A musa no toco

 
Branco e leve como a garça,
- não penseis que isso é farsa -,
canto como a juriti.
Vim das terras da Bahia
Cantar e ouvir poesia
Nas plagas de Entre-Ijuís.
 
Hoje aqui abarracado,
trazendo a musa ao meu lado
no encontro de Entre-Ijuís,
vim, primeiro de Provença,
em Portugal fiz presença
no reino da flor-de-lis.
 
Estou nos cinqüenta e oito,
firme sempre, firme e afoito,
meu calendário diz isso!
Sentir-me aos oitenta e cinco,

isso é brincar, e eu não brinco,
não brinco nunca em serviço.
 
Vim ver os moços poetas
ver e ouvir esses atletas
dos sonhos da mocidade.
Dizer-lhes que a vida é um mel
de abelha, se o menestrel
não monta o tempo na idade.
 
Poesia, amigos, é sonho,
sonho e deleite,  suponho,
tem ingredientes de mate.
É o chimarrão dos cantores
tem mais sabor, mais olores
e dá mais talento ao vate.
 
Por isso vim a Entre-Ijuís
cantar, como sempre fiz,
cantigas, loas e salves.
Elevemos vôo e voz,
assim como o albatroz
dos mares de Castro Alves!
 
A nossa pátria se expande,
aqui deste Rio Grande,
à Amazônia mais ao Norte.
E este chão, todo ele inteiro,
é nosso, é bem brasileiro
é bravo e sabe ser forte.
 
Sou trovador, sei de tudo
e sei cantar, sobretudo,
conduzo a lira na mão.
Fonseca e Justiniano,
Gaúcho às vezes, baiano,
digam-me apenas  – JOÃO.
 
Quem sabe cantar, quem ama,
mantém sempre acesa a chama
que ilumina os profetas.
O tempo não arrefece
os sonhos, não esmorece
os cantores e os poetas.
 
Glória, glória a Entre-Ijuís,
cantai poetas, feliz
é o que canta, ama e festeja.
Repito, vim da Bahia
cantar convosco a poesia,
pelejar nossa peleja!
 
João Justiniano da Fonseca
www.joaojustiniano.net 
 
 
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