Velhos Projetos Urbanos
Ruy
Medeiros.
O
“Aguão”, velho açude da
Conquistinha, hoje não mais açude e em parte invadido por particulares, viveu
seus 59 ou 60 anos. Construído na Administração Sá Barreto, ao que consta,
foi drenado na primeira administração José Pedral. O velho aguão, paraíso
da molecada e temor das mães, desapareceu e não foi integrado articuladamente
à cidade. Parte é algo que se convencionou chamar de horto da prefeitura.
No entanto, na
administração Régis Pacheco, na década de 40, o prefeito imaginou criar alí
um jardim botânico. Haveria a drenagem sim, mas toda a área seria ocupada por
espécies vegetais classificadas.
Se o projeto
tivesse sido realizado, a área do aguão seria hoje outra coisa e a cidade
certamente estaria enriquecida com importante equipamento de lazer, de educação
e de conservação do solo urbano.
Mas o jardim botânico
não foi o único projeto não realizado. O Parque do Poço Escuro seria outro.
A administração
Jadiel Matos debateu-se para realizar o Parque do Poço Escuro. Prioridades com
educação, aguadas, melhoria do sistema viário urbano foram determinantes para
que faltassem recursos para a realização e implantação do projeto.
Na administração
de Raul Ferraz, foi elaborado pelo Engenheiro Eliú Matos um grande ( e muito
bonito) projeto para o “Poço Escuro”,
mas ficou no projeto. Não foi implementado.
O projeto do
Parque do Poço Escuro também enriqueceria a cidade com equipamento de lazer,
educação e conservação do solo urbano.
Há de comum
entre o “Aguão” e o
“Poço Escuro” terem ( o último ainda o é) sido locais amados, sobretudo
por crianças, e utilizado por lavadeiras.
Projetos
abandonados.
O Plano Diretor
Urbano de Vitória da Conquista, gestado e aprovado na administração Jadiel
Matos, não resistiu muito tempo ( restou o “Código de Obras”,
com algumas alterações). Logo na administração seguinte, o Plano foi
desobedecido e continuaria a sê-lo. É bem verdade que necessitaria de
reajustes sempre, mas o abandono de suas diretrizes empobreceu a cidade,
tornando-a mais caótica de que é. Basta ver-se a utilização dos terrenos da
área que seria prioritariamente destinada a educação ( área do IEED e adjacências,
inclusive sítios onde foram implantados os
“ Loteamentos das Amendoeiras” e
“Vila Fernando Flores”).
Pode-se imaginar
o que seria, bem ajardinada, toda a imensa área do IEED e adjacências com
equipamentos culturais. Hoje, tudo, mesmo muito daquilo que era área pública,
está retalhado e estabelecimentos oficiais de ensino estão espremidos entre
meios fios e construções residenciais ou comerciais.
A não obediência
ao Plano Diretor Urbano terminou por empobrecer a cidade.
Assim segue a
vida nessa Imperial Vila da Vitória atualizada.
Setores da
comunidade imaginaram a preservação da Serra do Piripiri ( insisto em escrever
assim). A atual administração fez projeto mais ambicioso: Não só preservação
de flora e fauna, mas área de ensino, pesquisa, florestamento com espécies
regionais, etc. O projeto começou a andar, andar muito vagarosamente.
A Serra também
tem a característica de ser um lugar amado pelos conquistenses. O Projeto do
“Parque da Serra do Piripiri” não pode ser abandonado. A cidade não
pode mais conviver com reivindicações que tomam a forma de projetos e que
depois não são implementados. Isto é: A cidade não pode continuar a
empobrecer-se com a inutilização de sonhos e projetos.
Não se trata
aqui de falar de árvores quando a fome campeia, o cinismo do poder no país
aprofunda-se, os crimes contra a população (representados por políticas econômicas
ou de salvação social) retomam a dimensão infamante de outras eras, e o rei
legisla seguindo a fórmula “O Estado sou eu”. Não se trata de abandonar luta e denúncia, mas sim de
afirmar que “a gente não quer só
comida”, embora precise sobretudo
de comida.