Estudo sobre Sargos Endémicos de Cabo Verde,
Pertencentes ao Género Diplodus.
Em 2/2000, por Rui Motta Freitas, cadeira de Recursos Haliêuticos
ÍNDICE
RESUMO
*ABSTRACT
*
I INTRODUÇÃO
*II BIOLOGIA
*Filogenia
*TAXONOMIA E SISTEMÁTICA
*O FILO CORDADO
*·
CLASSE OSTEICHTHYES *·
FAMILIA SPARIDAE *Morfologia Externa(Características Importantes dos Sparidae)
*ECOLOGIA
*1-Habitat e Comportamento
*2-Coloração
*3-Alimentação
*Regime alimentar dos Diplodus spp.
*FISIOLOGIA E REPRODUÇÃO
*1-Reprodução e Hermafroditismo
*
2-Constituição Geral das Gónadas dos Sparidae
*3-Dimorfismo sexual dos Sparidae
*4-Ciclo de Vida dos Diplodus spp.
*DISTRIBUIÇÕES E MIGRAÇÕES
*1-Distribuição Geográfica
*2-Distribuição em Cabo Verde dos Sparidae
*3-Distribuição Batimétrica
*4-Migrações
*·
GÉNERO DIPLODUS *III DESCRIÇÃO BIOLÓGICA DOS 3 DIPLODUS
*ж
Importância *ж Caracterнsticas Importantes
*v
Diplodus fasciatus (Valenciennes, 1830) *ж
Sinônimos *ж Nomes Habituais e
Vernáculo *ж Morfologia externa
*ж Coloraз
ão *ж Habitat e Comportamento
*v
Diplodus prayensis (Cadenat, 1964) *ж Sino
nimos *ж Nomes Habituais e
Vernáculo *ж Morfologia externa
*ж Coloraз
ão *ж Habitat e Comportamento
*v
Diplodus sargus lineatus (Valenciennes, 1830) *ж Sino
nimos *ж Nomes Habituais e Vernб
culo *ж Morfolog
ia externa *ж Coloraз
ão *ж Habitat e Comportamento
*
IV PESCAS EM CABO VERDE *
INTRODUÇÃO
*PESCAS E CAPTURAS DO PESCADO
*ж Potencialidade do Sector das Pescas
*V AVALIAÇÃO
*TÉCNICAS PARA A AVALIAÇÃO DE RECURSOS HALIÊUTICOS
*ж O Mйtodo da A
rea Varrida em Cabo Verde *ж Outras Tй
cnicas de Avaliação *RECURSOS DO DEMERSAIS DE CABO VERDE
*RECURSO DOS DIPLODUS spp. EM CABO VERDE
*ж Dados da Campanha INDP / 1984
*ж Dados da Campanha INDP
/ 1985 *ж Dados da Campanha INDP / 1994
*ж Captura de Diplodus spp. em Cabo Verde
*ж Relaз
ão Peso & Comprimento para Diplodus spp.(FishBase98) *ж Como Nota His
tórica: "Captura de Sparideos em 1977(FAO)" *VI GESTÃO
*VII SARGO ENDÉMICO A CABO VERDE, NÃO DIPLODUS SPP.
*v
Virididentex acromegalus (Osório, 1911) *ж Sino
nimos *ж Nomes Habituais e Vernб
culo *ж Morfologia externa
*ж Coloraз
ão *ж Habitat e Comportamento
*VIII CONCLUSÕES E DISCUSSÕES
*IX BIBLIOFRAFIA
*ж NA FISH BASE 98(Relato
rios usados para descrever os três Diplodus). *ж NA FISH BASE 98(Col
aboradores nos dados para os três Diplodus). *
Este trabalho tem por objectivo a divulgação e a compilação geral, duma forma técnica e generalizada, das informações existentes sobre espécies de Sargos endémicos de Cabo Verde pertencentes taxonomicamente ao género Diplodus. São três espécies de Sargos, que reúnem essas qualidades. São esses; o Sargo branco(Diplodus sargus lineatus), Sargo preto(Diplodus fasciatus) e o Sargo salema(Diplodus prayensis). São espécies encontradas com uma certa frequência habitualmente ao longo da plataforma continental de Cabo Verde e nos portos de desembarque do País. São geralmente capturadas ao longo das costas cabo-verdianas com linha e anzol ou rede de cerco e de arrasto. São espécies arquipelágicas sendo considerados Demersais e bentopelágicas de fundo rochoso e/ou de areia. Aqui têm valor comercial no mercado, mas contudo, inferior ás outras espécies que têm maior procura. Pela natureza endémica as bibliografias e as informações disponíveis são limitadas mas contudo existem algumas informações. Cada espécie apresenta uma nomenclatura Nacional e Internacional(extraídos da FAO). Existem dados dos habitat, biologia das espécies, classificação filogenética, biologia da família Sparidae que os engloba e dados estimados pelo INDP(Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas) de capturas desde de meados dos anos 80 até os anos 90, estimando assim alguns parâmetros biométricos e as biomassas. Para compreender certos aspectos comportamentais das espécies é apresentado as características oceanológicas do País. Assim o trabalho tem como objectivo compilar e disponibilizar toda a informação existente e investigar mais a fundo esses três Sargos de Cabo Verde como património Nacional da nossa Biodiversidade.
The objective of this work is to make known, popularization and the general compilation, in a technical and widespread way, the existent information about the endemic species of Porgies of Cape Verde belonging taxonomically to the genus Diplodus. There are three Seabream species, which gather those qualities. They are: the White Seabream (Diplodus sargus lineatus); Banded Seabream (Diplodus fasciatus) and the Two-banded Seabream (Diplodus prayensis). These species are usually found with a certain frequency along Cape Verde's continental shelf and in the ports of landing of Cape Verde. They are generally captured along Cape-Verde's coast with line or hook and purse seine or trawl. They are archipelagic species, being considered Demersals of bottom rock and/or of sand. Here they have commercial value in the market but, however, inferior aces other species that have larger search. For the endemic nature the bibliographies and the available information is limited but some exist information exists. Each species presents a National and International nomenclature (from FAO). We can find data of the habitat, biology of the species, filogenetic classification, biology of Sparidae’s family, that includes them and data esteemed by INDP (National Institute of Development of the Fishing) of captures from the midd eighties to the nineties, esteeming like this some biometrics and biomass parameters. To understand certain behavioural aspects of the species, the oceanológic characteristics of Cape Verde are presented. The objective of this work is to compile and make wearable all the existent information and to more thoroughly investigate the three Porgies of Cape Verde as National patrimony of our Biodiversity.
Cabo Verde sendo um País arquipelágico, insular e de origem vulcânica acaba por adquirir características próprias e novas a escala mundial. Como País detentor duma fauna marinha e ictiológica rica e biodiversificada, contribui para, novas adaptações e especialização, levando assim para o surgimento de novas espécies endémicas, interagidos ecologicamente e filogenéticamente com o ecossistema local, de acordo no geral com a selecção e especiação natural das espécies.
Importante salientar que a área da nossa ZEE(Zona Económica Exclusiva) representa 182 vezes a área de Cabo Verde, o que equivale dizer que o nosso principal recurso é o haliêutico.
Como característico de um clima tropical, Cabo Verde e a sua fauna marinha apresentam grandes variedades de espécies, mas ainda com uma densidade da biomassa relativamente fraca.
Para entender melhor a variabilidade biológica, aspectos comportamentais e ecológicos da nossa fauna ictiólogica, á que relacionar as biomassas, e as distribuições nas águas do País, com as características oceanológicas dos nossos mares.
Através da nossa actividade no domínio das pescas ficamos convencidos que o mar é o nossa principal fonte de proteína animal.
A zona que compreende as ilhas do Sal, Boa Vista e Maio, é a que apresenta maior plataforma continental e, por conseguinte, a zona onde se encontra concentrada a maior parte do nosso stock de recursos haliêuticos.
Existem em Cabo Verde três espécies de Sargos comuns, toxionomicamente incluídas na família Sparidae. O mais importante é que são espécies endémicas ou só existem em Cabo Verde, facto este de grande importância patrimonial e historial para Cabo Verde.
São espécies do género Diplodus e presente nas zonas de pesca FAO n.º 34 e 47, incluindo CV.
Um dos principais objectivos do trabalho é divulgar e compilar dados existentes e procurar novas informações dessas espécies de Sargos endémicos. A identificação e a caracterização biológica
faz parte do programa do trabalho, mas isso, de acordo com as bibliografias existentes e as fichas de identificação FAO, disponibilizada pelo INDP(Inst. Nacional de Desenvolvimento das Pescas).
Sendo poucas as informações é muito importante disponibilizar dados da biologia da família Sparidae.
De acordo com o nome local e cientifico, são esses os Sargos endémicos:
Têm valor comercial, mas contudo em menor escala em relação a outras espécies e outras famílias com maior valor comercial e mais conhecidos mundialmente.
São considerados, espécies Demersais e bentopelágicas. São habitantes da restrita plataforma continental do Pais e da zona litoral, encontrando-se em zonas de areia ou em fundos rochosos. Têm uma distribuição batimétrica, por volta dos 30-100 metros de profundidade.
Podem ser encontradas em pesqueiros litorais.
Existem dados bioestatísticos(parâmetros biológicos) desses Sargos, disponibilizados no capitulo de avaliação, resultado das campanhas de investigação haliêuticas levado a cabo pelo INDP(Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas). Algumas informações estão contidas no capitulo de avaliação. Atendendo à sua importância para o sector a gestão também faz parte de um capitulo.
Os desenho por si só, representam o melhor auxilio para uma devida identificação e classificação biológica de espécies em geral e de Sargos em particular. Isso porque sendo da família Sparidae, são extremamente marcadas pelas suas heterodontias, contendo espécies diversificadas, e variadas em termos da morfologia externa, e com várias especifícidades na estrutura bocal interna, o que torna a sistemática nesses casos um trabalho de peritos, e de muita paciência.
São espécies de movimentos rápidos e/ou com uma alta taxa metabólica. Sendo assim os três Diplodus não atingem grandes tamanhos e não transmitem nenhum perigo de intoxicação alimentar, por acumulação de toxinas, mas outras espécies, e algumas Sparidae já estiveram implicadas em casos de Ciguatera(toxina perigosa para a saúde humana).
Outros objectivos do trabalho:
A descrição do trabalho é de uma forma semi-técnico visto destinar para a cadeira de Recursos Haliêuticos, mas contudo é acessível a um leitor curioso.
No trabalho existem vários capítulos onde se dá as directrizes gerais da biologia e a taxonomia, dessas espécies. Situação geográfica e características oceanológicas de Cabo Verde, são também apresentados no trabalho, visto implicarem na dinâmica das populações marinhas.
Dados das capturas serão sempre apresentadas em toneladas como a unidade padrão, mas á casos que estão em Kg.
Importante salientar a pesca industrial em Cabo Verde tende a chamar-se de Industrial/semi-industrial.
Como curiosidade um outro Sargo endémico de Cabo Verde, não Diplodus spp. é frisado no trabalho. Tem como nome cientifico, Virididentex acromegalus, e como nome local de Benteia. Desenhos de várias espécies Sparidae, encontradas em Cabo Verde estão disponíveis no fim do documento.
1. SITUAÇÃO GEOGRAFICA E CARATERISTICAS OCEANOLÓGICAS DE CABO VERDE
II BIOLOGIA
Os Sargos a descrever são, logicamente do Reino Animal(Animalia), segundo o critério de 5 Reinos de Whittaker, estando-se por sua vez incorporados dentro do Sub-Reino Eumetazoa(com tecido verdadeiro), e este por sua vez divide-se em Ramos estando os Sargos no Ramo Bilateria(sem simetria radiada com distribuição assimétrica). A Bilateria(bilateral) divide-se em 2 graus estando os Diplodus spp. no grau Coelomata(com celoma).
A esse nível existe uma subdivisão(Deuterostomia) quanto á origem do ânus pelo blastóporo, e onde a boca é de neoformação(de lado oposto na divisão celular do ovo). Sendo assim os peixes no geral são Deuterostómios.
O grau Celomado divide-se em sub-graus sendo os Sargos Enterocélicos. Quanto á origem de folhetos germinativos na divisão celular são Triploblasticos.
"Como nota dessas classificações: como sendo um animal são válidas também para o homem".
Somente agora a nível taxonómica os Sargos estarão inseridos no Filo Chordata(Cordados).
Assim, filogenéticamente os Sargos detém as seguintes características acima transcritas:
Simetria Bilateral. Triploblásticos. Enterocélicos. Deuterostómios. Eumetazoários.
Com habitat aquático(água salgada), os Sargos quanto á morfologia externa são heterogéneas. Morfologia interna; com notocorda(corda dorsal), tubos nervoso dorsal, faringe respiratória e reprodução geralmente por gonocóricos. São dióicos. Quanto á filogenia apoia-se que os cordados tiveram origem de equinodermes apoiada na deuterostomia que ambos reúnem mas contudo os cordados são mais evoluídos
O homem está aqui inserido filogenéticamente, conjuntamente com os Sargos.
Os Cordados subdividem-se por sua vez em três Sub-Filos, sendo os três Sargos do sub-filo Vertebrata(Vertebrados) com crânio, arcos viscerais, vértebras e encéfalo, tubo digestivo ventral e com rins.
O sub-filo vertebrata encontra-se dividido em várias classes, agrupadas em super-classes.
Zoologicamente, no geral os peixes, e em particular os Sargos como aquáticos, incluem-se na super-classe Piecis(peixes), que têm como características o corpo com escamas e barbatanas (pelo menos impares e pares), respiração branquial e o coração com duas cavidades
Na super-classe Piecis temos no geral duas classes de peixes:
Classe CHONDRICHTHYES
São os peixes cartilaginosos. É um grupo antigo, com fósseis encontrados em rochas do Devoniano Superior(400 milhões de anos). Engloba cerca de mil espécies com esqueleto cartilaginoso, escamas placóides, boca ventral, narinas que não se comunicam com a boca, intestino com válvula espiral, sem bexiga natatória. São os tubarões, as raias e as quimeras. Não inclui os Sargos.
Sendo o nosso caso(Do Gr. osteo=osso + ichthyes=peixes).
São os peixes ósseos. Seus fósseis são mais antigos que os dos peixes cartilaginosos. Contam com cerca de 30 mil espécies com esqueleto ósseo. Em relação á morfologia externa têm pele com glândulas mucosas, escamas dérmicas de origem mesodérmica(ciclóides, ctanóides, ganóides e alguns sem escamas). Com barbatanas pares e impares têm um par de opérculo para fechar as brânquias. Boca usualmente terminal, e cauda geralmente homocerca.
Morfologia Interna: têm vestígios de notocorda no adulto e com coração com duas cavidades, com bexiga natatória e intestino sem válvula espiral. Cérebro relativamente desenvolvido, rins do tipo mesonefro. Em relação á fisiologia no coração só passa sangue venoso e são ectotérmicos, mas alguns são heterotérmicos.
Reprodução sexuada com gónadas sendo a maioria ovíparo e dióica, com fecundação externa, usualmente com segmentação meroblástica.
Em geral são bem menores que os peixes cartilaginosos(um tubarão-baleia tem em média 15m de comprimento, uma jamanta 5m de comprimento por 6m de largura). Entre os maiores peixes ósseos estão o espadarte, com até 5m, o peixe-lua, com no máximo 4m e o esturjão com 3 metros.
Mas em relação á ictio-biodiversidade e à sistemática, todos os Sargos endémicos ou não de Cabo Verde, estão incluídos sistematicamente na família Sparidae.
A família Sparidae conjuntamente com outras famílias de Teleósteos, estão inseridas na
ORDEm Perciformes designado pelo inglês de "perch-likes".
Todos os Sargos, Pargos, Salemas e Besugos, em geralmente, endémicos ou não, pertencem á família Sparidae.
São conhecidos mundialmente em inglês por: Porgies e\ou Seabream.
São espécies principalmente marinhas, e raras em água doce ou de alta salinidade.
Algumas espécies estão implicadas em casos de toxina de Ciguatera(Ref. 4537; FishBase98).
A família Sparidae é constituída por numerosos géneros e espécies. A sua sistemática é difícil, variando consideravelmente conforme os sistematas. Como sinónimos da família podemos ainda encontrar outros nomes como: Denticidae ou Girellidae. Segundo a sistemática actual a família detêm 35 géneros e 112 espécies diferentes classificadas, sendo algumas como subespécies(in FishBase98). A mais grande espécie da família Sparidae encontrada tem aproximadamente 1.2 metros de comprimento(ex. Archosargus probatocephalus). São de pouco uso em aquários, e têm geologicamente origem na época terceária.
Morfologia Externa(Características Importantes dos Sparidae)
geralmente na sistemática da família. Nos indivíduos da dentes fortes, estes(dentais, pré-maxilares), são de grandes dimensões, e formam apoio nos outros ossos, que são extremamente desenvolvidos(articulares, maxilares, palatinos);
A grande importância da família para as pescas, é porque apresentam uma diversidade de espécies mas contudo ponderadas em relação á abundância dos stocks.
Os Sparideos, como vivem em zonas relativamente eufótica, as suas colorações podem ser vivas e variadas, apresentando frequentemente faixas transversais. A cor no geral é o prateado, aparecendo com frequência o vermelho ou o rosado. As cores rosadas ou vermelho - acastanhadas
apresentadas pelos Sparidae à superfície, não são visíveis debaixo de água e os mesmos apresenta-se ali com uma tonalidade cinzento – prateado.
A maioria dos Sparidae são carnívoros, alimentando-se predominantemente de crustáceos e de moluscos. Os dentes molariformes de algumas espécies adquirem uma robustez extraordinária e servem para triturar as conchas mais consistentes. Um bom exemplo é o Sparus aurata, por ter molariformes contentíssimos, sendo este um terrível inimigo das ostras. Também á espécies herbívoras, como o Oblada melanura, Sarpa sarpa e a Spondyliosoma cantharus.
Regime alimentar dos Diplodus spp.
Os Diplodus spp. são geralmente carnívoras, excepto o Diplodus cervinus que é omnívora.
Como exemplos variados temos:
Como regime alimentar dos três Diplodus de Cabo Verde temos:
1-Reprodução e Hermafroditismo
A extraordinária diversidade oferecida pelos peixes na sua morfologia externa e na estrutura dos seus órgãos, aparece igualmente nas suas funções reprodutoras. Muitas espécie adquirem comportamentos de hemafroditismo mas nunca é simultâneo; isso na idade da primeira maturação, alguns têm gónadas femininas e masculinas em simultâneo, mas a maioria dos indivíduos são machos, mudando outros de sexo quando atingirem comprimentos maiores.
A maioria dos peixes Teleósteos são heterossexuais, sendo raros os casos de hermafroditismo anormal. Contudo, de entre os Vertebrados, só nos peixes é comum a presença de um hermafroditismo normal. O hermafroditismo normal, é característico de 13 famílias de Teleósteos(inclui Sparidae). O hermafroditismo pode ser funcional(como as espécies da família Serranidae), ou não funcional que é o caso dos Sparidae. O hermafroditismo funcional é característico das espécies que têm a probabilidade da ocorrência de indivíduos do sexo oposto, por razões várias, é pequena. A existência desse tipo de hermafroditismo em alguns Serranidae pode ter caracter adaptativo, assegurando a conservação da espécie. O hermafroditismo funcional é muito comum em espécies sedentárias e invertebrados parasitas. Em principio Diplodus prayensis, Diplodus fasciatus e Diplodus sargus lineatus deverão ter o mesmo hermafroditismo das espécies do género Diplodus já estudadas.
2-Constituição Geral das Gónadas dos Sparidae
Nos Sparideos as gónadas são ovotestis, isto é, compostas por um território masculino e outro feminino. A glândula compõe-se de uma região dorsal(feminina), granulosa, de cor avermelhada, devido à irrigação dos vasos sanguíneos, na qual sobressaem as lamelas ováricas, e de uma região ventral(masculina), de aspecto leitoso, tendo os tubos seminíforos uma disposição radial. Os tubos desembocam num feixe ventral de canalículos que convergem finalmente num canal deferente situado na separação da parte masculina com a feminina. Os dois territórios não atingem simultaneamente a maturidade.
3-Dimorfismo sexual dos Sparidae
Designa-se sob o nome de caracteres sexuais, todos os que permitem distingir nos animais os machos das fêmeas, sem se ser obrigado a recorrer à dissecação. Os caracteres sexuais secundários, dizem respeito ao tamanho, forma do corpo, barbatanas, escamas, dentadura, bossas frontais e coloração, por exemplo.
Em alguns Sparidae(Dentex), os machos adultos e muitas vezes, os indivíduos muito grandes e muito velhos dos dois sexos, possuem frequentemente uma bossa frontal, de tecido adiposo, que diminui ou desaparece no intervalo de reprodução.
Na espécie Diplodus senegalensis, constata-se a presença nítida de dimorfismo sexual. A fêmea é mais estilizada, com o rosto aguçado e o olho mais afastado do perfil cefálico superior(diâmetro do olho contido 3,2 vezes da distância opércular, sendo no macho somente 3 vezes; olho contido 0,9 vezes na distância sub-orbital no macho, sendo na fêmea somente de 0,8 vezes). Na FishBase99 o nome desta espécie está válida como Pagellus bellottii.
Em relação aos Diplodus prayensis, Diplodus fasciatus e Diplodus sargus lineatus, pelo menos o que é constatado não á presença de dimorfismo sexual, contudo apercebe-se do sexo, só quando o animal eviscerado, concretamente quanto se vê a presença de testículos ou ovários.
4-Ciclo de Vida dos Diplodus spp.
O ciclo de vida dos Diplodus spp. ainda não se encontra bem estudado, uma vez que praticamente não há uma bibliografia inteira e disponível sobre a biologia dos Diplodus.
Contudo os ovos de Diplodus surgus(na capa)são postos em Abril ou Junho e os pequenos peixes tem uma vida pelágica até o verão, e a espécie Diplodus vulgaris, desova em Outubro e os alevinos apresentam uma vida pelágica até aos 1-2 cm de comprimento. No Outubro, normalmente atingem os 3 cm de comprimento, mas só adquirem as suas bandas características aos 4 cm, enquanto que a espécie Diplodus vulgaris tem uma época de desova de Dezembro a Março, a uma profundidade de 100 a 140 metros.
Sendo sistematicamente os três Sargos: Diplodus prayensis, Diplodus fasciatus e Diplodus sargus lineatus do mesmo género Diplodus, e filogenéticamente perto a nível evolutiva em relação as espécies apresentadas acima. Assim sendo devem ter o mesmo ciclo de vida.
1-Distribuição Geográfica
Os Sparideos são peixes costeiros com uma larga faixa de distribuição na costa atlântico tropical e temperado do lado oeste-oriental, encontrando-se das costas da Noruega à África do Sul. Essas distribuições ao longo da costa oriental do atlântico são amplamente descritas. Muitas espécie são encontradas ao redor a África meridional entre 30 a 100 metros, onde sofrem uma captura intensiva. Estão também presentes no Oceano índio e Pacífico. Podem ser encontradas também na zona litoral ou seja em pesqueiros litorais. Sparideos não são espécies essencialmente cosmopolitas. Como exemplo das distribuições, temos:
Na família Sparidae os géneros mais abundantes são:
2-Distribuição em Cabo Verde dos Sparidae
Distribuição de Sparideos em Cabo Verde, está de acordo com as zonas de pesca FAO do Centre-Este africano n.º 34 e 47(incluindo Cabo Verde). O género Diplodus tem presente nessas zonas de pesca 15 espécies diferentes estando ali os três Sargos endémicos. Os 15, 5 são subespécies da espécie Diplodus sargus sp., sendo uma das subespécies o Sargo endémico Diplodus sargus lineatus. Em todas as ilhas consta-se a presença de Sargos. A nível mundial existem 21 espécies de Diplodus. Segundo FAO, na zona de Cabo Verde existem outras espécies da família Sparidae não do género Diplodus, mas com um numero restrito de espécies.
São esses os géneros e o numero das espécies:
Pode ser encontrado o nome cientifico por extenso dessas 40 espécies nas fichas de identificação FAO(no INDP), na pagina 12 referente á família Sparidae.
Como conclusão, as evidencias dizem que a maior parte dos Sparideos que ocupam a margem atlântica oriental ocorrem, entre a Baía da Biscaia a Angola.
As espécies comerciais da família Sparidae no atlântico Centre-Este, apresentam uma larga faixa de distribuição batimétrica. Tem-se a ideia que o Pagellus bogaraveo é a espécie Sparidae que ocupa a maior variedade de profundidade: desde das águas superficiais, chegando até aos 700 metros.
Segundo a composição das capturas de arrasto costeiro entre 50 aos 200 metros em 1964, entre Cabo Branco e o Estuário da Gâmbia, os Sparidae constituíram 60 a 70% do peso dos peixes comerciais capturado e 40% do total. Nas capturas a mais de 100 metros liderava como Sparideos o Dentex macrophthalmus e o Dentex maroccanus e á superfície Pagellus acarne e Pagellus erythrinus.
Num trabalho sobre a biologia e distribuição batimétrica das espécies capturadas nos arrastos na plataforma continental do Cabo Spartel ao Cabo Verde, diz que o Dentex macrophthalmus apareceu com mais abundância nas profundidades entre 50 a 350 metros, confirmando assim assunções de outros autores à espécie. Posto isto, a profundidade ideal de abundância de Sparideos é dos 100 a 200 metros. Em Cabo Verde a maioria( pelo menos os Diplodus spp.) é encontrada entre 30 a 100 metros ao longo da costa e da nossa restrita plataforma continental.
Pouco se sabe acerca das migrações nos Sparidae. Várias espécies pertencentes a esta família efectuam migrações sazonais e parecem não ser grandes migradores.
A Sparus aurata penetra na primavera, quando ela é pouca, nas lacunas litorais ou nos estuários onde ela encontra em águas salobras uma grande abundância de animais de fundo dos quais ela se alimenta. No Outono regressa ao mar para desovar, e em maior numero de indivíduos.
Um migrador de grande valor económico é o Pagellus bogaraveo, dando lugar, e muito importante na pesca de fundo(100 a 500 metros). Passando o inverno na plataforma continental o Pagellus
bogaraveo eleva-se depois na primavera para as águas superficiais antes de voltar para o fundo no mês de Maio. Estas migrações verticais estão dependentes das variações de temperatura e salinidade da água em geral, como também do posicionamento em profundidade da termoclina.
Migrações de Diplodus prayensis, Diplodus fasciatus e de Diplodus sargus lineatus ainda não é conhecida(mesmo que isto aconteça).
Mas como espécies demersais e bentopelágicas, e habitantes da restrita plataforma continental do Pais e da zona litoral de areia ou de fundos rochosos, poderá haver migrações sazonais na restrita plataforma, mas sem relevância. É de lembrar que têm uma distribuição batimétrica que anda por volta dos 30-100 metros de profundidade.
Foi denominado por Rafinesque em 1810. Este género engloba os três Sargos endémicos, incluindo no geral espécies e subespécies de Sargos. Ocorrem habitualmente em zonas tropicais.
São peixes de movimentos rápidos e no geral de difícil captura pela pesca, e sendo carnívoros natos, fazem lembrar as famosas "Piranhas" em relação ao comportamento colectivo ao isco. A maioria das espécies do género apresentam no pedúnculo caudal com colorações negras, em forma duma faixa transversal ovóide.
Nos Diplodus spp. a barbatana caudal é homocerca e bifurcada(no D. fasciatus e o D. prayensis entre luniforme e bifurcada; D. sargus lineatus tende para profundamente bifurcada).
Para identificar o Diplodus fasciatus têm-se, que ver como cor de fundo, seis bandas estreitas nos dois terços superiores de cada lado, sendo a ultima na base da cauda. Têm 15 a 21 brânquiospinhas no ramo inferior, 9 no superior do primeiro arco branquial. Tem beiços muito espessas e rosadas.
Para identificar o Diplodus prayensis temos que ver uma boca relativamente pequena, com uma faixa negra na parte inter-orbital e no focinho, cabeça escura da nuca à boca. Margem posterior do opérculo e membrana branquióstega posterior negra. Em cima da cabeça uma faixa relativamente mais clara.
Para identificar o Diplodus sargus lineatus temos que constatar 4 a 5 barras claras segundo uma simetria ao longo do corpo em ambos os lados. A sua forma do corpo tende para ovóide, sendo mais oval e mais achatada lateralmente em relação aos outros dois Diplodus.
Resumindo assim a posição sistemática dos três Sargos endémicos de Cabo Verde:
Filo - Chordata
Sub-Filo - Vertebrata
Super-Classe - Piecis
Classe - Osteichthyes
Ordem - Perciformes
Família - Sparidae
Género - Diplodus
Simetria Bilateral. Triploblásticos. Enterocélicos. Deuterostómios. Eumetazoários.
São três espécies de Sargos do género Diplodus: Diplodus fasciatus, Diplodus prayensis e uma subespécie Diplodus sargus sp., Diplodus sargus lineatus.
III DESCRIÇÃO BIOLÓGICA DOS 3 DIPLODUS
A especial atenção na descrição dos Sargos é de acordo com a fisiologia externa. Sistemáticamente são fortemente marcados pelas suas heterodontias, contendo armaduras bucais com caninos, incisivos e molares adaptados ao estilo de vida carnívora que levam. O céu da boca, com vómer e palatina é geralmente acentuada. Esses são os critérios mais usados para destinguir as espécie Sparidae.
Geralmente têm a barbatana caudal homocerca e bifurcada(no D. fasciatus e o D. prayensis entre luniforme e bifurcada; D. sargus lineatus tende para profundamente bifurcada).
São peixes de movimentos rápidos ou seja de alta taxa metabólica, contudo não atingem grandes tamanhos. São comercializado frescos.
ж Importвncia
Em geral têm muitos espinhos e não têm propriedade electrobiológicas. São capturadas normalmente com rede de cerco ou de arrasto ou com linhas e anzóis. Diplodus sargus lineatus tem menor valor comercial(FishBase98). São espécies inofensivos ao homem.
Atlântico Oriental: endémico às Ilhas de Cabo Verde. Espécies tropicais, não protegidas e não incluídas na lista vermelha da IUCN.
Diplodus fasciatus (Valenciennes, 1830)
ж Sinуnimos
Corpo oval e comprimido lateralmente. Boca ligeiramente proctátil. Beiços muito espessas. Dentes com incisivos em numero de 10 a 12 no maxilar superior, e oito na maxila inferior, seguidos de uma a três(geralmente duas) séries de molares. Branquispinhas em numero de 10 a 12 no ramo inferior e 9 no superior do primeiro arco branquial. Barbatana dorsal com 10 a 12 raios espinhosos e 11 a 13 raios moles. Barbatana anal com 3 espinhos e 9 a 10 raios moles. Barbatana caudal em forma de forquilha entre luniforme e bifurcada. Linha lateral com 55 a 64 escamas.
Comprimento máximo 40 cm, mas normalmente ou médio com 30 cm de comprimento.
O dorso é escura. Seis bandas estreitas nos dois terços superiores de cada lado, a ultima ocupa a base da cauda. Beiços rosados. Barbatanas peitorais amareladas, as outras amarela-escuros. Uma banda negra que cobre o espaço inter-orbital e o focinho. Margem posterior do opérculo negro.
Habita fundos rochosos e arenosos até aproximadamente 100 metros de profundidade; espécies demersal e bentopelágica, pode-se encontrar em águas mais profundas e vasosos. Presente em águas salgadas. Vivem em grupos de 4 a 5 indivíduos de tamanhos diferentes. Omnívoros com hábitos predominantemente carnívoros, alimenta de invertebrados pequenos, e tem hábitos necrófagos(segundo pescadores experientes). Comercializado fresco. (Ref. 3688, FishBase98).
ж Sinуnimos
Corpo oval e comprimido lateralmente. Boca relativamente pequena, terminal e moderadamente protáctil. Lábios um pouco grossos. Oito incisivos em cada maxila, seguidos de três ou quatro séries de pequenos molares e três séries de fortes molares em ambos os lados das maxilas. Branquispinhas em numero de 11 a 13 no ramo inferior e 6 a 10 no ramo superior do primeiro arco branquial no superior. Barbatana dorsal com 12 raios espinhosos e 13 a 15 raios moles. Barbatana anal com 3 raios espinhos e 12 a 13 raios moles. Barbatana caudal bifurcada mas tende para luniforme. Linha lateral com 56 a 63 escamas, excluindo as da barbatana caudal.
Comprimento máximo de 35 cm, mas normalmente ou médio com 25 cm de comprimento.
Geralmente acastanhada ou esverdeada, mais clara na região ventral. Linhas longitudinais alternadas de dourado e cinzento. Cabeça escura, da nuca à boca. Margem posterior do opérculo e membrana branquíostega posterior negra. Uma malha negra nas axilas das peitorais, estendendo-se suavemente para cima e para baixo da inserção da barbatana. Peitoral clara, as outras negras próximo das margens.
Habita fundos rochosos e arenosos até aproximadamente 100 metros de profundidade; espécies demersal e bentopelágica podendo-se encontrar em águas mais profundas e em fundos barrentos e vasosos. Presente em águas salgadas. Omnívoros com hábitos relativamente carnívoros, alimenta de invertebrados pequenos e algas. Comercializado fresco.(Ref. 3688, FishBase98).
Diplodus sargus lineatus (Valenciennes, 1830)
Corpo oblongo ou ovóide com perfil superior elevado e comprimido lateralmente. Boca relativamente pequena, terminal. Cada maxila á frente, com oito incisivos, largos e cortantes, mais ou menos verticais e, lateralmente, a superior com três séries e a inferior com duas de dentes molariformes. Vértex da cabeça convexo. Opérculos sem espinhos. Barbatana dorsal com 10 a 13 raios espinhosos e fortes sendo o quarto espinho o maior, e 13 a 15 raios moles. Barbatana anal com 3 raios espinhos onde o segundo espinho da barbatana, é muito alto e mais forte que o terceiro, tendo ali 13 a 15 raios moles. Barbatana caudal em forquilha bifurcada mas tende para profundamente bifurcada, com o lobo superior mais desenvolvido. Barbatanas peitorais falciformes atingindo a origem da barbatana anal. Linha lateral com 60 a 66 escamas. Comprimento máximo de 25-28 cm, mas normalmente ou médio com 20 cm de comprimento.
Coloração dorsal a flancos cinzento-azulado, mais ou menos escuros, com 20 a 25 bandas longitudinais e 7 a 8 bandas transversais negras. Parte superior do pedúnculo caudal com uma larga banda transversal negra.
Habita fundos rochosos entremeados e em bancos arenosos na zona da orla marítima(costeira) com aproximadamente 30 metros de profundidade. É uma espécies demersal e bentopelágica Presente em águas salgadas. Omnívoros com hábitos acentuadamente carnívoros, alimenta de invertebrados pequenos benticos e algas. Comercializado fresco.(Ref. 3688, FishBase98).
Cabo Verde é um país insular, de origem vulcânica e sem grandes recursos. Pertencendo ao grupo dos países do 3º mundo Cabo Verde, e têm a obrigação de proceder a uma gestão racional e óptimal da sua ZEE.
Verifica-se entretanto, uma situação preocupante que se caracteriza pela degradação da sua ZEE o que impõe uma atitude mais responsável do Homem para com o ambiente, por forma a se restabelecer necessária harmonia entre este e a natureza. Essa harmonia reflecte, em ultima instancia, o conceito, da sustentabilidade que irá permitir uma utilização responsável e duradoura dos recursos naturais e garantir, em consequência, ás gerações vindouras um futuro diferente e promissor.
PESCAS E CAPTURAS DO PESCADO
A exploração dos recursos haliêuticas duma forma óptima está, entre outros factores, estreitamente dependentes dos meios de captura disponíveis nomeadamente embarcações, e de um domínio e aplicações tecnológicas de pescas adequadas á realidade e de gestão.
As artes de pesca tradicionalmente usadas em Cabo Verde são: linha e o anzol, vara, redes de cerco, de emalhar e de praia. Contudo já ouve o uso de palancres.
Uma das técnicas utilizadas para a avaliação de recursos haliêuticas é o arrasto á meia água e de fundo(pesca proibida em Cabo Verde pela legislação em vigor). Essas técnicas baseiam em modelos matemáticos adaptados á realidade, pela área de Biologia Pesqueira.
Segundo o boletim estatístico do INDP referente a 1998, a frota pesqueira artesanal cabo-verdiana é constituída na maioria com 966 botes com motor "d'popa", que são pequenas embarcações de boca aberta, em média de 4-6 metros de comprimento, utilizando 2-4 pescadores, e 434 botes sem motor, contendo num total de 1.400 botes.
Até recentemente Cabo Verde dispunha por volta de 1.500 pescadores, mas segundo o senso 1997 Cabo Verde dispõem actualmente de 5.724 pescadores, sendo 4.700 exclusivos e 1.024 em regime de part-time. Referente ao mesmo boletim, Cabo Verde dispõem de 18 redes de cerco, 64 de praia e 103 de emalhar.
A produção no sector divide-se pelos sub-sectores artesanal e industrial/semi-industrial.
Como historial, em 1996 produziu-se globalmente cerca de 9.155 toneladas sendo, 38.5% das capturas correspondentes a tunídeos e afins, 41.9% a espécies pelágicas, 10.3% a demersais, 0.9% a lagostas e 8.3% a peixes diversos.
As capturas e os rendimentos(Kg/viagem) na pesca artesanal têm oscilado muito desde 1989 com uma tendência á estabilização.(Tabela 1).
|
toneladas |
1989 |
1990 |
1991 |
1992 |
1993 |
1994 |
1995 |
1996 |
|
G. Pelágicos |
2.812 |
2.170 |
1.796 |
1.864 |
2.032 |
2.242 |
1.919 |
2.042 |
|
P. Pelágicos |
2.045 |
1.270 |
1.400 |
1.271 |
1.817 |
1.673 |
1.413 |
1.527 |
|
Demersais |
1.087 |
765 |
910 |
908 |
629 |
794 |
882 |
1.013 |
|
Outros |
447 |
726 |
276 |
265 |
351 |
638 |
333 |
330 |
|
TOTAL |
6.391 |
4.931 |
4.382 |
4.308 |
4.829 |
5.347 |
4.547 |
4.921 |
|
Esforço* |
150 |
138.1 |
131.1 |
112.7 |
123.1 |
135.8 |
128.7 |
134.6 |
|
Rend(k/v) |
42.6 |
35.7 |
33.4 |
38.2 |
39.2 |
40.3 |
35.3 |
36.4 |
Tabela 1 Fontes: Boletins Estatístico INDP Natureza: Dados oficiais (viagem*1000)
Os dados das capturas(86-98) em Cabo Verde estão tabelados em
(Tabela c.v.).|
ANO |
Artesanal |
Total |
Industrial/semi-industrial |
|
1986 |
4.764 |
7.335 |
2.571 |
|
1987 |
4.005 |
7.312 |
3.307 |
|
1988 |
4.092 |
6.387 |
2.295 |
|
1989 |
6.391 |
8.614 |
2.223 |
|
1990 |
4.935 |
6.579 |
1.644 |
|
1991 |
4.884 |
7.378 |
2.494 |
|
1992 |
4.308 |
6.573 |
2.265 |
|
1993 |
4.829 |
7.000 |
2.171 |
|
1994 |
5.347 |
8.256 |
2.909 |
|
1995 |
4.547 |
8.495 |
3.948 |
|
1996 |
4.912 |
9.155 |
4.243 |
|
1997 |
4.920 |
9.627 |
4.707 |
|
1998 |
5.242 |
9.460 |
4.218 |
|
MEDIA |
4.860 |
7.859 |
3.000 |
Tabela c.v. Fontes: Boletim Estatístico / 98 INDP Natureza: Dados oficiais
O esforço de pesca total(n.º de viagens) no período em análise oscila entre 154 mil viagens em 1989 e 113 mil em 1992, com marcadas diferenças anuais. A ilha de Santiago que detém a maioria dos botes artesanais regista maior número de viagens. O rendimento média anual global pôr bote tem sido bastante estável em 1989 a 1996, embora tenha variações anuais pôr ilha. Os rendimentos em Barlavento com destaque para as ilhas de São Vicente e São Nicolau são maiores que o dos de Sotavento facto que poderá estar relacionada com o tamanho dos botes, visto que os de Barlavento em relação ao os de Sotavento são maiores.
Os Tunídeos até 1991 correspondiam a mais de 50% do total dos desembarques seguido dos pequenos pelágicos e demersais. As capturas da Lagosta rosa(Panulirus charlestoni) variam de ano para ano sendo um máximo em 1992 devido á campanha.
A partir de 1991 regista-se um aumento significativo nos desembarques de pequenos pelágicos na sequência de licenciamento de embarcações estrangeiras para a compra da cavala a barcos nacionais, beneficiando sobretudo os pescadores de São Vicente e São Nicolau.
Em relação ao esforço de pesca(dias/mar) pode-se verificar que houve uma relativa estabilização entre 1989 a 1991, descendo para 42% em 1992.
Com a introdução de uma nova frota de embarcações em fibra de vidro, o esforço de pesca conheceu aumentos na ordem do 58% em relação á média para o período de referencia. Em termos de produção(capturas desembarcadas) podemos notar que esse aumento do esforço quase duplicou nos últimos tempos.
das Pescas
O pais dispõe de um potencial importante de recursos haliêuticas formado na sua maioria pôr tunídeos e afins. Actualmente este potencial, calculado com base na fracção do stock exploráveis e nas capturas médias de 1989 a 1994, situa-se entre 17.800 e 22.500 toneladas, distribuído pelos seguintes grupos de espécies(Tabela 2).
|
RECURSOS |
POTENCIAL |
CAPTURA MÉDIA(89-96) |
DISPONIBILIDADE |
|
Tunídeos + Serra |
25.000 – 30.000 |
7.500 |
17.500 – 22.500 |
|
Pelágicos Costeiros |
10.000 – 12.000 |
2.400 |
7.600 – 9.600 |
|
Demersais |
3.000 – 5.000 |
900 |
2.100 – 4.100 |
|
Total ZEE |
38.000 – 47.000 |
10.800 |
32.200 – 36.200 |
Tabela 2 Fonte: INDP Natureza: Dados Oficiais
Só para o atum calcula-se entre 12 mil e 14 mil toneladas o potencial anual, mas as capturas oscilam entre as 4 e as 7 mil toneladas.
O potencial anual de pesca está estimado entre 35 mil e 45 mil toneladas, mas o nível de capturas é relativamente baixo.
Até 1996, as estimativas de captura chegaram às 21 mil toneladas. A exportações de produtos de pesca terão quadruplicado entre 1991 e 1996, passando para 6 mil toneladas. Também se estima que a produção de conservas de peixe passe das 200 toneladas, obtidas em 1991, para 1.400 toneladas em 1996.
As ilhas de Boavista e Maio concentram 60% dos recursos piscícolas do país. Pelo método do arrasto a biomassa de espécies demersais de interesse comercial nas plataformas de Sal, Maio, Boavista, João Valente, foi avaliada em 1994 entre 6.000 e 12.000 toneladas o que permite uma captura máxima sustentável de 700 a 2.800 toneladas.
Não existem dados seguros sobre o potencial de lagostas costeiras, mas com base nas campanhas de pesca avalia-se o potencial de captura sendo a sua pescaria explorada quase nos limites do máximo permissível. O peixe e a lagosta representam mais de dois terços das exportações.
Desconhece-se o quanto poderá render ou seja o verdadeiro potencial da exploração de produtos como o tubarão, moluscos e corais. A falta de tecnologia de pesca para operar em águas profundas, a frota existente e os métodos utilizados não permitem ir além das 10 mil toneladas/ano, de peixe e mariscos, capturadas.
No desenvolvimento do sector, Cabo Verde está a utilizar as receitas que obtém dos acordos de pesca celebrados com países terceiros.
O sector contribui em maior percentagem para as receitas do país em divisas, sendo considerado estratégico para o desenvolvimento da economia cabo-verdiana.
Contudo, apenas absorve 6% da população activa.
TÉCNICAS PARA A AVALIAÇÃO DE RECURSOS HALIÊUTICOS
rea Varrida em Cabo Verde
Com o método da área varrida, e com capturas em arrasto extrapolou-se em Cabo Verde a biomassa de diversos recursos dentro do recursos de demersais de fundo e de meia água. Actualmente esses estudos são feitos pelo INDP, com o navio oceanográfico de investigação haliêutica – o N/O "Islândia", que está equipada para a pesca de arrasto.
Como sendo a unidade padrão, as capturas nos arrastos(Kg), serão extrapolados em toneladas. Assim amostras por cada espécie em várias estações em cada ilha ou banco de pesca, serão registadas e segundo as estatísticas, onde será determinada uma media por estrato ou ilha visto que a área varrida é a mesma "standard" para todas as estações predefinidas no mapa. De seguida ponderado os valores, e usando a área total da plataforma da ilha, a área varrida e os valores capturados, as médias serão assim extrapoladas por ilha ou por banco de pesca, segundo uma regra de três simples. Assim ficamos a conhecer(com um erro de significançia) a biomassa duma espécie numa referida zona ou banco de pesca de Cabo Verde, chegando assim a conhecer ponderado por soma a biomassa(ton.) total por espécie em Cabo Verde.
de Avaliação
Com base nos inquiridores do INDP, fixados em vários portos de desembarque de pescado do País outras técnicas de avaliação são usadas. Esses inquiridores registam vários paramentos biométricos através das amostragens(comprimento, peso total, peso das gónadas, estado de maturação, etc.). Os dados uma vez enviadas á sede do INDP no Mindelo, serão tratadas com base na bioestatística e ecologia, usadas assim, para controlar os recursos haliêuticas do País, e impedir uma sobrexploração dum recurso, pela pesca.
Existem outras técnicas para avaliação de recursos Haliêuticos, não mencionadas aqui.
recurso dOS demersais DE CABO VERDE
O recurso dos Diplodus spp. está inserido nos Recursos Haliêuticos dos demersais.
Estudo de demersais em Cabo Verde, foi feito sempre usando o método da área varrida, concretamente as plataformas das ilhas mais a oriente(Sal, Boavista e Maio e João Valente).
O primeiro estudo foi feito por Stromme et al. 1981, seguida de Magnússon, J. and J.V.V. Magnússon 1985, continuando Magnússon, J. and J.V.V. Magnússon 1987 e Pálsson 1989.
Em 1985 usaram também para avaliar os recursos a linha de pesca. A ultima campanha foi em 1994, com a responsabilidade de Edério Almada.
Geralmente nos arrastos, são capturado espécies demersais que habitualmente não são capturado com linha a anzol pelos pescadores, sendo a maioria das espécies, os de arrastos pelo fundo ou na zona bentónica.
O objectivo geral desses estudos de pesca experimental ou campanhas haliêuticas, é ter como fim estabelecer a quantidade biomassa e as condições a serem impostas ás capturas pela pesca industrial, e garantir a sustentabilidade da biomassa do recurso de demersais nas nossas plataformas continentais. Actualmente têm um potencial anual de 3.000 a 5.000 toneladas.
As capturas de Demersais chegaram em 1998 a 1.150 toneladas correspondendo a 19% da pesca artesanal e 3.7% da pesca industrial/semi-industrial, num total de 12.2% das capturas gerais em 1998(segundo o boletim estatístico INDP / 98). Estão acessíveis á pesca cerca de 1.200 toneladas.
Essa mesma captura de Demersais em 1998 equivale a 139 toneladas(10.3% de demersais sotavento) na região de Sotavento do País, e 17 toneladas(0.6%) na região Barlavento.
Dados das capturas de demersais em Cabo Verde(86-98)(Tabela c.v.1).
|
ANO |
Artesanal |
Total |
Industrial/Semi - Industrial |
|
1986 |
619 |
619 |
0 |
|
1987 |
641 |
674 |
33 |
|
1988 |
741 |
950 |
209 |
|
1989 |
1.087 |
1.208 |
121 |
|
1990 |
797 |
813 |
16 |
|
1991 |
910 |
912 |
2 |
|
1992 |
641 |
643 |
2 |
|
1993 |
629 |
649 |
20 |
|
1994 |
801 |
859 |
58 |
|
1995 |
882 |
1.008 |
126 |
|
1996 |
1.013 |
1.253 |
240 |
|
1997 |
1.313 |
1.450 |
137 |
|
1998 |
994 |
1.150 |
156 |
|
MEDIA |
851 |
938 |
86 |
Tabela c.v.1 Fontes: Boletim Estatístico / 98 INDP Natureza: Dados oficiais
RECURSO DOS DIPLODUS spp. EM CABO VERDE
ж Dados da Campanha INDP / 1984
Em 1984 no estudo com rede de arrasto as capturas variaram muito, mas no geral 25 a 30% dos arrastos foram considerados viáveis para a avaliação, indo de 4.000 kg/hora de arrasto, a uma média de 500 kg de pescado por arrasto.
Foi realizada mais concretamente nas ilhas de Sal, Boa Vista e Maio, sendo as melhores e variadas capturas na ilha de Boa Vista, aproximadamente na profundidade de 50 metros. As capturas totais chegaram a 41 toneladas.
A extrapolação da biomassa nacional de Diplodus spp. foi em 84 foi de 1.400 toneladas. Assim as características dos valores obtidos estão em
(Tabela 3)(sem referencias ao Diplodus sargus lineatus).|
Em 1984 |
Diplodus prayensis |
Diplodus fasciatus |
|
Captura total(kg) |
1.239,1 |
853.0 |
|
% na captura total |
3.1 |
2.1 |
|
% de incidência nos arrastos |
27.7 |
25.3 |
|
Captura media por arrasto |
53.9 |
40.6 |
|
Numero Total |
6.577 |
3.419 |
|
Média do n.º por arrasto |
286 |
163 |
Tabela 3 Fontes: Relatório/84 INDP Natureza: Dados oficiais
ж Dados da Campanha INDP / 1985
Comparando com os valores de arrasto obtidos em 1984 demostrou mais uma vez a diferença no desempenho nas pesquisas e nas coberturas das áreas de arrasto ou seja em termos globais foi para melhor. A família Sparidae foi a mais importante em 1984, mas contudo em 1985 ficou em terceiro lugar em termos de capturas, para fins de avaliação.
Contudo essas espécies foram encontradas com um tamanho médio superior em 1985.
(Tabela 4).|
COMPARAÇÃO |
Diplodus prayensis |
Diplodus fasciatus |
||
|
1984 |
1985 |
1984 |
1985 |
|
|
Comprimento médio(cm) |
19.8 |
23.7 |
22.6 |
28.2 |
|
Peso médio(gr) |
197.1 |
302.7 |
274.9 |
500.6 |
Tabela 4 Fontes: Relatório/85 INDP Natureza: Dados oficiais
" Como analise, em 1994 os valores de comprimento médios foram calculados e ponderados por mim. As minhas estatísticas para o Diplodus prayensis, nos dados da campanha 1994, tem como comprimento médio ponderado de 22 cm, situando assim entre os valores obtidos em 1984-1985. "
(Tabela 5).|
Por estrato |
SAL |
BOAVISTA |
MAIO |
|
D. prayensis |
25.7 |
23.9 |
21.4 |
|
D. fasciatus |
- |
- |
23.2 |
|
D. sargus lineatus |
- |
- |
20.85 |
Tabela 5 Fontes: Análise pessoal do Relatório/94 INDP Natureza: Dados não oficiais
Sem relevância aqui, outras espécies da família Sparidae mostraram estatisticamente diferenças entre os anos 84-85.
As frequências de comprimento referentes á campanha de 1985 para Diplodus prayensis, Diplodus fasciatus e Diplodus sargus lineatus, estão na(Tabela 6).
|
Espécies |
N.º da estação |
N.º de indivíduos |
Inter. Comp(cm). |
Média |
Desvio Padrão |
|
D. fasciatus |
6 |
47 |
22-35 |
26.9 |
3.3 |
|
9 |
16 |
23-36 |
30.7 |
4.3 |
|
|
14 |
47 |
19-35 |
26.0 |
4.1 |
|
|
16 |
48 |
20-34 |
28.5 |
3.3 |
|
|
17 |
12 |
24-37 |
28.3 |
3.8 |
|
|
23 |
21 |
27-40 |
32.9 |
4.3 |
|
|
TOTAL |
16 |
225 |
19-40 |
28.2 |
4.1 |
|
D. prayensis |
6 |
27 |
18-25 |
22.4 |
1.8 |
|
9 |
20 |
21-27 |
24.1 |
1.8 |
|
|
16 |
27 |
23-28 |
24.4 |
1.6 |
|
|
TOTAL |
6 |
80 |
18-28 |
23.7 |
2.0 |
|
D. sargus lineatus |
6 |
56 |
20-25 |
21.8 |
1.2 |
|
14 |
20 |
16-24 |
19.4 |
2.5 |
|
|
16 |
62 |
18-28 |
21.9 |
2.5 |
|
|
TOTAL |
7 |
147 |
16-28 |
21.5 |
2.2 |
Tabela 6 Fontes: Relatório/85 INDP Natureza: Dados oficiais
As frequências das amostras capturadas(kg) na
(Tabela 7).A.F = Arrasto pelo fundo
L.P. = Linha de pesca
|
DADOS |
N.º de estações |
Peso |
Inteva. cap. |
Média |
Des. Pad. |
||
|
|
Total |
A.F. |
L.P. |
Dados em Kg |
|||
|
D. fasciatus |
16 |
15 |
1 |
225 |
163-1340 |
500.6 |
204.3 |
|
D. prayensis |
6 |
6 |
- |
80 |
131-525 |
302.7 |
78.8 |
|
D. sargus lineatus |
7 |
7 |
- |
147 |
118-635 |
264.4 |
81.9 |
Tabela 7 Fontes: Relatório/85 INDP Natureza: Dados oficiais
As informações e localizações das estações estudadas em 1985 estão no documento II de bibliografias(o documento encontra-se na biblioteca do INDP).
ж Dados da Campanha INDP / 1994
Em 1994 o INDP com o navio oceanográfico de investigação haliêutica – o N/O "Islândia", que está equipada para a pesca de arrasto efectuou a avaliação de demersais nas águas de Cabo Verde segundo o método da área varrida. Em 1994 as estações das maiores capturas de Diplodus spp. foram 57, 59, 63 e os outras de menores capturas foram 10, 32, 35, 58.
As capturas total por ilha estão na
(Tabela 8),e as medias das capturas(kg/h) do arrasto estão na(Tabela 9).|
|
Superfície |
Fundo |
TOTAL |
|
Sal |
442 |
0 |
442 |
|
Boavista |
1.450 |
1.994 |
3.444 |
|
João Valente |
0 |
3.058 |
3.058 |
|
Maio |
724 |
1.238 |
1.962 |
|
TOTAL |
2.616 |
6.290 |
8.606 |
Tabela 8 Fontes: Relatório/94 INDP Natureza: Dados oficiais
|
|
Superfície |
Fundo |
|
Sal |
220 |
- |
|
Boavista |
211 |
300 |
|
João Valente |
- |
585 |
|
Maio |
206 |
618 |
|
TOTAL |
210 |
434 |
Tabela 9 Fontes: Relatório/94 INDP Natureza: Dados oficiais
Em relação aos Diplodus spp. a biomassa foi estimada em 87 toneladas nas plataformas continentais de Cabo Verde ricas em demersais, correspondendo a 0.6 % da biomassa total de demersais em Cabo Verde, que na época foi estimada em 15.500 toneladas. Contudo os dados da avaliação dos Diplodus spp. em 1994 têm um erro de 53%. Estimando os dados extrapolou-se em numero a biomassa em 0.4 milhões de indivíduos Diplodus spp. na época 1994.
Nesta campanha as capturas totais para Diplodus spp., foram:
|
BIOMASSA(ton.) |
1984 |
1988 |
1994 |
|
Diplodus spp. |
1.400 |
452 |
87 |
Tabela 10 Fontes: Relatório/94 INDP Natureza: Dados oficiais
Constata-se uma diminuição drástica ao longo dos últimos anos na biomassa dos Diplodus spp., causada possivelmente por uma sobrexploração do recurso endémico. De acordo com a situação as autoridades deveriam tomar alguma medida para inverter ou travar este facto teórico.
Captura de Diplodus spp. em Cabo Verde
A avaliação e gestão de recursos Haliêuticos tem como um dos objectivos principais, garantir a sustentabilidade do stock em causa. Cabe ao INDP essa responsabilidade. Cabe também ao instituto a responsabilidade de recolher e tratar as informações referentes ás capturas por pesca de espécies marinhas, afim de conhecer a tendência e o estado dos stocks. Esses dados são recolhidos pelos inquiridores em função da arte de pesca, utilizada para causar uma certa mortalidade ao stock.
As capturas total Cabo Verde em 1998 para os Diplodus spp.(por mês) estão disponíveis e acessíveis por artes de pesca no boletim estatístico do INDP / 1998(também outras espécies). Capturou-se em 1998 cerca de 88 toneladas de Diplodus spp.
Dados dessas capturas(Kg), estão tabelados em(
Tabela Diplodus) por mês/98, por arte de pesca/98 e por % Diplodus spp. no total geral das capturas 1998 em Cabo Verde, por artes de pesca.CAPTURAS(Kg) EM 1998 DE DIPLODUS SPP.
|
Linha + Redes |
Linha a Mão |
Rede de Cerco |
Rede de Emalhar |
Rede de Praia |
|
|
Janeiro |
17.895 |
16.845 |
1.050 |
0 |
0 |
|
Fevereiro |
6.803 |
3.931 |
2.867 |
5 |
0 |
|
Março |
7.047 |
6.292 |
735 |
20 |
0 |
|
Abril |
3.731 |
3.471 |
64 |
193 |
3 |
|
Maio |
4.920 |
4.600 |
7 |
303 |
10 |
|
Junho |
9.765 |
4.257 |
3.780 |
125 |
1.604 |
|
Julho |
8.557 |
8.225 |
7 |
6 |
319 |
|
Agosto |
3.450 |
3.348 |
52 |
51 |
0 |
|
Setembro |
4.695 |
3.603 |
0 |
39 |
1.053 |
|
Outubro |
9.266 |
9.207 |
35 |
0 |
23 |
|
Novembro |
6.674 |
6.604 |
0 |
34 |
36 |
|
Dezembro |
5.053 |
4.980 |
0 |
47 |
26 |
|
TOTAL |
87.856 |
75.363 |
8.597 |
823 |
3.074 |
|
% DIPLODUS SPP. / 1998 |
1.7 |
2.4 |
0.7 |
0.1 |
1.6 |
Tabela Diplodus Fontes: Boletim Estatístico / 98 INDP Natureza: Dados oficiais
para Diplodus spp.(FishBase98)
Consoante a relação W=a.Lb
A: Indivíduos de 14 cm a 35 cm numero de indivíduos: 407 a: 0,059 b: 2,7
B: Indivíduos de 19 cm a 40 cm numero de indivíduos: 225 a: 0,0412 b: 2,8
A: Indivíduos de 15 cm a 29 cm numero de indivíduos: 404 a: 0,0813 b: 2,59
B: Indivíduos de 18 cm a 28 cm numero de indivíduos: 80 a: 0,0147 b: 3,13
A: Indivíduos de 17 cm a 26 cm numero de indivíduos: 59 a: 0,0437 b: 2,84
B: Indivíduos de 16cm a 28 cm numero de indivíduos: 147 a: 0,026 b: 3
ж Como Nota Histуrica: "Captura de Sparideos em 1977
(FAO)"As capturas anuais nas zonas de pesca FAO n.º 34 e 47 podem chegar a 100.000 toneladas.
Em 1977 chegou a 134.000 toneladas onde 73.000 na zona norte(34ºN a 9ºN), 19.000 toneladas nas zonas equatoriais(9ºN a 7ºS) e ainda 42.000 toneladas na parte mais a Sul(7ºS a 23ºS).
Contudo as frotas pesqueiras estrangeiras operando na área capturaram 94.000 toneladas em 1977 e os africanos com somente 40.000 toneladas. Nas capturas os géneros de Sparidae dominantes foram Dentex, Pagellus e Sparus.
Existem nessas zonas de pesca outras famílias de peixes similares aos Sparidae a nível taxonómica onde partilham á mesma Ordem Perciformes. São esses: Lethrinidae, Centracanthidae, Kiphosidae, Lutjanidae, Pomadasyidae e Serranidae, contribuindo assim para o grande potencial pesqueiro do Pais.
Tal como foi dito, o bom aproveitamento dos recursos só será possível se forem aplicados medidas de gestão que permitam as capturas desejadas e garantam a conservação futura dos stocks.
Essas medidas dependerão do estado em que se encontre o stock e a sua exploração.
Assim o objectivo geral de estudos de pesca experimental ou campanhas haliêuticas, são:
Em Cabo Verde cabe ao INDP a responsabilidade de efectuar, campanhas de investigação haliêutica, recolher e tratar dados referentes ás capturas e gerir os recursos Haliêuticos.
Um importante guia para a gestão é a curva de captura, traduzindo assim a relação entre o esforço de pesca e a captura, em situação de equilíbrio.
Um stock durante todo o ano é constituído pelos sobreviventes, de várias gerações, chamadas classes anuais ou coortes. O importante aqui, é analisar a evolução duma coorte durante a sua vida no estado virgem, e em situação de exploração ou sobrexploração, submete-la a diferentes regimes de pesca. Assim a evolução da biomassa(peso total) de uma coorte virgem durante toda a sua vida, indicara a que idade essa biomassa será máxima e fornecerá informações sobre os tamanhos mais convenientes para se obter melhor proveito do recurso.
Uma medida que se utiliza actualmente na gestão dos stocks é o estabelecimento dum limite de captura ou rendimento máxima permitida ou sustentável(RMS). É uma medida prática e fácil de controlar, que visa essencialmente estabelecer a mortalidade de pesca a um nível considerado adequado para o objectivo pretendido. O seu estabelecimento pelos biólogos tem sido muito difícil visto que os armadores, não sentem a vertente ecológica e a protecção de espécies. Por vezes, o objectivo será controlar o esforço de pesca através do valor estabelecido pela captura máxima sustentável, outras vezes o objectivo é reduzir a um esforço e a um nível mais adequado(caso dos stocks sobrexplorados).
Um outro tipo de medida que na prática deveria ser utilizada em Cabo Verde, para todos os recursos marinhos, a fim de controlar o esforço de pesca, seria evitar a captura de indivíduos juvenis, possibilitando o seu crescimento e a captura futura quando o seu peso seja mais vantajoso ou medida que tornem as artes de pesca mais selectivas aos tamanhos dos indivíduos(rede de praia e de cerco). Segundo a biologia das espécies exploradas, podem-se tomar medidas como áreas e épocas de desova. Para isso tinha-se que estudar mais a fundo e melhor os recursos por espécie. Como mau exemplo, em Cabo Verde já ouve capturas de cardumes de cavala branca(Decapterus macarellus), estando a maioria das fêmeas ovadas.
As medidas de gestão propostas pelo INDP em Cabo Verde, para os Diplodus spp., não se encontram definidas, adoptando-se as medidas tomadas para os demersais no geral.
VII SARGO ENDÉMICO A CABO VERDE, NÃO DIPLODUS SPP.
Este Sargo foi do género Dentex. Sendo á "priori" demasiadamente fusiforme, em relação á sua morfologia externa, não apresentou nenhumas evidencias como um Sargo, ou como um Sparidae.
Estudos filogenéticos revelaram-no como um Sargo e uma espécie endémica de Cabo Verde.
Umas das evidencias como Sargo, vai de acordo com a sua estrutura da armadura bocal, com mandíbulas e dentes característicos dos Sparideos.
Consoante a taxonomia moderna foi classificado cientificamente por Virididentex acromegalus detentor e merecedor de um género novo, e sendo a única espécie do referido género Virididentex.
O nome vernáculo deste Sargo é Benteia.
É uma espécie tropical marinha, não protegida e não presente na lista vermelha da IUCN. Tem valor comercial sendo a sua captura com rede e linha.
Normalmente crescem até 30 cm mas já registaram indivíduos com 52 cm de comprimento.
É inofensivo e sem propriedades electróbiologicas.
Segundo a FishBase98, a relação peso comprimento, onde 241 indivíduos medidos com um intervalo entre 17 a 45 cm, têm a: 0,0302, e b: 2,83 e de 12 indivíduos de 27 a 52 cm têm a: 0,0194 e b: 2,95.
Virididentex acromegalus (Osório, 1911)
Corpo oval e comprimido lateralmente. Perfil da cabeça com alguma gibosidade. Dentes cónicas, em várias séries. Em cada maxilar 4 a 8 dentes caninos anteriores. Barbatana dorsal com 11 raios duros e 13 raios moles.
Barbatana anal com 3 raios duros, seguidos de 10 raios moles. Barbatana caudal bifurcada.
A nível da bochecha e o préoperculo, a espécie é muito confundida com o Dentex maroccanus. A diferença está no facto que a Benteia nesta zona possuir escamas continuas, diferenciando do Dentex maroccanus, por ser descontinuas. Comprimento máximo conhecido de 45 cm, mas usualmente atingem até 30 cm de comprimento.
Geralmente dourado – avermelhado, com manchas azuladas acima da linha lateral.
Habita fundos rochosos até aproximadamente entre 40 a 60 metros de profundidade.
É uma espécies demersal e bentopelágica, e pode-se encontrar-se em águas mais profundas.
É uma espécie essencialmente carnívora. É capturada normalmente com linha.
Em Cabo Verde a sua captura em 1998, rondou por volta de 10 toneladas.
É comercializado fresco.
VIII CONCLUSÕES E DISCUSSÕES
Foi visto que os Diplodus spp., em especial Diplodus prayensis, Diplodus fasciatus e Diplodus sargus lineatus, são espécies marinhas demersais e costeiras, com uma faixa de distribuição geográfica restrita ás ilhas de Cabo Verde e com uma distribuição batimétrica que ronda os 30 a 100 metros de profundidade. São habitantes da nossa restrita plataforma continental.
Em relação aos Sparideos, a família têm uma larga distribuição geográfica e batimétrica, deslocando várias espécies para águas mais profundas para fins reprodutores.
São fortemente marcados pela sua heterodontia, a qual intervêm na sistemática da família, apresentando assim e também uma variedade de deitas alimentares.
Em relação ao regime alimentar, três Diplodus endémicos de Cabo Verde são: Omnívoros, especialmente carnívoros de invertebrados pequenos benticos e algas, possuindo também o Diplodus fasciatus propriedades necrófagas.
Chega-se no entanto à conclusão que a biologia desses três Sargos endémicos(crescimento, taxa de mortalidade natural, reprodução, etc.) ainda é mal conhecida, mesmo sabendo que a família, também é.
Como apontamento:
Fez-se amostragens biológicas de Sargos em Cabo Verde, mas contudo insuficientes. Isso no tempo da visita de Reiner(investigador português).
Contudo tem-se produzido algumas informações referentes ás capturas em Cabo Verde, mas bastantes insuficientes para um estudo aprofundado da biologia. Em 1998 capturou-se um total de 88 toneladas de Diplodus spp. em Cabo Verde, correspondendo a 1.6% da captura do ano.
As capturas de Demersais chegaram em 1998 a 1.150 toneladas correspondendo a 19% da pesca artesanal e 3.7% da pesca industrial/semi-industrial, num total de 0.93% das capturas gerais em 98.
As capturas em 1998 de Diplodus spp. equivalem a 7.7% de Demersais em Cabo Verde.
A avaliação de Diplodus spp. em conjunto só tem sentido, se a composição por espécie do conjunto e o trabalho dos inquiridores em todos os portos de desembarque do pais, forem mais ou menos constaste durante o ano(s).
Isso porque tem havido flutuações na composição das capturas e nas biomassas estimadas das espécies e no recurso Diplodus spp., fazendo assim pensar num padrão descrito que não mostra uma real evolução do recurso e a não viabilidade dos dados recolhidos, tão pouco as estimativas de biomassa.
Posto isto, e como conclusão final, parece ser fundamental o INDP adoptar as seguintes medidas:
É importante salientar que este trabalho servirá de base para um estudo mais aprofundado neste campo. Importante também salientar, que este documento ainda não apresenta um modelo padrão como um documento cientifico, de acordo com as regras de grafismo e de redacção.
Assim interesso-me em continuar e contribuir(se possível) para futuros estudos dessas três espécies endémicas(Diplodus prayensis, Diplodus fasciatus, Diplodus sargus lineatus), com uma especial atenção, nas espécies da família Sparidae, todos os Sargos no geral. Seria com amostragens biológicas periódicas continuas e/ou nos estudos efectuadas nas campanhas de investigação haliêutica, o que poderia valer-me o trabalho monográfico "tese" do final do curso de Biologia Marinha e Pescas em bacharel. Um trabalho inédito e válido para Cabo Verde.
¨
Peixes de Cabo Verde com valor comercial(Vanda Marques da Silva Monteiro) 1998. (pagina 7-9, 148--152).
ж NA FISH BASE 98(Relatуrios usados para descrever os trкs
Diplodus).
ж NA FISH BASE 98(Colaboradores nos dados para os trкs
Diplodus).