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Ventre-mulher
Edinara Leão
Ares pintam o
vento
com as cores do
arco-íris
e a vida nasce do
ventre
cingindo de cores a
vida
colo de acalanto
vê o olhar do filho
que nasce
nina o tempo
para que não afogue
seus dias
no tempo de gata
borralheira.
Um dia, mesmo sem
fada,
acordou princesa
e saiu ditar realeza
!
a casa se ressentiu
deserta de seu
perfume,
mas ela sem
percebeu,
sedenta de bandeira
e rua
bradou, gritou –
vozes de liberdade,
até esqueceu a lua.
Quando olhou para
trás,
sentiu frio
casa tapera
filhos
crescidos
corações pela
metade
- haveria tempo?
perfilou-se no
espelho,
passou batom
vermelho,
correu!
nem gata borralheira
nem princesa,
e, apesar do peso da
dupla jornada,
segurou o filho nas
mãos,
olhou nos olhos do
amado
cantou, rodopiou
desligou as panelas
do fogão
recolheu as roupas
do varal
e, sem esquecer a
luta,
tirou a poesia da
gaveta...
Bela e encantada
Ela
tomou o rumo da
vida
e de sonhos fez sua
estrada!
Edinara Leão

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