Feliz recebo-te em meu peito faísca,
brasa lúcida do caos,
feliz por partilhares sonhos meus,
tempos-angústia, dores e silêncios,
 
quando o vento sopra,
são teus dedos alisando-me a cabeleira,
quando silencias em mim,
procuro-te nas teias do destino,
ele - tão menino...
nem sabe como poderia trazer-te
para os aconchegos meus
e, como não sei dizer-te adeus,
(já tentamos mais de uma vez, não?) 
quedo-me contigo  em mim
ainda que ausente do hemisfério do olhar,
recebo teus passos-colibri
em minhas instâncias perdidas,
em meus espaços vazios,
meus recônditos não são paraísos,
são quietude e ausência,
melancolia e desencanto,
de mulher que não sabe voar caminhos,
 
empresta-me asas, colibri
e voarei ao teu encontro-nuvem,
e em nós refeita a androginia do cosmo,
tecidos de ar, seremos um
                   até o final...

 

 

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