A dissertação aborda a concepção de Max Weber sobre o problema da relação
entre ciência e valores – ou seja, a sua defesa da "neutralidade
axiológica". Parte-se da premissa de que um tratamento adequado desse tema –
que envolve uma dimensão ética que nasce de um posicionamento de valor
frente às questões sobre o sentido da vida e do "fazer ciência" – não pode
ser reduzido apenas a questionamentos de natureza técnico-metodológica sobre
se é possível a um investigador afastar os "juízos de valor" de sua
produção acadêmica, mas deve perguntar também pelo porquê de Weber tê-la
achado eticamente desejável.
Assim, o problema que constitui o objeto específico de investigação é: "a
partir tanto das formulações metodológicas de Weber, quanto da sua visão de
mundo e de homem, como pode ser corretamente compreendida a sua defesa da
adoção da 'neutralidade axiológica' no trabalho científico?" Após o
esclarecimento de alguns equívocos quanto à proposta de Weber no que
tange aos temas da historicidade e da objetividade do conhecimento nas
ciências sociais (na 1ª Parte), busca-se reconstruir a sua visão de mundo e
o seu ideal de homem através de uma descrição do seu tratamento sobre a
temática central de sua obra, qual seja, o processo de racionalização vivido
pela civilização ocidental (na 2ª Parte).
Na Conclusão afirma-se que a proposta da "neutralidade axiológica" pode ser
compreendida com mais propriedade através da consideração de uma tensão
entre "vontade" e "realidade", que é fundamental na visão de mundo de Weber
– e assim se torna central para a compreensão da sua obra, como um todo
unitário.