Qual razão dessa anomalia?
Esse líquido honesto guardou durante muito tempo seu segredo.
Para Tales de Mileto e Empedócles , a água
era um dos quatro elementos da natureza. Outros autores
antigos
afirmavam --- e provavam --- que ela se transformava
em terra após haver fervido. Isso decorria de
um pequeno
erro na experiencia eles ferviam a água em recepientes
de vidro , de sorte que uma quantidade ínfima de silicato
alcalino se dissolvia e permanecia no fundo do frasco após
a evaporação . Esse resíduo era terroso. Lavoisier
apontou
esse erro experimental em 1773.
Oito anos mais tarde, Cavendish obtinha água
queimando o hidrogênio, e foi por esse razão que Watt imaginou
que a
água era uma mistura de hidrogênio e de "flogistica"
--- uma substancia hipotética que explicava a cornbustão
dos
corpos. Finalmente, em 1783, Lavoisier
descobriu que a água era uma mistura de hidrogênio
e de oxigênio , embora
tenha se enganado com as proporções . Guilhotinado durante
a Revolução Francesa, ele não teve tempo de corrigir
seus cálculos. Faltava resolver ainda oproblema
da ebulição anormal . Pauling porventura sabia , ao iniciar
suas
pesquisas , o que iria encontrar? Esse é o segredo da
pesquisa cientifica quando a intuição ---
ou quem sabe, a
adivinhação --- lança
experiência e deduções em caminhos desconhecidos. Não
entraremos nos detalhes a respeito dos
trabalhos de Pauling, base de uma nova ciência. Diremos apenas
que ele descobriu que as cargas ---
positivas e
negativas --- de cada molécula de água
não se neutralizavam. E que cada uma das moléculas possuía
dois pólos.
Foi nesse dia que o homem penetrou na intimidade da água. Finalmente
tinha chegado sua vez . . . Pauling
demonstrou ainda que as moléculas da água, pelo
fato de serem bipolares, reuniam-se em "grupos":
Foi Bernal quem realizou o estudo desses grupos.
Alguns anos mais tarde, os austeros membros da Academia Real de Londres
ficaram um tanto surpresos quando
viram seu ilustre colega subir no estrado carregando alguns barris
extremamente pesados. Bernal explicou-lhes que
alguns barris continham objetos em forma de triedro, de octaedro ,
de tetraedro etc., e que o último barril estava cheio
de objetos da mesma natureza embora de forma pentaédrica
(de cinco faces) . Bernal abriu em seguida os barris e os
inclinou.
Os prirneiros conservaram obstinadamente o seu conteúdo, que
escorria lentamente do barril cheio de penraedros . . .
--- Isso explica --- disse Bernal
--- por que água corre. Os "grupos" descobertos por
Pauling formam sua simetria da ordem de 5 , como a estrela de pontas cujos
eixos da sirnetria se cortam. Esse "grupos" reunem cinco moléculas
numa piramide de base quadrangular.
. .
O homem sabia , agora , como era feita a água. Mas contam que
no final dessa comunicação , alguns membros da
Academia Real lembraram que nosso corpo contém 60 % de água,
que possuímos cinco dedos, que as flores
apresentam uma simetria baseada no número
cinco, que a estrela-do-mar tem cinco pontas, que
não existe cristal
cuja simetria seja baseada no número cinco, nem de núcleo
atomico estável com cinco partes . Será que essa simetria
da ordem de 5 , presente em alguns casos , ausente em outros
, não teria um significado muito geral?
Foi então que os cientistas ficaram conhecendo as experiencias
de Piccardi . Esse pesquisador italiano , membro de
importantes organizações cientificas , autor de estudos
muito considerados entre seus colegas ,surpreendeu-se ao
constatar que o resultado de numerosas experiencias variava segundo
a data em que era realizada. Isso era algo
aabsolutamente incompreensível , cientificamente inadmissível
, uma vez que em todas as datas a experiencia era
realizada em condições rigorosamente semelhantes.
Piccardi pesquisou durante 11 anos, realizou milhares de experiencias
, descobriu regularmente algumas diferenças
aberrantes e formulou a seguinte hipótese de trabalho :
"Uma vez que sómente a data varia , é de supor que "algo" se produz em cada experiencia , que uma força intervem , que não é a mesma em março e em setembro , e modifica os processos e os resultados de minhas experiencias , realizadas , quanto ao mais , exatamente da mesma maneira".
Que força podia ser essa? Piccardi lembrou-se então
que a Terra gira em torno do Sol que , durante esse tempo ,
dirige-se para a constelação de Hercules . Uma vez que
ela gira em torno de um objeto --- o Sol ---
que por sua vez
se desloca , nossa Terra descreve necessáriamente um movimento
helicoidal através do espaço.
Ao descrever esse movimento , ela se apresenta diferentemente , em diversas datas , em relação à Via Láctea.
--- Se existirem campos de força na Via Láctea
--- observou Piccardi --- eles atingirão
diferentemente a Terra em cada data, e sempre da mesma maneira todos os
anos , já que nosso movimento helicoidal é mais ou menos
regular . A intervenção dessas forças , mais ou menos
intensas , diferentes segundo o momento , explicaria as diferenças
nos resultados das experiencias realizadas nas mesmas condições
--- com exceção das datas.
A hipótese era sedutora. Mas existiriam de fato esses campos
de força da Via Láctea?
Antonio Giao, reunindo as experiências de Piccardi e as equações
de Einstein, provou posteriormente a existência dos
campos de forças galáxicas . . .
A hipótese de Piccardi, aceita cientificamente, era de qualquer
modo a única explicação o possível para as
diferenças
encontradas nos resultados das experiências . .
Restava saber como essas forças galáxicas operavam. Sem
entrar em detalhes extremamente complexos , basta saber que
de 1951 a 1960 mais de 250 mil experiencias foram realizadas
por diversos cientistas do mundo inteiro, que analisaram
e compararam os resultados das experiencias levadas a efeito de Madagascar
às ilhas Kerguelen , do Japão à
Antartida, em toda parte onde operavam as forças galáxicas
recentemente descobertas . . .
A resposta chegou finalmente : as forças galáxicas operavam
por intermédio da água . Grosseiramente falando , elas
fazem girar e deformam as piramides de cinco faces e base retangular
que unem as moléculas bipolares e formadoras da
água --- conforme provaram as experiencias
de Pauling e de Bernal.
Essa descoberta nos abre um dominio infinito.
Porque nosso sangue, nosso organismo, os animais, as plantas da
terra --- tudo é feito de água.
Se for comprovado que as moléculas dessa água onipresente
se deformam em certas
datas, quantos problemas novos não se apresentar o aos
pesquisadores?
Sem mencionar a influência hipotética das configurações
astrais, devemos reconhecer que as pessoas nascidas sob o
signo de Escorpião não foram influenciadas
da mesma maneira pelas forças galáxicas que aquelas
que nasceram sob o
signo de Touro --- isto é, no momento
em que foram concebidas e durante a vida intra-uterina, período
em que o
organismo é especialmente sensível. Isso indica que os
astrólogos primitivos já haviam suspeitado alguma coisa
do
invisível . .
Mais concretamente, toda a física, toda a química,
toda a biologia e mais longe ainda, todo o conhecimento humano
incluindo o de suas sociedades e da política , devem ser
repensados levando em conta as descobertas de Pauling,
Bernal, Piccardi e Giao, os quais descobriram como a agua era feita,
que ela servia de intermediário entre as forças
galáxicas e tudo que vive na Terra, que seus grupos pentaédricos,
sensíveis a essas forças, tinham
a capacidade de
armazenar e transmitir sua energia.
Ocorreu ao dr. Ménétrier ---
as pesquisas se processavam ao mesmo tempo em diversas disciplinas, como
costuma
acontecer --- diluir na água partículas
de ouro e de cobalto ionizados. A solução era composta de
partículas
infinitamente pequenas, imperceptíveis.
O dr. Ménétrier utilizou em seguida
essa água como medicamento: ela curava! Temendo o efeito
da auto-sugestão
(é possível adormecer uma pessoa que sofre de insônia
dizendo-lhe que a água pura que ela bebe contém um
sonifero), ele recomeçou
suas experiências. E constatou que os remédios que
continham uma quantidade tão pequena de ouro e de cobalto
ionizados, que a análise mais cuidadosa não conseguia
descobrir, agiam realmente sobre o organismo! Será que essa
experiência fazia justiça finalmente a Hahnemann, o médico
que foi obrigado a fugir da Alemanha por ter inventado a
Homeopatia e feito concorrência a seus colegas alopatas? Faltava
ainda explicar o fenômeno. Foi o que Boivin e
Jacques Bergier tentaram fazer:
"E provável --- pensaram eles
--- que essas pirâmides pentaédricas da
água se orientem em torno da substância diluída em
quantidades ínfimas, "copiam-na", "imitam-na" e operam como
ela. Isso explicaria as curas incompreensíveis".
Jacques Bergier realizou em seguida uma experiência
para verificar sua hipótese : dissolveu substâncias
fluorescentes na água, tornou a dissolvê-las
e recomeçou o mesmo processo até chegar ao
ponto em que a
dose delas era tão fraca que pareciam inexistentes. Iluminou
depois essa água com raios ultravioleta : ela se tornou mais
fluorescente do que a água de torneira ou a água
destilada, que nunca tinham "visto" essas substancias.
Outras
pesquisas estão sendo realizadas atualmente.
Bernal, que descobriu as pirâmides pentaédricas da
água, recebeu um dia em seu laboratório a visita de Boris
Deryagin, físico soviético cujos trabalhos, com seus
resultados surpreendentes, tinham sido frequentemente
contestados no Ocidente. O cientista russo trazia consigo um pequeno
tubo de ensaio cheio de um líquido
desconhecido. Bernal analisou o conteúdo :
era simplesmente água, ou antes um líquido extraído
da água. Mas essa
substância tinha urna densidade muito superior (40% ) à
da água comum, diferente da densidade da
água
pesada. Era necessária uma temperatura de 200 graus centígrados
para fazê-la ferver ; seu vapor, que podia ser
aquecido até 800 º não dava água
comum ao se esfriar, e ela não se transformava nunca em gêlo;
ela se tornava vidrosa
à temperatura de apenas menos 50 º centígrados.
Bernal aprofundou sua análise : o peso molecular desta água
não era
18, mas 72. Em outras palavras, cada uma de suas moléculas
era a associação de quatro moléculas da
água comum . . .
Esse fato, que apaixonou os cientistas, interessa a todos nós.
Sabemos que alguns cientistas estudam a possibilidade de
congelar o homem, hiberna-lo à temperatura de menos 40 centígrados
e no momento propício; aquece-lo e fazê-lo
reviver . . .
Infelizmente, essa operação é irrealizável
no momento aos 60% de água que contém nosso
organismo: ao gelar, essa
agua ocupa um volume maior, arrebentando os vasos capilares e
matando o paciente. Ora, a agua de Deryagin não
gela nunca . . . Se fosse possível, no entanto,
substituir a água de um indivíduo pela
água de Deryagin nossa
congelação ( ou congelamento ) seria praticável,
seguida de um aquecimento posterior e de uma volta à vida.
É fácil
perceber os domínios que se abrem graças a essa descoberta
. . .
Abandonando essas fronteiras da pesquisa, voltemos à agua
comum. Sabemos que, natureza, ela segue um circuito
complicado: ao sair da terra, torna-se um filete d'agua, riacho, rio,
açude, lago e, finalmente, oceano. O sol a aquece,
seu vapor sobe na atmosfera onde ela se carrega de
ozônio, volta sob a forma de chuva, de neve ou de
granizo, e o ciclo recomeça. Lembremos
que Leonardo da Vinci havia pressentido esse fenômeno e que a
água da
chuva é um verdadeiro remédio .
Mas nós vivemos hoje longe da natureza e bebemos água
da torneira que não tem nada a ver com a agua da chuva: é
uma água regenerada, arejada , filtrada , tratada. Ela já
serviu seis ou sete vezes. Foi limpa de suas substancias tóxicas
ou simplesmente nocivas e nós a
absorvemos sem nos causar nenhum mal.
Convém admitir, entretanto, que as opiniões variam a esse
respeito. Alguns afirmam que a água clorada é
prejudicial.
Mas o contrário foi provado, a menos evidentemente que a quantidade
de cloro não seja exagerada . . . Se Marselha
por exemplo, não sucumbiu ao tifo antes de suas
novas instalações de tratamento da água, foi
por que a quantidade de
cloro da água potável chegou ao máximo tolerável.
E essa medida era necessária: a agua chegava à cidade por
um
canal aberto onde todos os rebanhos da Provença iam beber
--- o que não seria
muito grave --- e fazer ainda
outras coisas, e os arnantes da pesca não conheciam melhor
pesqueiro do que a saída
da antiga estação de tratamento. Podem imaginar qual
era o alimento das carpas pescadas nesse local! O cloro
salvou
Marselha de suas águas poluídas e de suas
águas de poço. Não há dúvida portanto
que a água tratada das cidades
inofensiva ao organismo. Seu único inconveniente ‚ de ordem
psíquica: não são todas as pessoas que gostam de saber
para que serviu a agua que bebem . . . Um outro
aspecto do problema ‚ saber se temos necessidade
de uma água
quimicamente pura. Nosso organismo não
necessita ingerir uma água que contenha alguns microrganismos?
Os criadores de peixes vermelhos sabem disso por experiência:
eles recolhem a água da chuva, envelhecem-na em
frascos colocados em cima das janelas e depois a despejam nos
aquários. Os peixes delicados vivem melhor com
esse
tratamento. A água envelhecida, que eles engolem e respiram,
possui certamente animaizinhos microscópicos,
micróbios inofensivos, e talvez oxidações
necessárias à sobrevivencia deles. Será que o mesmo
não ocorre conosco?
Todo o problema de nossa civilização depende disso. Foi
provado que um indivíduo que só come produtos
absolutamente assépticos , que só bebe destilada , que
só respira um ar isento de impurezas, é mais sensível
às doenças
do que seu avô, que tomava menos precauções
para comer, beber e respirar. E isso por uma razão muito simples
: seu
organismo não produz os anti-corpos indispensáveis à
luta contra os micróbios portadores de doenças . .
Todo o problema de nossa civilização depende disso. Foi
provado que um indivíduo que só come produtos
absolutamente assépticos, que só bebe distilada, que
só respira um ar isento de impurezas, é mais sensível
às doenças
do que seu avô, que tomava menos precauções
para comer, beber e respirar. E isso por uma razão muito
simples : seu
organismo não produz os anti-corpos indispensáveis à
luta contra os micróbios portadores de doenças . . .
Esse fato coloca, por sinal, um problema curioso, que foi
admirávelmente exposto por Asimov no seu livro New
Intelligent Manus Guide to Science, onde colhemos numerosas informações.
Foi constatado que se colocarmos
uma quantidade bem pequena de fluoretos na água que bebemos,
ocorre um efeito de catálise que impede as cáries
dentárias. Segundo os cálculos feitos, essa garantia
absoluta custaria apenas 25 cents por americano por ano. Ora, os
mesmos norte-americanos gastam todos os anos 500 milhões de
reais nos seus dentistas, o que é muito , sem falar nos
incômodos e no sofrimento dos tratamentos dentários.
Seria natural, por conseguinte, que a América do Norte colocasse
a quantidade recomendável de flúor nos seus
reservatórios de água. Essa operação, no
entanto, mostrou-se irrealizável: 27 milhões de americanos
declararam-se a
favor da medida, enquanto 27 milhões votaram contra, apoiados
por uma comissão nacional de luta contra a
fluorização extremamente ativa. Teriam sido
influenciados nisso pelos dentistas que temiam perder seu ganha-pão?
De
forna alguma. Os que condenaram a fluorização da
água, proteção absoluta contra a cárie dentária,
apresentaram dois
argumentos :
O primeiro ‚ bastante surpreendente : essa operação
--- explicaram eles --- teria efeitos
psíquicos desastrosos; ela
embruteceria o americano e poderia mesmo torna-lo estéril!
Alguns chegaram a afirrnar que a campanha da fluorização
era de origem e inspiração soviética, e que fazia
parte de uma conspiração para destruir os Estados Unidos
. . . Seria
preciso dizer que nenhum dado científico comprova essa opinião?
O segundo argumento coloca um problema fundamental : o governo não
tem o direito --- afirmaram os 27 milhões
de
americanos contra o flúor ---
de impor uma água tratada quimicamente, por maiores
que sejam as vantagens
possíveis desse tratamento.
Parodiando Moliére, poderíamos emprestar-lhes essa frase: "O que vocês têm que ver com minha dor de dente?"
Essa posição, aliás, não é nova:
ela se parece com a dos "antivacina" que criticaram Jenner quando ele descobriu
a
imunização contra a varíola, e cujos descendentes
ideológicos continuam a condenar toda espécie de vacina.
Defender as pessoas contra a vontade deles. Isso merece reflexão
: a sociedade tem o direito de defender as pessoas
contra a vontade delas? Todo o problema da liberdade individual
está nessa pergunta, tema especialmente delicado
numa época em que as sociedades modernas controlam cada vez
mais profundamente o comportamento de seus membros, em nome de decisões
governamentais que nem sempre correspondem à nossa vontade pessoal,
que é livre afinal para viver conforme lhe agradar se isso não
causar prejuízo a outros.
Esse último aspecto do problema não deve encobrir o essencial,
que é dramático : consumimos água em quantidades
cada vez maiores, seja para nossas "necessidades domésticas",
seja em nossas indústrias, e muito em breve ---
num
momento que pode ser calculado --- mais água em quantidade
suficientemente na Terra.
É verdade que algumas obras imensas de aproveitamento da
água do mar já estão sendo realizadas
em alguns países,
como Israel e em Kuweit, por exemplo. Mas esse processo custa terrivelmente
caro . . .
É estranho constatar que, no momento em que o homem começou
a descobrir finalmente os mistérios da água,
surgem os primeiros sinais de sua falta . .
Extraido de um texto de Jean Montorsier -
1976