[ . . . ] Agora Maha me pede que o siga e me sinto
bastante impressionado com a aventura que me cabe ---
aventura ou melhor , acontecimento ! Nós
não tomamos a grande escada , mas uma porta sob esta
--- uma
porta sem caracteristica particular , que, entretanto
, verei , se abre para o insólito, o extraordinário , o incrivel
,
o sonho . Uma larga escada em caracl que nós
descemos , mais um vestibulo e uma magnifica porta
trabalhada : além dela o mais extraordinário
espetaculo que se possa imaginar! Uma imensa sala
abobadada sem nenhuma abertura e, no entanto
, tão clara como se estivesse ao ar livre! No centro , uma
grande mesa retangula, maciça , gravada
com magnificos simbolos, que eu gostaria de poder examinar mais
de perto. No fundo , diante da mesa, uma poltrona
monumental de braços espiralados em elegante requinte .
De cada lado da mesa , cinco poltronas um pouco
menores mas em harmonia com a poltrona magistral , e,
em frente a esta , uma outra parecida com as
dez outras. Descemos três degraus , para chegar a esta sala ,
mas da soleira , a perspectiva era impressionante
. Em toda a volta , nas paredes, prateleiras, e, nessas
prateleiras , livros , livros , mais livros.
Não sei a que outra sala equiparar esta ---
a sala de leitura de uma
abadia antiga, talvez ---
mas há aqui outra coisa . Respira-se livremente . Não existe
essa impressão de
enclausuramento, de peso , que se sente , por
vezes , em salas dessa natureza . E depois , essa luz estranha
, comparável à do dia! É
sobretudo isso que me enche de perplexidade. Maha parece ler mais uma vez
meu
pensamento , pois ele me conduz para um dos angulos
da sala . Lá existe um pedestal , algo que me parece
simplesmente uma lâmpada de aspecto , na
verdade , particular . Realmente , imaginei uma pirâmide de 20
centimetros de altura , de base proporcional
a esta , cada lado admiravelmente talhado em facetas , como se
fosse um diamante . Não há fio
algum , conexão alguma com o que quer que possa sugerir uma instalação
elétrica . Entretanto , é dessa
lâmpada que vem a claridade . Ela não ofusca. Olhá-la
de perto não é mais
penoso para os olhos do que encontrar-se na sala
assim iluminada . Constato que , mesmo que eu me
coloque diante da lâmpada , a um metro
, isso não prejudica em nada a iluminação da peça
. ë então que
percebo, habilmente dispostos em diferentes pontos
da abóbada e das prateleiras, espelhos de dimensões
diferentes. Será que se trata da lâmpada
eterna , à qual se tem referido certas tradições?
Eu me aventuro a
interrogar Maha , que sorri:
"Talvez --- diz ele
--- , mas trata-se principalmente , aqui , de uma forma moderna
de iluminação que ,
no futuro , será comum no mundo inteiro
. O principio é, entretanto , o mesmo que o de outrora, e , afora
a forma da lâmpada , a origem é identica . . . a luz
é produzida por , digamos . . . uma espécie de desintegração
do átomo no vácuo , mas na escala infinetesimal. Imagine
uma explosão atomica normal e suponha que , no momento em que se
produz a claridade tão fulgurante quanto a do sol, cheguemos a perpetuar
o que se produz na ocasião sob o vácuo. Disso resultaria
a luz perpétua no lugar da explosão. ë mais ou menos
o que se passa aqui , mas esta lâmpada não é eterna
. Esse qualificativo lhe foi dado porque ela dura vários anos consecutivos
sem nenhuma interrupção , mas, como tudo , ela tem fim .
Entretanto , é tão fácil construir esta lâmpada
quanto uma das suas lampadas elétricas . Basta saber! "
Certamente , basta saber , como declara Maha num
sorriso, e isso parecerá tão simples quanto a fabricação
de um minusculo transistor . . . quando o mundo
souber, mas ele não sabe; ainda não! Lanço um olhar
rápido
para as prateleiras , para ter uma idéia
das obras guardadas , mas Maha me interrompe:
"Isso não é senão uma pequena
parte dos mais antigos manuscritos de nossa terra. Eles são o
conhecimento de um mundo e manuscritos idênticos
se encontram em diversos pontos secretos de nosso
planeta, de maneira que , se, por acaso, este
edificio e o que ele contém devesse ser destruído , nada
seria
perdido . Já houve grandes cataclismos
e nunca nada foi perdido. Estas encardenações atraentes são
recentes . Seu conteúdo é a sabedoria
das épocas passadas . A conservação é assegurada
por meios que
o mundo redescobre pouco a pouco. Em todo caso,
nenhum dos documentos reunidos pelo Alto
Conselho , aqui e em outros lugares , sofreu
o desgaste do tempo . Entretanto, veja, não há
aparentemente nenhuma proteção
, e isso se compreende , já que foram os próprios manuscritos
que
sofreram uma preparação que os
colocasse ao abrigo de toda a deterioração possivel, devido
às
condições ambientes e a outras.
Temos várias outras lembranças do passado!. Por que tais
riquezas não
são colocadas à disposição
da Humanidade em geral? Primeiramente , porque isso seria contrário
aos
próprios principios que regem a evolução
universal . Ora, tudo quanto é ou deve ser conhecido já o
foi e, se
a evolução é de um nivel
superior ao precedente, o precedente era mais avançado que o presente.
Penso
que o senhor me compreende. Depois , como seriam
utilizados esses conhecimentos? O senhor daria uma
bomba atomica a uma criança ? Depois de
tudo , essas lembranças voltarão à memória
do mundo , mas
sob a forma de novas descobertas que marcam as
etapas de Grande Evolução ."
Extraido do livro Encontros com o Insólito
de Raimond Bernard - 1970 - Editora Renes
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