As Lâmpadas Eternas



A melhor descrição sobre uma lâmpada eterna nos tempos modernos eu encontrei neste texto do Raimond
Bernard ( não aquele que escreveu A Terra Ôca , este , já falecido,  era ligado a AMORC) . Neste texto , ele
participa de uma reunião anual ( uma das quatro feitas em cada ano ) do Alto Conselho  ( um grupo de
Superiores Desconhecidos que administram o nosso planeta ) . Justamente quem mostra o local da
reunião ( cidade de Istambul em 1967) é o Maha que nos textos antigos ( Rene Guenon, Saint Ives Alveide,
Ossendevski, etc )  é apresentado como "o Rei do Mundo ".


[ . . . ] Agora Maha me pede que o siga e me sinto bastante impressionado com a aventura que me cabe   ---
aventura ou melhor , acontecimento ! Nós não tomamos a grande escada , mas uma porta sob esta   ---   uma
porta sem caracteristica particular , que, entretanto , verei , se abre para o insólito, o extraordinário , o incrivel ,
o sonho . Uma larga escada em caracl que nós descemos , mais um vestibulo e uma magnifica porta
trabalhada : além dela o mais extraordinário espetaculo que se possa imaginar! Uma imensa sala
abobadada sem nenhuma abertura e, no entanto , tão clara como se estivesse ao ar livre!  No centro , uma
grande mesa retangula, maciça , gravada com magnificos simbolos, que eu gostaria de poder examinar mais
de perto. No fundo , diante da mesa, uma poltrona monumental de braços espiralados em elegante requinte .
De cada lado da mesa , cinco poltronas um pouco menores mas em harmonia com a poltrona magistral , e,
em frente a esta , uma outra parecida com as dez outras. Descemos três degraus , para chegar a esta sala ,
mas da soleira , a perspectiva era impressionante . Em toda a volta , nas paredes,  prateleiras, e, nessas
prateleiras , livros , livros , mais livros. Não sei a que outra sala equiparar esta   ---   a sala de leitura de uma
abadia antiga, talvez   ---   mas há aqui outra coisa . Respira-se livremente . Não existe essa impressão de
enclausuramento, de peso , que se sente , por vezes , em salas dessa natureza . E depois , essa luz estranha
, comparável à do dia! É sobretudo isso que me enche de perplexidade. Maha parece ler mais uma vez meu
pensamento , pois ele me conduz para um dos angulos da sala . Lá existe um pedestal , algo que me parece
simplesmente uma lâmpada de aspecto , na verdade , particular . Realmente , imaginei uma pirâmide de 20
centimetros de altura , de base proporcional a esta , cada lado admiravelmente talhado em facetas , como se
fosse um diamante . Não há fio algum , conexão alguma com o que quer que possa sugerir uma instalação
elétrica . Entretanto , é dessa lâmpada que vem a claridade . Ela não ofusca. Olhá-la de perto não é mais
penoso para os olhos do que encontrar-se na sala assim iluminada . Constato que , mesmo que eu me
coloque diante da lâmpada , a um metro , isso não prejudica em nada a iluminação da peça . ë então que
percebo, habilmente dispostos em diferentes pontos da abóbada e das prateleiras, espelhos de dimensões
diferentes. Será que se trata da lâmpada eterna , à qual se tem referido certas tradições? Eu me aventuro a
interrogar Maha , que sorri:

"Talvez   ---   diz ele   ---   , mas trata-se principalmente , aqui , de uma forma moderna de iluminação que ,
no futuro , será comum no mundo inteiro . O principio é, entretanto , o mesmo que o de outrora, e , afora a forma da lâmpada , a origem é identica . . .  a luz é produzida por , digamos . . . uma espécie de desintegração do átomo no vácuo , mas na escala infinetesimal. Imagine uma explosão atomica normal e suponha que , no momento em que se produz a claridade tão fulgurante quanto a do sol, cheguemos a perpetuar o que se produz na ocasião sob o vácuo. Disso resultaria a luz perpétua no lugar da explosão. ë mais ou menos o que se passa aqui , mas esta lâmpada não é eterna . Esse qualificativo lhe foi dado porque ela dura vários anos consecutivos sem nenhuma interrupção , mas, como tudo , ela tem fim . Entretanto , é tão fácil construir esta lâmpada quanto uma das suas lampadas elétricas . Basta saber! "

Certamente , basta saber , como declara Maha num sorriso, e isso parecerá tão simples quanto a fabricação
de um minusculo transistor . . . quando o mundo souber, mas ele não sabe; ainda não! Lanço um olhar rápido
para as prateleiras , para ter uma idéia das obras guardadas , mas Maha me interrompe:

"Isso não é senão uma pequena parte dos mais antigos manuscritos de nossa terra. Eles são o
conhecimento de um mundo e manuscritos idênticos se encontram em diversos pontos secretos de nosso
planeta, de maneira que , se, por acaso, este edificio e o que ele contém devesse ser destruído , nada seria
perdido . Já houve grandes cataclismos e nunca nada foi perdido. Estas encardenações atraentes são
recentes . Seu conteúdo é a sabedoria das épocas passadas . A conservação é assegurada por meios que
o mundo redescobre pouco a pouco. Em todo caso, nenhum dos documentos reunidos pelo Alto
Conselho , aqui e em outros lugares , sofreu o desgaste do tempo . Entretanto, veja, não há
aparentemente nenhuma proteção , e isso se compreende , já que foram os próprios manuscritos que
sofreram uma preparação que os colocasse ao abrigo de toda a deterioração possivel, devido às
condições ambientes e a outras. Temos várias outras lembranças do passado!. Por que tais riquezas não
são colocadas à disposição da Humanidade em geral? Primeiramente , porque isso seria contrário aos
próprios principios que regem a evolução universal . Ora, tudo quanto é ou deve ser conhecido já o foi e, se
a evolução é de um nivel superior ao precedente, o precedente era mais avançado que o presente. Penso
que o senhor me compreende. Depois , como seriam utilizados esses conhecimentos? O senhor daria uma
bomba atomica a uma criança ? Depois de tudo , essas lembranças voltarão à memória do mundo , mas
sob a forma de novas descobertas que marcam as etapas de Grande Evolução ."
 

Extraido do livro Encontros com o Insólito de Raimond Bernard - 1970  -  Editora Renes
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