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sonho profundo, ó sonho
doloroso,
doloroso e profundo sentimento!
Vai, vai nas harpas trêmulas do vento
Chorar o teu mistério tenebroso.
Sobe dos astros ao clarão
radioso,
aos leves fluidos do luar nevoento,
Às urnas de cristal do firmamento,
Ó velho sonho amargo e majestoso!
Sobe às estrelas rútilas
e frias,
Brancas e virginais eucaristias,
De onde uma luz de eterna paz escorre.
Nessa amplidão das Amplidões
austeras
Chora o Sonho profundo das Esferas,
Que nas azuis Melancolias morre...
Cruz e Sousa |