ALGUMAS FONTES HISTÓRICAS SOBRE CONQUISTA PRIMITIVA

 

 

 

Ruy Medeiros

 

O estudo da história conquistense exige paciência e se torna custoso tendo em vista  inexistência de publicações que reunam documentos específicos sobre a origem história dos municípios brasileiros.

A fase primitiva da história de Vitória da Conquista é, entretanto, razoavelmente bem documentada. Os documentos relativos à matéria, no entanto, encontram-se dispersos em arquivos ou publicados também dispersamente.

Dentre as fontes de que se pode valer quem se queira dar ao relevante trabalho de escrever a história do Município citamos algumas, indicando o local onde se encontram.

1. Ofício do Ouvidor da Comarca dos Ilheos, Francisco Nuness da Costa, para o Governo Interino da Bahia (Cairu, 6 de agosto de 1783).

Este documento interessa sobretudo como subsídio ao histórico da conquista da região. Nele se noticia o auxílio dispensado a João Gonçalves da Costa a fim de conquistar os Índios Mongoiós. Trata-se dedocumento existente no Arquivo de Marinha e Ultramar de Lisboa e encontra-se publicado no volume 32 dos Anais da Biblioteca Nacional, página 541.

2. Carta do capitão-mor João Gonçalves da Costa para o Ouvidor dos Ilhéos (Arraial de N. S. da Victória, 30 de julho de 1783).

Desta fonte existe cópia autêntica no Arquivo de Marinha e Ultramar de Lisboa. Nele, João Gonçalves da Costa fala sobre a conquista da terra. Não se conhece publicação que o tenha editado.

3. Ofício do ex-Governador da da Bahia, Manuel da Cunha Menezes, para Martinho de Mello e Castro, sobre a Capitania deIlhéus (Lisboa, 12 de agosto de 1780).

Este ofício se acha publicado nos Anais da Biblioteca Nacional, volume 32, páginas 472 e seguintes, existe no original no citado Arquivo de Marinha e Ultramar de Lisboa. Sua importância reside no fato de atestar aexistência de fazendas de gado e estimar a população do primitivo rancho, avaliada em mais de 60 pessoas, inclusive escravos.

4. Ofício dos Governadores Interinos da Capitania da bahia para Martinho de Mello e Castro (Bahia, 1783).

Da mesma forma que o documento anterior, este ofício está publicado no volume 32 dos Anais da Biblioteca Nacional, página 539 e seguintes. Apresenta subsídios para a compreensão da Conquista da Terra e de suas primeiras estradas. O documento deixa clara a motivação econômica da conquista da região mostrando  o destacado papel desempenhado por João Gonçalves da Costa na introdução do gado no Sertão de Ressaca e na conquista do índio mongoió. Do documento consta o número de armas e de "índios civilizados" postos à disposição do referido sertanista para a "reducção e conquista do gentio Mongoyo".

5. memória sobre a Comarca dos Ilhéos, por Balthasar da Silva Lisboa (1802).

Trata-se de documento pertencente ao Arquivo de Marinha e Ultramar de Lisboa. Está publicado no volume 37 dos Anais da Biblioteca Nacional. A memória de Balthaasar da Silva Lisboa apresenta subsídios para a compreensão do relacionamento entre os índios e o conquistador do "Sertão de ressaca". Por ele se fica sabendo, entre outras coisas, que determinada aldeia de índios pediu ao governador Fernando José de Portugal, em 1790, para que não ficassem subordinados a João Gonçalves da Costa. O documento dá notícia da primeira estrada aberta por este sertanista, ligando a região de Conquista ao "Porto da marinha".

6. Memória Summaria e Compendiosa da Conquista do Rio Pardo, feita pelo Capitão-mor João Gonçalves da Costa.

Esta fonte documental é de autoria do próprio João Gonçalves. Está datada de 1806-1807 e conta a redução de aldeias dos índios Mongoiós ( 6 aldeias) no Rio Pardo, uma luta destes índios com os Imborés e a viagem do capitão pelo referido rio até sua foz. O objetivo da viagem era verificar a navegabilidade do Rio Pardo. Trata-se de fonte indispensável ao conhecimento da conquista de toda a região. A ela se referem Vernhagen, Southey e Capistrano de Abreu. Encontra-se integralmente publicada no Anais da Biblioteca Nacional, volume 37, no Correio Braziliense (vol. XXI) e no Investigador Português (vol. XXIII).

7. Ofício do Conde da Ponte para o Visconde de Anadia (Bahia, 31 de maio de 1807).

Este documento versa sobre o mesmo assunto tratado na Memoria Summaria de João Gonçalves da Costa. O ofício finda elogiando este sertanista: "não produz hum século hum homem com o gênio deste capitão-mor, tem 80 e tantos anos e todas as suas paixoes tendem a estas aberturas, em que tem gasto o que hé seu, e arrisca frequentemente a própria vida". A fonte encontra-se parcialmente publicada no volume 37 dos Anais da Biblioteca Nacional e na sua íntegra existe no Arquivo de Ultramar de Lisboa).

8. Ofício do Visconde a Anadia ao Conde da Ponte (28 de agosto de 1807).

Encontra-se este documento ma Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Rodolfo Garcia publicou-o em nota inserida no quinto tomo da História Geral do Brasil, de autoria de Francisco Adolfo Varnhagen. Na 8a. Edição desta obra está estampado, à página 84 do tomo 5. O visconde critica, no referido ofício, o tratamento que João Gonçalves conferia aos índios. Eis um trecho desta fonte documental:

"Na sobredita memoria do capitão-mor se encontrão algumas passagens que mostrão não estar elle bem instruido no sistema que S.A.R. quer que se observe inviolavelmente a respeito dos índios bárbaros, como já foi ordenado a esse governo em aviso de 29 de agosto de 1793. Portanto, determina o mesmo Senhor que V. Ex. Dê as mais positivas ordens aos que forem encarregados destas explorações, para que em caso nenhum usem de força, senão em sua própria e actual defesa, pois o unico modo de atrahirmos a amizade daquelles indios he convencellos por huma continuada serie de bons tratamentos, de que lhes não queremos fazer mal algum, nem emprehendemos sobre a sua liberdade e independência. Se o dito Capitão Mor estivesse instruido neste sistema, teria reprimido seu Camarada, hindo em seguimento dos indios Botecudos, que fugião, e muito menos rerião tomado as oito ciranças e mulher com o seu filho para os trazerem presos e virem depois morrer na Bahia, fazendo por este modo que aquelles barbaros se persuadão, que nosso fim he exterminallos ou reduzillos à escravidão, quando o que o Commandante da Partida deveria ter feito naquellas circunstancias era restituir a dita mulher, com todos os rapazes, carregados de presentes, fazendo-lhes assim entender as nossas amigáveis intenções a respeito da sua Nação..."

9. Relação das Armas, Instrumentos, Adornos e Idolos que foram apreendidos ao gentio Nogoyo pelo Capitão Mor João Gonçalves da Costa.

Esta relação é de importancia essencial ao estudo da cultura dos Mongoiós. Encontra-se no Arquivo de Ultramar de Lisboa. Não se tem notícia de que esteja publicada em algum lugar.

Outros muitos documentos, inclusive de autoria de João Gonçalves da Costa, existem. Está na hora de reuni-los. Também está na hora de todos aqueles que possuam escritos de interesse para a história do município os edite, pois o egoísmo em subtrai-los do conhecimento público é desserviço que se pratica contra a comunidade. A comunidade intelectual conquistense deve-se conscientizar de que os frutos da cultura devem ser divulgados. Guardar documentos e fontes necessárias ao conhecimento da história do município proibindo acesso aos mesmos, pode satisfazer aos medíocres por que os amantes da cultura compreendem que é do trabalho coletivo que surgem as grandes obras.

Vitória da Conquista, 15 de novembro de 1977 - FIFÓ - 9

 

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