o utilizados em contus�es e tumores ganglionares (WATT e BREYER-BRANDWIJK 1962; DUKE e WAIN 1981). O decocto da casca � utilizado em banhos para o tratamento de leucorr�ia e em bochechos para aftas e gengivites (SELE��ES...1999). Em homeopatia, a planta � utilizada para o tratamento da debilidade, entumescimento linf�tico, in�rcia sexual e mol�stias de pele (DUKE 1985).  O infuso das sementes de Schinus dependens � uragogo e anti-hist�rico. O decocto da casca � vulner�rio e anti-artr�tico (Alzugaray e Alzugarayy 1983). 

ATIVIDADE FARMACOL�GICA
A pentagaloilglicose inibe a enzima xantina oxidase (HAYASHI et al. 1989). ? Os triterpen�ides 3-a-hidroxi-masticadien�ico e masticadien�lico protegeram o s�tio ativo da histidina da alquila��o e inibiram a a��o da fosfolipase A2 de p�ncreas de porco, de l�quido sinuvial humano e  de veneno de abelha (JAIN et al. 1995). ? O extrato da casca apresenta atividade antiulcerog�nica g�strica e adstringente (SELE��ES...1999). 

ATIVIDADE CL�NICA
O extrato hidroalco�lico de Schinus aroeira apresenta efeito antiinflamat�rio em 100 pacientes com cervicite e cervico-vaginite cr�nica (CARNEIRO et al. 1974). 

ATIVIDADE BIOL�GICA
O carvacrol inibe completamente o crescimento micelar de Botrytis cinerea, Monilinia laxa, Mucor piriformis, Penicillium digitatum, Penicillium italicum, Penicillium expansum e Rhizopus stolonifer na concentra��o de 125ppm. Nessa mesma concentra��o, o carvacrol inibe a germina��o de esporos de Monilinia laxa,   Mucor piriformis e Rhizopus stolonifer  (CACCIONI e GUIZARD 1994). ? Os extratos hidroalco�lico e alco�lico da casca, na forma pura ou misturados com agentes geilificantes, apresentam atividade antimicrobiana contra Staphylococcus aureus (ATCC 6538, ATCC 6538 P e ATCC 9144) (LEAL et al. 1996).  ? O extrato aquoso das folhas n�o demonstra efeito genot�xico sobre Aspergillus nidulans D-30 (RAMOS RUIZ et al. 1996). ? O extrato aquoso da planta inibe sensivelmente o crescimento de Staphylococcus aureus, Bacillus subtilis, Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa, in vitro (MARTINEZ et al. 1996). ? O �leo essencial das folhas apresenta atividade microbiana m�xima contra Staphylococus aureus, Pseudomonas aeroginosas, Salmonella typhimurium, Bacillus subtilis, Sacharomyces cerevisae e Candida albicans (FEITOSA et al. 1998).  TOXICOLOGIA ? A ingest�o dos frutos pode causar transtornos digestivos (irrita��o g�strica, diarr�ia, v�mito e hemorr�ida), inflama��o das mucosas, fortes dores de cabe�a, p�lpebras inchadas e respira��o curta. Os p�ssaros intoxicam-se quando comem os frutos e peixes quando a planta est� pr�xima de a�udes e lagos (SALAMON 1981).  ? A exala��o resinosa pode provocar erup��es cut�neas vesicosas e dermatites (SELE��ES...1999). ? Equinos podem contrair c�licas fatais quando ingerem os frutos (MORTON 1979). ? O decocto da casca, utilizado nas concentra��es de 0,4mg/mL a 0,8mg/mL, mostra-se citot�xico �s cepas TA 100 e TA 102 de Salmonella Typhimurium, segundo o teste de Ames. Algumas  les�es causadas ao DNA bacteriano provavelmente sejam decorrentes da a��o de agentes oxidativos, tais como saponinas, flavon�ides e taninos, encontrados na casca da planta. Os resultados sugerem, al�m da a��o citot�xica, uma a��o mutag�nica do decocto da casca (CARVALHO et al. 2000) 

OUTRAS PROPRIEDADES
Nos Estados Unidos, os frutos da aroeira (gr�os) s�o vendidos como pimenta vermelha ou pimenta brasileira, ao custo de US$ 125,00 o quilograma (SALAMON 1981). ? Utilizada em paisagismo e ornamenta��o de parques, alamedas e jardins e em reflorestamentos. A madeira do tronco � muito resistente e dur�vel, sendo utilizada em moir�es, esteios, lenhas e carv�o. ? Obt�m-se da casca uma tinta para o tingimento de tecidos (RODRIGUES e SILVA 1996). As flores s�o atrativas para as abelhas. As fibras da madeira s�o indicadas para a fabrica��o do papel (MORTON 1979). ? Caprinos ingerem a folhagem sem riscos, mas o gado pode contrair enterite. O tronco � fonte de uma resina perfumada, opaca e branca que endurece ao contato com o ar, com aroma de terebentina, chamada ?B�lsamo da Miss�es? (UPHOF 1968). ? A planta � considerada na Fl�rida como sendo contaminante biol�gica e impactante � fauna e a flora (TAKEDA e FARAGO 2001a). Os pescadores utilizam a resina do tronco para fortalecer os fios de redes de pesca e para curtir couro, devido ao alto teor de tanino. 

ESP�CIES RELACIONADAS Schinus polygamus (Cav.) Cabr.; Lithraea molleoides (Vell.) Engl. (aroeira-brava); Schinus dependens (molho); Astronium orindeuva (aroeira-do-sert�o); Lithraea molleoides (Vell.) Engl.
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