Um Raio Impossivel


O raio globular, ou "raio em bola", atravessa  os vidros, as paredes ou cortinas sem provocar qualquer incêndio ou estrago  . . . como se tivesse o poder de se materializar à sua vontade. Evidentemente que não vamos estudar este fenómeno  de que livros - álias raros , é verdade  -  dão uma ficha sinalética completa . Mas, dada a importancia que esta eventualidade pode ter na explicação de acidentes que se mantem misteriosos, algumas das propriedades do raio globular  merecem ser aqui postas em evidencia.

Contestado até 1950, o raio globular passou a despertar  depois um novo interesse: personalidades cientificas viram entrar tais globos nas suas casas e descreveram as suas evoluções pormenorizadamente.

Durante uma tempestade , algumas testemunhas puderam observar uma bola de fogo muito parecida com um raio , dum tamanho que variava dentro de várias dezenas de centimentros. A sua luminosidade era muito viva. Contráriamente ao raio vulgar, esta bola mantinha-se parada durante vários segundos e deslocava-se de maneira errática , ao longo de tubos ou de fios elétricos. Depois, bruscamente, desaparecia , deixando atrás de si um cheiro de ozonio (O3)  . A bola pode, entretanto , incendiar depósitos de carburante ou queimar livros , ou então explodir e matar pessoas que se achem na sua proximidade, como foi o caso do fisico Raichman, em Leningrado, em 1753.

O mais espantoso é que o raio globular é insensivel ao vento, parece oscilar sobre si mesmo como um pião , mudar de direção. . .

O organizador das pesquisas nucleares soviéticas , Kipitza , formulou uma teoria e esboçou um programa de investigações sobre este fenomeno desconcertante. Foi então que os americanos, julgando tratar-se duma investigação militar cujo objetivo seria destruir aviões em pleno vôo graças a um fenomeno equivalente (. . .) , resolveram entregar-se também a pesquisas. E assim, em 1965 tinham despendido já esforços importantes para considerar todas as hipóteses possiveis sobre este fenomeno e imprimir às investigações uma orientação adequada . A ponderação com que uns e outros tentaram penetrar o mistério dos raios globulares demonstra bem que este fenomeno não pertence ao dominio da pura fantasia.

Hoje , o segredo militar mais absoluto rodeia os resultados a que uns e outros terão chegado. As investigações a esse respeito, assim como a respeito das trombas, terão determinado a origem real do raio globular? É provável , pois, muito recentemente, um artigo escrito por uma personalidade cientifica e publicado numa revista cientifica americana tenta reduzir o fenomeno a uma simples ilusão de ótica. . . !

É muito provavel também que, se fossem efetuados estudos aprofundados sobre certos fenomenos considerados como naturais , como as trombas, se tentaria igualmente inclui-los nos "sobressaltos ocasionais da alta atmosfera", ou noutra categoria análoga perfilhada pelos cientistas do século XIX.

Mas, por muito estranho que pareça , dever-se-a atribuir da mesma maneira as próprias trombas a "simples ilusões de ótica" , se o raio globular for de fato uma, porque as trombas engendram raios globulares como as galinhas põem ovos . . . ! Numerosos "especialistas" recusaram-se a estabelecer uma correlação entre estes dois fenomenos que no entanto era evidente, mas que poderia  prejudicar  a sua politica de escamoteamento. . . Não gostamos desta reviravolta estranha nem de alguns artigos  que surgiram há pouco tempo em revistas de divulgação cientifica.

Em 1888 , a possibilidade de as trombas produzirem raios globulares fora assinalada por Gaston Planté . . . Esses globos
luminosos saem da exteridade inferior das chaminés das trombas , mas perguntamos a nós mesmos como é que uma tal coisa é possivel   -  segundo os nossos conhecimentos cientificos atuais  -  e qual o seu objetivo. . .

Mas, se formos mais longe , existe uma relação entre os raios globulares e esses Objetos Voadores Não Identificados (O.V.N.I.) que a imprensa na França como nos EUA , quer fazer passar por mentiras ou visões de alucinados. Com efeito, a propósito das trombas  e dos OVNIs , realiza-se um inquiérito na França a cada vez que esses fenomenos ocorrem por cima de seu território. . . !

Investigadores oficiais vão interrogar testemunhas fortuitas após a passagem das trombas , e as pessoas , em geral desprevenidas , assinalam a presença de bolas de fogo ou raios globulares em número que pode parecer importante. Compreendemos que esta politica de inqui;eritos sistemáticos especialmente quando os principios e as leis da fisica não podem ser aplicados ao fenomeno .

Porque há de tratar-se dum fenomeno de certo modo "artificial" ou  "provocado"?

O raio clássico possui as mesmas propriedades insólitas. Parece adoptar a mesma "tática" de um processo fotográfico. Sentire declara que, "se aceitarmos como tendo-se realmente verificado os fatos relativos à ferradura, ao algarismo, às flores, às folhas e aos troncos de árvores citados por Oriolo, Bernhold, Franklin, etc. encontramos uma analogia singular entre essas imagens electrográficas e os desenhos fotográficos"

Porque é que o raio globular não há de possuir tais propriedades?

Segundo Kapitza , o raio globular seria "uma descarga provocada por ondas de radiofrequencia emitidas durante a tempestade e localizadas por reflexões em objetos naturais". Ele calculou que, para uqe um tal fenomeno pudesse durar ao menos alguns segundos  -  como sucedeu frequentemente  -   seria necessário que contivesse por centimetro cúbico mais energia do que a contida num volume igual de plasma completamente despido da nuvem atomica. . . Concluiu depois que isso era impossivel, a menos que  se revejam os principios da fisica ou que exista uma "forma de energia ainda desconhecida". Para que o raio globular  - ou "plasmóide"  -   possa subsistir, é necessário que seja alimentado por um "fornecimento contínuo de energia". Este fornecimento só poderia ser eletromagnético. Seria portanto necessário que , por intermédio dum fenomeno de ressonancia , ou por "uma transmissão de onda", ele recebesse a energia necessária à sua alimentação.

Tudo isto subenetende que o raio globular poderia muito bem ter a sua origem não em si mesmo , mas noutro fenomeno
desconhecido, muito mais complexo, e cujas raizes mergulhariam  -  por vezes  -  na alta atmosfera.

Guy Tarade conta um fato que pode definir o fenomeno. Um fotografo de imprensa em Nice, Francis Bay, pôde observar um raio globular quando tirava fotografis em sua casa.

Sentiu uma "presença" atrás de si, como se alguém o espiasse. Ao voltar-se , viu com susto, encostada à porta , uma grande bola luminosa fluorescente e, segundo os seus termos , "identica ao écran dum receptor de televisão". O notável fenomeno esbateu-se progressivamente até ficar reduzido a um ponto extremamente luminoso que depois desapareceu . . . Uma dezena das suas folhas de papel fotográfico , virgens, estavam veladas e uma pelicula que estava a ser revelada apresentava traços de queimaduras.

O fisico Babinet estudou um caso estranho de raio globular. Um alfaiate que habitava perto do Val-de-Gráce, em Paris , estava à mesa quando viu de súbito sair da chaminé uma bola de fogo que se balançou docemente , rebolousobre o pavimento e veio evoluir para junto dele. O homem recuou. A bola elevou-se então até a altura do rosto do alfaiate, mas este não se assustou excessivamente com aquele fantástico frente-a-frente. Depois , tendo provavelmente terminado o seu exame um tanto indiscreto, a bola dirigiu-se para um buraco feito na parede , utilizado para a passagem do cano da chaminé. "Depois de ter soltado delicadamente o papel que tapava o buraco", o globo luminoso desapareceu aos olhos do alfaiate, que ouviu daí a pouco uma explosão violenta. Ao chegar à parte superior do tubo , o globo fde fogo explodira , projetando sobre o telhado tijolos e destroços da chaminé.

A revista G.E.P.A. menciona que, num belo dia de Junho , de céu azul e sem nuvens em 1924 , tr6es pessoas que habitavam em Genay, no Ain, observaram também o fenomeno . "Viram de súbito uma bola de fogo de vinte a vinte e cinco centimetros de diametro, resplandescente , dançar diante da janela fechada, do lado norte da cozinha."Subitamente a bola alargou-se num cilindro comprido, que penetrou na cozinha por um vidro partido da janela existente no angulo inferior direito . Depois de ter penetrado na cozinha, o cilindro retornou a sua forma de bola e deu a volta ao compartimento, planando à altura dum homem; depois sem provocar qualquer estrago, dirigiu-se para a janela e saiu pelo buraco que lhe serviu para entrar, alongando-se de novo. Uma vez mais, retornou a sua forma de bola luminosa e desapareceu.

Um raio impossível que parte das asas dos aviões, visita outros , incendeia ainda outros. . . Curiosa ilusão de ótica , que no entanto foi fotografada.
 

Extraido do livro Desaparições Misteriosas de Patrice Gaston - Livraria Bertrand
 
 
 

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