Analise do Método de Amostragem em Aquacultura de Moluscos Bivalves
INDP
/ São Vicente
ELABORADO POR : RUI FREITAS & NADYR PRADO em 12/07/2000 ( 5º semestre)
Cadeira de Metodos em Biologia Marinha-Curso de Biologia Marinha e Pescas-ISECMAR(SV)
Crassostrea
gigas (Thunberg, 1793) e Mytilus
smaragdinus ( C. Linnaeus)
A
aquacultura define-se pelo cultivo ou a cria de animais e plantas aquáticas
para fins diversos, em função por exemplo, do tipo de água usada no cultivo
podendo assim diferenciar-se dois tipos de aquacultura: a maricultura,
que se refere aos cultivos em água salgada e estuários e os cultivos em águas
continentais. Existem definidas quatro tipos básicos de aquacultura:
1.
Criação de peixe
2.
Cultivo de Moluscos
3.
Criação de crustáceos
4.
Cultivo de algas
Dentro
desses tipos de aquacultura, existe um numero reduzido de espécies tradicionais
de cultivo por causa dos factores abióticos, ou seja, poucas são as espécies
que na pratica toleram as condições adversas do cultivo, visto ser este um
processo artificial. A aquacultura como ciência aplicada expressa-se na criação
de suas próprias técnicas de cultivo e conceitos técnicos. Para bem ou para
mal, à grande variedade de grupo de espécies cultiváveis, a variedade de seus
habitates e formas de vida determinam que as unidades de aquacultura devem estar
desenhadas de forma a satisfazer as necessidades ambientais e climatéricas de
espécies escolhidas para o cultivo. Isto se manifesta num sistema de estruturas
com condições apropriadas e muito especificas. Em dependência do destino
final do produto, os hábitos alimentares do consumidor e suas exigências
determinam que sejam adicionados e melhorados os métodos e técnicas de cultivo,
para gerar um produto de maior qualidade, com maior valor económico o que
implica métodos, técnicas e cuidados adicionais (MERINO, 1999).
Num
esforço por encontrar formas alternativas de desenvolvimento e diversificação
da pesca, Cabo Verde tem vindo realizando experiências no campo da aquacultura
desde dos inícios dos anos 80. Antes da criação do INDP em 1993 foram
realizadas varias experiências em aquacultura como os estudos do
desenvolvimento embrionário do Dicentrarchus labrax e o Brachionus
plicatilis, como também estudos da eclosão de quistos de Artemia salina
e no cultivo do Decapterus macarelus e do Selar crumenophalmus
para o fornecimento do isco vivo à frota atuneira em épocas em que este se
escasseava.
Em
1997, como produto das relações de cooperação entre a China e Cabo Verde,
deu-se o inicio no INDP ao Projecto de Desenvolvimento da Aquacultura em Cabo
Verde, pretendendo inicialmente atingir as seguintes metas de trabalho:
·
Dar continuidade aos
estudos de cultivo do isco vivo
·
Estudar a biologia de
potenciais espécies de cultivo
·
Estudar a
capacidade de adaptação de espécies exóticas de moluscos bivalves de valor
comercial nas águas de Cabo Verde. (O Actual Principal
Objectivo)
Devido
as limitações financeiras da contraparte cabo-verdiana, as actividades
realizadas tem sido limitadas aos estudos de adaptação dos bivalves,
compreendendo em:
·
O acondicionamento de
reprodutores (maturidade da gónadas, indução da desova)
·
A produção e cultivo
de larvas
·
O cultivo de juvenis e
monitoramento do seu crescimento no mar.
Paralelamente,
produziu-se fitoplâncton vivo para a nutrição das larvas e reprodutores, e
monitorizou-se a temperatura da água na zona de cultivo e na unidade de reprodução
larvar. A experiência é realizada em Mindelo, no laboratório de aquacultura
do INDP na cova d’inglesa, com o crescimento e engorda dos moluscos na zona de
cultivo em cestos com long-lines na Baia do Porto Grande. Os resultados
preliminares indicam que das cinco espécies
trazidas da China só dois (Crassostrea gigas ; Mytilus
smaragdinus) sobreviveram á viagem e é a ostra a mais importante. Entre as
pragas e predadores que mais influência
tem neste tipo de cultivo, foram encontradas na zona de cultivo desmoesponjas,
poliquetas filtradores, tunicados, equinodermes e cruscáceos (MERINO, 1999).
A
ostra do Pacífico Crassostrea gigas desenvolve-se bem nos mais variados ambientes costeiros. Porém, para
um investimento seguro neste sector, factores ambientais limitantes ao seu
crescimento devem ser considerados na escolha do local para cultivo. Dentro as
outras espécies trazidos da China, a Crassotrea gigas é o mais
importante para a aquacultura na Baia devido ás suas tolerançias aos vários
factores biogeoquímicos e porque é actualmente o mais comum em aquacultura.
Entre
outros, além da poluição, clima e geografia do local, factores como
salinidade e temperatura da água são de extrema importância e merecem atenção
especial.
·
Salinidade
C.
gigas
é o bivalve que tem maior resistência á salinidade na baia que tem uma media
anual de 37 ‰, e na China donde vieram por volta dos 28 ‰ . A diferença é
enorme e claro que constitui um factor limitante, mas não muito importante
neste caso segundo a Dra. Sônia Merino. Regra geral é que os melhores
desempenhos em termos de crescimento em comprimento de C. gigas foram
registrados em salinidade de 18 a 32 ‰. O cultivo desta espécie também pode
ser realizado em salinidade inferior ou superior, porém, seu crescimento é
prejudicado. Em ambientes costeiros, regimes de chuvas e marés podem provocar
variações diárias na salinidade. Contudo, maiores cuidados devem ser tomados
nas proximidades de rios e em manguais, onde a salinidade pode ser mantida a
valores próximos de zero por longos períodos (este não é o nosso caso).
·
Temperatura da água
A
ostra do Pacífico Crassostrea gigas é uma espécie de clima temperado,
desenvolvendo-se melhor em temperaturas semelhantes às do ambiente de origem.
Tem
como limites de tolerância em relação á temperatura entre 10-28 ºC, mas tem
o óptimo para o crescimento entre 25±1, donde 25+1 com o aumento da
temperatura o crescimento tende a aumentar dentro desse âmbito 25+1, sendo este
uma indução à desova. Com o descer da temperatura o crescimento tende a
diminui. Mas contudo durante o verão, quando a temperatura está em torno de 28°
C, as ostras parecem interromper o crescimento (regra geral, mas não
especificamente o nosso caso). A temperatura elevada em ambientes que apresentam
alta produtividade primária e fundo lodoso, poderá ocasionar mortalidade em
massa, fenómeno também conhecido como mortalidade de verão. Nestes locais,
recomenda-se que a colheita seja feita anteriormente a este período.
Constata-se
que a temperatura não constitui um factor limitante visto que os valores
obtidos na baia em média é de 25 ºC.
Neste
caso se pretendia verificar se a população de moluscos vindo da China se
adaptavam bem ao nosso ambiente marinho (contudo com interesse e com fins
comerciais).
Tipo de amostragem - Tendo em conta o objectivo a amostragem era feita tendo em conta um inicio indicador de crescimento que é o de comprimento visto ser a medida alométrica mais utilizada para expressar o crescimento
Metodologia
- Numa população no local de cultivo estima-se em 100.000 indivíduos
colocados em cerca de 80 cestos distribuídos por 5 long-lines na baia da Cova
D’Inglesa, escolheu-se (não foi uma escolha aleatória) uma sub-população
ou subgrupo onde quizenalmente se faziam as amostragens. Esse subgrupo fazia
parte do inicio dum long-line onde apanharam aleatoriamente de cada quinze, uma
amostra de 30 indivíduos (30 é o n.º limite para amostragem em aquacultura,
mas é uma condição necessária mas não suficiente na estatística) para ser
medidos usando uma craveira (paquímetro) no mar (in situ), ás vezes em
condições pouco favoráveis. Dados estatísticos são os resultados de medições
durante 10 meses (ver em anexo).
Na
China em média o índice de crescimento é igual a 1cm/mês e chega por atingir
valores de 2 para 8 cm em somente 10 meses, o que equivale 1,2 cm/mês para o C.
gigas.
·
Salinidade alta (não
muito importante segundo a Dra. Sônia Merino)
·
Produtividade primária
baixa(biomassa reduzida do fitoplâncton em peso e não em numero, o que
significa células pequenas), escassez de alimento, logo não crescem dentro dos
parâmetros e padrões normais
·
Alta competição,
parasitismo, predação, comensalismo e pragas....
Objectivos
neste caso não foram atingido devido limitações administrativas,
principalmente financeira, como também limitações linguisticas e de comunicação
com a contraparte Chinesa, impossibilitando uma boa cooperação técnica e
cientifica. Isto por várias razões: reduzida vegetação, chuva limitada etc.
Adicionemos a isto o facto de que para determinar o dito impacto será difícil,
já que conhecemos muito pouco da fauna e flora marinha do país.
A
aquacultura é uma actividade de alto risco em termos económicos, que exige
inversão de capital quer ao nível de investigação ou de cultivo comercial;
seu sucesso económico está baseada na pesquisa, cujos resultados são
confirmados ao longo prazo, em função do desenvolvimento de técnicas de
cultivo apropriado e com máximas rendimentos. No
Um dos factores limitantes que mais afectam o crescimento dos moluscos é o ecossistema que se estabeleceu com organismos competidores, predadores, parasitas, etc. Com relação aos moluscos estes já estão á priori em desvantagem por não estarem no seu meio natural. A salinidade das nossas águas são muito mais elevado, sendo a media na baia de 39‰, em relação as da China de onde viram, com 28‰. A alimentação dos moluscos também apresenta um factor limitante. A nossa produção primária á baixa em relação ao da China, com o critério for o tamanho da célula.
Alem
de ser baixa a produtividade as células do fitoplâncton na China são de longe
superiores em tamanho e em biomassa do que os nossos, o que implica que essas
espécies por adaptar, filtrem muito mais e por um maior período uma quantidade
satisfatória do fitoplâncton para se alimentarem. Pode-se ainda notar que as gónadas
desses moluscos não se desenvolveram segundo o padrão normal devido á falta
de alimento, segundo a Dra. Sônia Merino, e não crescem muito em comprimento
como deveria ser mas sim crescem invulgarmente muito em largura, o que é
economicamente mau com uma baixa biomassa visceral, que deveras é o produto
económico.
Inicialmente
o projecto inicia com poucas condições próprias em aquacultura, sem se ter a
certeza da viabilidade da baia. Mas contudo é de salientar que é uma
actividade que não existia antes em Cabo Verde, e está a ser introduzido pela
primeira vez aqui. Por outro lado, pode ser que naturalmente as condições
locais talvez não permitem esse tipo de actividade. Devia-se pelo menos tentar
determinar outros índices e parâmetros biométricos
como: taxa de mortalidade, números
de mortos, índice de condição, etc, com o objectivo de acompanhar melhor e
quantizar melhor o evoluir da situação em causa.
Devia-se
fazer analises biogeoquimicos para verificar se existe uma outra baia em Cabo
Verde em que se possa fazer aquacultura em condições ideias e mais favoráveis.
É caso para dizer que está a ser muito difícil a introdução da aquacultura
em Cabo Verde.
-
MERINO, S. E.. 1999. A
Aquacultura em Cabo Verde, as suas Perspectivas de Desenvolvimento (potencial
impacto ambiental, genético, socio-económico, saúde). Documento prévio
da Reunião Ordinária do Concelho Cientifico do INDP.
-
Entrevista á Dra. Sonia
Merino (Responsável pelo Ramo Aquacultura no INDP).
-
Apontamentos do docente,
na referida disciplina de Métodos em Biologia Marinha.