CONSCIÊNCIA PRIMITIVA
Conto baseado no Universo Star Trek: The Next Generation
As personagens: Capitão Jean Luc Picard, Comandante Willian T. Riker, Conselheira Deanna Troi, Dra. Beverly Crusher, Alferes Wesley Crusher, Tenente Worf, Tenente Comandante Data, Tenente George La Forge, pertencem a Paramount Pictures, não pretendendo o autor infringir seus direitos autorais.
Ela estava em um lugar escuro, havia uma pequena e insignificante luz vermelha no teto, que lhe permitia apenas ver o contorno dos objetos. Podia sentir a tensão acumulada em cada célula de seu corpo, em cada partícula de ar que respirava. Ele estava a espreita, era apenas uma questão de tempo. Encolheu-se em um canto da sala desejando com todas as suas forças que Riker pusesse senti-la.
Ouviu um som abafado, o cheiro de suor da criatura, encolheu-se mais sentindo a parede doer-lhe contra as costas. Ouviu um grunhido suave próximo a ela. De repente a criatura estava ao seu lado. Naquela fração de segundos que precedeu a morte ela pode ver os olhos esverdeados, a fome, o desejo insaciável pela carne. Os dentes pontiagudos, a saliva escorrendo pelos cantos da boca.
Ela sentiu os dentes penetrar-lhe na carne e acordou com o próprio grito. Passaram-se alguns segundos até perceber que estava em seu alojamento em segurança, ouviu alguém chamar-lhe pelo intercom, mas não conseguia entender as palavras. Sentia o suor correr-lhe as costas. Ainda ofegante passou a mão pelos cabelos molhados e foi atender ao chamado.
- Deanna você está bem? - ouviu a voz de Beverly pela terceira vez, já demonstrando preocupação.
- Troi falando. - respondeu - Foi apenas um pesadelo.
- Tem certeza que está bem? As leituras que recebi na enfermaria indicam extrema exaustão. - disse a Dra. Crusher - Quer que eu vá até ai?
- Não! Eu estou bem. - respondeu a Conselheira desligando o comunicador e sentando-se. Ela respirou fundo. Ainda podia sentir o cheiro do próprio sangue misturado ao suor do animal.
Com um gesto de impaciência ela levantou-se e dirigiu-se ao chuveiro.
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O Cap. Jean Luc Picard estava em seu gabinete aguardando o Comandante Riker. Com as mãos na altura do rosto e as pontas dos dedos encostados uns nos outros, ele fitava o infinito. A voz feminina do computador invadiu o ambiente, arrancando-o se seus devaneios.
- Entre - disse ao mesmo tempo em que girava a cadeira ficando de frente para a porta.
- Chegaremos ao Sistema Bajorano em três longos dias. - disse Riker com aparência cansada.
- As vezes gostaria de poder recusar este tipo de missão. - disse Picard fazendo um gesto para que o seu Imediato se sentasse ao mesmo tempo em que ele se levantava para pegar duas xícaras de café.
- Essa parece que está sendo pior do que todas. Tudo parece incomodar estas criaturas. É a luz, o colchão, a temperatura, a comida ... - respondeu o rapaz demonstrando uma certa impaciência em lidar com a situação.
A USS-Enterprise havia recebido a missão de conduzir representantes de alguns povos que estavam interessados no comércio Bajorano e na recente passagem ligando o quadrante Delta com o quadrante Gama, descoberta pelo Comandante Benjamim Sisko. Algumas dessas espécies não pertenciam a Federação. Devido a falta de informações sobre elas, uma vez que não havia um grande intercâmbio cultural, o convívio com as mesmas estava sendo um tanto difícil. Burocratas e Embaixadores eram por natureza entediantes e irritantes, além de serem exigentes no que diz respeito aos cuidados consigo. Mas estes em particular, eram além da conta.
- Como estão os preparativos para a recepção desta noite? - perguntou Picard com um leve sorriso nos lábios, referindo-se há uma recepção de confraternização com as delegações.
- Tudo em ordem. - respondeu Riker, tomando um gole de café. - Mas tem outra coisa me preocupando. Ainda pouco fui notificado que temos uma criança desaparecida. - ele fez uma pequena pausa. - Já destaquei um grupo de segurança para localizá-la.
- Deve estar escondida em algum lugar da nave. Crianças gostam deste tipo de brincadeiras. - disse Picard lembrando-se que quando criança adorava brincar de esconder-se. Ele e Robert divertiam-se muito e ele sempre ganhava do irmão, pois encontrava os melhores esconderijos. Era um jogo de estratégia, pensou - Mantenha-me informado.
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Jean Luc estava em seus aposentos preparando-se para a recepção que aconteceria dali ha uma hora quando Troi chegou.
- Sente-se Conselheira - disse Picard indicando-lhe uma poltronaa. - Em que posso ajudá-la? - disse, notando que a moça estava ligeiramente abatida e muito reservada. Isso não era normal.
- Eu não sei nem como começar. - disse Troi, parecendo um pouco nervosa.
- Pelo início - disse o Capitão sentando-se a sua frente, pronto para escutá-la.
- Esta noite tive um pesadelo estranho... estava sendo atacada por uma espécie de animal. Mas não é isso realmente ... - Picard notou que Deanna estava com dificuldade para expressar-se. - Durante todo o dia minha mente foi invadida por imagens, desejos que ...
- Conselheira esta missão está sendo estafante para todos nós, ... - começou a falar.
- Não o senhor não está entendendo! Isso não é normal, não são desejos meus, é algo que vem de fora. - ela fez uma pequena pausa tentando encontrar as palavras corretas para que Picard a compreendesse. - São como uma compulsão, um desejo que está além da vontade, como o instinto.
- Que tipos de desejos Conselheira? - perguntou Picard.
- Fome, mas que só pode ser saciada através de sangue, o tipo de ansiedade que precede a caça...
No momento em que o Cap. Picard ia falar o intercom soou e a voz de Riker encheu o ambiente.
- Capitão é melhor vir até aqui. - disse - Encontramos a criança.
- A caminho Número Um. - respondeu o Cap. que notara algo de esttranho na voz de seu Imediato quando disse a segunda frase. Ele levantou-se e dirigiu-se a Deanna. - Depois conversamos.
- Vou com o senhor. - respondeu a moça.
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- Não sobrou muita coisa. - disse Beverlyy.
- O que está acontecendo? - perguntou o Capitão aproximando-se. No momento em que ele viu os pedaços de tecido encharcado de sangue parou. A criança fora parcialmente devorada, havia lacerações por quase todo o seu pequeno corpo, mas o ataque principal havia sido na região do pescoço e do peito.
Capitão! - Deanna estava aproximando-se do pequeno nicho. Ele não queria que ela visse aquela cena, principalmente depois do que lhe contara.
- Fique aí Conselheira. - disse Picard saindo do local, visivelmente abalado.
- Quem pode ter feito uma coisa dessas? - perguntou Beverly se aproximando do grupo.
- É isso que espero que responda Doutora.. - disse Picard. - Imediato a família já foi comunicada?
- Não senhor. - respondeu o homem demonstrando também estar abalado. Picard assentiu em silêncio, olhando para o local onde jazia o pequeno corpo.
- Imediato, Sr. Worf quero que descubram quem cometeu essa barbaridade. - disse para seus comandados.
- Vou fazer uma autopsia completa, teremos os resultados em algumas horas. - disse Beverly - Com licença.
O Cap. Jean Luc observou-a sair, foi então que viu Deanna muito pálida ao lado de Riker.
- Era este o lugar? - perguntou a Deanna.
- Sim senhor. - respondeu em voz baixa.
- Precisamos conversar.- disse o Capitão caminhando em direção a saída.
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Uma vez alguém disse que para saber o tamanho de um navio, bastava ver quanto tempo uma notícia demorava para ir de uma extremidade a outra. Bem, em uma nave estelar não era muito diferente. Picard notara que nas últimas horas a nave ficara estranhamente silenciosa. Todos pensavam na morte bárbara do jovem Aiato e temiam também pela sua segurança e de seus filhos, que repentinamente sumiram dos corredores.
O Cap. Jean Luc caminhava entre os convidados, sem a mínima vontade de estar ali. Ele pensara seriamente em cancelar o evento, mas por sugestão de Guinan deixou que a recepção acontecesse. Mas ao invés do clima festivo que imaginara, as pessoas conversavam em voz baixa, todas de certa forma estarrecidas com o crime tão brutal cometido contra a criança, o qual ele tencionara manter longe do resto da tripulação e dos convidados.
Ele parou em frente uma vigia e fitou as estrelas. Como uma coisa daquelas poderia ter acontecido em sua nave. Lembrou-se do desespero do alferes Shigueru e sua esposa. Aiato era seu único filho. Lembrara-se de uma vez tê-lo encontrado no corredor, o garotinho lhe dissera que quando crescesse queria ser capitão igual a ele, mas que não queria ficar careca. Sem querer sorriu ante essa lembrança.
Virou-se ligeiramente para os convidados e observou um a um. Será que havia sido um dos membros das delegações? Deanna contara o sonho em todos os detalhes que se lembrava, de acordo com o horário da morte fornecido pela Dra. Crusher, chegara a conclusão que ela não tinha tido um pesadelo comum, de certa forma havia vivido o momento da morte do menino.
Um jovem sentado ao balcão meio que afastado de todos chamou-lhe a atenção. Era o Alferes K’Dlaf Soei Woti, tinha uma aparência saudável, os músculos podiam ser vistos claramente através do tecido do uniforme. O rosto era comprido, olhos verdes e cabelos castanhos claros, um pouco compridos de mais para seu gosto. O jovem observava o ambiente calmamente enquanto tomava um drink. Seus olhos se cruzaram em uma fração de segundos e Picard se sentiu incomodado com algo que não soube definir.
- Acho que minha idéia não foi muito boa - disse Guinan aproximando-se com uma bandeja de drinks. - Ninguém está muito disposto a falar de si esta noite.
- Sou obrigado a concordar com você. - disse o Capitão. - Guinan quem você acha que poderia ter feito isso? - perguntou.
- Não tenho a mínima idéia Capitão. Só posso dizer que trata-se de uma mente pervertida ou .... - disse Guinan e prosseguiu casualmente - ...algumas dessas pessoas tem hábitos bem peculiares.
- Quais? - perguntou o Capitão fitando-a
- Os M’Ghory por exemplo. Toda sua existência é baseada em dogmas religiosos, um dos quais de refere a alimentação, que deve ser completamente natural.
- Natural em que sentido Guinan?
- Nada cozido, condimentado ...
- Entendo o que quer dizer ... - respondeeu-lhe fitando três figuras vestidas de verde musgo, dos pés a cabeça. Jean Luc olhou para o balcão e o Alferes K’Dlaf Woti não estava mais lá.
Estavam todos reunidos na sala de conferências da Enterprise aguardando a chegada de Riker e Worf. Apesar das circunstâncias a recepção tinha durado até o final da noite e os convidados só começaram a retirar-se após a saída do Capitão Jean Luc Picard.
- Desculpe Capitão - disse Willian Riker entrando na sala. - Alguns de nossos convidados exigiram proteção e criaram alguns problemas.
- Sentem-se. - disse Picard. - Então o que temos? - perguntou a todos.
- A morte ocorreu por volta das 5:00 horas da manhã. - disse Beverly. - Não havia sinais de drogas no sangue. No estômago continha resíduos de alimentos que indicam que Aiato havia tomado seu desjejum antes de sair do alojamento. - sua voz era fria e impessoal, mas todos sabiam que ela estava tentando apenas ser profissional, no fundo estava chocada com tamanha violência - As lacerações foram provocados por dentes, não muito afiados, a envergadura de algumas mordidas sugerem dentes humanos, algumas costelas foram quebradas e roídas. As amostras de saliva recolhidas para análise mostraram-se inúteis.
- Conversei com várias pessoas que conhecciam o menino. Ninguém pode fornecer alguma pista. Era uma criança alegre, curiosa e aplicada nos estudos. No dia anterior a sua morte, foi a escola e a preceptora não notou nada de anormal em seu comportamento. Um de seus colegas disse que ele estava muito entusiasmado com um projeto particular de construírem um robô igual a mim. - disse Data, que abstivera-se de colocar sua fantasia de Sherlok devido a gravidade do caso. - Verifiquei os bancos de dados, nos últimos meses, ele e seus colegas haviam acessado todos os arquivos sobre robótica e meu histórico, alguns arquivos de mecânica física e quântica também.
- Coisas de crianças - disse Riker interrompendo-o
- Não creio Comandante. Estive em seu alojamento e conversei com seus colegas. Apesar da pouca idade eles estão bem avançados em seus estudos. Para falar a verdade o projeto está todo pronto, com muitas falhas devo dizer.
- E nossos convidados? - perguntou Picard.
- Conversei com todos durante a recepção - Troi começou a falar. - não senti nenhum tipo de culpa, ou dissimulação. Dei atenção especial aos M’Ghory e chequei os arquivos como o senhor sugeriu. São adeptos da alimentação natural, o que tem nos causado alguns problemas, já que 90% dos alimentos que consumimos a bordo são sintetizados. Em um de seus rituais religiosos esta incluído o canibalismo, é uma cerimonia de purificação que acontece a cada dez anos. Infelizmente não há mais informações.
- Um dos membros da delegação não estava em seus aposentos na hora do crime, disse que estava sem sono e resolveu dar uma volta pela nave. - disse Riker
- Alguém o viu? - perguntou Picard.
- Temos duas testemunhas que o viram próximo ao local do crime. - respondeu o Imediato.
- Bem o que temos aqui? - disse Picard. -- Uma criança de dez anos querendo construir um robô que levantou-se muito cedo esta manhã, tomou seu café e saiu. A pergunta é: o que ele estava fazendo acordado a esta hora da manhã e com quem ia se encontrar?
- Alguns de nossos turnos acabam as 6:00 horas. Seria possível que ele estivesse indo encontrar-se com algum adulto? - perguntou Beverly.
- O corpo foi encontrado no armazém. Lá seria possível conseguir muitas peças para o seu projeto. - disse Riker.
- Quero uma relação completa de todos que estavam de serviço neste horário, quero também ter uma conversa com estes jovens cientistas e com o M’Ghoriano- disse Picard. - Senhores este caso deve ser solucionado antes de chegarmos a Bajor. Dispensados.
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De repente sua vista ficou turva, a única coisa que via a sua frente era o corpo da jovem movendo-se a sua frente. Seus olhos verdes cravaram-se no pescoço branco e bem feito. Ele sentiu a boca encher-se de saliva e seu coração acelerar. Com um movimento brusco sacudiu a cabeça tentando pensar com clareza. A jovem virou a esquerda e ele ficou parado observando-a até que entrasse no turboelevador.
Quando chegou ao seu alojamento, deitou-se e ficou parado fitando o teto. A lembrança do ataque ao garoto encheu-o de prazer, uma sensação tão forte, tão agradável que poderia ser comparada ao prazer sexual. Mas o menino era seu amigo, como poderia ter feito aquilo e não sentir-se culpado?
Sabia que estava em um caminho sem volta. Há muitos tempo percebera que vinha mudando, durante as refeições a simples visão de legumes e verduras lhe causava repulsa, logo a seguir foi a vez dos cereais e carnes cozidas. Era como se ele fosse dois, mas ao mesmo tempo um. Um dia pedira no sintetizador de seu alojamento um bife cru e comera-o com a voracidade de um animal faminto, a partir daquele dia soube que estava perdido. Notara seu distanciamento emocional de todos, os via de forma diferente, não se importava mais, no fundo sabia que os atacaria se houvesse oportunidade e sabia também que quando soubessem o que ele havia feito o odiariam a ponto de querer matá-lo. Seria apenas uma questão de tempo para que sua natureza se revelasse. Esse dia havia chegado.
Quando a criança entrou pela porta alegre e sorridente ele sentiu aquela fome insaciável, aquele desejo por sangue latejar-lhe a mente. Não planejara fazer aquilo, para falar a verdade tentara adiar aquele momento o mais que pode, sua mente turvou-se, diante de seus olhos havia somente o pescoço do jovem, podia ver claramente a veia pulsando, cheia de sangue vivo, quente... Mas não teria graça sem uma pequena caçada, para o prazer ser maior a vítima devia sentir medo, o cheiro da adrenalina sendo liberada era como ópio. Não lembrava-se do ataque em si, apenas do gosto de carne e sangue, dos ossos sendo quebrados.
Uma vez com a fome saciada, ele ficou por ali. Sentiu-se cansado, e pensou seriamente em deitar-se ao lado de sua presa, poderia descansar e mais tarde acabar seu desjejum. Mas lembrou-se de que a criança em breve começaria a ser procurada. Mais cedo ou mais tarde o pegariam, mas preferia que fosse mais tarde. Ele vestiu-se e saiu do armazém sem que ninguém o notasse. Deu uma rápida olhada para trás: com aquele grito de terror fora-se o último vestígio de humanidade que havia nele. O fato estava consumado.
Durante a recepção oferecida pelo Cap. Jean Luc Picard, percebera o quanto todos estavam estarrecidos com seu ato. Se puserem as mãos em mim, eles me matarão, pensou. Foi quando viu a Conselheira Troi; através dos comentários de alguns colegas soube que ela sentira o momento da morte da criança e que até reconhecera o local em seu sonho. Se queria viver mais um pouco teria de eliminá-la, pensou. E já que teria que saciar sua fome novamente, porque não unir o útil ao agradável? Olhou novamente para a Conselheira e sentiu a antecipação do prazer.
Em algum ponto no fundo de sua mente observou a si mesmo. Não teve medo, ou remorso, apenas constatou que sua natureza havia se revelado, não poderia mais enganar a si ou aos outros.
Olhou para o Cap. Jean Luc Picard que conversava ao longe com Guinan. A partir deste momento tem início a grande caçada Jean Luc Picard, disse para si mesmo.
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As três crianças estavam sentadas em frente ao Cap. Picard, o mais velho tinha 13 anos, depois vinha um garoto vulcano de 11 anos e uma menina com 10 anos de idade. Picard, notou que pareciam assustados, pensou se seria pela morte do colega ou se por estarem em sua presença.
Ele nunca tivera muito jeito com crianças. Virou as costas para os três e pensou como poderia facilitar as coisas. Lembrou-se do que Deanna lhe dissera a algumas horas antes. “É como conversar com adultos”.
- Sabem porque estão aqui? - perguntou as crianças que pareceram encolher-se com o som de sua voz.
- Por causa da morte de Aiato. - respondeu a garotinha.
- Gostaria que me falassem sobre este projeto. - disse Picard sentando-se e mostrando um pequeno sorriso.
- A idéia surgiu de uma aula que assistimos ... - começou a dizer o garoto mais velho. - ... foi Aiato que começou, fizemos todo o projeto como o senhor já viu, mas tem muitas coisas que não sabemos como fazer.
- Não queremos apenas um boneco mecânico. - disse a garotinha. - Queremos fazer algo especial.
- Quando se depararam com as dificuldades, que tipo de atitude tomaram? - perguntou Picard.
- A princípio procuramos pelas respostas no computador na nave, mas não temos acesso a muitos arquivos. Então Aiato disse que teríamos que conversar com outras pessoas para que nos ajudassem. - disse o garoto do meio.
- Eu sugeri que procurássemos o Comandante Data, afinal sendo um andróide ele deve entender tudo sobre robótica, mas Aiato disse que os oficiais de comando são muito ocupados, que ele não teria tempo para nos ajudar e que ... - garotinha fez uma pequena pausa como se estivesse em dúvida sobre o que iria falar - ...se o senhor soubesse o que estávamos fazendo iria ficar zangado.
- Compreendo. disse Picard pensativo. - E então o que fizeram?
- Eu pensei em discutir o assunto com meu pai - disse o garoto Vulcano... - mas Aiato disse que conhecia alguém que talvez pudesse ajudar e pediu-me para esperar mais um pouco antes de contar para papai.
- Ele não disse quem era essa pessoa? - perguntou Picard.
- Não senhor. - disse Sorel. Picard assentiu, e ficou por uns instantes pensando se havia esquecido algo.
- Estou com uma cópia do projeto de vocês. - disse. - Acho que poderiam me explicar algumas coisas que não entendi.
Nos trinta minutos seguintes Picard escutou atentamente as três crianças explicando-lhe detalhadamente cada parte do projeto RD-2 - V10. Explicaram-lhe que a aparência externa do equipamento assemelhava-se muito a um pequeno robô de um filme muito antigo “Guerra nas Estrelas”, do qual elas não só tiraram o modelo como também o nome, a extensão V10 indicava quantas mudanças já haviam feito desde o esboço inicial.
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Não havia sido tão difícil como pensara. A Conselheira tinha razão, de certa forma era como conversar com adultos. Após a saída das crianças, ficou muito tempo pensando no jovem Aiato, ele era o cabeça do projeto, dele não saíra apenas e idéia, mas também a ação. Se com o passar dos anos ele não mudasse, teria sido um ótimo oficial, pensou.
O M’Ghoryano entrou em seu gabinete com toda a austeridade de um rei.
- Sente-se. - disse Picard indicando-lhe a poltrona a frente. - Espero que esteja apreciando a viagem. - disse cordialmente enquanto observava o homem de pele avermelhada a sua frente.
- Sinceramente Capitão eu acho isso um verdadeiro ultraje. - disse Nheraa um tanto afetado. - Estávamos considerando seriamente a possibilidade de entrarmos para a Federação o que resultaria um acordo benéfico para ambas as partes, principalmente porque em um de nossos satélites naturais já foi detectado uma jazida de Dilitium. Mas após este desagradável incidente creio que isso jamais será possível.
- Sr. Embaixador - disse Picard tenntando contornar a situação sem causar um incidente político. - Até o momento não o acusamos de nada, mas o senhor há de compreender que foi cometido um crime bárbaro nesta nave e que todos a bordo são suspeitos.
- Há quase cem anos atrás quando fizemos contato com a Federação um dos motivos que tornou impraticável nossa aliança foi o fato de não aceitarem nossos costumes, vejo que isso continua sendo impossível. Estamos estarrecidos com este crime, em nossa cultura as crianças são sagradas e até mesmo ofereci minha ajuda ao Comandante Riker, no sentido de esclarecermos isso o mais rápido possível.
- Ótimo. Então me diga aonde estava hoje por volta das cinco horas. - perguntou Picard. - Essa é toda a ajuda que precisamos do senhor.
- Já disse. Estava sem sono, o alojamento que me designaram é abafado, então resolvi dar uma volta pela nave. - disse o homem.
- É verdade que exigiu alimentos naturaiss crus? - perguntou Picard.
- Sim. - respondeu o Nheraa. - Para manter o corpo, a mente e a alma limpos, não podemos ingerir alimentos manipulados. Isso seria um verdadeiro sacrilégio a grande dádiva da vida.
- Compreendo. - disse Picard. - Creio que é só Sr. Embaixador. Espero que este episódio não resulte em uma sombra entre nós.
- Esteja certo de que farei uma reclamação aos seus superiores sobre o modo como fui destratado pelo senhor e sua tripulação. - disse Nheraa retirando-se.
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- Capitão! - disse Riker entrando. - Já temos a relação de todos que estavam em serviço no horário do crime.
Picard pegou o tricorder e examinou-o. Seus olhos pararam no nome K’Dlaf. Ele lembrou-se de que tinha visto o jovem alferes no Ten-Forward durante a recepção e do olhar que trocaram.
- Como estão nossos convidados? - perguntou Picard desviando-se do assunto.
- Deanna está fazendo de tudo para tornar-lhes a estadia confortável. - Respondeu o Imediato.
- Ótimo. - disse Picard levantando-se. - Vamos conversar com a Dra. Crusher, acho que temos algo.
- Algum suspeito? - perguntou Riker também levantando-se e com uma expressão de surpresa no rosto.
- Ë o que espero. - disse Picard atravesssando a porta ao mesmo tempo que esta se abria.
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Deanna estava dirigindo-se ao seu alojamento. Sentia-se cansada, não era só o tempo dedicado as delegações, sentia-se de certa forma culpada pela morte do menino, embora dissesse a cada segundo para si mesma que nada poderia ter feito para evitar. Havia também aquelas sensações estranhas, perturbando-lhe.
A porta de seu alojamento se abriu. Ela entrou e sentou-se no sofá, estava tão concentrada em si que não percebeu que não estava sozinha.
- Sinto muito que tenha sentido a morte de Aiato? - disse uma voz masculina atrás de si. Era o assassino pensou.
Ela virou-se para o lado de onde vinha a voz.
- Nem pense em pedir socorro. - disse K’Dlaf. - Estamos completamente isolados do resto da nave.
- O que quer de mim? - perguntou Troi, sentindo o medo percorrer-lhe o corpo.
- Nada! ... Só sua carne ... - disse passsando ligeiramente a língua nos lábios. - ... seu sangue.
- Porque esta fazendo isto? - perguntou Troi sentindo que naquele instante não corria perigo.
- Porque se alimenta Conselheira? - perguntou, sabendo que ela não iria lhe responder. - Acredite, não era minha intenção pegar o menino. Ele era meu amigo, um garoto muito esperto, talvez um dia se tornasse um grande cientista. - disse sentando-se a sua frente.
- Não sente culpa, remorso? - perguntou sentindo um arrepio percorrer-lhe o corpo diante de tanta frieza.
- Não. - ele respondeu. - Seria como se sentir culpado por crescer, virar adulto. Faz parte de minha natureza, estava tudo aqui... - disse batendo de leve no peito na altura do coração - ... apenas esperando o momento certo.
- Você está louco. - disse Troi levantanddo-se de repente e indo em direção a porta. Ela tocou os comandos, mas a porta não abriu. Pediu auxilio ao computador mas este continuou mudo. Sua única chance era que Riker viesse em seu socorro.
- Você é muito bonita! - disse aproximando-se dela e passando suuavemente a mão pelo seu rosto. Podia sentir o medo. Isso seria bom. pensou, bem melhor que com o menino.
Ele afastou-se da Conselheira, com um leve sorriso nos lábios e sentou-se novamente. Não tinha pressa.
- Acho que encontramos nosso homem. - dissse Beverly - Ele foi transferido há dois anos para Enterprise. Sofreu um acidente durante uma missão da USS-Mir, estavam colhendo amostras de minérios em Lantra 1, planeta localizado no quadrante Vega. O grupo foi atacado por animais nativos. K’Dlaf foi o único sobrevivente, ele passou quase um mês afastado recompondo-se dos ferimentos, quando retornou observaram algumas mudanças sutis em seu comportamento, o que foi diagnosticado como seqüelas, um pequeno trauma. - disse a Dra. Crusher enquanto lia o histórico médico do rapaz. - Foram feitos vários testes ao longo dos anos, mas nunca encontramos nada de anormal. - ela fez uma pequena pausa. - Até agora.
- Algum problema Imediato. - perguntou Picard que notara que de repente Riker se tornara um pouco inquieto.
- Não senhor. - respondeu Willian.
- Algum tipo de vírus, que ficou encubando todo este tempo? - perguntou Picard.
- Ou algum tipo de trauma. - disse a Douttora. - A história da Psicopatologia está repleta de precedentes. É como se a vítima dissesse, eles são mais fortes que eu, se tornar-me igual a um deles, não poderão me fazer mal. Deanna poderá lhe explicar melhor.
- Agora temos dois suspeitos. - disse Picard. - Embora eu não acredite que tenha sido Nheraa, ele disse a verdade sobre as crianças serem sagradas em seu mundo. O início da vida.
- Temos problemas. - disse Riker já em direção a porta e chamando a segurança pelo seu comunicador.
- O que houve Número Um? - perguntou Picard indo atrás do Comandante Riker e sendo seguido com Beverly.
- Deanna está em perigo. - respondeu já quase correndo.
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- Porque não acaba logo com isso? - perguntou Deanna parada próximo a porta.
- Quando esta porta se abrir novamente você estará morta e eu ... - ele fez uma pequena pausa. - ... também serei um homem morto.
- Não tem medo? - perguntou Deanna, imaginando o porque que ele estaria lhe dando tempo.
- De morrer? Não! - disse. - Ele aproximou-se de Deanna. Toucou-lhe os cabelos suavemente e segurou-a fortemente pela nuca. Ele a viu arfar e emitiu um som de prazer. Aproximou os lábios de seu pescoço roçou-os de leve sobre a pele da moça, como se fosse uma carícia. De repente ele arremessou-a para o outro lado da sala. E deu uma gargalhada.
- Pare com isso agora. - disse quase chorando. - O Cap. Picard nnão lhe fará mal. Podemos ajudá-lo.
Neste momento eles ouviram sons de vozes do outro lado. Chegou o hora, pensou o rapaz.
- Computador qual a localização do Embaixador Nheraa e do Alferes K’Dlaf? - solicitou o Capitão.
- O Embaixador se encontra na área de carga 14, setor de perecíveis. O Alferes K’Dlaf foi localizado no Deck 8, Alojamento da Conselheira Troi. - respondeu o computador
Junto com Willian Riker e o Cap. Picard estavam Worf mais dois seguranças além da Dra. Crusher. Durante o percurso haviam tentado entrar em contato com a Conselheira, mas alguma coisa estava interferindo nas comunicações e quando chegaram em frente ao seu alojamento constataram que aquela área estava incomunicável.
Picard deu ordens ao Comandante Data que descobrisse o que K’Dlaf havia feito e que anulasse os seus efeitos. Enquanto aguardavam o Capitão notara a expressão de urgência no rosto de seu Imediato.
- Temos de entrar logo. - disse tentando forçar a porta. Worf foi ajudá-lo mas nem a força do enorme Klingon foi suficiente para desfazer o campo magnético. Neste momento Data avisou que já tinham comunicação com o alojamento.
- K’Dlaf sabemos que está ai. - disse Piccard. - Solte a Conselheira Troi, dou-lhe minha palavra que não lhe faremos mal.
- Fará o que tem de ser feito Capitão. - ouviram a voz do rapaz. - Sendo assim dê-me pelo menos o direito de fazer minha última refeição. - sua última palavras quase foram abafadas pelo grito de Troi e o barulho de algo caindo e vidros se quebrando.
- Pare! - gritou Riker atirando-se contra a porta.
Com um gesto Picard ordenou que atirassem contra a porta. Mas os tiros foram absorvidos.
- Que diabos ele fez - murmurou a Capitão. - A Conselheiira está bem? - ele perguntou.
- Capitão! - gritou Troi.
- Data! Porque está demorando tanto? - peerguntou Picard através do comunicador.
- Ele travou a porta com um campo magnético de alta potência e criptografou as senhas de acesso Capitão. - respondeu o andróide. - Isso levará alguns minutos.
- Deanna não tem alguns minutos Comandante. - respondeu secamente. - K’Dlaf façamos um acordo. - disse tentando ganhar o tempo necessário. - Peça-me qualquer coisa, e eu lhe darei em troca da vida da Conselheira.
- Oferta muito generosa. - disse - Mas já tenho tudo o que quero.
- Troco de lugar com Deanna. - disse Riker.
Ouviram uma risada através do comunicador.
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Deanna estava sentada em um canto da sala. De sua testa corria um filete de sangue. Se ferira quando ele a atirou contra a mesa. Ele aproximou-se da moça e tapou-lhe a boca com uma das mãos, e puxou-a para si com a outra. Ele forçou-a a olhar para si e viu em seus olhos uma expressão de medo. Aquilo estimulou-o e ela não pode reter o tremor ao perceber que ele sentia prazer naquilo tudo. Ele arremessou-a novamente para o outro lado da sala, e caminhou em sua direção.
Sem o menor esforço pegou-a novamente pelos cabelos e estava prestes a cravar-lhe os dentes no pescoço quando ouviu a porta abrindo atrás de si. Com um gesto rápido ele virou-se colocando Troi na sua frente.
- Solte-a - disse Riker empunhando o phaser. O Cap. Picard estava a sua direita e Worf do outro lado. Os dois seguranças encontravam-se um pouco atrás.
K’Dlaf analisou a situação e chegou a conclusão que demorara demais. Sem uma palavra ele empurrou a moça para os braços do Comandante. Os dois seguranças aproximaram-se e seguraram-no pelos braços.
- Levem-no - ordenou Picard. - Você está bem? - perguntou a Deanna
Ela respondeu apenas com um gesto, estava pálida e tremula. Riker a estava amparando, pois sentia que a qualquer momento podia desfalecer.
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A medida que passavam pelos transeuntes do corredor, K’Dlaf observava seus rostos. Suas expressões iam desde espanto até a raiva. Agora eles o trancariam em uma cela, depois viriam os exames médicos, psicológicos, mil vezes a pergunta porque matara Aiato e tentara matar a Conselheira Troi.
A perspectiva de passar o resto de sua vida em uma sela, ou naqueles centros de recuperação o encheram de pavor. Não poderia suportar aquilo. Nunca mais seria livre.
Ao longe ele avistou um jovem alferes acompanhado de uma garota vindo em sua direção. Quando estavam mais ou menos há uns dois metros, num ato puramente instintivo ele libertou-se dos seguranças e saltou sobre o rapaz fincando-lhe os dentes no pescoço bem na altura da veia jugular. Ouviu um barulho e algo quente queimando-lhe as costas. Sua última sensação foi o gosto da carne e do sangue quente descendo-lhe a garganta.
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- O que houve? - perguntou Picard aproximando-se.
- Sinto muito Capitão. - disse um dos seguranças. - Foi tudo tãoo rápido.
Picard aproximou-se de K’Dlaf e constatou que ele estava morto. Ele empurrou o corpo do rapaz para o lado e viu o sangue jorrando do pescoço do alferes. Ele ia chamar a enfermaria quando Beverly chegou.
- Aperte aqui - disse a doutora colocando sua mão um pouco abaixo de ferimento de forma a comprimir a veia - Cuidado para não sufocá-lo. - completou enquanto o examinava com seu tricorder.
- Vai sobreviver. - respondeu no momento em que o reforço médico solicitado pelos seguranças chegou.
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- Jamais saberemos se o comportamento de K’Dlaf foi causado por um trauma ou algum tipo de contaminação. - disse Riker, sentado a frente de Picard saboreando uma xícara de café. - Como desconfiou dele?
- Foi mais intuição. Na recepção eu o vi sozinho tomando um drink. O modo como olhava as pessoas presentes era estranho, e por um segundo ele percebeu que eu o observava, senti algo como um desafio naquele olhar. - disse Picard, parando para tomar um gole de chá. - Depois que conversei com as crianças pedi ao computador que me fornecesse o nome das pessoas qualificadas para ajudá-las com o projeto, na relação constava o nome de K’Dlaf, foi quando me lembrei que uma vez o vi conversando com alguns meninos corredor. Perguntei a Wesley se ele o conhecia e ele disse que o Alferes K’Dlaf de vez em quando jogava beisebol com eles no Holodeck e que era bem popular entre os jovens. - ele fez mais uma pequena pausa - Quando você me trouxe a relação dos turrnos e vi novamente seu nome, algo me disse que ele era nosso homem.
O intercom tocou anunciando que alguém estava a porta de seu gabinete. O Tenente Comandante Data apresentou-se seguido de Deanna Troi.
- Queria falar comigo Capitão? - disse o andróide.
- Sentem-se. - disse Picard. - Data... gostaria que me fizesse um favor.
- É claro Capitão - respondeu.
- Gostaria que dedicasse algum tempo livre orientando as crianças com o projeto RD2-V10. - disse Picard. - Tenho certeza de que o jovem Aiato gostaria de vê-lo concluído e de que esta experiência será bastante proveitosa para o senhor.
- Será um prazer Capitão. - disse.
- Dispensado. - disse Picard observando-o retirar-se. Ao virar-se para os outros notou um pequeno sorriso brincando em seus lábios.
- Tenho até medo de pensar no que veremos em breve andando pelos corredores. - disse Riker rindo.
- Estarão em boas mãos - disse Picard também sorrindo. - Conselhheira como estão nossos convidados?
- O Embaixador Nheraa está mais calmo, agora que esclarecemos tudo. Convenci-o a não apresentar nenhuma reclamação contra o senhor ou nossos oficiais.
- Pode me dizer como fez isso? - perguntou o Cap. Picard
- Não ficaria bem para um Embaixador se todos soubessem que ele andava roubando comida de nossas dispensas. - disse Troi com um sorriso.
- Então era isso que ele estava fazendo nnos armazéns? - perguntou Riker incrédulo.
- Os M’Ghorianos comem o dia inteiro, ao perceberem que as refeições a bordo era servidas com intervalos regulares, tiveram receio de que nós o comparássemos com ruminantes, espécies primitivas. - disse a moça - Com o passar dos dias perceberam que não poderiam suportar a fome, então o Embaixador resolveu fazer uma pequena excursão aos nossos depósitos para providenciar um pequeno estoque de alimentos.
- Incrível! - disse Picard reencostando-se em sua cadeira.
- A propósito estão preparando para uma recepção no Ten-Forward para esta noite, a qual esperam que o senhor compareça. - disse Troi jovialmente.
- O que estão comemorando? - perguntou Picard.
- É em homenagem a criança, ao herói Jean Luc Picard e sua equipe, e por finalmente faltarem apenas algumas horas para chegarem a Bajor e se livrarem de nós. - respondeu Troi
- Bem... - disse Picard levantando-se e arrumando o blusão do uniforme - ... principalmente no que se refere a esta última parte nos compareceremos.
Riker e Troi seguiram-no rindo.
FIM
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