O Perfil dos Visitantes



Era uma tarde gostosa , no final de abril , começo de maio. Um rapaz de 17 anos dirigia seu carro por uma estrada
de terra , a cerca de 15 quilômetros a oeste de Yakima , estado de Washington . O relógio marcava 16:00.

Quando atingiu o alto de uma pequena elevação , o garoto , Floyd Dillon , viu que um objeto surgia no céu .
Estava a uma distancia aproximada de 25 metros do solo , e movia-se lentamente . O objeto tinha a aparência de
um hexágono metálico com um domo no topo , era verde-oliva , com cerca de 7 metros de largura e 2 de altura.
Dillon viu rebites ao longo da seção vertical , e também uma janela de 70 centímetros por um metro em uma
moldura metálica . Do outro lado da janela ele viu a cabeça e parte do torso de um homem que vestia uniforme
azul-escuro.

---    Ele poderia passar por italiano , neste mundo   ---   disse o rapaz. O objeto voava lentamente , mas não
parou. O ocupante parecia olhar intencionalmente para o carro . Depois o objeto virou , voou por cima da estrada
e foi embora abruptamente , com uma velocidade "incrível".

Eu ( J. Vallée) classifico este relato com uma típica visão da categoria MA3 ( classificação de Vallée )  ---   um
objeto que manobra , com um ser a bordo . Não houve nenhum efeito no carro , nem cheiro , cor ou gosto
estranho . Não houve provas materiais , mudança de cores no objeto , eletricidade estática ou luzes de qualquer
tipo.

O fato realmente excepcional neste caso é a data . O evento aconteceu em 1928 . O carro era um Ford Modelo
T .

Em sua carta , datada do dia 6 de abril de 1978 , a testemunha insistia que "não estava bêbado, nem drogado".
Ele sequer fumava cigarros . Informou que "não sentiu meda da nave ". E definiu suas crenças pessoais da
seguinte forma :

Desde menino , quando tinha 9 ou 10 anos , eu me interesso por astronomia . Acredito na existência de muitos
planetas , no universo , com condições de abrigar vida . . .
Jamais mencionei a visão a ninguém , até há uns vinte anos  . . .
As pessoas não acreditam nas coisas que não compreendem .
Aconteceu há cinqüenta anos , mais ou menos nesta época do ano . Tenho 67 anos agora . Não espero que o
senhor , ou qualquer outro , acredite nesta história . Mas é a pura verdade.

Um mês depois viajei quatro horas de carro até Redding , onde o sr. Dillon morava em um trailer excepcionalmente
limpo e bem cuidado. Ele repetiu sua narrativa , dizendo que nunca mais vira nada parecido com o tal objeto . Ele
conseguiu mostrar o local , em um mapa da U.S. Geological Survey que eu tinha comigo,  reconhecendo
facilmente a estrada e o terreno. Trata-se da mesma estrada , embora atualmente esteja asfaltada.

Respondendo a minhas perguntas , o Sr. Dillon afirmou que estava terminando o colegial na época da visão . Ele
também colhia frutas e fazia caixotes , para reforçar seu orçamento . Naquele dia especifico voltava da escola ,
em Yakima , para sua casa em Weibel , onde seu pai trabalhava como gerente de uma fabrica.

Entre 1922 e 1941 a testemunha morou no Estado de Washington , trabalhando em fábricas de conservas e
armazens. Também realizou serviços de construção de estradas para o depto. de rodovias . Alistou-se no inicio da
Segunda Grande Guerra Mundial, servindo na Nona Divisão Blindada na Inglaterra , França e Checoslováquia
, participando da Batalha do Bolsão . Depois de 1945 ele foi contratado pela McDonnell-Douglas , onde
trabalhou 22 anos , como ferramenteiro em Los Angeles , até aposentar-se e ir para Redding.
 
 

O sr. Dillon manteve-se muito calmo durante toda a conversa, demonstrando ser ativo, inteligente e disposto a
refletir sobre diversas teorias referentes a sua visão, apesar de ter aceito a noção de que o "homem" vinha de
outro planeta. Ele acredita que o ocupante o encarou, quando inspecionava o local. O aparelho balançava
silenciosamente, acompanhando a topografia do terreno, e passou por cima  da estrada, a direita de Dillon. Não
havia nada de especial na parte inferior do objeto; ele era arredondado e liso. A testemunha ficou maravilhada ao
notar uma série de rebites na beirada lateral do aparelho. Ele não se surpreendeu com esta tecnologia um tanto
grosseira , na época a maquina parecia ultramoderna, claro.

Atendendo a um pedido meu, o sr Dillon desenhou o objeto bem como o ser avistado, um ser humano típico com
cabelos  normais repartidos ao meio. 0 homem avistado por Dillon, "que poderia passar por italiano' ', não combina
com o estereótipo extraterrestre anão careca de olhos arregalados popularizado nos livros e filmes
norte-americanos recentes .

Isso tampouco ocorre em um outro caso memorável que investiguei no norte da Califórnia ,  com o pesquisador
Mark Uriarte , que foi informado do evento durante uma conversa telefônica a delegacia de Colusa (Califórnia).
Os policiais insistiram na reputação e credibilidade das testemunhas. Visitamos o local três semanas após a visão,
quando os detalhes ainda estavam na mente de todos os envolvidos.

Este contato imediato se deu em uma área ocupada anteriormente por fazendeiros de gado e agricultores que tem
diversas culturas. Infelizmente a terra era inadequada, e as propriedades foram sendo abandonadas aos poucos.
As duas  principais testemunhas moravam em uma destas fazendas antigas. Eram dois irmãos, descendentes de
uma tribo local de índios quase extinta, a tribo dos Cortina, cuja língua deriva do idioma dos índios Digger. Fui
informado de que restavam apenas sete índios Cortina . O irmão mais velho, Amos, tinha pouco mais de 60 anos.

O antigo rancho era bem cuidado, com uma sede limpa, apesar de não contar com eletricidade,  nem água
encanada. Um fogão de lenha servia também de aquecedor Os dois irmãos ganhavam a vida como trabalhadores
nas fazendas vizinhas e possuíam dois cavalos e criavam galinhas também.  0 caso foi divulgado quando Amos
confessou a um fazendeiro local, em inglês rudimentar, que nos últimos anos costurnava ver um estranho
"aeroplano" pousando na fazenda. Alem disso, um ocupante pequeno, de aspecto humano, saia do aeroplano e
entrava na casa.

---     Ele provavelmente voltara esta noite   ---   Amos declarou ao fazendeiro. Este, curioso, ficou observando
o céu , e realmente viu um objeto luminoso vindo do leste. O aparelho parou no ar, seguiu para o norte e sumiu.
Amos, posteriormente, declarou que vira o "estranho"' por volta das 3h00, depois que seu vizinho foi embora.

 Pedimos a Amos que fizesse um desenho do objeto para nós,  e o comparamos com o esboço que realizara para
Mark, há poucos dias. As diferenças eram irrelevantes. Amos também desenhou a criatura, e nos contou mais
coisas sobre ele: o "pequeno estranho" vinha sempre sozinho. Media entre 1 metro e 1,20 metros , e sempre
usava uma roupa marrom inteiriça. Ele cheirava mal. 0 desenho de Amos mostrava um humanóide de cabelos
compridos e nariz grande, sem máscara ou aparelho de respiração.  Sua característica mais marcante era a
capacidade de atravessar as paredes da casa e pairar sobre o solo, sem toca-lo. Quando estava do lado de fora ,
era capaz de mover-se rapidamente , sem mexer as pernas . Amos não aprecia o estranho que o visita nos
meses de verão. Na verdade, ele gostaria de se livrar dele. Quando o estranho esta por perto, os cavalos ficam
indóceis, e a caça escasseia no dia seguinte, ele disse, pois os animais  se escondem.  Não encontramos marcas
ou sinais de queimaduras no local onde o objeto teria pousado. Vimos apenas filamentos e uma serie de sinais
circulares em forma de rosca, distintos das pegadas que um animal poderia produzir, e áreas claras de grama
amassada .
 

No dia 18 de outubro de 1977, pouco depois de 1h30, um  investigador meu conhecido voltava de uma visita a
Amos em companhia do vizinho para o qual o caso fora inicialmente relatado  Eles viram uma luz brilhante que se
aproximava do sul. Pararam a caminhonete, mas não ouviram som algum, mesmo pois de desligar o motor. O
objeto voou para o lado direito, e meu amigo preparou a maquina de filmar, mas depois teve uma sensação
peculiar, concluindo que seria perda de tempo registrar a cena. Preferiu olhar o objeto com o binóculo. Viu quatro
luzes  quadradas no que parecia ser a fuselagem, que não possuía asas nem cauda. A luz era azul-esverdeada.
Ate hoje meu amigo lamenta ter obedecido ao impulso bizarro de deixar a câmera de lado.

A lição a ser tirada destes casos é clara: as aparições de OVNIs  não seguem um padrão definido, como muitos
ufologistas  gostariam  que acreditássemos. Eles nem sempre são seres acinzentados carecas de olhos enormes,
nem monstros parecidos com robôs . Na verdade, estamos lidando com um fenômeno complexo e ainda não
entendemos sua relação  com as testemunhas e a sociedade humana como um todo. Não sabemos o quanto do
evento é provocado por um fenômeno externo e quanto deriva da mente  humana. Precisamos aceitar esta
complexidade..

William Sambrot, um autor de ficção cientifica, me escreveu uma carta em 1980, depois de ler Mensageiros da
Fraude. Em maio de 1962 ele publicou, na Playboy, um conto intitulado Sonâmbulo Controlado. Era ficção
pura,

a respeito de um astronauta, no primeiro vôo sublunar , cujos sinais inexplicavelmente desapareceram  de todos
os monitores . Horas depois os sinais voltaram,  Ao voltar para a Terra , ele fica  surpreso ao ser informado de
tal hiato . . . sob hipnose profunda, revela ter sido seqüestrado por alienígenas , levado  a bordo de um disco
voador e sofrido um exame fisiológico completo, por dentro e por fora, e depois devolvido a sua cápsula,
recebendo antes da volta uma ordem para esquecer completamente o incidente.

Uma vez que a narrativa datava do ano anterior, ela claramente antecedera o seqüestro de Betty e Barney Hill
e sua hipnose subsequente. Em uma carta posterior, Sambrot e os editores da revista Look , que divulgara o
caso Hill, revelaram sua dupla surpresa. Além disso, o astronauta de Sambrot recebeu uma série  de tatuagens
geométricas durante seu seqüestro pelos operadores do OVNI. A historia antecipou tanto o caso Hill quanto as
experiências do dr. X (ver texto no meu site sobre o Dr. X /RSM).

Seria ótimo  poder concordar com os céticos como o escritor Philip Klass, que em seus livros sobre o espaço
chegou à conclusão de que todos os contatos são imaginários. Após a leitura do testemunho de Sambrot,
sentimos a tentação de conceder um imenso poder a criatividade da mente humana. Mesmo assim , esta teoria
não explica as marcas, os ferimentos, as fotografias.

Dez anos antes do grande sucesso dos livros de Whitley Strieber, que se tornaram best-sellers em nao-ficção,
um índio Cortina descreveu, em inglês rudimentar, um pequeno ser que deslizava no solo e entrava em sua casa
através da parede. Mesmo assim a entidade não se parecia com o ser sábio e benigno da capa de Comunhão.
Pelo contrario, ele tinha nariz proeminente e cabelos longos.

Acredito que estas observações, feitas por testemunhas sinceras, não devem ser vistas sob a ótica da realidade
cotidiana que  tanto os ufologistas quanto os céticos adotam como padrão. Chegou a hora de se aceitar  um fato
: o fenômeno OVNI é capaz de atuar sobre as mentes dos seres humanos, induzindo pensamentos e imagens
similares  as descritas por pessoas que tiveram experiências de contato com a morte ou distanciamento do corpo
, ou mesmo a relatos medievais de demônios e elfos. A comunidade de pesquisadores de OVNIs adotou a
interpretação  literal dos contatos imediatos e casos de seqüestro , e encontra-se em um beco sem saída . A
imensa quantidade de informações existente sobre realidades psíquicas experimentadas na morte ou durante
determinados estados alterados raramente tem sido examinada dentro deste contexto . Contudo , tais realidades
psíquicas são tão reais quanto a realidade de um investigador tradicional à procura de um disco voador para
"chutar seu pneu", como um ufologista da corrente radical de San Francisco descreveu certa vez sua maior
ambição na vida.
 

 
Os dois casos seguintes podem ajudar a ilustrar este ponto, para a maioria dos meus leitores, embora eu ( J.
Vallée) tenha desistido de explicar aos entusiastas dos OVNls que existem coisas como  realidade psíquica, e que
isso não contradiz o mundo físico. Em todo caso, existe muita gente que ainda não conseguiu ao fato de que a luz
tem a natureza tanto de onda quanto de partícula.

Uma das maravilhas da existência humana está na possibilidade de uma pessoa poder passar uma vida longa e feliz
sem se dar conta da realidade da consciência e de sua capacidade de  transcender o nível físico imediato. No
momento da morte, será que o tempo suspende seu domínio o suficiente para que tais pessoas percebam o que
perderam?

Qualquer medida concreta dirigida para a interação com o fenômeno  dos OVNls precisa levar em conta esta
capacidade
controle sobre a percepção das testemunhas e de alterar sua  realidade psíquica.  Em um intervalo de três
semanas, em setembro de 1978, houve quatro casos dramáticos de OVNls em Venado Tueno, uma pequena
cidade a três horas ao sul de Rosário, na Argentina. No primeiro caso um jovem carpinteiro chamado Riberto viu
objetos e dois seres no solo. No segundo caso um garoto de anos, chamado Oscar, viu três objetos e entrou em
um deles , interagindo com um homem muito alto e um pequeno robot. No terceiro caso um padeiro  de 16 anos,
chamado Francisco , sentiu um calor intenso, que emanava de um objeto  luminoso, durante o blecaute de um
transformador local. E, no quarto incidente, um homem de 53 anos, quando passava de carro , foi
"teletransportado" por mais de 6 quilômetros e deu entrada no hospital local com dores no peito.

Quando fui até Venado Tuerto, em abril de 1980, em uma área rural de terra muito plana, corn algumas estancias
modernas e muitos pântanos e lagoas. Encontramos diversos do CIC, um grupo de investigação argentino, que
nos levaram, juntamente com Fábio Serpa e sua esposa, até o local exato em que o menino tivera a visão. Em
seguida, apresento no de seu excelente relatório.

No dia 6 de setembro de 1978 Oscar recebeu ordens de reunir os cavalos, como costumava acontecer todas as
manhãs . Cavalgando o Cometa, um animal tranqüilo, ele viu alguma coisa voando no meio da neblina, ergueu a
cabeça e percebeu que havia um objeto chegando do sul, outro do oeste e outro do leste. Eles começaram a
dançar, lançando luzes poderosas que mudavam de cor.

O menino perdeu o controle do Cometa. O cavalo empinou e galopou alucinado na direção da cerca de arame
farpado. Oscar, com muita dificuldade, conseguiu fazer com que parasse. Seu pai, Don Felipe, ficou bravo
porque ele não trouxe os outros cavalos.

 ---   Pai   ---   ele disse   ---  , havia uma coisa redonda enorme la fora.

 0 pai não quis saber de desculpas, e ordenou novamente ao menino que ele fizesse o serviço. Oscar saiu e
encontrou um dos objetos pousado no solo. Cometa ficou indócil outra vez, os restantes fugiram assustados, em
todas as direções.
O objeto tinha cerca de 10 metros de diâmetro, 5 metros de altura e terminava  em um domo em meia esfera, com
diversas janelas redondas. Uma porta se abriu e uma escada projetou-se ate o chão. Surgiu um ser na abertura.
Ele tinha mais de 3 metros de altura, usava luvas e um capacete cilíndrico.  O ser, aparentemente ligado ao
objeto por um equipamento de respiração , convidou Oscar a entrar. Corajosamente, ele forçou o cavalo em
direção  aos degraus da escada, subiu e parou próximo ao  "gigante" . Na posição em que se encontrava, ele
podia desescrever o interior da nave, cheia de painéis , botões e um pequeno "robô"  entretido em cortar em
pedaços ossos grandes de alguns animais, parecidos com cavalos ou bois.

Impressionado e um tanto amedrontado pela cena, ele pulou do objeto e voltou ao chão. O ser alto juntou-se a
ele, e Oscar pediu uma das luvas, como prova da experiência. Quando o gigante concordou, tirando a luva,
Oscar notou que sua mão era verde, e o dedo médio mais curto que os outros. As unhas pareciam garras
metálicas cônicas escuras, azuladas. O ser cutucou o braço direito do garoto com uma destas garras, perto do
ombro. Ele sentiu uma espécie de picada de mosquito.
 

Mas quando Oscar, carregando a luva enorme e pesada, cavalgou de volta para a estancia, o objeto voador o
acompanhou, emitindo um pequeno raio e uma esfera, que se uniram no ar , passando pelo cavalo e puxaram  a
luva como se fosse um imã.

A família de Oscar mostrou muito pouco interesse por esta incrível historia, apesar de Don Felipe admitir ter
escutado  um "som estranho, como um zumbido, como a chama de um maçarico movendo-se rapidamente no ar"
Os pais Também disseram que, nos dias seguintes , o menino não tinha apetite  e freqüentemente acordava
gritando durante a noite.

---   Eu sonhava que estava dentro do disco, eles me pegavam e faziam coisas comigo   ---   declarou Oscar

No braço de Oscar, onde o gigante o picara, surgiu uma pequena linha, com 5 centímetros de comprimento. Ela
começou a coçar naquela noite, e ele a lavou com água e sabão  três dias depois a ferida surnu, restando apenas
uma pequena depressão na pele. Além desta marca, apareceram várias semelhantes a psoríase, que foram
atribuídas ao "nervosismo".

Seis dias antes da visão Oscar encontrara uma vaca morta na propriedade; o traseiro e as costelas haviam
sumido. Isso  o intrigou  muito. Ele disse aos investigadores do CIC:

 ---    Se fossem ladrões, teriam levado também o couro .

Quando encontramos Oscar ele nos impressionou imediatamente . Tratava-se de um garoto serio e calado. No
inicio mostrou muita reserva , mas conforme adquiriu confiança nos relatou sua historia sobriamente. Ficamos
deslumbrados com a imensa dignidade  transmitida tanto pelo filho quanto pelo pai, um dos últimos homens  na
região a usar o traje tradicional dos  gaúchos, com um cinto largo de courn incrustado com moedas de ouro. A
família descende de uma raça de índios brancos , tão antiga quanto os incas, e o rosto de Oscar revela traços
incas nítidos.

Fizemos perguntas sobre o cavalo. Depois do incidente , Cometa perdeu grande parte da visão e acabou
morrendo . Durante o evento o cavalo tentou dar um coice na escada do aparelho, sofrendo um ferimento na pata
esquerda traseira.

Oscar repetiu que avistara três objetos, cujas luzes mudavam de cor rapidamente, alternando o verde, o
vermelho e  o amarelo.

---   Meus olhos começaram a embaçar   ---   declarou .

O horário da visão foi, segundo estimativas, 6h45, mas trata-se apenas de um calculo aproximado, pelo simples
morivo de que ninguém na estancia possui um relógio, conforme pudemos verificar.

Após as entrevistas iniciais fomos ao local em si, uma imensa planície que desaparecia no horizonte. Toda a região
possui , uma beleza estranha, trágica, e seu futuro é incerto: a cada ano os lagos e lagoas ocupam mais um
trecho de terra. Aparentemente ninguém sabe de onde vem a água. Povoados inteiros submergiram, e em alguns
trechos a estrada de Rosário encontra-se no mesmo nível dos imensos lagos que acompanham os dois lados da
pista. Aqui e ali pode-se ver os telhados de casas antigas e hotéis outrora imponentes emergindo da água
cinzenta .

 A família vive em uma fazenda de 40 hectares , que o antigo dono da estancia lhes deixou em testamento.
Plantam milho , trigo e soja. A família é muito unida , e obviamente vive feliz . Eles não possuíam televisor na
época da visão.

Caminhando calmamente pelos campos , Oscar reconstituiu para nós as características do objeto , de um modo
simples e direto, descrevendo as dimensões , a posição do cavalo e os gestos feitos pelo tal ser.
 

Ao deixar o local repassamos os relatórios elaborados pela professora de Oscar na escola, e por um psicólogo
clinico que o examinou, aplicando o teste de Rorschach. Para a professora, Oscar   era uma criança normal, que
prestava pouca atenção na aula e comportava-se bem. 0 relatório dizia:

      Ele gosta de falar da vida fora da escola, quando esta na fazenda
     ; gosta de andar a cavalo; ama a natureza. Fala sobre coisas reais
     sobre o dia-a-dia, coisas que acontecem em sua casa, mas não  sobre
     fantasias. Na classe, ele jamais mostrou imaginação. . . E muito honesto
    e fala a verdade. . . mas não e uma criança imaginativa.

O psicólogo clinico notou que as reações ao teste de Rorschach  se relacionavam freqüentemente com  "disco" e
"foguete"  , fato  este interpretado como eco das experiências do menino. O psicólogo anotou :

A inteligência de Oscar e do tipo logico-concreto, revela  grande dificuldade para passagem ao período
logico-formal , possivelmente devido aos poucos estímulos que recebe . . .  em um ambiente rural limitado

Vale notar que a hipnose não foi utilizada neste caso, e que todas as lembranças da testernunha derivam da
memória consciente.

Uma serie notável de eventos ocorreu em Venado Tuerto. Além da experiência de Oscar, três outros contatos
imediatos independentes foram relatados, um deles incluindo uma interrupção normal do fornecimento de energia,
comprovada pelo pessoal encarregado do serviço.

Um hexágono voador pilotado por um homem com cara de italiano perto de Yakima em 1928, um anão cabeludo
com um grande nariz , capaz de atravessar paredes na Califórnia, e um encontro extraordinário em uma região
remota da Argentina, com um gigante e um pequeno robô: todos são casos onde falei com testemunhas
oculares, sem conseguir uma explicação. As testemunhas são indivíduos retraídos, sinceros, que não buscam a
fama ou vantagens financeiras com suas experiências. Nenhum fato em suas vidas indica um padrão de incidentes
inusitados ou interesse pela paranormalidade. Nenhum destes casos foi mencionado na imprensa.

Um cético tem direito a sua opinião, pode pensar que estas pessoas estavam mentindo ou sofrendo de
alucinações , mas esta explicação não me convence. Tampouco acredito na interpretação literal dos entusiastas
por OVNIs, para quem os diversos seres vistos pelas testemunhas devem ser considerados automaticamente
visitantes de outros planetas.

Neste aspecto, o fenômeno dos OVNIs funciona como um transformador da realidade (ou, na definição de
Bertrand Meheust, modificador da realidade ), provocando nas testemunhas uma serie de situações  simbólicas
que se tornam indistinguiveis da realidade . Estas situações , que freqüentemente se iniciam por uma serie
atordoante de luzes coloridas piscando ou de extraordinária intensidade, induzem a um estado de profunda
confusão nos envolvidos, que se tornam vulneráveis a inserção de novos pensamentos e experiências visuais
inéditas.

A resposta dos ufologistas a confusão dos sequestrados tem sido desastrosa. Ao aceitar literalmente as
manifestações simbólicas , e ao hipnotizar as testemunhas em um esforço para solucionar a confusão, muitos
pesquisadores bem-intencionados acabam, na verdade, por reforçar a realidade alternativa induzida pela visão do
OVNI, desta maneira exacerbando o que pode muito bem ser apenas um efeito colateral, perdendo de vista a
experiência principal. A hipnose, que pode ser uma técnica investigativa  muito proveitosa,
infelizmente tornou-se prática dos pesquisadores norte-americanos da atualidade . Neste processo, pesquisadores
sem treinamento em hipnose clinica criaram indubitavelmente falsas lembranças nas testemunhas, na sua  busca
de respostas fundamentais precedida pelo fornecimento de pistas sutis.

As falsas lembranças podem satisfazer os ufologistas ansiosos por explicações  simples e factuais da condição dos
OVNls, tidos como naves interplanetárias, mas não passam de resultados espúrios.
 

O procedimento pode ser danoso às testemunhas, que forçam artificialmente a experiencia com os OVNIs
a uma integração impossivel com a memoria consciente, tentando encaixar a peça redonda da visita
extraterrestre no buraco quadrado de sua propria confusão. Conforme disse uma testemunha revoltada em uma
carta que recebi :

O senhor faz muito bem em prevenir as pessoas quanto aos
perigos da manipulação . . . As vitimas de sequestro são extremamente
vulneraveis a manipulação cara a cara, o que pode levar ao controle
quase total sobre o individuo. Os humanos estao assumindo
o controle das pessoas no ponto onde os alienigenas pararam.

Conheço diversas testemunhas que foram hipnotizadas vezes seguidas, frequentemente na presença de outros
"sequestrados" . Elas se tornaram incapazes de distinguir entre a realidade e o sonho, sendo conduzidas a um
reino onde suas fantasias e termos particulares são na verdade estimulados a se unirem ao encontro  traumatico
e confuso com um OVNI. A sensação precária de bem estar gerada desta forma é perigosa e ilusoria.

O padrao que se criou em torno dos sequestros por OVNIs  lembra as teorias medievais sobre sequestros por
demonios, pactos com Satã e vôos no Sabbat, incluindo-se a marca do diabo no corpo das feiticeiras. Conforme
o sociologo francês Pierre Lagrange observou em uma conversa comigo, o unico elemento que falta é o familiar
--- o gato preto ou a coruja usados para acompanhar as bruxas!

A regressão hipnótica dos sequestrados não e o tipo de medida ativa que precisamos. Em vez disso, devemos
considerar os OVNIs como um transformador da realidade, e pesquisar cuidadosamente o processo simbolico
provocado na mente da testemunha. Quando utilizada por um profissional capacitado, a hipnose fornece alguns
elementos valiosos para analise da experiencia mas não a explica.

Em 1978 tive a oportunidade de encontrar outra testemunha cujo sofrimento lança uma nova luz sobre a questao
dos sequestros e a natureza dos seres a eles associados. Também a escandalosa condução antiética e
amadoristica de alguns dos cientistas que foram encarregados de avaliar o fenômeno.

No dia 3 de dezembro de 1967 o sargento Herbert Schirmer  realizava uma patrulha perto de Ashland, no
Alasca, às 2h30   ---   numa noite límpida, sem luar   ---   quando avistou luzes vermelhas, que imaginou
pertencerem a um caminhão. Quando foi verifcar, contudo, notou que as luzes vinham das janelas de um objeto
em forma de disco que pairava sobre a rodovia. Sua memória consciente seguinte foi de urn aparelho brilhante
iluminado que subia com um som de sirene, enquanto soltava um material cor de fogo da parte inferior.  Ele teve a
sensação de paralisia naquele momento, ficou nervoso, enjoado e fraco quando voltou ao quartel.

O dr. Leo Sprinkle, da Universidade do Wyoming, foi um dos primeiros psicólogos profissionais a mostrar
interesse pelos sequestros feitos por OVNls e a usar a hipnose como recurso investigativo. Quando se encontrou
com membros do comite Condon ,  que havia sido organizado pela Força Aérea americana na Universidade do
Colorado, em 1968, ele repassou alguns casos que poderiam ser utilizados como exemplo. O comite acolheu o
caso Schimer em função da perda de sentido do tempo por parte da testemunha.

O sargento Schirmer foi a Boulder para uma serie de testes psicologicos, e pediu para falar com o professor
Condon . Ele fora convencido a fazer a viagem por causa de sua importancia cientifica potencial. Recebera
garantias de que havia um interesse verdadeiro em sua visão , e que o professor Edward Condon , um físico
famoso , estaria presente pessoalmente na sessão.

Infelizmente o professor Condon não se encontrava no campus na epoca, e o comite cientifco se deu conta de
que o truque usado para atrair o sargento e realizar os testes corria o risco de ser desmascarado. Assim,
conforme relatou o sargento Schirmer,  eles apresentaram outra pessoa e disseram que era o próprio Condon.
 

Schirmer nao era nenhum idiota. Durante a entrevista alguém entrou na sala e dirigiu-se ao "professor
Condon"  , chamando-o  pelo primeiro nome, algo como "Ed" ou "Edward". Schirmer desafiou o cientista :

---   Você não é Condon! - gritou, em uma cena muito constrangedora ocorreu.

Dali para a frente a credibilidade da Universidade do Colorado, aos olhos da testemunha, era práticamente nula.
Quando recebeu manchas de tinta e o pedido de dizer o que via ali, ele declarou o óbvio: via manchas de tinta.

---   Bem, não pode imaginar que sejam qualquer outra coisa   ---   sugeriu um dos psicologos.

---   Doutor, sou um policial   ---   Schirmer retrucou.   ---   Não sou obrigado a imaginar nada. Fui treinado
para relatar fatos .

Schirmer me falou que tinha medo de começar a dizer que borboletas ou elefantes copulando nas manchas,
levando
os cientistas a concluir que ele era maluco, que poderia muito ter visto discos voadores onde havia apenas um
monte de nuvens.

Durante nosso encontro, perguntei ao sargento Schirmer quais foram as consequenias para sua saude, como
resulndo do encontro com o OVNI.

No momento da experiencia a testemunha sentiu um "formigamento" no corpo, por alguns segundos, e uma dor
na base da orelha (ele me mostrou o local exato), como se uma agulha tivesse sido introduzida ali. Surgiu uma
mancha vermelha, com pequenos orificios, no local. Durante três anos, após o incidente, ele sentiu fortes dores
de cabeça, que duravam duas horas e não eram aliviadas por aspirina. Nas tres primeiras semanas depois da visão
as dores de cabeça o acordavam .

O dr. Sprinkle notou que apos a visão a testemunha tomou  xicaras de café quente, quase fervendo,  "como se
fosse água " . Ele  frequentemente sentia "uma tontura e um zumbido no ouvido" , antes de dormir, e disturbios
violentos durante o sono.

O sargento Schirmer fez um desenho detalhado, a lápis , de um dos "operadores"  do aparelho, conforme suas
lembranças durante a hipnose. O desenho mostra um homem com um pedaço de pano preto cobrindo a cabeça.
A abertura do rosto tem a forma de ogiva, o que lhe dá uma aparência gótica. A testa tem rugas. Os olhos, nariz,
boca e sobrancelhas são do tamanho normal, embora as pupilas sejam grandes e alongadas, dando aos olhos um
aspecto penetrante, estranho. Na orelha esquerda há um aparelhinho redondo, com uma pequena antena,
medindo menos de 5 centimetros. E no ombro direito uma insignia, com uma serpente encaracolada.

Schirmer lembra que foi retirado do carro patrulha, sem conseguir usar o radio ou a arma. Foi levado para dar
uma volta no disco. O operador perguntou:

---   Você é o vigia deste lugar?

Quando atingiram a parte superior do aparelho, o homem disse  a Schirmer:

---   Vigia, um dia você verá o Universo!

Na época de nosso encontro , e por muitos anos, após  este dialogo com o operador foi considerado por Schirmer

o acontecimento rnais importante de sua vida.

Os encontros com OVNls são cenários completos nos quais a personalidade das testemunhas se projeta. Como os
filmes  que aterrorizam , fazem rir, chorar ou suar de medo, a experiencia se torna  parte da realidade da
testemunha. Os ufologistas se rcomportam como pesquisadores sociais que, ao tentar compreender o fenomeno
do cinema, entrevistam pessoas ao acaso, e aceitam seu testemunho de acordo com as aparencias. Como as
testemunhas de
de OVNls, estas pessoas não mentem. Algumas viram Godzilla , outras viram Bambi. A experiencia, em qualquer
um dos casos, foi real para elas.

Mas a realidade sobre a qual devemos nos concentrar a atenção, a realidade que os pesquisadores de OVNls
frequentemente ignoram, e que existe um projetor oculto em uma pequena sala escura, perto do teto. Nesta sala,
a tecnologia pode transmitir as imagens tanto de Bambi e Godzilla quanto de Guerra nas Estrelas  e
óbviamente , Contatos Imediatos.

Como a tecnologia do cinema, a tecnologia dos OVNIs  é um metasistema. Ela gera qualquer fenomeno apropriado
para nosso nível , em uma dada época , em uma determinada condição do "mercado"  .

 Como Bertrand Meheust provou de modo brilhante, o cenário  simbolico visto pelos sequestrados é idêntico ao
tipo de iniciação ritual ou viagem astral se encontra enraizada em todas a culturas.  Neste sentido, a experiência
com os OVNls é o detonador real que liberta uma série de imagens poderosas que carregamos em nosso
"inconsciente coletivo" (na nomenclatura junguiana) . Inutil perguntar por que algumas testemunhas enxegam
gigantes e outras anões, por que alguns sequestros são benignos e outros nocivos, por que em determinados
encontros as vitimas encontram tecnologia sofisticada e em outros ocorrem estupros e outras indignidades.

Enquanto nossos colegas ufologistas ficam na calçada entrevistando os frequentadores do cinema, eu ( J. Vallée
) acredito que as perguntas importantes devem ser feitas em outro lugar. Minha pesquisa conduziu a escada dos
fundos, onde ninguem sobe. Meu objetivo é penetrar no segredo da pequena cabine de projeção , e descobrir
finalmente o que faz os rolos moverem e a máquina funcionar.
 
 

Extraído do livro Confrontos de J. Vallée   -  Ed. Best Sellers  -  1990
 
 

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