LUZES

 

 Conto baseado no Universo Star Trek: The Next Generation

 

 

As personagens: Capitão Jean Luc Picard, Comandante Willian T. Riker, Conselheira Deanna Troi, Dra. Beverly Crusher, Alferes Wesley Crusher, Tenente Worf, Tenente Comandante Data, Tenente George La Forge, pertencem a Paramount Pictures, não pretendendo o autor infringir seus direitos autorais.

 

 

 

            A USS-Enterprise estava em uma missão simples: mapear um setor pouco explorado da Galáxia. A  missão era tão simples e rotineira que muitas vezes a tripulação sentia-se entediada.

 

            O Cap. Picard encontrava-se sentado sob uma árvore em meio a uma paisagem bucólica lendo Sonhos de Uma Noite de Verão, de Willian Shakespeare, um de seus autores prediletos,  quando foi chamado a ponte. No momento em que se levantava ouviu o sinal de alerta vermelho, e praticamente ao mesmo tempo o local ficou repleto de pequenas bolas luminosas que saltitavam e corriam velozmente.

 

            - Computador! Encerrar programa. - disse pensando que talvez fosse um mal funcionamento do sistema, mas mesmo após ter sido encerrado as luzes continuaram a pulsar.

 

            - Capitão para o ponte - disse dirigindo-se a saída enquanto acionava o comunicador. - O que está acontecendo Imediato? - no momento em que a porta do holodeck se abriu ele observou que as luzes também estavam nos corredores, deixando os que por ali passavam assustados e ao mesmo tempo encantados.

 

            - Fomos invadidos por uma espécie de energia senhor - respondeu o Comandante Willian Riker.

 

            - Estou a caminho. - respondeu Picard.

 

            Enquanto se dirigia a ponte de Comando observava as luzes que bailavam ao seu redor. Eram vermelhas, azuis, rosas, violetas e verdes, em suaves e diversas tonalidades, algumas corriam desordenadamente em tamanha velocidade que ele tinha impressão de que iriam se espatifar contra a parede do corredor, mas no momento em que se aproximavam pareciam serem repelidas,  outras pareciam pulsar de forma irritada.

 

            Os tripulantes pelos quais passava olhavam assustados, alguns pulavam para o lado ou abaixavam a cabeça para desviarem-se, mas elas mudavam seu curso naturalmente, ficando as vezes suspensas no ar na frente do transeunte.

 

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            - Qual a situação? - perguntou o Cap. Picard ao entrar na ponnte de comando, sem deixar de notar que ali também havia algumas dezenas das misteriosas luzes.

 

            - Não conseguimos nenhuma leitura Capitão, aparentemente trata-se de um fenômeno natural. - respondeu o comandante Data. - É possivel que tenham vindo da Nebulosa AM-L5, atraídas pelo rastro de plasma deixado pela nave.

 

            - Provocaram algum dano? - perguntou enquanto sentava-se em sua poltrona.

 

            - Não senhor. Parecem repelirem-se sempre que se aproximam de algo sólido. Na engenharia algumas se chocaram formando um cascata de luz, para imediatamente se recomporem. - continuou o Comandante Riker, uma vez que Data estava ocupado tentando obter mais dados sobre o fenômeno.

 

            Todos olhavam para as luzes, embora fosse quase impossível acompanhar o movimento de algumas. Apesar da situação inusitada despertar uma pontada de medo, todos estavam fascinados com sua presença. 

 

            - Conselheira consegue sentir alguma coisa. - disse o Capitão a meia voz, enquanto observava.

 

            - Somente dos habitantes da nave senhor. Desde o momento que chegaram detectei apenas curiosidade, e um pouco de medo. - respondeu a Conselheira.

 

            O Comandante Data levantou-se de seu posto e ficou a espreita como se quisesse pegar uma mosca com a mão. Com um gesto rápido ele fechou a mão acima da cabeça e baixou-a lentamente. Todos prenderam a respiração pois pensarem que ele havia conseguido pegar uma delas. No momento em que abriu a mão, ela estava vazia.

 

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            Estavam todos na sala de reuniões. As luzes também, porém estavam mais calmas, algumas pararam na frente do aquário e pareciam hipnotizadas pelo movimento do peixinho, que nadava calmamente.

 

            O Cap. Jean Luc Picard olhou para cima e para os lados, sentindo-se desconfortável.

 

            - Alguém aqui pode me dizer o que está acontecendo?  - disse sentando-se e deixando transparecer um pouco de sua irritação.

 

            - Vieram da Nebulosa AL-M5. Fizemos uma varredura completa, e encontramos apenas três planetas de onde poderiam ter-se originado. - disse La Forge. - Mas tudo que temos é só especulação. - completou desanimado.

 

            - Algum tipo de sonda? - perguntou Riker.

 

            - Não creio Comandante. - disse Data. - Não detectamos nenhum tipo de forma de vida nos planetas pesquisados ou fontes energéticas, um deles apresenta em sua superfície um relevo muito peculiar, o que sugere ruínas.

 

            - Não emitem nenhum tipo de radiação, campo magnético, calor, absolutamente nada. - disse o Tenente La Forge.

 

            - Uma forma de vida? - perguntou Picard observando duas luzes que bailavam suavemente no centro na mesa.

 

            - Não foi observado nenhum tipo de padrão comportamental, característicos em formas de vida. - respondeu Data  - Parecem mover-se aleatoriamente.

 

            - Como eletrons e prótons no núcleo dos átomos. - disse o Comandante Riker referindo-se ao movimento frenético e aparentemente desordenado das luzes.

           

            Por vários minutos todos ficaram em silêncio, observando as luzes que se moviam.

 

            - Sr. La Forge como as vê? - perguntou o Capitão.

 

            - Praticamente como vocês, porém em tonalidades mais escuras. Sem espectro, sem radiação, ou mesmo um núcleo. Nada. - respondeu sentindo-se inútil.

 

            - Se conseguirmos capturar um, poderíamos analisá-lo - disse Wesley.

 

            - Por toda a nave já houve tentativas, utilizaram até mesmo redes para pegar borboletas. - disse Will Riker. - Sem sucesso.

 

            - Se for alguma coisa neste quadrante, quando sairmos daqui é provável que elas fiquem. - sugeriu a Dra. Crusher.

 

            - Não creio Doutora. O Sr. Data e o Sr. Crusher já analisaram tudo a nossa volta, não há nada em torno de nós que justifique a presença dessas luzes, a não ser a Nebulosa AM-L5, além disso iniciamos o mapeamento de outro setor a quinze minutos, o que significa um deslocamento de aproximadamente um quarto de parsec. - disse Riker.

 

            - Porque diminuíram a intensidade de movimento? - perguntou a Dra. Crusher e todos olharam para os pontos luminosos como se tivessem reparado naquele instante que a atividade frenética das bolas luminosas havia diminuído.

 

            O comandante Riker solicitou um relatório de diversos decks da nave sobre a atividade das luzes. Em praticamente todos os setores elas estavam com a corda toda.

 

            - O que está acontecendo nos setores onde a atividade é menos intensa? - perguntou Picard. Data digitou alguns dados no terminal e começou a relatar.

 

            - Aqui, e em alguns alojamentos as pessoas estão conversando. - respondeu Data.

 

            - Computador mostre-nos onde há maior concentração das luzes e de formas de vida. - solicitou Picard.

 

            Na tela apareceu um esquema da nave, porém nenhuma conclusão poderia ser tirada.

 

            - As vezes tenho a impressão de que são capazes de comunicarem-se entre si - disse a Conselheira Troi que,  como muitos outros, já havia observado que as vezes elas paravam no ar, como se escutassem algo, e logo a seguir saiam em disparada do recinto ou continuavam com sua atividade frenética.

 

            - Também já tive esta impressão - respondeu Picard. - Permaneceremos em alerta amarelo até que tenham ido embora ou que algo novo aconteça. Sr. Data, La Forge e Sr. Wesley utilizem de todo o seu conhecimento para descobrir o que está causando este fenômeno. Dispensados.

 

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            Já faziam dois dias, horário de bordo,  que as luzes continuavam ricocheteando de um lado para outro. Embora todos se sentissem em relativa segurança, a situação estava irritando muitas pessoas a bordo. Elas estavam em todos os lugares onde havia vida, o que logo levantou a suspeita de que, de alguma forma sua presença estava relacionada as formas de vida a bordo na nave e não a algum tipo e emanação energética ou magnética por esta emitida. Diante deste fato a Dra. Crusher e sua equipe puseram-se a trabalhar.

 

            Nada era poupado pelas luzes nem mesmo a privacidade de um banho. Alguns se divertiam com a situação, principalmente as crianças, cujo passatempo principal nas últimas  horas era correr atrás delas e tentar pegá-las. E um observador poderia jurar que as luzes também se divertiam com isso.

 

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            O Capitão estava em seu alojamento analisando os relatórios quando a Dra. Crusher solicitou sua presença.   

 

            Ao entrar na enfermaria observou que todos estavam atentos a um pequeno show proporcionado pelas luzes. Elas se moviam em círculos, uniam-se para depois explodirem como fogos de artifício, para logo depois recomeçar como se dançassem  ao som de uma música imaginária.

 

            - Começou a mais ou menos dez minutos. - sussurrou Beverly.

 

            - Aconteceu alguma coisa para motivá-las? - perguntou o Cap. a meia voz.

 

            A Doutora negou com um aceno de cabeça. Através do comunicador Picard relatou a ponte o que estava acontecendo e pediu que verificassem se estava acontecendo alguma coisa diferente em outra parte da nave.  Não demorou muito e obteve uma resposta negativa.

 

            Um dos enfermeiros presentes pediu ao computador que diminuísse a luminosidade do recinto, na penumbra elas ficaram ainda mais lindas. E embora estivesse preocupado com a segurança da nave, o Capitão também permaneceu por quase quinze minutos simplesmente apreciando a beleza de cores e movimento.

 

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            Enquanto saboreava uma xícara de seu chá predileto Earl Grey, Jean Luc meditava sobre os últimos acontecimentos. Era impressionante como o ser humano e alguns humanóides se adaptavam a tudo, há dois dias ele se sentira extremamente desconfortável com a invasão de sua privacidade, e agora estava ali em companhia daquelas coisinhas luminosas, como se estivesse completamente sozinho.

 

            Duas delas baixaram até ficarem pairando bem a frente de seus olhos, a princípio a luminosidade o incomodou mas percebeu que o brilho intenso diminuiu até ele poder vê-las claramente.

 

            - O que são vocês? -  murmurou,  quase convencido dde que se tratava de uma forma de vida completamente alienígena. - De onde vieram? - perguntou novamente.

 

             Parecendo assustadas, elas começaram a agitar-se ricocheteando por toda a sala. De repente pararam no ar - "como se escutassem" - pensou, e atravessaram a parede  em louca disparada.

           

            No mesmo instante foi informado pelo Comandante Riker que algo estava acontecendo.

 

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            - Informe - disse Picard entrando na ponte de Comando. Neste exato momento parou a meio caminho para sua cadeira ao perceber que as luzes não estavam mais lá.

 

            - Foram embora. - disse Data, e se ele não fosse um andróide poderia-se dizer que havia tristeza em sua voz.

 

            - Para onde? - perguntou Picard.

 

            O silencio reinou na ponte de comando e em diversos pontos da Enterprise como se todos tivessem ouvido a voz de Data.

 

            Deanna acomodou-se melhor em sua poltrona e ficou  séria. Sendo meia betazoide ela era capaz de receber es emoções do ambiente. E naquele momento percebia tristeza, e até mesmo uma certa raiva, do tipo que as crianças sentem quando são contrariadas em suas brincadeiras.

 

            Vejam - disse Wesley quase gritando. Ele ficou meio sem graça pois sua voz saíra num tom muito além do esperado.

 

            Na tela principal da ponte, lá fora no espaço elas bailaram.

 

            - São tantas. - murmurou Riker.

 

            Centenas de pontos luminosos moviam-se lá fora. Picard percebeu que seu movimento não era aleatório. Parecia que tentavam ... se comunicar ... pensou o Capitão.

 

            - Computador diminua as luzes externas e da ponte de comando - pediu.

 

            Diante de seus olhos as luzes tomavam uma forma bem conhecida. As de cor violeta formaram o corpo da nave, as azuis suas naceles, pequenas e isoladas luzes vermelhas e verdes formavam os outros detalhes da nave.

 

            Jean Luc Picard levantou-se de sua cadeira sem querer acreditar  no que seus olhos viam. Perfeitamente proporcional, com todos os relevos, elas haviam copiado a forma da USS-Enterprise.

 

            - Senhores... - disse. - ... se isto não é uma forma de vida tentando se comunicar, eu não sei em que mais devemos pensar.

 

            Sem aviso prévio elas explodiram formando uma cascata luminosa de várias cores e no segundo seguinte corriam livres pela nave.

   

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            Nas horas seguintes tudo parecia uma festa para as luzes, corriam de um lado para o outro como alucinadas, juntavam-se e formavam os mais diversos objetos, provocando espanto e riso nos tripulantes da nave.

 

            - Estão tentando se comunicar. - disse Beverly.

 

            - Neste caso estamos diante da forma de vida mais estranha que já encontramos em toda a galáxia. - disse Will Riker

 

            - Mas... - disse Picard. - ...como podemos nos comunicar com elas? - após uma pequena pausa  continuou  - Estas luzes... - disse Picard apontando para várias delas que se encontravam no recinto fazendo gracinhas. - ...nas últimas horas adquiram várias formas que nos são familiares. Poderiam ter assumido formas geométricas ou assimétricas,  mas não,  procuraram símbolos que nos são conhecidos. Porque?

 

            Todos ficaram em silêncio, enquanto bem no  centro da mesa de reuniões, elas adquiriam a forma de um prato com um ovo dentro. 

 

            A voz do Tenente Worf invadiu o ambiente através do intercom.

 

            - Senhor - disse com sua voz gutural. - O Deck de zoologia acaba de informar que talvez eles tenham identificado algum tipo de forma de comunicação. Observaram que algumas espécies de animais de laboratório estavam comportando-se como se escutassem algo. O Tenente Grant iniciou um padrão de busca em várias freqüências de sons e conseguiu isto. - o som que escutaram parecia estática. - Eles estenderam suas pesquisas para outras áreas da nave e constataram que a estática aumenta nos locais onde há maior concentração de luzes, este som está sendo transmitido em muitos decibeis abaixo da escala humana.

 

            - Compreendo. Obrigado Sr. Worf. - disse Picard, de forma distraída. - Não é estática. Sr. Data diminua a rotação desta gravação.

 

            Os ruídos haviam diminuído consideravelmente, e após alguns ajustes feitos pelo andróide, o som que escutaram assemelhavam-se a sussurros de muitas vozes, com a cadência típica de um idioma.

 

            - Consegue passar isso para o tradutor universal? - perguntou Riker.

 

            - Não senhor. Aparentemente falam ao mesmo tempo e com ecos, não há como separar os vocábulos.

 

            - Consegue separar as vozes - perguntou Picard.

 

            - Isso levará tempo - respondeu Data.

 

            - Trabalhe nisso com Wesley. Dispensados - disse o Capitão. Enquanto os outros se retiravam ele fez sinal para que o Willian Riker aguardasse.

 

-         Imediato estou preocupado com a segurança da nave - disse o Capitão.

 

            - Compreendo senhor. - respondeu enquanto observava um par de botas verde luminoso flutuar graciosamente pela sala de reuniões. - Enquanto eram apenas luzes já estavam distraindo bastante a atenção de todos, dirá agora.

 

            - Isso é incrível. - murmurou Picard observando várias xícaraas luminosas sobre a mesa.

 

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            Várias horas haviam-se passado desde a última reunião de Picard e seus comandados e desde lá as luzes já haviam feito todo tipo de peripécias, tanto dentro da nave,  como no espaço.

 

            O Comandante Riker havia conversado com a tripulação nas últimas horas demonstrando sua preocupação com o grau de dispersão da concentração de todos, mas para sua tranqüilidade seus oficiais eram bem treinados e mantinham-se atentos ao dever apesar de todo o tumulto.

 

            A caminho da ponte observava estes exóticos visitantes, uma forma de vida completamente fora dos padrões por eles conhecidos, quantas histórias não tinham para contar, quanta coisa já não haviam visto. Ficou imaginando quanto tempo viveriam, se sentiam dor, alegria ... eram belas, muito belas. Uma parou bem a frente de seu rosto e depois moveu-se lentamente para o seu lado ficando pouco acima de seu ombro. Ele sorriu, ela estava deliberadamente seguindo-o.

 

            Encontrou-se com a Conselheira Deanna Troi no corredor.

 

            - Vejo que fez um amigo - disse-lhe a título de cumprimento e apontando para a luz violeta que pulsava suavemente sobre o ombro do Comandante.

 

            - É. Acho que sim. Isso me faz lembrar Peter Pan e a Fada Sininho. - respondeu-lhe com um sorriso enquanto entravam no turbo elevador.

 

            Deanna não disse uma palavra, mas seu sorriso matreiro, disse muito. No momento em que entraram na ponte de Comando o Capitão disse.

 

            - Ainda bem que chegaram. Data acha que conseguiu alguma coisa.

 

            Enquanto Will e Troi dirigiam-se aos seus lugares Wesley aguardava pacientemente para transmitir as palavras que conseguiram captar. Todos observaram a luz violeta junto ao Comandante Riker, muitos dos presentes não conseguiram conter-se e esboçaram um pequeno sorriso.

 

            - Vejo que adotou um Imediato - disse o Cap. com um leve sorriso.

 

            - Não! Fui adotado - respondeu Riker ajeitando-se em sua polttrona e olhando meio de lado para sua Fada Sininho.

 

            - Prossiga Alferes. - disse Picard ao jovem Wesley

 

            Curioso ...  vamos... - começou uma voz masculina muito suave - Elas são ....  machucá-los ... o que ... fazendo. - com um pequeno gesto Picard ordenou que Wesley interrompesse a gravação.

 

            - O que significam os outros sons Sr. Data? - perguntou.

 

            - Não conseguimos identificar senhor. - respondeu.

 

            - Prossiga! - disse Picard.

 

            Espaço ... não vou ... fazendo... estranho .. é possível que ... - as vezes as vozes interpunham-se ou intercalavam-se masculinas e femininas, eram muitos falando - formas para entender ... curioso ...bom ...dor ... doce...aqui é ... - Data interrompeu a gravação.

 

            - Não há mais do que isso senhor - disse Wesley. - Continuamos gravando e tentando decodificar, mas vai demorar muito e não temos certeza se os sons correspondem mesmo a estas palavras.

 

            - Não fazem nenhum sentido. - disse Worf.

 

            - Podemos enviar uma mensagem? - perguntou Riker.

 

            - Se estivermos no caminho certo... - respondeu La Forge - ...elas escutarão de forma truncada, apenas palavras dispersas sem nenhum significado.

 

            - Prossiga. Pergunte-lhes o que são e o que querem. - ordenou o Capitão.

 

            - Pronto - disse Wesley, embora ninguém houvesse escutado absolutamente nada.

 

            A pequena luz violeta que estava sobre o ombro do Comandante Riker começou a pulsar intensamente, as poucas que estavam presente ricochetearam e pararam no ar,  logo em seguida toda a ponte foi invadida por todos os lados por centenas de luzes.

 

            La Forge ordenou ao computador que diminuísse as luzes, pois o brilho delas estava ofuscando. Moviam-se no teto de um lado para o outro desordenadamente.

 

            - Está gravando Alferes - perguntou Picard a meia voz aproximando-se de Wesley. Sem responder-lhe diretamente Wes ligou o tradutor universal.

 

            Cons ... aproximar-se .... forma ... vamos ... quero ... não vamos ... forma ... conseguiram....  medo aproximar ...  cadencia ...lar...

             

            Por vários minutos o computador continuou a transmitir palavras deslocadas e sem nexo. As luzes agora estavam estranhamente quietas. Podia-se sentir a tensão e expectativa aumentando na ponte. Worf informou que elas não estavam mais nas outras áreas da nave. Sem que fosse solicitado Wesley focalizou o espaço a frente da nave. Elas estavam lá fora como um enxame de abelhas.

 

            De repente as luzes da ponte ricochetearam desordenadamente e saíram pelo teto indo juntar-se as suas irmãs.

 

            - Parece que conseguimos tumultuar a pequena comunidade. - disse Riker, sentindo falta daquela forma luminosa que a quase uma hora descansava sobre seu ombro.

 

            - O que vai acontecer agora. - perguntou Picard, intrigado com o passo que  seria dado a seguir na difícil arte de se comunicar.

 

             De repente elas voltaram. Não eram muitas, pararam a frente do Capitão que estava em pé no meio da ponte de comando. Diminuíram a intensidade de sua luz e tentavam aproximar-se umas das outras. Jean Luc deu-se conta que era difícil para elas assumirem formas, pareciam repelirem-se naturalmente. Ele lembrou-se de que nas palavras decodificadas havia a palavra dor e outras de resistência. Será que era isso que conversavam, a tentativa de comunicação lhes causava sofrimento, pensou.

 

            Uma forma começou a surgir. A princípio parecia-se mais com um monstro humanóide, braços compridos, cabeça grande,  mas foram se ajeitando até que na frente do Capitão Jean Luc Picard surgiu uma forma idêntica a sua. Onde no uniforme era vermelho aglomeraram-se as luzes vermelhas, o preto foi substituído pelo azul e as luzes amarelas formavam a cabeça, pescoço e mãos do Capitão.

 

            - Fascinante - murmurou Troi.

 

            - Amigos - disse Picard dirigindo-se a forma luminosa.

 

            Explodindo em mil pedacinhos a cópia de Picard desfez-se. Elas ricochetearam e dirigiram-se novamente para o espaço.

 

            - Alguma coisa Alferes - perguntou Riker.

 

            - Apenas palavras soltas. - respondeu o jovem reproduzindo. 

 

             Não quero ... preciso ...  embora ... ficar... preciso tentar ... outra forma ... relógio ... sol ... estrela ... preciso ... não ... lugar ... dor ... difícil...

 

            - Vejam! - disse Troi levantando-se de seu posto.

 

            Elas estavam novamente tentando se comunicar. Adquiriram duas formas humanas idênticas. Logo a seguir adquiram a forma da Enterprise e de um planeta, como se ela estivesse em órbita. Explodiram.

 

            - O que estão querendo dizer? - perguntou o Capitão mais para sí mesmo.

 

            Novamente adquiram a forma do planeta e da nave e algumas delas saiam do mundo fictício incorporando-se a nave.

 

            - Passamos por um planeta, elas nos viram e  seguiram ??? - disse Troi, não tendo muita certeza se interpretara direito.

 

            Por quase uma hora elas formaram imagens tentando explicar sua presença. Era difícil a comunicação, Picard estava ligeiramente contrariado, não gostava de especulações, algumas imagens representadas pelas luzes eram de fácil interpretação, mas outras eram completamente sem sentido.

 

            Sem mais nem menos elas voltaram para a nave e ficaram flutuando no teto, pareciam cansadas, seu brilho já não era tão intenso, e pulsavam fracamente. Wesley ligou o tradutor mas tudo o que conseguiram foram murmúrios que assemelhavam-se ao som do mar.

 

            A luz violeta circulou  Willian Riker e voltou ao seu lugar anterior.

 

            - Acho que sua Fada Sininho voltou - disse-lhe Troi sorrindo.

 

            - Olá amiguinha? - disse-lhe o Comandante suavemente. - Está cansada?

 

            - Estranho. - disse Data. - O Senhor é a única pessoa de quem elas chegaram tão perto.

 

            - Dra. Crusher venha até a ponte por favor - pediu Picard através do comunicador, no momento em que escutou a observação de Data.

 

            Assim que Beverly chegou, puseram-na a par dos últimos acontecimentos. Com seu tricorder ela examinou o Comandante Riker minuciosamente, não encontrando nada que justificasse a proximidade da luz com o mesmo. O Cap. Jean Luc andou calmamente pela sala, como se pensasse em algo.

 

            - Conselheira o que está sentindo neste momento? - perguntou Picard.

 

            - Expectativa ... curiosidade, ansiedade ... - respondeu Deanna após breves segundos de meditação.

 

            - E especificamente no Comandante Riker? - perguntou o Cap. Picard novamente.

 

            Troi focalizou sua atenção no Comandante Riker e sentiu a familiaridade de seu toque mental, sentiu-lhe o desconforto por estar sendo analisado, mas não havia nada negativo com relação a “Fada Sininho”, ao pensar isso ela sorriu pois era exatamente essa comparação que permitia a aproximação da luz.

 

            - Ele não a teme de forma alguma, sente-se protegido, desculpe Will ...  - disse sabendo que de alguma forma estava violando sua privacidade - ...mas em seu inconsciente você realizou o sonho de toda criança, você possui uma fada.

 

            Todos na sala sorriram  menos Riker que era naturalmente a vítima, e Picard que não ficara satisfeito com o resultado de suas especulações..

 

            - É, mas esta pequena Fada não quer atender meus pedidos. - disse Will ligeiramente contrariado. - Gostaria muito que pudessem falar.

 

            Sem aviso prévio a atividade das luzes recomeçou. Todos olharam em volta, perguntando-se quando aquilo iria terminar.

 

            Willian Riker ficou muito tempo observando o movimento desordenado das luzes, de repente teve uma idéia.

 

            - Poderíamos criar imagens também! - disse.

 

            - O que disse Número Um? - perguntou o Capitão que estava absorto em seus pensamentos.

 

            - Comunicação visual. Se conseguirmos de alguma forma mostrarmos a elas como chegamos aqui através de imagem talvez ...

 

            - Isso pode funcionar senhor - disse Data interrompendo o Comandante.

 

            - Executem - disse o Capitão Picard - Qualquer novidade estarei em meu alojamento. Número Um o comando é seu.

 

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            Estavam no terceiro dia. As luzes estavam mais calmas, parecia ter passado o entusiasmo pela aventura, agora limitavam-se a observar, algumas ainda pareciam agitadas, ou irritadas e percorriam a nave em louca velocidade, mas pareciam deslocadas no meio das outras. Essa mudança de atitude dera-se logo após o Cap. Picard ter dado ordens para iniciarem o mapeamento de outro setor no quadrante, esta ação deslocou a Enterprise em 50 mil  quilômetros de sua posição anterior.

 

            Enquanto isso Wesley, La Forge, Data e o Tenente Landau, que tinha por hobby criar imagens no computador trabalhavam em um transmissor que projetasse no espaço as imagens dos exploradores.

 

            A adesão de Landau ao grupo foi através de Wesley que o havia conhecido no Ten Forward, ele ficou muito satisfeito em participar de um projeto tão importante, e dava o máximo de si. Enquanto os técnicos trabalhavam no transmissor em si, ele criava composições digitais que contavam a história da Enterprise e seus tripulantes.

 

            Riker posicionou-se atrás do jovem tenente e ficou algum tempo a observá-lo. Estava ficando muito bom.  Devia se misturar mais com a tripulação,  pensou, assim como Grant e Landau com certeza haviam outros talentos a bordo, era bom que soubesse das habilidades de todos.

 

            A missão de mapeamento prosseguia apesar de todo esse tumulto e ao final da tarde o Capitão foi informado que já poderiam deixar aquele setor. Mas ele não o fez. Queira mais uma vez tentar se comunicar com aquelas formas de vida, temia que um outro afastamento do ponto inicial fizesse com que partissem, e ele queria muito saber quem ou o que eram.

 

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            Estavam prontos para fazer a tentativa, mas havia um problema, as luzes pareciam ter perdido o interesse em comunicar-se, desde a tarde anterior que a brincadeira de formar objetos havia cessado, o que confirmava a suspeita de Picard de que era-lhes difícil ou doloroso aglomerarem-se para assumir  formas muito grandes ou complexas. A comunicação verbal continuava no mesmo ponto que no dia anterior. O tradutor universal conseguiu traduzir mais de mil palavras mas não havia nexo no que era dito. Data tentou até mesmo em outros idiomas, o que piorou ainda mais, pois conforme La Forge havia previsto, nem todas as palavras tinham o mesmo significado.

 

              - Capitão poderia vir até a ponte por favor - soou a voz de Riker em seu comunicador. Picard espreguiçou-se. Estivera por um bom tempo deitado meditando, quando abriu os olhos para responder ao Imediato observou que não havia formas luminosas em seus aposentos.

 

            - A caminho. - respondeu levantando-se imediatamente.

 

            Por todo o percurso de seu alojamento até a ponte de comando, o Capitão observou que elas não estavam mais presente. Sentiu faltas delas.

 

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            - Estão indo embora - disse Riker para Picard no momento em quue este entrou na ponte.

 

            Ele olhou para a tela principal e viu centenas de luzes partindo da Enterprise como se fossem um rabo de cometa.

 

            - Bem. - disse Picard com um suspiro. - Algum dia, quem sabe, descobriremos quem ou que eram. - disse voltando-se para Willian Riker.

 

            Neste momento a luz violeta que acompanhava o Comandante, saiu de seu ombro e flutuou para o meio da ponte. Seu brilho estava fraco.

 

            - Porque você não foi com os outros? - perguntou Riker brandamente, sem se dar conta de que falava com a luz como se fosse uma velha amiga.

 

            Sem precisar que lhe fosse ordenado Wesley ligou o tradutor universal. A princípio só havia os sussurros, após alguns ajustes feitos pelo Comandante Data, pode-se ouvir uma voz velada, que poderia ser identificada como sendo de alquém muito jovem.

 

            - Porque não foi embora com os outros? - dessa vez quem perguntou foi Picard.

 

            - Vocês interessantes. - respondeu.

 

            - Quem são vocês? E porque estão aqui. - perguntou Riker.

 

            - Há muito fomos iguais a vocês, um dia outros explodiram algo em nosso mundo, o sol e as estrelas por muito tempo deixaram de brilhar, depois percebemos existir.  - a voz fez uma pequena pausa, como se pensasse nas palavras que deveria utilizar. - Seu lar tão bonito, brilhante. Viemos conhecer. Muito bom e divertido o tempo que aqui estivemos.

 

            As luzes já estavam muito distante da USS-Enterprise, Picard preocupou-se com o fato de talvez a amiguinha de Riker não poder juntar-se a eles.

 

            - Seus amigos já estão muito longe. Porque não foi juntar-se a eles? - perguntou

 

            -  Difícil conversar. Pensei  se estivesse só poderia conversar. - disse a bola de luz.  - Acho que consegui. Vocês  contentes.

 

-         Você está ficando diferente. - disse Data, que observou pequenas mudanças na textura e cor da bola luminosa.

 

            - Ficar sem os outros, difícil existir. - respondeu.

 

            - Está dizendo que arriscou sua vida para falar conosco? - perguntou Picard, sem acreditar.

 

            - Não teria sentido nosso encontro. - respondeu.

 

            - Sr. Crusher mudança de curso. - disse Picard imediatamente. - Volte ás coordenadas de nosso encontro com as luzes.

 

            - Sim senhor. - respondeu o Alferes iniciando imediatamente a manobra.

 

            - Em alguns minutos poderá juntar-se aos seus amigos. - disse Picard para a luz que agora estava mais escura.

 

            - Porque desenham as estrelas? - perguntou a luz.

 

            - Estamos mapeando este setor, o nosso trabalho servirá para guiar outras naves. - respondeu Riker.

 

            - Então outros lares como o seu,  virão! Isso é bom. gostamos de conhecer coisas novas. Foi bom estar aqui. - disse a voz em tom mais baixo.

 

            - Em cinco minutos atingiremos as coordenadas iniciais senhor. - informou Wesley.  

 

            - Foi muito bom conhece-los também. - disse Picard. - Podemos fazer alguma coisa para ajudá-la? - perguntou Picard notando que estava maiss escura e que apresentava pequenos pontos escuros.

 

            - Não deviam ter voltado com o lar. Só sentirão minha falta quando ouvirem o silêncio...  disse - ... então será tarde

.

            - Você tem um nome? - perguntou Deanna.

 

            - Nashy - respondeu

           

            - Admiro seu sacrifício para se comunicar Nashy. - disse Picard. - Poucas espécies dão tanto de si, pelo simples prazer de conhecer, aprender.

 

            Os minutos se passaram lentamente. E nada das outras luzes aparecerem. Nashy já estava tão fraco que pairava a poucos centímetros do chão.

 

            - Gostaria de perguntar tantas coisas... - disse Picard - ...mas temo que não haja tanto tempo.

 

            - As vezes... - disse Nashy fazendo uma pequena pausa - ... uma vida inteira não suficiente para se conhecer.

 

            - Sim. - respondeu Picard.

 

            - Porque não chegam logo? - perguntou Riker  de forma impaciente olhando para a tela.

 

            - São muitos, falando ao mesmo tempo. Não sentirão minha falta. - respondeu Nashy.

           

            Derepente elas invadiram a ponte e rodearam a pequena forma luminosa que jazia quase sem brilho. 

 

            Por vários minutos elas circularam, ricochetearam e mais uma vez alegraram os olhos humanos com pequenas explosões e cascatas. Pararam repentinamente e partiram rumo ao teto.

 

            No lugar onde Nashy estivera restou apenas uma mancha preta, semelhante a fuligem.

 

 

??????

             

                                  

            Lá fora, mais uma vez, em meio o brilho suave das estrelas elas formaram a USS-Enterprise, mas desta vez, além da nave haviam muitas luzes que dançavam a sua volta, e após alguns segundos explodiram em milhares de fragmentos que confundiram-se com as estrelas.

 

            Por alguns minutos todos ficaram observando a  tela. O Capitão Picard suspirou profundamente, como se dissesse para si mesmo "acabou" este simples gesto estava repleto de tristeza, pois gostaria muito de saber mais sobre aquelas exóticas criaturas.

 

            - Sr. Crusher - disse Picard a seguir - marcar coordenadas, vamos prosseguir com nossa missão. Número Um, o comando é seu! - completou levantando-se e pondo-se a caminho da saída da ponte.

 

Riker assumiu a cadeira de comando e também ficou olhando o espaço infinito através da tela, sentia falta da forma luminosa ao seu lado, mas estava satisfeito com o desfecho feliz da aventura de seu pequeno amigo.

 

-         Sr. Crusher, acionar - disse por fim.

 

            A grande astronave fez uma manobra em arco e retornou ao curso anterior, deixando para trás as formas luminosas. Em breve elas teriam "outros lares para brincar", pensou Will.

 

 

FIM

 

 

 

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