Já se passaram vinte anos desde que o sensitivo
inglês Wilson Brown provocou polêmica ao divulgar a suposta
mensagem que lhe chegara de um ser extraterrestre . Segundo Brown , o alienigena,
morto há mil séculos , fora um dos habitantes do planeta
que girava
outrora entre as órbitas de Marte e Jupiter,
e que depois explodiu pelo uso indevido de armas atômicas superpoderosas.
Para aqueles que acreditam nesse tipo de comunicação , o aviso de Brown foi quase uma profecia , diante do aperfeiçoamento recente de bombas termonucleares cada vez maiores . A maioria, porém , ignorou a mensagem , classificando-a como invenção ou embuste. Seria?
Mentiroso ou não , o ingles pode ter chegado bem perto de uma realidade terrivel , já que a própria ciência oficial admite a existencia passada de um grande planeta girando a 400 milhões de quilometros do Sol . E ainda procura , após dois séculos de buscas , uma explicação natural razoável para o seu desaparecimento.
Foi o astrônomo alemão Johann Elert Bode quem levantou o problema pela primeira vez . Bode era diretor do Observatório de Berlim e um irrestrito admirador daquilo que definia como "maravilhosa harmonia matemática do Universo" . Ele acreditava que os astros moviam-se num fantástico concerto de números e por isso dedicou sua vida profissional à tentativa de encontrar uma chave capaz de desvendar o código matemático dessa harmonia ; em 1778 , após completar os estudos iniciados por Wolf e Titius , Bode apresentou uma lei empírica que levou seu nome. Ele supunha que, coma utilização de sua lei , seria possivel determinar exatamente a posição de cada planeta do Sistema Solar.
Em que consiste a Lei de Bode?
Utilizando uma série de cálculos, o sábio alemão obteve uma série de números que indicavam a distancia entre cada corpo celeste a orbitar em torno do Sol , indicada em unidades astronomicas ( uma unidade astronomica padrão é a distancia média da Terra ao Sol ) . Assim , Mercurio distava do Sol 0,4 unidade astronomica; Venus , 0,7 ; a própria Terra , 1 unidade astronomica; Marte , 1,6 ; Jupiter , 5,2 ; e Saturno , 10 unidades astronomicas.
Esses eram os planetas conhecidos na sua época. E a tabela de Bode correspondia , realmente , a suas distancias médias em relação ao Sol , tanto que, utilizando esses estudos , outros sábios puderam depois descobrir mais três planetas ; Urano , Netuno e Plutão.
Só havia um problema : o número 2,8 , correspondente a uma região do espaço situada entre as órbitas de Marte e Jupiter, não indicava planeta algum. Ali não existia nada?
Para um matemático exastista como Bode , isso era pouco menos que um absurdo : "Na natureza não existem absurdos. Logo , ali deve haver um planeta. Procurem-no . . .". escreveu o indignado cientista alemão aos seus colegas presentes num congresso de astronomia na Bélgica.
E eles procuraram .
Mas qual foi a surpresa quando, em vez de um unico planeta, começram a encontrar numerosos corpos menores , planetóides.
O primeiro desses planetóides foi descoberto pelo siciliano Piazzi na noite de 1º de janeiro de 1801. Piazzi batizou-o com o nome da deusa clássica da fertilidade, Ceres, protetora antiga da Sicilia. Seguiram-se outros e, no fim do século 19, mais de 300 haviam sido detectados e estudados pelos astronomos.
Mas o mistério persisitia . Naquela época a matemática e a astronomia já tinham evoluido bastante, e a ciencia conhecia outros pequenos corpos celestes captados pela força atrativa do Sol. Muito deles demoravam anos para completar cada volta em torno do astro-rei. Mas enquanto eles descreviam caprichosas elipses em cada uma dessas voltas , os planetóides situados entre Marte e Jupiter circundavam o Sol seguindo quase exatamente a mesma curva , num verdadeiro cordão. Por quê?
"Até parece", escreveu o astronomo Hencke, "que eles são os restos de um corpo maior que se fragmentara, espalhando seus destroços pela trajetória que percorria antes . . . "
Muito desses planetas liliputianos mediam dezenas de quilometros de di6ametro. Outros, algumas centenas d metros. também a massa variava. Mas o seu poder de reflexão luminosa era mais ou menos o mesmo, e isso reforçava a odéia de que provinham todos de um mesmo bloco original.
Em 1950 já se conheciam mais de oitocentos planetóides nesse anel misterioso. Utilizando o computador , os astronomos chegaram a calcular que o número total desses planetóides deveria alcançar a casa dos milhões. No entanto, eles eram tão pequenos na sua maioria que nem os mais poderosos telescópios podiam observa-los. Somente os maiores podiam ser vistos da Terra.
Com os mesmos computadores os sábios avaliaram a massa total do conjunto, que, para sua surpresa , daria um corpo maior que a Terra. Portanto, mesmo dispondo de recursos limitados , Bode estava certo . Naquele tempo do espaço , e num passado muito remoto, um grande planeta girava em volta do Sol. Um planeta que , por causas misteriosas, fragmentou-se.
Mais recentemente , alguns satélites automáticos atravessaram essa região e mediram a frequencia de destroços que cruzaram por suas proximidades. O número medido era bem próximo do valor anteriormente calculado. E isso calou a boca dos derradeiros incrédulos. Mas não resolveu o mistério.
Os sábios são muito cuidadosos ao levantar suas teorias . Eles conhecem uma lei matemática que determina as condições mínimas para que um corpo celeste mantenha a sua integridade. É o chamado "Limite de Roche".
Tal lei mostra de modo claro quais forças que precisam atuar sobre um planeta ou uma estrela pra ela explodir. E, nesse caso, qual a percentagem de matéria que se perde espaço afora e que fica flutuando nas suas proximidades. Através desses conhecimentos é possivel avaliar que a causa da fragmentação do planeta misterioso foi apenas suficiente para parti-lo em pedaços, mas não grande o bastante para arremessa os destroços longe demais. Uma bomba nuclear suficientemente poderosa produziria um resultado assim.
Esta conclusão é assustadora . Quase absurda, para a maioria dos cientistas. Mas não para todos eles. E alguns , mais ousados , chegaram até a batizar o misterioso planeta com o significativo nome de "Lucifer".
"Lucifer" , o planeta maldito . O mundo que explodiu.
Robert Heinlein , um dos maiores escritores de ficção cientifica , tratou do assunto em seu romance Space Cadet onde os tripulantes de uma nave exploradora encontram restos de artefatos artificiais alienigenas num dos asteróides.
Talvez o norte-americano Heinlein tenha ousado demais. Ou talvez , como o inglês Brown , chegado , sem saber , bem perto da verdade. Uma verdade tão terrivel que os próprios cientistas têm ainda medo de discuti-las abertamente.
Porém , mesmo as verdades dos astronomos
acabam caindo no dominio público . E quando isso acontecer , o homem
poderá encontrar no céu o testemunho mudo de uma catastrofe
que ele tem condições de evitar , se souber aproveitar o
exemplo de outra civilização menos afortunada.
Extraido de um texto de Roberto Pereira --- 1980