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S� PALAVRAS

S� PALAVRAS

Quando, hoje, escrevo nessa sombria lauda flutuante,
dirijo-me novamente ao amigo leitor, que  perplexo, l�s
signos em cor t�o sugestiva.
Meu objeto, enquanto vilmente construo o que ser� este texto,
� sofrer a dor e a desilus�o de ter jogado palavras ao vento.
Ent�o, ao retomar o tema da exist�ncia - essa que sofremos -
recordo nossa acalorada interlocu��o sobre a �ndole humana.
Isso. Nosso tema controverso. Pois, n�o sei se lembras,
n�o concordamos naquele ponto crucial e desalentador:
o ser humano � dado �s conveni�ncias.
Nesse ponto acreditas ter testemunhas contr�rias a apresentar.
N�o sei se recordas, mas dizias crer em tua persuas�o inerente.
Capacidade que julgas possuir de metamorfosear minhocas.
Palavras t�o duras podem chocar-te, caro interlocutor.
Despreparado para t�o pesadas senten�as,
talvez, prefiras trocar de p�gina ou,  quem sabe,
lan�ar m�o do sinal da cruz  e repelir id�ia t�o vil.
(mas j� havia avisado no segundo verso que assim o seria)
Todavia, tamanha ira santa h� de ter apenas dois fundamentos
(nenhum outro):
Talvez, tua recusa em ver os fatos como s�o, deva-se ao medo.
Ao receio de assumir que erraste em teus conceitos, ideologia...
Assumir tal mudan�a tem pre�o indigesto:
At� mesmo reconhecer  a responsabilidade sobre as desgra�as
que rodeiam o mundo que criamos pelo poder das palavras mal ditas.
O outro, que doloroso: a ingenuidade.
A ingenuidade de acreditar naqueles mestres caducos
que barganham suas subjetivas c�tedras.
Caro leitor, se ainda est�s a�,  n�o refletiste sobre tais absurdos.
Indubitavelmente, atentaste �s loucuras que a inocente p�gina
aceita por sina de sua pobre exist�ncia.
� �bvio que, a essa altura, lan�aste prece aos c�us por meu perd�o,
Executaste, liturgicamente,  o sinal da cruz e o cruz-credo tradicional.
Que bom que n�o levaste a s�rio palavras escritas � vilania
t�o pr�pria da civiliza��o.
E as consideraste, decerto, como de fato sabes que s�o: s� palavras.
RBW, 27/10/2005
FAMILIA WOTCKOSKI
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PROFESSOR WOTCKOSKI

CALOU-SE MINHA VOZ

Palavras n�o ditas,
gestos contidos,
ritos interrompidos.
Calou-se minha voz.

O alcance de tal flagelo?
Verdades exauridas?
Den�ncias secas?
termo do sistema vara e ma��.
E sofrer� o ju�zo
quem matou essa voz.
RBW, 04/11/71

SEM RODEIOS

Um letrado matuto
perguntou-me, certa vez,
o porqu� de textos t�o intrincados.
Fui direto ao ponto:
The truth hurts.
RBW, 17/01/2006

A PALAVRA MAIS DURA

A palavra mais dura
Aquela n�o dita
que ansaiou seu v�o
pelo ar dos sentidos comedidos

A palavra mais dura
de amores n�o declarados
de m�goas reprimidas
de injusti�as sentenciadas
de culpas e inoc�ncias

A palavra mais dura � aquela que, apertada no peito,
sufocada pela cautela, fica presa,
deixando aquele gosto amargo
feito fel.

A palavra mais dura que j� ouvi:
aquela que ecoa dentro da gente,
batendo para sair:
aquela n�o dita

A palavra mais dura!


RBW, 28/01/2006
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