Numa tarde de agosto de 1887, perto da aldeia
de Banjos , na Espanha, camponeses trabalhavam em um campo
quando viram sair de uma caverna duas crianças
, um menino e uma menina , cujas roupas eram feitas de um
tecido que eles não conheciam e cuja pele
tinha o mesmo tom verde das folhas das arvores. Esse seria um bom
começo de aventura de ficção
cientifica, mas o acontecimento realmente ocorreu.
As crianças se exprimiam em linguagem inteiramente
desconhecida. Especialistas vindos de Barcelona tentaram
em vão identificar essa linguagem e analisar
o tecido das suas roupas . Entre eles , um sacerdote , versado nas
línguas estrangeiras , também não
chegou a identificar a língua falada pelas crianças.
As duas crianças foram levadas ao juiz
de paz local , Ricardo de Calno . Ele tentou tirar a cor verde da pele
das
crianças , mas não se tratava de
nenhuma pintura, e sim da verdadeira pigmentação da sua pele.
Observou-se
que as crianças apresentavam , em seu
rosto , alguns traços negróides , mas os olhos , de forma
mais asiática ,
eram amendoados . Durante cinco dias foram-lhes
oferecido os mais diversos alimentos , que eles recusaram sem
exceção. Finalmente trouxeram-lhes
feijões recentemente colhidos que eles concordaram em comer. O menino
,
muito debilitado , morreu. Ao contrário
, a menina sobreviveu . A cor verde de sua pele desapareceu gradativa
mente , cedendo lugar a um tom normal para um
ser da raça branca . Ela aprendeu um pouco de espanhol e
trabalhou como empregada doméstica na
casa do juiz.
Quando a interrogaram , suas declarações
não fizeram mais do que aumentar o mistério. Ela descreveu
a região de
onde vinha: um país sem sol , onde
reinava um crepúsculo permanente . Esse país era separado,
por um grande
rio , de outro país luminoso , iluminado
pelo Sol. Houve, bruscamente , um turbilhão acompanhado de terrível
ruído
, que arrebatara as duas crianças e as
depositara na caverna . A menina viveu ainda cinco anos, e depois morreu.
O problema ficou sem solução. No
fim do século XIX , foram propostas explicações que
se aproximavam da
mitologia da época : as crianças
teriam vindo do planeta Marte que então se acreditava habitado
e fora a fraca
iluminação solar desse planeta
que lhes teria dado essa pigmentação verde.
Mas , nós sabemos agora que tanto Marte
, como a Lua , é praticamente sem atmosfera, e nenhuma vida
humana ou sob qualquer outra forma , pode ali
existir. Por outro lado, é difícil imaginar-se um tufão
nascendo em
marte para depositar seres sobre a Terra.
É conhecida a existência de crianças
azuis : trata-se de uma doença que já se tornou clássica
. Parece que
existem também crianças verdes
, cuja cor é devida a uma outra moléstia , mais rara que
a doença azul , e de
origem endócrina . Seria tranqüilizador
pensar que alguém , por motivos desconhecidos , e talvez por superstição
,
havia abandonado as duas crianças verdes
na caverna . A dificuldade é que nenhum traço de desaparecimento
foi registrado , na época, nos hospitais.
É inútil insistir em hipóteses
mais modernas que incluem a quarta dimensão , ou a existência
de ondas paralelas. É
a mitologia de hoje , que não corresponde
, talvez a uma realidade como a crença , tão difundida no
século XIX ,
de que Marte era habitado.
A hipótese de um mundo subterrâneo
não é , a priori , absurda , mas carece inteiramente de comprovação.
Nada
permite acreditar que existem , em consideráveis
profundidades , cavernas habitadas . Essa hipótese é
periodicamente levantada , mas parece anulada
pelo que se conhece da estrutura da crosta terrestre .
É possível que nesse domínio
se revelem coisas surpreendentes e que as numerosas tradições
e lendas relativas a
mundos subterrâneos ( entre as quais a
tradição escandinava do Hadding Land , ou terra escondida
, é
particularmente pormenorizada) correspondam a
uma realidade. Mas , no estado atual das coisas , isso aprece
bastante improvável.
Restam muitas outras hipóteses , entre
as quais uma que corresponde às diferentes hipóteses deste
livro: a
presença dessas crianças seria
o resultado de uma experiência destinada a provocar reações
entre os seres
humanos . Se fosse esse o caso, as reações
provocadas foram praticamente nulas. Quando se trata de fatos
realmente desconcertantes , as pessoas não
se mostram muito curiosas , e o relato da história das crianças
verdes não se encontra a não ser
em registros obscuros feitos por colecionadores de coisas estranhas.
Mas esse relato é interessante de de se
considerar , como também o é , no quadro de uma série
de experiências
destinadas a medir a inteligência e a curiosidade
de nossas civilizações , toda espécie de aparições
muito
curiosas. Entre essas aparições
, a do Homem de Neandertal , descoberto na América em 1969 por Benar
Heuvelmans e Yvan Sanderson, merece menção
toda particular. Eu ( J. Bergier) gostaria de acrescentar ,
desde logo, que nem Sanderson nem Heuvelmans
aceitaram minha interpretação de sua aventura.
No começo de 1969 , os dois maiores especialistas
do "abominável homem das neves" e dos diferentes humanóides
que se encontram ou que se acredita encontrar
sobre o planeta , numa viagem aos Estados Unidos , foram a uma
feira e viram uma barraca em que se anunciava:
O mais antigo homem de todos os tempos enterrado em um bloco de gelo.
Entraram, um pouco por curiosidade , e viram ,
em um bloco de gelo , o cadáver de um homem de Neandertal ,
trazendo na cabeça os vestígios
de um ferimento a bala . Inútil dizer que na época do Neandertal
não se
conheciam armas de fogo. O proprietário
da barraca , de nome Hansen , mostrou-se muito disposto a cooperar
;
deixou que fossem batidas fotos e explicou que
comprara o ser encerrado no bloco de gelo , na China.
Sanderson e Heuvelmans ofereceram-lhe fabulosas
somas pela sua "atração" . A princípio , ele as rejeitou
,
mas finalmente aceitou-as. Quando os dois antropólogos
voltaram com o dinheiro, fornecido pelo Instituto
Smithsoniano , o homem e seu bloco de gelo haviam
desaparecido . Procuraram-no em vão . Ora , não é
muito
fácil desaparecer completamente, sobretudo
quando se é procurado por todo o território do país
pelo FBI e
quando se é obrigado a movimentar-se levando
um bloco de gelo de doze metros cúbicos ( 2 x 2 x 3 m ) ,
contendo o cadáver de um homem do Neandertal
. Não se trata precisamente de um objeto que possa passar
desapercebido.
A partir desse momento , estamos em pleno romance-folhetim
, que , em fins de 1970 , ainda não terminara. O
exame das fotos ampliadas , revelou que se tratava
realmente de uma espécie desconhecida de ancestrais do
homem , correspondente quase ao que conhecemos
do homem de Neandertal . O ferimento a bala era também
inegável. O ser teria sido introduzio
nos Estados Unidos pelo mesmo circuito clandestino por onde entram as
drogas . E a Mafia estaria envolvida no negócio.
Heuvelmans recebeu numerosas cartas contendo ameaças . O
bloco de gelo e seu conteúdo foram declarados
monumento nacional americano , o que permitiu por o FBI na
pista. Algumas autoridades , ligando esse caso
à propagação de epidemias , declaram que foi esse
objeto
introduzido clandestinamente nos EUA que levou
para o Ocidente o vírus da gripe de Hong-Kong . Intermediários
entre a policia e o Sindicato do Crime deram
a entender que se o FBI não levasse suas investigações
em certas
direções , o bloco de gelo e seu
conteúdo poderiam ser devolvidos ao Instituto Smithsoniano para
estudo. No
momento as coisas ficaram assim.
Em minha opinião , não se encontrará
mais o Neandertal procurado , da mesma forma que um rato , num labirinto
experimental , não encontrará o
pedaço de queijo que o experimentador retirou , com o auxilio de
um gancho, da
terceira dimensão . Heuvelmans e Sanderson
disseram-me que seu animal fora encontrado flutuando no
Estreito de Behring , morto com um tiro de fuzil.
Segundo eles, existiria ainda , dos dois lados do Estreito, uma
tribo de homens do Neandertal , vivos. Com todo
o respeito que sinto pelos dois antropólogos , é-me impossível
admitir essa hipótese: as duas margens
do Estreito de Behring , Sibéria e Alasca , são territórios
armados ,
que os soviéticos e norte-americanos não
cessam de vigiar. Há um radar a cada centímetro quadrado,
e os
gerdames , militares e outros agentes dos serviços
de segurança , ali se acotovelam . Seria tão provável
encontrar-se aí uma tribo de homens do
Neardental como nos corredores do Pentágono ou nos porões
do
Kremlin.
Embora , até que um outro acontecimento
desacredite esta hipótese , eu aceito a idéia de um local
onde vivem
tanto os demônios luminosos como os pseudo-homens
do tipo Cavendish , as crianças verdes e o Neandertal de
Heuvelmans. Eles são retirados daí
e postos em circulação quando se decide faze-lo e sem dúvida
registrar uma
experiência sobre nossa psicologia e o
nosso comportamento. A seguir são devolvidos ao local de onde se
retiraram . Parece-me que a maior parte
dos fatos misteriosos , sobretudo as aparições inexplicáveis
são
experiências desse tipo.
Eu ( J. Bergier) incluiria na mesma categoria
das aparições , as trevas imprevistas que ocorrem em
pleno dia
quando não existem nuvem nem eclipse.
O caso mais conhecido foi o de 28 de abril de 1884 , em Preston ,
Inglaterra:
aproximadamente ao meio dia , o céu ficou
inteiramente negro , a ponto de os animais se deitarem para dormir .
Vinte minutos depois o Sol reapareceu . Conhecem-se
várias centenas de casos desse gênero , sem que se tenha
deles qualquer explicação. Falou-se
de espessas nuvens de fumaça devidas a incêndios de florestas
, mas
geralmente , não se tem o menor traço
de incêndios de florestas no momento desses incidentes , e quando
eles
existem , essas nuvens jamais foram observadas
entre o local do incêndio e o local onde ocorre o fenômeno.
O mais curioso desses fenômenos de escurecimento
se produziu em Londres a 19 de agosto de 1763. O mais
espantoso nesse fato , é que as trevas
pareciam inteiramente impenetráveis à luz de velas e de lanternas.
Se se
tratasse de uma fumaça bastante densa
para que a luz não a pudesse iluminar , ela teria deixado traços
sobre os
objetos , mas não houve o menor sinal
disso. Tratava-se de alguma coisa inteiramente desconcertante que
se
pode , perfeitamente, incluir no gênero
dessas experiências.
Seria muito tentador colocar na mesma categoria
as aparições dos abomináveis homens das neves e dos
abomináveis homens de madeira , se é
que eles existem verdadeiramente. Observadores de cuja seriedade não
se
tem por que duvidar , afirmam ter encontrado
esses humanóides peludos na URSS , nos EUA e no Tibete. Alguns
especialistas , como Porchnev , consideram que
se trata da mesma raça de humanóides. Heuvelmans e
Sanderson pretendem que se trata de várias
raças diferentes das quais uma viveria nos Estados Unidos a 10
quilômetros de uma estação
de ônibus . . . Por que não ? Mas isso parece de qualquer
forma surpreendente.
Esses "pés grandes " como são chamados
pelos norte-americanos, manifestar-se-iam em regiões densamente
povoadas. Eles devem se reproduzir e formar,
senão tribos , pelo menos famílias ou pequenos grupos. Que
isso
possa acontecer sem que jamais se tenha tido
uma prova , em um país tão povoado como os Estados Unidos
,
parece-me improvável.
É verdade que os Estados Unidos têm
ainda algo de melhor a nos oferecer com o Monstro de Flatwoods. Em
setembro de 1952 , na aldeia de Flatwoods , na
Virgínia , crianças afirmaram ter visto sair um monstro de
uma
esfera vermelha trepidante. Uma expedição
de crianças , comandada por um menino de 17 anos que fazia
parte
da gendarmeria como voluntário , entrou
na floresta. O jovem estava munido de uma poderosa lanterna elétrica
à
cuja luz viram uma criatura de quatro metros
de altura, cujo corpo , de forma humana estava revestido de um
traje de borracha verde que refletia a luz, e
usava , à cabeça , um capacete . Seu rosto era vermelho com
dois
enormes olhos verde-alaranjados. O ser exalava
um odor desagradável . Ele se movimentava mas sem mover os
pés, parecendo rastejar no chão.
Pânico geral , inclusive do cão que acompanhava as crianças
e que foi o
primeiro a fugir. Telefonaram para o xerife
, que não encontrou nenhum monstro , mas ainda sentiu um cheiro
desagradável e viu sináis
inexplicáveis como de algo que tivesse rastejado pelo solo.
Todas as crianças presentes , de doze a
dezessete anos , foram interrogadas separadamente , com o maior
cuidado . Seus relatos foram notavelmente coincidentes
. Desde que não se encontrou o monstro é impossível
eliminar a hipótese de uma mistificação.
Mas , os fatos se passaram há 18 anos e essas crianças ,
agora adultos,
ainda não tiveram a idéia de vender
a um jornal o relato dessa mistificação, o que não
deixaria de acontecer se
houvesse realmente mistificação.
Ë-se levado , assim , a supor que eles viram na verdade alguma coisa.
Registra-se periodicamente , em todos os pontos
dos Estados Unidos , que parecem ter a especialidade desses
fenômenos, o aparecimento de monstros desse
gênero . Nenhum se assemelha a outro, o que deita por terra a
hipótese de uma civilização
interplanetária cujos membros nos viriam visitar. Ao contrário
se se tratasse de
experiências , é bastante lógico
que fossem diferentes em cada caso.
Tentou-se reunir todas essas aparições,
colocando na mesma categoria as aparições humanóides
e em outra as
que não o são. Essa tentativa não
deu grande resultado e eu ( J. Bergier) me sinto mais inclinado a colocar
na
mesma categoria as crianças verdes, os
Neandertals que são vistos em nossos dias , os abomináveis
homens das
neves e das florestas e, no limite do espectro
, os diversos monstros . A hipótese de uma série de experiências
tem pelo menos o mérito de não
exigir , para cada caso , uma explicação que se ajuste a
uma hipótese mais geral
como a das raças extraterrestres ou de
raças subterrânea em visita ao nosso mundo , pelo menos todos
os
visitantes deveriam ser parecidos . No entanto
, não existe a menor relação entre as crianças
verdes e o monstro
de Flatwoods . Observemos, igualmente , que nenhum
desses seres sente necessidade de transmitir mensagens
de ordem moral ou religiosa e que, na maior parte
das vezes , eles não se deixam capturar.
Portanto , não se trata de crer em visitantes
que se assemelham , mais ou menos , a arianos brancos , portadores
de mensagens morais. No que concerne aos abomináveis
homens das florestas , recentemente foi visto um que
fugira de sua prisão na Sumatra . Ele
se fazia notar por pelos espessos que lhe cobriam todo o corpo . Há
exemplos freqüentemente de seres dessa espécie
na Colonia britânica , desde 1884 . Eles são vistos , são
fotografados, vendidos a circos e só falta
serem exibidos na televisão. Os zoólogos insistem em repetir
que é
inteiramente impossível que uma criatura
do tamanho de um gorila possa sobreviver em nosso mundo humano
superpovoado e é certo que se receberia
com ceticismo a noticia da presença desses seres no Seine-et-Oise.
No entanto , norte-americanos, aparentemente
sérios, tem encontrado seres humanoides gigantes e recobertos
de pelos. Assim, a 23 de julho de 1963 , no Oregon
, entre Satus Phass e Toppenish , a 1 hora da madrugada ,
três pessoas passavam de carro quando
um humanóide de quatro metros de altura, de cabelos cinzentos ,
atravessou a estrada . Esses testemunhas não
são isolados . Um casal de Portland , ainda no Oregon , pescava
nas proximidades , nas águas do rio Lewis
quando viu , numa das margens , um humanóide de quatro metros .
Ele
usava uma tunica ao estilo Ku-Klux Klan . A menos
que se tenha tomado por uma túnica a sua abundante
cabelereira. Em agosto de 1963 , um repórter
do Oregon Journal , enviado para pesquisar o caso, trouxe
excelentes fotos de pegadas que mediam 40 centímetros
de comprimento por 15 de largura. De acordo com essas
pegadas , o peso da criatura que as havia deixado
, ultrapassaria 200 quilos. Elas se assemelhavam mais a pegada
humanas gigantes do que às de qualquer
animal conhecido. Outras pegadas foram fotografadas no mesmo mês
,
nas vizinhanças do rio Lewis. Eram ainda
maiores e a criatura que as havia deixado dava passadas de dois metros
e certamente pesava mais de 300 quilos. Mesmo
que se tenha o espirito aberto aos maiores extremos da
credulidade , é difícil aceitar
a idéia da existência em um pais tão habitado como
os Estados Unidos , de uma
reserva de humanóides desse porte que
tenham permanecidos desconhecidos. As florestas da região são
constantemente vigiadas por helicópteros
do Serviço de Prevenção contra Incêndios . Se
existissem ali tribos
de gorilas de quatro metros , eles teriam sido
observados . Sem contar que , no século XIX, reis de circo como
Barnum não teriam hesitado em montar ,
a não importa que preço , expedições para capturar
tais animais.
Segundo todas as informações de
que se dispõe , insisto em acreditar que esses animais são
raptados ou
fabricados em outros lugares e depositados entre
nós com fins experimentais. Sinto-me inclinado a classifica-los
na categoria geral dos Homunculi , termo empregado
na Idade Média para designar criaturas humanóides
artificialmente fabricadas. Poder-se-ia também
utilizar a expressão judia de Golem .
Acredito que essas aparições se
perdem na noite dos tempos. Os antigos gregos insistiam no duplo aspecto
do
mundo em que viviam. Havia criaturas que se assemelhavam
a homens mas não possuíam linguagem articulada .
Havia também os centauros , os sátiros
, etc. , que tinham corpo semelhante ao mesmo tempo ao corpo humano
e ao dos animais . As alusões a
esses dois aspectos do real são de tal forma freqüentes
em toda a literatura
grega que é difícil não
as associar à mitologia. Para os gregos , essas criaturas , meio
homens meio animais não
eram , de nenhum modo divinas , mas, ao contrário
, inteiramente materiais . Não se desvaneciam em nuvens de
fumaça , não eram transparentes
, mas podiam ser vistas , ouvidas e tocadas.
Sinto-me portanto inclinado a admitir que a experiência
que levou às crianças verdes , ao homem de Neandertal
abatido a tiros de fuzil , e a esses macacos
de quatro metros que circulam na América do século XX , começou
desde a origem da humanidade e prosseguiu
até nossa época . Nenhuma dessas criaturas , entretanto,
parece
ser capaz de pilotar engenhos interestelares
ou de viajar no tempo. Trata-se de animais que jamais foram vistos
com um utensílio ou um objeto fabricado
, além de um capacete. Parece que eles são depositados lá
onde se
manifestam e depois são retirados
como o experimentador retira o queijo do labirinto do rato.
Até agora falamos de gigantes . Também
se manifestam , entretanto , anões , mas pode-se indagar se se trata
do mesmo fenômeno. Nenhuma testemunha contemporânea
descreveu anões e nunca foram observadas pegagas
que lhe pudessem ser atribuídas. Em compensação,
todas as lendas , em todos os países falam de homenzinhos
que vivem sob a terra. Eles chegaram a dar nome
a um metal: cobalto , derivado de kobol, um dos nomes pelos
quais eram designados. Mas parece que não
se viram anões depois de 1138, quando foi capturado um deles no
porão de um mosteiro na Alemanha. Esse
anão era inteiramente preto e não falava nenhuma língua.
Finalmente
foi posto em liberdade para ver o que iria fazer.
Ele voltou ao porão onde fora encontrado , retirou uma pedra e
entrou por um túnel onde ninguém
pode segui-lo. A entrada do túnel foi selada com uma cruz e as coisas
ficaram
por aí.
A lenda dos anões não parece , entretanto,
ter relação com a existência dos pigmeus da África
, que nem os
celtas nem os índios da América
conheciam. E, no entanto , numerosas tradições , tanto entre
os índios das
duas América como entre os celtas e os
europeus em geral , falam desses anões que vivem sob a terra.
Margaret Murray em Le dieu des sorcières
( O deus das feitiçarias) afirma que foram mantidos até a
época
contemporânea contatos com os pequenos
povos e que a feitiçaria era sua antiga religião . Os trabalhos
de
Margaret Murray , antropóloga de renome
, exerceram muita influencia sobre Lovecraft.
Parece , de qualquer forma que, se um país
de cavernas existiu sob a Inglaterra , ele teria sido detectado pelos
modernos instrumentos de que dispomos. A menos
que essas cavernas sejam protegidas contra as sondagens por
meio de ondas sísmicas : ao que parece
esses processos existem e são empregados para experiências
clandestinas com armas atômicas . Isso
é , de qualquer modo, surpreendente.
É mais fácil acreditar que raças
anãs sobreviveram , por exemplo , até a Idade Média
. Mas seria preciso saber ,
então , porque jamais se encontraram esqueletos
desses anões.
De qualquer forma, encontram-se em nossos dias
homens verdes , gigantes e monstros de toda espécie , mas não
anões. Um dos pontos curiosos das tradições
que se referem aos pequenos povos é o seguinte:
quando se permanece ---
afirmam todas as lendas --- alguns dias no
país do pequeno povo, não se volta à
superfície da terra senão vários
séculos mais tarde. O que lembra , uma vez mais, a contração
do tempo
demonstrada pelos teóricos da relatividade.
No entanto , não me parece justo classificar os anões e os
outros
gênios , entre as manifestações
de extraterrestres. Também não me inclino a classificar como
tal os diversos
animais estranhos registrados por Heuvelmans
, Sanderson e Porchnev . As florestas e os oceanos nunca
foram inteiramente explorados e, de minha parte,
admito perfeitamente que existem --- e isso é
inteiramente
natural --- plesiossauros no
Atlântico , serpentes de 20 metros de comprimento na América
do Sul , ou cães
com dois focinhos. Esses dois últimos
foram observados por Fawcet antes do seu misterioso desaparecimento .
Pode-se admitir a sobrevivência natural
de alguns desses animais sem a intervenção de experimentadores
extraterrestres.
Ao contrário, sinto-me inclinado a considerar
como fazendo parte dessas experiências de origem não-humana
, os
espíritos "batedores". Esse fenômeno
, que em linguagem técnica se chama poltergeist , existe indiscutivelmente
: pancadas são ouvidas , objetos se põem
a mexer , etc e tudo isso registrado por câmaras de televisão,
jornalistas e especialistas em parapsicologia.
Registrou-se mesmo um caso em que uma garrafa de Água de Javel
, depois de se ter partido no sentido vertical
quando ainda suspensa no ar , sobre a cabeça de um conhecido
parapsicologista , se abriu , inclinou-se e despejou
seu conteúdo sobre ele. O que leva a pensar que existem
experimentadores brincalhões.
Observou-se que o fenômeno se produz mais
freqüentemente na presença de um jovem ou de uma moça
na
puberdade. Sem que exista jamais , ao que parece,
responsabilidade consciente da parte dos jovens.
Os poltergeist foram objeto de um grande número
de teorias malucas , das quais a mais surpreendente é a de um
psicanalista que pretende que eles são
fantasmas, não de uma personalidade , mas de um complexo. Segundo
ele
, um complexo pode existir com tal vigor na personalidade
que sobrevive à morte do corpo físico . Pobre Freud!
A hipótese de um experimentador ou de um
grupo de experimentadores que produziriam esses fenômenos para
registrar as reações assim provocadas
, parece-me bastante mais plausível. Nós também agimos
dessas maneiras
em nossos estudos experimentais com animais.
Assim como a existência dos fantasmas é
indiscutível , é bem estabelecida a dos poltergeist . Observemos
que
eles são sempre inofensivos ( isso é
discutível , alguns relatos do I.B.P.P. do competentissimo
e discreto Eng.º
Hernani Guimarães Andrada, mostram uma
realidade bem diferente. Talvez no Terceiro Mundo as coisas
sejam diferentes da do Primeiro / RSM)
e jamais fazem qualquer mal a quem quer que seja . Houve , entretanto
, em 1966 uma exceção . A televisão
inglesa procurava transmitir imagens de poltergeist em uma velha casa de
vários andares quando uma câmara
foi bruscamente apanhada por mãos invisíveis e atirada do
terceiro andar
--- o fato foi registrado e transmitido
por outra câmara --- quase atingindo um dos
jornalistas que bem
poderia ter sido morto. O caso é único
e, se se tratasse de um complexo , seria um complexo anti-televisão
fortemente desenvolvido.
Por todos esses pormenores , os poltergeist se
assemelham bastante a essas experiências feitas com animais de
laboratório que não tem inteligência
ou imaginação suficiente para detectar o experimentador .
É o que me leva a
classifica-los na mesma categoria dos homens
verdes. Com a diferença , entretanto , de que se não existe
mais
do que um caso bem estabelecido de crianças
verdes , os poltergeist se manifestam mais freqüentemente ,
a tal
ponto que se poderia avaliar em dez mil o número
de casos perfeitamente estabelecidos.
Eles mereceriam um estudo mais sério, feitos
com instrumentos de medição sensíveis a toda espécie
de campos
ou de radiações. Talvez se possa
chegar assim a detectar os experimentadores . Acredito que os técnicos
modernos são bastante capazes , da mesma
forma que a técnica de Pasteur o foi para detectar os micróbios.
Mas , considero que seria necessário um
experimentador dotado de mentalidade bastante especial até mesmo
paranóica , mas não muito. Pois
a idéia de que somos observados por seres que não vemos e
que somos
manipulados por forças desconhecidas é
uma idéia tipicamente paranóica .Levada ao extremos ela poderia
levar
ao manicômio. Mas , ao contrário,
quando não se possui essa mentalidade , é impossível
fazer montagens
experimentais que permitam detectar se somos
observados ou manipulados . É um difícil equilíbrio
sobre o fio de
uma navalha.
Evidentemente , não é possível
provocar a existência de um tal observador , mas é preciso
observar que muitos
cientistas eram excêntricos e que um dia
virá a existência de experimentadores . Talvez isso já
tenha acontecido
e se trate de pessoas bastante prudentes e bastante
preocupadas em evitar o internamento m um manicômio
para publicar qualquer coisa a respeito. A opinião
geral se modificará, provavelmente a esse respeito , da mesma
forma que mudou em relação aos
micróbios. Semmelweiss foi perseguido , Pasteur combatido , mas
os micro
biologistas modernos recebem o Prêmio Nobel
. Sem dúvida , o primeiro pesquisador que proporcionar provas
de
que somos observados , será internado
como louco. O segundo terá aborrecimentos , mas seus sucessores
criarão, talvez , uma ciência nova
, que parecerá às gerações futuras tão
natural quanto a micro biologia . Essa
ciência estudará , deum ponto de
vista racionalista, os fenômenos dos quais trata este livro e talvez
outros como
a posse pelo demônio. ë interessante
perguntar quais poderiam ser as conseqüências de uma descoberta
desse
gênero . Se somos observados, é
preciso mostrar a esses observadores que somos seres inteligentes.
Isso porque é provável que eles
não saibam disso e é preciso perceber bem que não
é nossa conduta , nossos
deslocamentos nos fins de semana ou durante
o verão, nossas guerras , nossos campos de concentração,
nossos programas de televisão, etc. ,
que poderão demonstra-lo.
Um observador do exterior ---
mesmo que os observadores que fazem experiências conosco sejam bem
mais
inteligentes do que nós, não é
menos verdadeiro que são seres do exterior ---
poderá muito bem acreditar que
nossas atividades são devidas unicamente
a reflexos condicionados múltiplos como as das abelhas , das termites
(
cupins ), das formigas . ë o que Maurois
já assinalava há quase meio século em Fragments dúne
historie
universelle, 1922. As observações
de Maurois permanecem inteiramente válidas em 1970. Observadores
e
manipuladores, mesmo se muito mais inteligentes
do que nós, poderiam nada compreender de nossas atividades.
Como dar a impressão de que somos inteligentes?
As formigas tem instrumentos e cultivam jardins. As abelhas
conhecem a geometria e , no entanto , certos
ou errados , quase todos os observadores concordam quanto ao
fato de que não são inteligentes.
Para seres que acendem e apagam estrelas , nossos
instrumentos primitivos não dão talvez a idéia de
seres
inteligentes, sobretudo quando nos servimos deles
como em Auschwitz ou Hiroshima . Teilhard de Chardin
imagina instrumentos capazes de, mesmo a grande
distancia , detectar a inteligência . É uma bela idéia
, mas
seres que não dispõem de tais instrumentos
e que empregam a observação e a experimentação
não tiveram sem
dúvida , até o presente , nenhuma
prova de nossa inteligência.
Denis de Rougemont escreveu que a maior astúcia
do diabo era nos fazer crer que ele não existia. O mesmo
acontece com esses seres hipotéticos a
que chamo ora as Inteligências, ora os Experimentadores. Depois
de
cada experiência , eles devem colocar o
sistema a zero para poder recomeçar. Isso acontece , aliás
, em toda
pesquisa cientifica , por exemplo na química
ou na física. É preciso eliminar a eletricidade estática
e a
magnetização deixadas pelas experiência
precedente , lavar os utensílios utilizados durante uma experiência
química , etc. Os experimentadores devem
, portanto , depois de cada manipulação de nosso meio, nos
dar uma
explicação satisfatória
para nos fazer crer que nada aconteceu. É o que Charles Fort chamava
"a destruição
sistemática".
Acabamos de citar um belo exemplo a propósito
do homem de Neandertal descoberto por Bernard Houvelmans
. Segundo noticias de ultima hora, um fabricante
de manequins para vitrinas de Saint Louis declarou que fora ele
que fabricara o animal de Heuvelmans com material
inflável , sobre o qual teria sido colado pelos. Infelizmente ,
fotos tomadas por Heuvelmans ---
e eu ( J. Bergier ) próprio as vi --- mostram
, com evidencia , que se
tratava de pelos crescendo naturalmente sobre
a pele. O trabalho de volta à estaca zero não foi , portanto
,
bem feito.
Conhecem-se muitos outros exemplos , e um dos
melhores em matéria de destruição de provas
falhada foi o caso
ocorrido em abril de 1817 em Almondsbury ( Grã-Bretanha)
. Nesse dia , uma jovem , vestindo um sari e que
não falava nenhuma língua conhecida
, bateu à porta de diversas casas . Aparentemente , ela não
sabia escrever
e apontando para sí mesma dizia : "Caraboo".
Mais tarde , conseguiu-se fazê-la escrever um alfabeto e indicar
os
números até quinze , em uma língua
inteiramente desconhecida a que ela chamava o javasu . Depois do que, um
marinheiro português que por ali passava
, Manuel Eynesso afirmou que compreendia o javasu e que a jovem
era uma princesa raptada da Indonésia
por piratas e transportada até a Inglaterra.
Ao fim de um certo tempo , comprovou-se que o
marinheiro português era um impostor e inventara toda a história
simplesmente porque desejava falar com a jovem
. Ela própria declarou depois de algum tempo que a brincadeira
já estava se prolongando muito, que era
inglesa , se chamava Mary Wilcox e inventara toda a história.
Mas a história de Mary Wilcox era em si
mesma inventada , pois jamais existira qualquer Mary Wilcox. Ela
acabou por se casar com um inglês, teve
filhos que ela educou e morreu em Bristol aos 70 anos , sem ter dado
explicação satisfatória
de sua aventura.
Como afirmou Charles Fort , há momentos
em que aqueles que procuram fazer esquecer essa espécie de
fenômenos fazem mal o seu trabalho. Quanto
a explicar como uma inglesa analfabeta pudera inventar uma língua
falada , uma língua complexa com um alfabeto
escrito e um sistema de numeração inteiramente original ,
ninguém
, antes de Fort , pensara nisso.
Extraído do livro Os Extraterrestres
na História de J. Bergier - Hemus - 1970