Especial Legião Urbana

Júnio G. Ribeiro


Conteúdo:

História da banda
Biografias
Discografia
Descrição de Álbuns
Homenagem


HISTÓRIA DA BANDA

COMO TUDO COMEÇOU...

Brasília, meados de 1978, início do processo de abertura política que botou fim na ditadura militar. Aos 16 anos, Felipe Lemos, filho de um professor da Universidade de Brasília, voltara de uma estadia na Inglaterra com os pais para morar num conjunto de quatro prédios com vista para o Lago Norte, apelidado de Colina. Os apartamentos eram espaçosos e serviam de residência para os professores.

Numa noite, uns amigos levaram Fê a uma festa onde a vitrola tocava músicas do Sex Pistols, Ramones e The Clash, as mesmas que Fê Lemos ouvia na Inglaterra. Querendo saber quem era o dono dos discos, Fê foi apresentado a um sujeito estranho, que usava camisa social e andava segurando uma capanga numa mão e um guarda-chuva na outra. Era Renato Russo.

"Foi uma afinidade imediata por causa daqueles discos e ele passou a freqüentar minha casa todo dia", lembra Fê. Logo Renato estava enturmado na Colina, onde viria a se formar o maior núcleo da maioria das bandas de Brasília. No começo era apenas uma turminha de garotos que gostavam de punk rock e se reuniam para ouvir música, tomar porres de vinho Chapinha, fumar baseado e cheirar benzina de vez em quando.

Às vezes, o clima pesava. Renato e Fê, dopados e entediados, sentaram-se na escada de serviço de um dos prédios para conversar. Renato no degrau de cima e Fê no de baixo. De repente, sem aviso, Renato começou a fazer xixi nas calças. "Fiquei chocado. Provavelmente era o que ele queria. Levantei xingando e fui pra casa. Ele ficou lá todo molhado", conta Fê. Nessa noite, como em muitas outras, Renato voltou para casa a pé, uma caminhada de pelo menos duas horas na escuridão da madrugada.

Renato ainda não tinha 20 anos. Chocar as pessoas era uma de suas prioridades.

Renato Russo respirava música. Seu quarto era um festival de colagens, mais de 500. Tinha tanta coisa pra ver que quem entrava ali podia ficar horas de olhos grudados nas paredes. Havia também uma imensa coleção de discos e livros e um aparelho de som com quatro caixas, o melhor da cidade. Era nesse quarto que ele enfrentava o tédio nas tardes de Brasília.

Renato era do tipo aglutinador. Ligava para todos da turma, marcava os encontros, tinha idéias para atividades em grupo e quando começava a falar era difícil pará-lo. Extremamente bem informado, tinha uma cultura vasta e adorava planejar o futuro de sua própria vida. Tinha gente em Brasília que o achava chato. Pelo menos quando bebia demais e resolvia espalhar seu excesso de amor nos bares da cidade.

Ainda em 1978, Renato conheceu André Pretorius, que andava na cidade vestido de punk e era filho de um diplomata na África do Sul. Pretorius e Fê haviam combinado de montar uma banda com André Muller, que estava morando na Inglaterra. Mas Renato precipitou os acontecimentos e convidou Fê e Pretorius para formar uma bando com ele no baixo, Fê na bateira e Pretorius na guitarra.

"A gente tava na Colina sentado no chão, pensando qual seria o nome da nossa banda. Eu tava com um negócio de elétrico na cabeça e alguém falou comigo tijolo elétrico. Aí o André Pretorius falou: não, Aborto Elétrico", recorda Fê. Segundo ele, a versão de que o nome da banda era por causa de um cacetete elétrico, usado pela polícia de Brasília em atos de repressão, não é verdadeira.

Renato escreveu "I want to be a junkie" na parede do quarto, apesar de nunca ter sequer visto drogas realmente pesadas. E começou a compor o repertório do grupo. Estava formada a "mãe" de todas as bandas de Brasília.

Os ensaios do Aborto Elétrico aconteciam na própria Colina e o primeiro show foi em 1980, no centro comercial Gilberto Salomão, num barzinho chamado Só Cana. Era um show instrumental, Renato não cantava. André Pretorius quebrou a palheta e cortou os dedos nas cordas, continuando a tocar enquanto o sangue escorria. Foi o primeiro e único show do Aborto Elétrico com Pretorius na guitarra. Ele foi para a África do Sul servir ao exército de lá, naquela época dramaticamente envolvido na manutenção do Apartheid. Quem estava no Só Cana gostou. Nos colégios de Brasília começou a correr a notícia de que uns punks maconheiros tocavam uma música violenta. Os playboys da cidade não gostaram. Quando as turmas se encontravam, o pau comia.

Para Fê, "a gente tava fazendo algo com nossas vidas, mexendo no ambiente onde a gente vivia, e isso despertava curiosidade e inveja". Logo, outros garotos seguiriam os passos do Aborto Elétrico, formando bandas e detonando o fenômeno musical do rock de Brasília. Anos mais tarde, em entrevista à Sônia Maia publicada na Bizz, Renato disse que o Aborto Elétrico acabou virtualmente quando "Pretorius foi para a África do Sul matar negros".

Flávio Lemos, irmão de Fê, assumiu o baixo no Aborto Elétrico e Renato pegou a guitarra. Os ensaios aconteciam na nova casa de Fê e Flávio no Lago Norte. Essa mudança para o Lago Norte também marca o começo do fim da turma da Colina, que passou a ter um novo ponto de encontro. Na casa de Fê, cercada por lindas árvores do cerrado, a turma fazia camisetas, cartazes e música no intervalo entre os baseados.

Renato sempre chegava com a idéia das letras e os acordes na guitarra. "Ficava fácil que ele trazia floresciam na banda", lembra Fê. "Ele era um puta baixista também". As músicas, raivosas e radicais, falavam em morte. Renato era um catalizador de sofrimentos na sua poesia, embora fosse doce e delicado no convívio diário.

Ainda em 1980, Pretorius voltou para umas férias em Brasília e participou dos ensaios crucias para a criação de "Música Urbana", "Que País É Este", "Veraneio Vascaína", "Conexão Amazônica" e "Baader-Meinhof Blues", todas músicas eu teriam grande impacto na história do rock brasileiro.

Em 1985, André Pretorius morreu de overdose nos Estados Unidos.

O auge do Aborto Elétrico aconteceu em 1981. Foram vários shows com outras novas bandas de Brasília, todas originárias de alguma forma da Colina: Blitx, Plebe Rude, formada pelo André Muller, Fusão, 5 coluna. No meio do ano Ico Ouro Preto assumiu a guitarra do Aborto Elétrico e Renato passou a se ocupar apenas dos vocais.

O cantor, compositor e ex-guitarrista do Aborto Elétrico, Renato Russo, vivia falando de como seria sua carreira numa banda de rock. O grupo estava em plena atividade nas festinhas, nos colégios, e em festas de aniversário. Mas para ele era pouco.

Renato sonhava acordado. Fê lemos não tinha tanta urgência em deixar a inocência do amadorismo. "Nas férias, eu ia pra praia e ele ficava em Brasília, numa ansiedade muito grande ver alguma coisa acontecer. Eu era muito garotão, a fim de curtir, tocar numa banda. Renato tinha outros planos. Ele desenhou até a capa que nosso disco ia ter. Era um enforcado num bosque. Acho que essa diferença de atitudes entre nós foi um dos motivos do fim do Aborto".

O fim do Aborto Elétrico aconteceu em março de 1982. Na BIZZ, ainda falando à Sônia Maia, Renato disse que o grupo terminou numa briga por causa da música "Química", um dos primeiros clássicos da Legião Urbana. Segundo Renato, Fê lhe disse que "Química" era muito ruim e o acusou de ter perdido o jeito de fazer música. Renato respondeu que Fê só queria ficar fazendo camiseta e pediu o boné.

Fê lemos concorda que foi esse o momento de ruptura, mas o clima entre os dois não estava bom já havia algum tempo. "Achei 'Química' horrível. Não tinha nada a ver com que a gente fazia, com o que a gente era. Pô, o Renato era ótimo em química, eu também. Achei que ele estava forçando a barra. Que bobagem a minha! Hoje a música é um clássico".

Aconteceram outras brigas entre Fê e Renato. Uma delas foi no dia do primeiro aniversário da morte de John Lennon, um dos grandes ídolos de Renato. "Fomos fazer um show numa cidade satélite e o Renato tava super sentido. Eu fiquei com ciúmes. Quando ele errou uma música, atirei uma baqueta nele e acertei na cabeça. Ele me olhou com uma cara horrível e sumiu depois do show. Aí saquei o que eu tinha feito. Fui pra casa dele e só faltou me jogar aos seus pés. Era uma amizade muito forte, tinha um quê de mágico, porque nos conhecemos através dos discos de punks".

Renato Russo e Fê Lemos tinham 22 e 20 anos, respectivamente. Até aquele momento eram os principais líderes da turma de Brasília, os fundadores do Aborto Elétrico, a primeira banda punk da cidade, os aglutinadores do movimento. Mas o fim do Aborto Elétrico mudou destinos e separou os amigos em banda diferentes. "Depois que a gente formou o Capital Inicial e o Renato formou a Legião Urbana, a coisa não era mais a mesma entre a gente. Acho que ele se sentiu traído. Ele esperava mais, até num sentido de amor, e eu não percebia isso. Ele guardava segredos que eu não conhecia, apesar de ter convivido com ele cinco anos, unha e carne".

Mesmo sem Renato Russo, Fê tentou manter o Aborto Elétrico. Afinal, eles já tinham uma certa fama no circuito alternativo de Brasília. Como numa despedida oficial, Fê chamou Renato para uma última apresentação com o grupo. Renato foi e o Aborto Elétrico teve a sua derradeira aparição. Seis meses depois Fê foi convidado para entrar no Capital Inicial. Flávio foi com ele.

Era 1982 e a semente lançada em Brasília pelo Aborto Elétrico havia gerado muitos frutos em forma de bandas de punk rock. Com o fim do Aborto Elétrico, Renato intitulou-se O Trovador Solitário e, com um violão, tocava abrindo shows de outros grupos locais e apresentando novas composições, como "Faroeste Caboclo".

Mas Renato não queria seguir sozinho. Ele achava que era importante ter uma banda no mundo do rock. Nesse mesmo ano Renato formou a Legião Urbana.

SITE OFICIAL DO LEGIÃO URBANA:

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BIOGRAFIA DA BANDA

BIOGRAFIAS

INTREVISTAS

FOTO DOS COMPONENTES

RENATO RUSSO

Eu sou o Renato Russo, eu escrevo as letras, eu canto. Nasci no dia 27 de março, eu tenho 23 anos. E sou Áries e ascendente em Peixes. Eu trabalhava com Jornalismo, rádio, era professor de Inglês também. E ... comecei a trabalhar com 17 anos e tudo. Mas só que de repente tocar Rock era uma coisa que eu gostava mais de fazer, e como deu certo eu continuo fazendo isso até hoje.

DADO VILLA-LOBOS

Meu nome é Dado Villa-Lobos, Sou guitarrista da Legião Urbana,nasci dia 29 de Junho de 65, tenho 21 anos. Cheguei em Brasília em torno de 79. Cursei meu segundo grau, consegui entrar na faculdade de Sociologia Só que não era exatamente o lance que eu tava a fim de fazer muito teórico, não tem nada de praticidade. Aí meu lance era de repente fazer música.

MARCELO BONFÁ

Oi, meu nome é Marcelo Bonfá Nasci em 65, sou do signo de Aquários. Gosto de esportes aquáticos, gosto de desenhar e gosto de música. Saí da escola depois que eu terminei meu segundo grau. Agora eu toco bateria na Legião Urbana.
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DISCOGRAFIA COMPLETA DA BANDA

DISCOGRAFIA
FOTO DO DISCO NOME DO ÁLBUM
1981 - Primeiro Álbum Legião Urbana
1986 - Este Seria Um Álbum Duplo Legião Urbana - Dois
1987 - Terceiro Álbum Da Banda - Que País É Este
1989 - Uma Nova Fase Na Banda - As Quatro Estações
1991 - Pesado Legião Urbana V
1992 - Um Álbum Acústico Música Para Acampamentos - I
1992 - Um Álbum Acústico Música Para Acampamentos - II
1993 - A Canção Preferida O Descobrimento Do Brasil
1996 - O Desespero A Tempestade
1997 - O Último Álbum-Uma Outra Estação
1998 - Uma Coletânea - Mais Do Mesmo
1999 - Enfim, O Acústico - Acústico MTV
2001 - Um Show Inesquecível - Como É Que Se Diz Eu Te Amo - I
2001 - Um Show Inesquecível - Como É Que Se Diz Eu Te Amo - II
2004 - 90 Mil Estavam Lá...As Quatro Estações - Ao Vivo - I
2004 - 90 Mil Estavam Lá...As Quatro Estações - Ao Vivo - II

CARREIRA SOLO

1994 - O Primeiro Trabalho Solo - The StoneWall Celebration In Concert
1995 - Canções Italianas - Equilíbrio Distante
1998 - As Sobras - O Último Solo
2000 - Coletânea - Coletânea Bis - Renato Russo - I
2000 - Coletânea - Coletânea Bis - Renato Russo - II
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DISCOGRAFIA DO LEGIÃO URBANA:

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ALBUNS DA BANDA

DESCRIÇÃO DE ALBUNS
1981 - Primeiro Álbum Legião Urbana

Álbum 1: LEGIÃO URBANA

Período de Gravação: Outubro a Dezembro de 1984

Data de lançamento: 1 de Janeiro de 1985

Produzido por: Mayrton Bahia

1. Será

2. Dança

3. Petróleo do Futuro

4. Ainda É Cedo

5. Perdidos no Espaço

6. Geração Coca-Cola

7. Reggae

8. Baader-Meinhof Blues

9. Soldados

10. Teorema

11. Por Enquanto

1986 - Este Seria Um Álbum Duplo Legião Urbana - Dois

Álbum 2: "DOIS"

Período de Gravação: Janeiro a Março de 1986

Data de lançamento: 1986

Produzido por: Mayrton Bahia

1. Daniel Na Cova dos Leões

2. Quase Sem Querer

3. Acrylic On Canvas

4. Eduardo E Mônica

5. Central do Brasil

6. Tempo Perdido

7. Metrópole

8. Plantas Embaixo do Aquário

9. Música Urbana 2

10. Andréa Dória

11. Fábrica

12. Índios

No cassete: Química (versão ao vivo)

1987 - Terceiro Álbum Da Banda - Que País É Este

Álbum 3:Que País é Este

Período de Gravação: Outubro a Dezembro de 1987

Data de lançamento: 1987

Produzido por: Mayrton Bahia

1. Que País É Este

2. Conexão Amazônica

3. Tédio (com um "T" bem grande prá você)

4. Depois do Começo

5. Química

6. Eu Sei

7. Faroeste Caboclo

8. Angra dos Reis

9. Mais do Mesmo

1989 - Uma Nova Fase Na Banda - As Quatro Estações

Álbum 4: As Quatro Estações

Período de Gravação: Agosto a Outubro de 1989

Data de lançamento: 26 de outubro 1989

Produzido por: Mayrton Bahia

1. Há Tempos

2. Pais E Filhos

3. Feedback Song For A Dying Friend

4. Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto

5. Eu Era Um Lobisomem Juvenil

6. 1965 (Duas Tribos)

7. Monte Castelo

8. Maurício

9. Meninos e Meninas

10. Sete Cidades

11. Se Fiquei Esperando o Meu Amor Passar

1991 - Pesado Legião Urbana V

Álbum 5: "V"

Período de Gravação: Outubro a Dezembro de 1991

Data de lançamento: 15 de Dezembro de 1991

Produzido por: Mayrton Bahia

1. Love Song

2. Metal Contra As Nuvens

3. Ordem Dos Templários

4. Montanha Mágica

5. Teatro Dos Vampiros

6. Sereníssima

7. Vento No Litoral

8. Mundo Anda Tão Complicado

9. L'Âge D'Or

10. Come Share My Life

1992 - Um Álbum Acústico Música Para Acampamentos - I

Álbum 6: Música para Acampamentos

Período de Gravação: (Coletânea de apresentações ao vivo)

Data de lançamento: 1992

Produzido por: Mayrton Bahia

DISCO 1

1. Fábrica

2. Daniel na Cova Dos Leões

3. Canção do Senhor da Guerra

4. Teatro Dos Vampiros

5. Ainda É Cedo (Inc. Gimme Shelter

6. Baader-Meinhof Blues

7. Montanha Mágica

8. Eu Sei

9. "Índios"

1992 - Um Álbum Acústico Música Para Acampamentos - II

Álbum 6: Música para Acampamentos

Período de Gravação: (Coletânea de apresentações ao vivo)

Data de lançamento: 1992

Produzido por: Mayrton Bahia

DISCO 2

1. Dança

2. Mais do Mesmo

3. Soldados

4. Música Urbana 2

5. On The Way Home

6. Maurício

7. Há Tempos

8. Pais e Filhos

9. Faroeste Caboclo

10. Exit Music: Rhapsod in Blue

1993 - A Canção Preferida O Descobrimento Do Brasil

Álbum 7: O Descobrimento do Brasil

Período de Gravação: Setembro a Novembro de 1993

Data de lançamento: dezembro 1993

Produzido por: Mayrton Bahia e Legião Urbana

1. Vinte e Nove

2. Fonte

3. Do Espírito

4. Perfeição

5. Passeio da Boa Vista

6. Descobrimento do Brasil

7. Os Barcos

8. Vamos Fazer Um Filme

9. Os Anjos

10. Um Dia Perfeito

11. Giz

12. Love In The Afternoon

13. La Nuova Gioventu

14. Só Por Hoje

1996 - O Desespero A Tempestade

Álbum 8: A Tempestade (ou O Livro dos Dias)

Período de Gravação: Janeiro a Setembro de 1996

Data de lançamento: 20 de Setembro de 1996

Produzido por: Dado Villa-Lobos e Legião Urbana

1. Natália

2. L'Avventura

3. Música de Trabalho

4. Longe Do Meu Lado

5. Via Láctea

6. Música Ambiente

7. Aloha

8. Soul Parsival

9. Dezesseis

10. Leila

11. de Julho

12. Esperando Por Mim

13. Quando Você Voltar

14. Livro Dos Dias

1997 - O Último Álbum-Uma Outra Estação

Álbum 9: Uma Outra Estação

Período de Gravação: 1996 a 1997

Data de lançamento: 18 de Julho de 1997

Produzido por: Legião Urbana

1. Riding Song

2. Uma Outra Estação

3. As Flores Do Mal

4. La Maison De Dieu

5. Clarisse

6. Schubert Ländler

7. A Tempestade

8. High Noon (Do Not Forsake Me)

9. Comédia Romântica

10. Dado Viciado

11. Marcianos Invadem A Terra

12- Antes Das Seis

13- Mariane

14- Sagrado Coração

15- Travessia do Eixão

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HOMENAGEM

HOMENAGEM Á LEGIÃO URBANA

"Se eu tenho medo que me esqueçam? Não;eu estou com o público e ele está comigo."Renato Russo

Ao longo dos 12 anos em que se manteve entre os primeiros lugares nas paradas de sucesso, o cantor e compositor Renato Russo, líder do grupo Legião Urbana, consolidou a fama de excelente letrista, intérprete sensível e pensador polêmico, conquistando milhares de admiradores em todo o país. Indiscutivelmente, formou com Cazuza a mais brilhante dupla de poetas surgida no balanço do Rock Brasil, cujos contornos se tornaram mais nítidos no início da década de 1980.

Renato nasceu no Rio de janeiro, em 27 de março de 1960. Morou vários anos com a família em Brasília, onde se formou em jornalismo. Antes de chegar ao show business, foi repórter e lecionou inglês. Apreciador dos escritores românticos e dos poetas ingleses, Renato Manfredini júnior era um leitor voraz. Por sinal, adotou o "Russo" de seu nome artístico em homenagem ao pensador francês Jean-Jacques Rosseau, ao pintor Henri Rousseau e ao matemático e filósofo inglês Bertrand Russel. A sua bagagem cultural haverá de ter sido um dos fatores que o levaram a se tornar um referencial de qualidade intelectual entre os roqueiros nacionais. Outra característica importante era o apuro estilístico de que não abria mão, quando se tratava de produzir alguma nova composição. A letra de "Índios", um dos hits do disco Dois (1986), por exemplo, levou mais de um ano até ser considerada pronta.

Renato Russo começou a se embalar definitivamente entre os acordes distorcidos das guitarras no final dos agitados anos 70, na Capital Federal, com o grupo Aborto Elétrico - experiência punk substituída pelo Legião Urbana, que formou com Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, o Negrete (que logo depois se desligou do grupo). O primeiro LP, homônimo à banda, lançado em 1984, emplacou sucessos até hoje executados nas rádios, como "Soldados", "Ainda é cedo" e a já clássica "Geração Coca-Cola". As canções tinham ritmo, harmonia e melodia de fácil assimilação, e eram - todas - complementadas por letras que destoavam das trivialidades e irreverências juvenis de certos grupos de rock.

Enquanto a banda conquistava mais e mais fãs, Renato ia marcando presença no cenário musical não apenas como letrista e cantor, mas como cidadão participante. Suas sempre instigantes, às vezes controversas visões de mundo, suas multifacetadas experiências de vida, sua luta contra os excessos de álcool e drogas e sua condição de homossexual assumido tudo isso delineou, ao lado de uma genuína rebeldia, o mito Renato Russo. Que sempre tinha o que dizer sobre política, comportamento, música, literatura e, claro, o trinômio sexo, drogas e rock' n 'roll. Nada escapava ao crivo de suas opiniões, impregnadas de traços que conformavam o imaginário das frações mais críticas e indignadas (nem por isso menos românticas) de sua geração. E não ficava apenas no discurso por uma sociedade mais justa e fraterna. Os encartes de discos incluíam páginas com a divulgação de entidades humanitárias e de defesa de minorias. Em 1994, ele doou metade da receita obtida com a venda do CD The Stonewall celebration concert para a Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, liderada pelo sociólogo Herbert de Souza (Betinho).

Renato Russo morreu no Rio de janeiro, em 12 de outubro de 1996, por complicações decorrentes da Aids. Segundo um dos médicos que o assistiam, era soropositivo desde 1990. Ao contrário de Cazuza, Renato jamais admitiu publicamente ser portador do vírus HIV. Mas nos, belos versos de "A via-láctea", incluída no CD A tempestade, ele traduziu - numa auto-referência poética, já presente no título do disco - o sofrimento que por certo lhe varava a alma:

"Quando tudo está perdido/Sempre existe um caminho / Quando tudo está perdido / Sempre existe uma luz / Mas não me diga isso / Hoje a tristeza não é passageira / Hoje fiquei com febre a tarde inteira / E quando chegar a noite / Cada estrela parecerá uma lágrima / Queria ser como os outros / E rir das desgraças da vida / Ou fingir estar sempre bem / Ver a leveza das coisas com humor / Mas não me diga isso / É só hoje e isso passa / Só me deixe aqui quieto / Isso passa / Amanhã é um outro dia não é / Eu nem sei por que me sinto assim / Vem de repente um anjo triste perto de min / E essa febre que não passa / E meu sorriso sem graça não me dê atenção / Mas obrigado por pensar em mim / Quando tudo está perdido / Sempre existe uma luz / Quando tudo está perdido / Sempre existe um caminho / Quando tudo está perdido / Não quero mais ser quem eu sou / Mas não me diga isso / Não me dê atenção / E obrigado por pensar em mim."

Renato passou os últimos dias recluso em seu apartamento numa rua arborizada de Ipanema, acompanhado apenas pelo pai e por um enfermeiro. já se recusava a prosseguir um tratamento à base de coquetéis de drogas. Seu corpo foi cremado, conforme ele desejava, e as cinzas espalhadas nos jardins do paradisíaco sítio do paisagista Roberto Burle Marx, na zona oeste da cidade.

A expressiva discografia do Legião Urbana inclui: Legião Urbana (1984), 550 mil cópias; Dois (1986), 1,1 milhão de cópias; Que país é este (1987), 770 mil cópias; As quatro estações (1989), 1,1 milhão de cópias; V (1991), 465 mil cópias; Música para acampamento (1992), 270 mil cópias; O descobrimento do Brasil (1993), 430 mil cópias; Por enquanto (uma retrospectiva, em seis CDs), 20 mil cópias; A tempestade ou O livro dos dias (1996), 400 mil cópias. Renato gravou ainda dois trabalhos solo: The Stonewall celebration concert (1993), cantado em inglês, que vendeu 200 mil cópias; e Equilíbrio distante (l995), interpretado em italiano, 550 mil cópias.

A obra de Renato Russo - um legado de genialidade poética e de integridade artística - permanecerá atual, influente e inesquecível. Principalmente para aqueles tantos homens e mulheres que, como ele, crêem que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã".

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