O Legado de Callisto - Parte III
A Aposta
Conto ambientado no universo ficcional da série:
Hércules - The Legendary Journeys>
As personagens: Hércules, Iolaus, Alcmena, Joxer, Xena, Gabrielle, Ares e Hades são propriedade da Universal Pictures, não pretendendo o autor infringir os seus direitos autorias.
Autora: Regina Planella
Capítulo I
O viajante em sua carroça avistou a figura negra e solitária que se aproximava montada em um lustroso garanhão negro. O homem puxou as rédeas de seu cavalo, indicando-lhe que devia parar. Ele olhou para os lados a procura de um lugar seguro caso a criatura sinistra quisesse atacá-lo.
Sophia viu quando o viajante parou, e sorriu consigo mesma, o pobre coitado estava com medo dela. Um pensamento maldoso passou por sua mente, mas resolveu deixar o pobre homem seguir seu caminho em paz.
A fase das confusões havia passado, agora ela namorava a idéia de cometer suicídio. Ela passou pelo carroceiro que encolheu-se e olhou-a meio de lado, tentado ver o seu rosto escondido pelo capuz do manto.
Desde o episódio com o burrinho, em que Xena havia tentado salvar sua vida, que ela havia deixado de procurar a morte nas mãos de outros, teve medo que Xena e Gabrielle se machucassem por causa dela. Sua vida ultimamente estava dividida em três períodos: havia momentos em que enxergava o mundo com uma clareza espantosa, outros em que se deixava levar pelo desespero e um outro em que se deixava dominar pela fúria. Não podia continuar vivendo daquele jeito. Temia o momento em que cometesse algum desatino e machucasse algum inocente, lentamente estava se tornando em uma criatura perigosa para os outros e para si mesma. Estava perdendo aos poucos o controle sobre sua vida, o pior é que via isso acontecer e não fazia nada para mudar, impedir. A única coisa que a sustentava era a dor e o sofrimento.
Ela saiu da estrada e prosseguiu por dentro do bosque até encontrar uma clareira. Desceu do cavalo, tirou-lhe a sela e foi procurar gravetos para acender uma fogueira. Enquanto fazia isso deixou sua mente vagar entre as lembranças, de repente ouviu um riso de criança e uma sombra correu por trás das árvores.
- Quem está aí? – perguntou.
Não houve resposta, apenas os sons característicos das árvores. Novamente ela ouviu um riso alegre, inocente. Era a voz de Rael.
- Rael! – chamou esperançosa. Algo mexeu-se atrás dela, passos incertos de uma criança, mais risos. Ela soltou os gravetos e correu na direção do som.
- Rael! Onde está você? – seus olhos estavam marejados, seus coração batia em descompasso, ante a expectativa de reencontrar seu filhinho. Ela correu até atingir a fronteira do bosque com a planície. Não havia nada lá. Ela deixou-se cair de joelhos e chorou.
Deixou-se ficar ali por um bom tempo, e quando se levantou estava tomada de raiva e ódio. Atacou o tronco de uma árvore com fúria, até que seus punhos sangrassem. Cansada sentou-se ao pé da árvore apoiando a cabeça na mão ensangüentada. Estava ficando louca, pensou, as Fúrias a estavam punindo por que ela não havia vingado a morte de sua família.
A loucura era algo bem pior do que o poço de desespero em que havia se lançado. Episódios como o de ainda há pouco estavam se tornando cada vez mais freqüentes, sentia-se próxima a uma decisão terrível.
- Não! – gritou. – Não quero fazer isso. – disse para si mesma.
Desde que Callisto destruiu sua cidade e sua família que todos os seus atos eram direcionados a causar dor e sofrimento, sentia um prazer indescritível em matar, era como uma droga que entorpecia seus sentidos, sua angustia desaparecia como que por encanto. No fundo sabia que buscava a morte, queria ir para Tártaros juntar-se a sua família, vê-los ao menos mais uma vez.
Ela encostou a cabeça no tronco da árvore e fechou os olhos, de repente pareceu adormecer, quando abriu os olhos um rosto muito conhecido e desejado estava próximo ao seu.
- Senti sua falta! – disse o homem tocando suavemente seu rosto e segurando sua mão machucada.
Ela olhou-o como que hipnotizada. Os olhos azuis, a barba rala e macia, seus cabelos compridos, podia sentir o cheiro de seu corpo, seu calor.
- Você está morto! – disse com lágrimas nos olhos. – Vai embora por favor.
Ele acariciou-lhe o rosto, enxugando-lhe as lágrimas.
- Quando pensamos nos mortos, eles ouvem. – disse. – E não gosto do que tenho ouvido. Tenho medo que deixe de ser a criatura meiga e doce pela qual abandonei tudo.
- Vai embora Cássius – gritou se afastando. – Isso não é real. Você está morto, vi seu corpo. Coloquei as moedas de ouro para o barqueiro Caronte sobre seus olhos. Queimei o seu corpo e o de Rael. – disse chorando.
Ela ergueu a mão para tocá-lo, ele a segurou e levou-a aos lábios.
- Te ensinei a defender-se, a lutar e a matar. – disse Cássius. – Te ensinei a fazer o que devia sem olhar para trás. Vi você se transformar de menina em mulher sem perder sua capacidade para amar, apesar de viver no meio da morte. Por você eu mudei, aprendi a ver o mundo através de seus olhos, a desejar a paz e a felicidade. E tivemos durante um tempo toda a felicidade que um mortal pode desejar.
- Cassius... – disse Sophia.
- Tudo nesse mundo tem um fim Sophia. – disse. – Ninguém teve culpa do que aconteceu. Ficou lá atrás.
- Não posso aceitar isso.
- Perdoe e liberte seu coração. – disse Cassius enxugando-lhe as lágrimas.
Sophia levantou-se assustada, olhando a sua volta.
- Cássius! – chamou olhando em volta. – Cássius!
Ela retornou para o acampamento e acendeu a fogueira, mas não conseguia dormir. Passou parte da noite sentada olhando fixamente para sua espada. Aquilo teria um fim, de um jeito ou de outro teria que terminar.
Quando abriu os olhos novamente o sol já começava a nascer. Ela virou-se para o lado e viu um homem alto de cabelos negros como ébano, vestido em couro preto. Ele sorriu.
- Chá! – ofereceu com um sorriso.
Ela levantou-se com cautela, seus olhos percorreram rapidamente o acampamento, sua espada estava muito longe e bem próximo a ele.
- Procura isso! – disse o homem pegando a espada e jogando-a em sua direção. Ela não pegou.
- O que quer de mim? – perguntou sentando-se.
- Você está com uma aparência horrível! – disse o homem estendendo o caneco com o chá. – Tome! Vai se sentir melhor. Tenho uma proposta a lhe fazer.
- Ares, o Deus da Guerra fazendo acordo com mortais? – perguntou em tom de zombaria e pegando o caneco de sua mão.
- Antigamente me respeitava mais. – disse Ares.
Sophia não respondeu. Tomou um gole do chá, sentiu a bebida quente revigorar-lhe o corpo.
- Posso tirar sua família do Tártaros. – disse Ares. Sophia olhou-o, interessada. – Mate Hércules, e eu os devolverei para você.
- Não faço acordos com inimigos. – disse Sophia friamente. – Acha que não sei que libertou Callisto?
- E Xena deu um jeito nela para você. – disse Ares com ar de pouco caso. – Devia ser grata a ela, mas não consegue não é? Ela é a culpada. Vou fazer melhor! – disse levantando-se a aproximando-se de Sophia.
Ele abaixou-se ao seu lado pegou seus cabelos e cheirou.
- Dou-lhe também a oportunidade de acertar as contas com Xena e devolvo-lhe sua família.
- Por que quer matar Hércules? – perguntou curiosa.
- Isso é problema meu. E então? – perguntou novamente.
- Faz tudo o que Hera pede? – perguntou Sophia provocando-lhe. – O que ela lhe prometeu? O que um Deus pode querer?
- Não brinque comigo. – disse Ares levantando-se irritado. – Sou um Deus, posso fazer coisas terríveis com você. Posso pedir as Fúrias que a persigam. Esta quase louca mesmo. – disse em tom de zombaria. - Vamos, isso pode acabar! Só tem que matá-lo.
- Vá embora! – disse Sophia levando-se. Ela começou a recolher suas coisas ignorando o Deus da Guerra.
- Está cometendo um grande erro. – disse Ares.
- Acabou Ares! – disse Sophia olhando-o. – Não obedeço mais a Deuses ou homens. Se morrer é minha punição, faça-o agora, se deseja enviar as Fúrias, fique a vontade. Não tenho mais nada a perder. Já me tiraram tudo. – disse a última frase em tom de resignação.
Ares olhou-a fixamente. Tinha de haver um modo de dobrá-la.
- Vi seu filho! – disse. – Ele está sozinho, sente muito a falta da mãe e do pai. Ele foi para os Campos Elíseos, já o seu querido Cássius está condenado ao sofrimento eterno.
- Porco imundo! – gritou Sophia dando um tapa em Ares.
- Calma! – disse Ares segurando seu pulso para defender-se de um segundo tapa. – Apenas pensei que quisesse notícias. Há meses vive choramingando pelos quatro cantos da Grécia.
- Você é um monstro. – disse Sophia afastando-se dele enojada.
- Tirei Callisto do Tártaros, posso tirá-los também. – disse Ares. – Será bem mais fácil. Você mesmo disse Sophia, não tem nada a perder. Se matar Hércules terá sua família de volta. Se ele matá-la você os encontrará. Como vê, você só tem a ganhar.
Sophia ficou em silêncio olhando-o, a idéia de seu filhinho sozinho, abandonado, chorando pelos pais lhe embotava os sentimentos.
- E então? – perguntou ansioso.
Ela não lhe respondeu, voltou a tarefa de recolher suas coisas. Foi colocar a sela em Jasão. Ares a observava.
Quando tudo estava arrumado ela montou, indicando ao cavalo o rumo que queria tomar.
Ares em silêncio observou-a se afastar, e sorriu consigo mesmo. Ela iria fazer o que ele queria.
- Hércules está retornando para seu lar. – disse, desaparecendo a seguir.
Capítulo II
Sophia seguiu seu caminho, e por dias Ares não a atormentou. Mas a sua oferta não lhe saia da cabeça, ansiava tanto pela presença de sua família que chegava a doer, nestas horas a proposta de Ares se tornava quase irresistível.
Ela aproximou-se de uma pequena aldeia. Algumas mulheres cantavam enquanto trabalhavam em um campo agrícola. Ela parou para observá-las. Em Briseis havia um campo como aquele e na primavera, época da colheita, as mulheres cantavam do mesmo modo.
Lembrou-se com saudade dos festivais que faziam por época da colheita. O campo era enfeitado com bandeiras coloridas, havia muita comida e bebida. As crianças corriam livres e felizes, as moças dançavam, os rapazes participavam de competições. Ela fechou os olhos e suspirou.
Com um gesto ela puxou as rédeas de Jasão e o cavalo obediente retornou a estrada, quando estava se aproximando do vilarejo notou uma confusão.
Um homem de roupa esquisita estava cercado por três homens armados com espada. Ela aproximou-se lentamente do local do tumulto.
- Parem! – disse o homem de chapéu estranho. – Sou Joxer, o Poderoso. Amigo de Xena e vou levá-los a justiça.
- Você? – disse um dos homens rindo. – Acabem logo com isso.
Os três homens avançaram com suas espadas em direção a Joxer. Sophia olhou a podre criatura desengonçada e avaliou suas chances. Nenhuma!
Num gesto impensado ela ficou em pé sobre a sela e saltou por cima dos homens aterrissando ao lado de Joxer e com a espada em punho.
- De onde você saiu? – perguntou o líder dos homens surpreso.
- Não se incomode comigo! – disse Sophia com um sorriso maldoso. – Estou apenas diminuindo a desvantagem dele.
O homem olhou-a fixamente e com um gesto ordenou o ataque. Sophia com um único golpe desarmou um dos homens, ao virar-se chutou o atacante de Joxer nas costas.
Ao perceberem que Sophia sabia se defender, eles concentraram o ataque nela, Joxer sabiamente se posicionou um pouco atrás. O líder partiu para cima dela com fúria e duas espadas. Ela girava sua espada e mudava-a de mão a todo momento amparando os golpes e esquivando-se, Joxer pegou um tora de lenha e bateu na cabeça de um dos homens que atacavam Sophia, o terceiro já recuperado juntou-se aos demais.
Ela subiu em uma mesa e chutou o líder, sangrando-lhe os lábios. Em um poste havia uma ferramenta em forma de foice, ela pegou-a e atirou em direção a um dos homens que caiu com o instrumento cravado em seu peito. Sophia saltou por cima dos outros dois e com um golpe certeiro decapitou o outro homem. Sua cabeça caiu próximo aos pés de Joxer que desmaiou ao vê-la.
- Agora é entre nós dois. – disse Sophia para o líder.
O homem assustado olhou os companheiros mortos, deu alguns passos para trás e saiu correndo.
Sophia balançou a cabeça, desaprovando e voltou sua atenção para Joxer. Antes de ir ver se ele estava bem, ela limpou a espada na perna da calça de um dos mortos e embainhou a espada nas costas.
Ela abaixou-se próximo a Joxer e verificou se estava ferido. Estava vivo e ileso.
Algumas pessoas permaneciam no local, assustadas e curiosas. Sem uma palavra Sophia voltou para sua montaria e dirigiu-se para a taberna local.
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A taberna estava quase vazia. Sophia aproximou-se do balcão.
- Quem eram aqueles homens? – perguntou ao taberneiro.
- Encrenqueiros! – respondeu o senhor grisalho. – Queriam levar algumas carroças de suprimentos e aquele sujeito esquisito tentou impedi-los. Sorte a dele você ter aparecido, um sujeito de bom coração, mas não teria a mínima chance.
– Uma caneca de vinho. – disse Sophia colocando uma moeda sobre o balcão e ignorando o comentário do taberneiro.
O homem trouxe a caneca e recolheu a moeda.
- Pretende ficar por aqui muito tempo? Alguém com suas habilidades seria muito útil. – disse o homem. – Poderíamos pagá-la.
- Não estou interessada! – respondeu Sophia enquanto observava o local. – Hércules vive aqui perto, porque não pedem ajuda a ele?
- Ele está longe no momento. – respondeu o homem. – É sempre assim, quando Hércules e Iolaus partem, eles vêm.
- Soube que ele está regressando. – disse Sophia terminando o vinho.
Sophia saiu sem mais comentários. Ela parou a frente da taberna e pediu informações de onde poderia achar um ferreiro.
Ficou sentada observando o movimento do vilarejo enquanto o ferreiro cuidava de Jasão.
Joxer aproximou-se dela.
- Não precisava ter feito aquilo! – disse indignado. – Eu teria acabado com eles.
- Desculpe! – disse Sophia. – Se houver uma próxima vez permitirei que o matem. Pra mim não faz diferença. – ela levantou-se e caminhou em direção a ferraria.
- Ei! Espere! – chamou Joxer indo atrás dela. Sophia parou e olhou-o com expressão de poucos amigos. – É ... queria agradecer. – disse Joxer.
Sophia suspirou e voltou-se para o homem que havia acabado de trocar a ferradura do cavalo. Ela pagou e foi embora.
Joxer ficou parado olhando-a e resolveu seguí-la.
- Ei! – disse correndo atrás do cavalo de Sophia. – Estou indo nesta direção. Podemos seguir juntos.
Sophia conduziu sua montaria por mais alguns metros, porém Joxer continuava atrás dela. Ela puxou as rédeas do cavalo e ele parou.
Ela ficou alguns minutos esperando o homem aproximar-se. Teve vontade de rir daquela figura estranha.
- Pensei que fosse me fazer correr até Tebas. – disse Joxer. – Já que vamos viajar juntos deixe-me apresentar-me. Sou Joxer, o Poderoso. Disse com orgulho.
- Joxer, o Poderoso! – repetiu Sophia com um sorriso de zombaria a brincar-lhe nos lábios.
- Não ria de mim! – disse Joxer. – Sou um grande guerreiro, ajudei Xena e derrotar Callisto.
Sophia ficou interessada.
- Então conhece Xena? – perguntou incrédula.
- Sim! – respondeu Joxer. – Somos grandes amigos.
Sophia riu duvidando.
- Como se chama o rapazinho que a acompanha? – perguntou.
- Ahh! Pensa que me engana? – disse Joxer com um ar de esperteza. – Não é um rapazinho, é uma moça e se chama Gabrielle. Também é minha amiga.
Sophia ficou alguns minutos observando-o.
- Está certo, Joxer, O Poderoso. – disse por fim. Há muito tempo viajava sozinha, talvez uma companhia espantasse os fantasmas que a perseguiam – Pode me acompanhar, mas aviso-lhe, minha paciência é curta e meu humor muda como as ondas do mar. Não me aborreça.
- Tudo bem! – disse Joxer aprumando-se e arrumando sua estranha armadura. – Como você se chama?
- Sophia! – respondeu moça já conduzindo a montaria.
Caminharam por várias horas na estrada. Joxer tagarelava enquanto saltitava ao seu redor. Parecia ser impossível para aquela criatura permanecer quieta. Falava de Xena e Gabrielle o tempo todo, e aquilo já estava deixando-a maluca.
- Por todos os Deuses. – disse irritada. - Cale-se.
Joxer engoliu em seco. E por quase duas horas deu alívio aos ouvidos de Sophia. Mas olhava-a o tempo todo, cheio de curiosidade.
- Você é uma heroína como Xena? Por isso me ajudou lá atrás? – perguntou tentando entabular conversa.
- Não! E não lhe ajudei. Apenas dei vazão aos meus instintos assassinos. – respondeu de modo lacônico.
- Olha se você é uma fora da lei, serei obrigado a entregá-la para a justiça da cidade mais próxima. – disse Joxer. – Sou um grande herói e não posso ser visto em má companhia, isso poderia fazer mal a minha imagem.
- Pelo que me lembre foi você que inventou de me acompanhar.
- É! Tem razão. – disse Joxer. – Mas se você não é uma heroína e não é uma fora da lei, o que você é então.
Sophia olhou-o de modo sério e logo depois começou a rir. Fazia muito tempo que não ria.
- Você não existe! – disse saindo da estrada.
Ao chegarem a uma clareira, Joxer foi procurar lenha para a fogueira. Sophia aproveitou o momento de silêncio para colocar seus pensamentos em ordem. Ainda não havia decidido sobre o que fazer quanto a proposta de Ares, mesmo com a tagarelice de Joxer não havia conseguido afastar o pensamento de seu filho.
Repartiram a pouca comida que haviam trazido, Joxer agora estava mais tranqüilo, o que parecia ser um pequeno milagre.
Estavam deitados com a fogueira entre eles. Sophia coberta com seu manto olhava as estrelas.
- Como ajudou Xena a matar Callisto? – perguntou Sophia, embora já conhecesse a história através de Xena.
Escutou atentamente a versão de Joxer e por incrível que pareça ele não estava aumentando sua participação.
- Não consigo entender como Gabrielle não sente raiva e ódio. – disse Sophia após o ouvir o relato de Joxer.
- Gabrielle é a pessoas mais doce e justa desse mundo. – respondeu Joxer virando-se para o lado de Sophia. – E foi Callisto que matou Pérdicas.
- E Xena criou Callisto, tem também uma parcela de culpa. – disse Sophia, deixando transparecer na voz um pouco de sua mágoa.
Por um bom tempo ficaram em silêncio.
- É, mas Cortese criou Xena, e alguém criou Cortese e este alguém também foi criado por alguém... – disse Joxer.
- Não acaba! – disse Sophia, virando-se para o lado e dando a entender que ia dormir.
- Acaba sim! É por isso que agora Xena luta pelos inocentes. Nós, heróis transformamos o mundo em um lugar melhor.
- Cala a boca Joxer! – disse Sophia.
Não demorou muito Sophia ouviu os roncos de Joxer. Incomodada com o barulho, ela levantou-se e ficou brincando com o fogo e pensando no que Joxer havia dito. Pela sua linha de raciocínio o mal era algo que acompanhava a humanidade desde de tempos imemoriais, talvez mesmo antes dos Titãs habitarem a terra, não havia razão em procurar um responsável, o mal estava lá, presente no coração dos homens.
Perdeu-se em lembranças de uma época em que ela mesma fazia parte ativa desde ciclo. Imagens de pessoas assustadas, correndo para se proteger-se, aldeias queimando. Não gostava daquilo. Não se importava quando eram contratados por algum Rei para defender suas terras ou defender seu modo de vida, nessas ocasiões lutavam com soldados e outros guerreiros, mas odiava quando saqueavam aldeias, obrigavam as pessoas a lhes darem seus objetos de valor, seus suprimentos. Cássius lhe explicava que era necessário manter os homens em forma e o custo de manter um exército como aquele, ela até compreendia seus argumentos, mas sabia que aquilo era errado.
Capítulo III
Sophia acordou assustada, ficou alguns minutos deitada arquejando. Mais pesadelos. Ela sentou-se o olhou ao redor, Joxer dormia com a boca aberta ao seu lado.
Ela levantou-se em silêncio e afastou-se do acampamento. Sentou ao pé uma árvore grossa e fitou o céu.
- Vejo que aceitou minha proposta. – disse Ares surgindo do nada.
- Já disse, não faço acordo com inimigos. – disse Sophia em voz baixa.
- Mas está indo ao encontro de Hércules. – respondeu o Deus da Guerra com um sorriso de vitória.
- Não! A aldeia em que ele vive, é que está no meu caminho. – respondeu.
Ares riu.
- Muito espirituoso. – disse. – Não se esqueça, mate-o e terá sua família de volta.
- Que garantias eu tenho? – perguntou Sophia.
- Minha palavra! – disse Ares.
- E desde quando os Deuses tem palavra? – perguntou Sophia.
- Me ofende falando assim! – respondeu Ares, como se estivesse indignado.
- Não passamos de peões para vocês, riem de nossa mortalidade, de nosso sofrimento. – disse Sophia. – Brincam com nossos destinos ao seu bel prazer. Mato Hércules, Hera lhe dá o que deseja e eu fico com a culpa e o remorso.
- Isso não acontecerá! – disse Ares muito sério. - Vou lhe mostrar uma coisa.
Com um gesto um circulo luminoso surgiu no meio da noite, como se fosse uma janela. Sophia viu seu garotinho deitado, parecia triste, desamparado.
- Onde está minha mãe? – perguntou para alguém que estava fora do campo de visão dela.
- Longe! Muito longe. – respondeu uma voz feminina.
Sophia sentiu as lágrimas escorrerem pelo seu rosto, sem se dar conta aproximou-se mais da imagem.
- Em breve poderá estar com ele em seus braços. – disse Ares tentando-a.
Ele desapareceu e Sophia ficou sozinha com seus pensamentos.
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Ela caminhava puxando as rédeas de Jasão, com Joxer ao seu lado contando uma de suas aventuras, ela mal o ouvia.
- Joxer! – chamou interrompendo-o. – Confia nos Deuses?
- É claro que sim. – disse enfaticamente. – Mas só em alguns. – completou a seguir.
- Ares? – perguntou Sophia.
- Está louca? Ele é o Deus da Guerra! – disse como se estivesse contando alguma coisa que Sophia não soubesse. – Ele é manipulador, um Deus muito perigoso.
- Todos são! – disse Sophia de modo sério. – Por isso são Deuses.
- É! – disse Joxer de modo pensativo. – Mas alguns são bons. Apollo por exemplo, seu filho Esculápio, Eros ...
- Se fossem bons não deixariam que coisas ruins acontecessem. – disse Sophia.
- O Deus único dos hebreus é bom! – disse Joxer.
- Talvez seja bom para os hebreus. – respondeu Sophia. – Mas prefiro viver sobre o jugo de muitos, do que sob a tirania de um.
Ao final do dia chegaram a aldeia em que Hércules morava e para sorte de Sophia ele já estava lá. Segundo informações, ele estava na casa de sua mãe.
Depois de fazerem uma refeição farta na taberna local, caminharam pela vila, Joxer não entendia o que estavam fazendo ali, e nem imaginava quais os propósitos de Sophia, mas alguma coisa em seu coração lhe dizia que devia ficar ao seu lado.
Montaram acampamento fora do vilarejo. Sophia estava muda como uma pedra e completamente alheia ao seu companheiro.
Sophia passou a noite em claro, perdida em seu sofrimento, as palavras de Ares ressoavam em sua cabeça como um poderoso martelo.
Pela manhã já havia decidido o que fazer.
- Joxer, o Poderoso! – disse. – Acho que tenho uma importante missão para você.
- Verdade! – disse surpreso e entusiasmado. - Terei que lutar contra poderosos guerreiros do mal.
- Não! – disse Sophia sorrindo. – Procure Hércules e lhe diga que sua vida corre perigo.
- Como sabe disso! – disse incrédulo.
- Chega de perguntas! – disse Sophia rispidamente. – Preste atenção e não faça bobagens. Diga que Hera enviou alguém para matá-lo, que ele e sua mãe correm perigo.
- E depois, o que faço? – perguntou.
- Siga seu caminho e esqueça que algum dia me conheceu! – disse Sophia.
- E perder a diversão? Você vai ficar para ajudá-lo não é?
- Não! – disse Sophia. – Vou matá-lo!
Joxer arregalou os olhos e sacou sua espada.
- Não permitirei! – disse bravamente. – Salvou minha vida naquela vila, mas a matarei se for preciso.
Sophia desembainhou sua espada e encostou a lâmina no pescoço de Joxer.
- Quer que sua cabeça chegue a casa de Hércules antes que seu corpo? – perguntou. Joxer viu um brilho estranho nos olhos de Sophia, algo letal e terrível, engoliu em seco.
Sem pensar ele saiu correndo para avisar Hércules, tão apressado que não viu quando Ares se fez presente.
- Eu sabia que não iria me decepcionar. – disse Ares aproximando-se dela. - Ouvi a conversa que teve com o trapalhão. Não devia falar mal dos Deuses.
- Quando os Deuses ficam nos espionando como velhas matronas, não vejo razão para respeitá-los ou mesmo temê-los. – disse Sophia encarando-o.
- Não estava espionando, apenas cuidando de meus interesses. – disse Ares defendendo-se. – Pegue! – disse entregando-lhe uma espada que trazia na mão. – Apenas um corte e Hercules estará morto.
Sophia pegou a arma e movimentou-a de um lado para o outro, girando-a em torno de si e trocando a arma de mão varias vezes. Sentindo o seu peso.
- Isso pode matá-lo também? – perguntou Sophia apontando a espada para Ares.
- Sou um Deus! – disse Ares rindo. – Mate-o e terá sua família de volta.
- Deve estar tão louco quanto eu, achando que posso matar Hércules. – disse Sophia, ainda brincando com a espada.
- Hércules é todo certinho, não bate em mulheres, até mesmo com a Xena ele se contém. – disse Ares. – Ao vê-la, tão pequena e frágil ele evitará machucá-la, esta é a sua vantagem. Você o abaterá facilmente.
- Faz de conta que acredito. – disse Sophia em tom de pouco caso. – Mas isso não tem importância, desde que essa história acabe aqui.
Ele desapareceu.
Capítulo IV
Na casa de Hércules, Joxer transmitia o recado de Sophia.
- Eu estou dizendo! Ela está louca! – disse para Hércules.
- Quem é esta Sophia? – perguntou Alcmena para Hércules.
- Pela descrição de Joxer acho que é a rainha de Briseis! – respondeu. – Estive na cidadela uma vez com Iolaus, durante os festivais de colheita, mas não a conheci. Seu marido, Cássius era um homem de bom coração.
- Rainha! – disse Joxer espantado.
- A cidade foi saqueada e queimada há algum tempo. – disse Hércules. – A família dela morreu. Ela e o marido eram guerreiros ...
- Como sabe tudo isso? – perguntou Joxer interrompendo.
- Salmoneus, um amigo vendedor me contou. – respondeu Hércules.
- E você teve alguma coisa a ver com isso meu filho? – perguntou Alcmena preocupada.
- Não mamãe! – disse Hercules. – Nem a conheço. Mas em Briseis todos a amavam e ao marido também.
- Então porque ela quer matá-lo? – perguntou Joxer.
- Seria bem do feitio de Hera se aproveitar do sofrimento da moça, instigá-la a cometer um desatino.
- Ela não me pareceu muito normal! – disse Joxer.
- Tome cuidado meu filho! – disse Alcmena preocupada.
- Irei com você! – disse Joxer corajosamente. Hercules sorriu.
– Já fez demais! – disse Hércules colocando a mão sobre seu ombro. – Quero que fique aqui e proteja minha mãe.
- Fique tranqüilo! A protegerei com minha vida. – disse empunhando a espada e quase acertando Alcmena que recuou um passo. – Tome cuidado, ela luta quase tão bem quanto a Xena.
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Sophia o aguardava na planície. Estava sentada ao pé de uma árvore, parecia tranqüila e segura. Ela se levantou ao vê-lo e ele se surpreendeu com a delicadeza de seu corpo, havia imaginado alguém com o porte de Xena, ou até mais imponente.
Sophia ouviu a voz de Ares incitando-a e fazendo-lhe promessas.
- Estou aqui! – disse Hércules parando alguns passos longe dela.
Sophia olhou-o avaliando-o. Já havia lutado com homens maiores e vencido.
- Porque quer me matar? – perguntou Hércules.
Sophia não disse nada.
- Vamos conversar está bem! – disse Hércules, na esperança de demovê-la. – Nós nem nos conhecemos.
Sophia desembainhou a espada e deu alguns passos ao redor de Hércules, tentava com todas suas forças se concentrar em sua tarefa. Ela não queria fazer aquilo, mas sentia-se impelida a atacá-lo. Em sua mente ela ouvia os gritos dos habitantes de Briseis, o choro de seu filhinho, ao mesmo tempo Cássius, Xena, Gabrielle e Joxer falavam. Por uma fração de minutos ela viu a sua frente os corpos de seu marido e seu filho. E a voz de Ares retumbou em sua mente – “Mate-o e eles voltarão!”
Sem aviso ela atacou Hércules. Ele esquivou-se saltando para o lado, mas com agilidade ela virou-se e quase o acertou pelas costas. Ele empurrou-a, mas ela manteve o equilíbrio e afastou-se um pouco dele.
- Foi Hera, não foi? – perguntou Hércules.
Sophia andava devagar ao redor de Hercules, olhava-o diretamente nos olhos, buscando um momento de distração.
- Você é Sophia, da cidade de Briseis? – perguntou Hércules.
Ela avançou novamente, ele se abaixou e jogou-a no chão com incrível facilidade, pois ela era muito leve. Ela de imediato se levantou. Havia um galho grosso no chão e Hércules o pegou, usando-o como arma. Sophia sorriu.
- Não quero lutar com você. Podemos resolver isso de uma outra forma. – disse. – Abaixe a espada. – pediu.
Sophia saltou por cima dele e ao pisar no chão virou-se com a espada na posição de decapitá-lo. Hércules se abaixou no momento preciso em que a lâmina separaria sua cabeça de seu pescoço.
Sophia sorriu, seus olhos possuíam um brilho que não era normal. Hercules se desviava de seus golpes com certa facilidade, Ares tinha razão ele não iria machucá-la, aquilo não seria tão fácil assim.
Ele amparou mais um golpe com o galho.
- Me matar não vai trazê-los de volta. – disse Hércules adivinhando qual seria o preço por sua morte. – Eles não podem voltar Sophia, estão mortos, pertencem a Hades agora.
Sophia hesitou por uma fração de segundos. “Concentre-se” – disse para si mesma.
- Sei como se sente! – disse Hércules. – Também perdi minha família.
- Não! Não sabe. – respondeu Sophia com raiva. – Só porque perdeu sua família pensa que sabe tudo, Hera é uma Deusa, você não pode matar uma Deusa, mas pode mortificá-la de alguma forma, atacando seus templos, perseguindo seus servidores. Nem isso me foi permitido. Callisto está morta e a única pessoa que poderia ser vítima de minha ira, é para mim como uma irmã, protegida por um juramento que eu mesma fiz.
- E por isso todos no mundo devem pagar! – disse Hércules. – Acredite, também me senti assim.
- Cale-se! – disse Sophia avançando na direção de Hércules. Ela estava furiosa.
Ele conseguiu segurar sua mão, e tentou forçá-la a largar a espada. Com a outra mão Sophia tirou um punhal de sua cintura e enterrou-o no corpo de Hércules, um pouco abaixo de sua costela direita. Ele recuou diante da dor.
Ele deu alguns passos para trás com a mão sobre a ferida, baixou os olhos rapidamente para ver a extensão do ferimento, não era muito grave.
Ela avançou novamente e ele empurrou a com força, mas ela manteve o equilíbrio. Ela saltou por cima de Hercules, ele virou-se a tempo de amparar o golpe e dar-lhe um tapa.
- Sophia ouça-me. – tentou mais uma vez trazê-la a razão. – Hera é cruel, ela não vai devolver sua família. – Sophia começou a rodeá-lo novamente, girava a espada em sua mão, preparando o ataque, seus olhos azuis como pedras de gelos estavam fixos nele, esperando apenas um segundo de distração. – Hera a está usando, como um instrumento, quando acabar, minha morte terá sido em vão.
Sophia atacou novamente com fúria. Hércules além de estar ferido, não queria machucá-la. Com o galho ele amparou o golpe da espada e chutou-lhe o lado direito, derrubando-a no chão.
No momento em que Sophia estava se levantando, Hércules saltou por cima dela, imobilizando-a. Ela debatia-se sob o corpo dele, ela conseguiu libertar uma das mãos e cravou-lhe as unhas no pescoço, Hercules sentiu no momento em que a unha penetrou sua carne, ele afrouxou um pouco a pressão sobre ela, o suficiente para que ela se ergue-se e com destreza invertesse a posição, ele mal percebeu o momento em que ela tirou o punhal da cintura. Ela ergueu-o em sua direção.
Nesse momento Ares e Hades se materializaram. Sophia desviou sua atenção de Hércules e olhou-os friamente.
- Acabe com ele Sophia! – disse Ares incitando-a. – Pare de brincar.
Foi o suficiente para que Hercules com um empurrão tirasse a moça de cima dele.
- Você! – disse Hércules ao ver seu meio-irmão.
- Desista Ares! – disse Hades sorrindo. – Eu ganhei.
Sophia, ao ouvir as palavras de Hades sentiu sua mente clarear e compreendeu que tudo aquilo não passava de uma brincadeira de Ares. Uma aposta.
Ela ergueu o punhal, com os olhos fixos nos Deuses e abaixou a mão com fúria em direção a si mesma.
Ao perceber, Hércules saltou sobre ela, jogando-a no chão e desarmando-a.
- Acabou Ares! – disse Hercules levantando-se. – Não sei qual foi a brincadeira de vocês, mas acabou. – completou caminhando irritado em direção aos Deuses.
Ares riu prazerosamente, como se zombasse de Sophia que ainda estava sentada no chão, paralisada de ódio.
- Ele tem razão! – disse Hades caminhando em direção a Sophia. – Perdeu a graça, aliás acho que nunca teve.
Ele estendeu a mão para ajudar Sophia a levantar-se. Ela olhou para sua mão estendida e depois para seu rosto, seus olhos se encontraram, esperava ver o mesmo ar zombeteiro e cínico de Ares, isso ela teria compreendido, mas ao contrário viu compreensão, o que aumentou mais a sua raiva. Ela se levantou sozinha parou na frente de Hades e deu-lhe um tapa com toda sua força.
Ares riu. Distraído, foi pego de surpresa por um soco de Hércules que o jogou no chão.
Sophia caminhou até ele e fincou a espada ao lado do pescoço de Ares. Ele havia parado de rir.
Ela virou as costas para os Deuses e caminhou a passos seguros em direção a sua montaria.
Os dois desapareceram.
- Espere! – disse Hércules caminhando rapidamente em sua direção.
Sophia voltou-se para ele e viu o ferimento.
- Venha! Sente-se aqui. – disse a moça ajudando-o. Depois ela pegou um pano no alforje que estava na cela do cavalo e uma pequena garrafa. – Não é muito grave! – disse. – Desculpe! Estou me sentindo a mais idiota dos mortais.
- Você não teve culpa. – disse Hércules fazendo uma careta, quando ela colocou o pano embebido em um líquido de cheiro adocicado sobre o ferimento. – Eles se aproveitaram de você.
- Já fiz muita coisa errada. – disse Sophia. – Coisas das quais me recuso a lembrar, mas hoje passei dos limites.
Hércules sorriu e segurou sua mão, que estava fria, suada e trêmula. Sophia ergueu a cabeça e seus olhos se encontraram com os dele. Não havia recriminação, piedade, raiva. Era o mesmo olhar tranqüilo e confiante de Cássius.
Ela puxou a mão e baixou os olhos, dedicando-se a limpar a ferida.
- Sophia! – disse Hércules. – Compreendo seu desespero, mas eles não podem voltar.
- Tenho andado muito tempo perdida. – disse em voz baixa.
- Sempre é tempo para tomar a estrada correta. – disse Hércules.
De repente o mundo ao redor dela pareceu parar, sentia uma angústia, uma dor que estava no limite de sua resistência. Queria chorar, gritar!
- Me ajuda! – pediu com a voz embargada pelas emoções que ameaçavam assaltá-la.
Hércules trouxe-a para junto de si.
- Vai ficar tudo bem! – disse abraçando-a. – Eu prometo.
Pela primeira vez deste o ataque de Callisto a sua cidade, Sophia estava chorando, não por si, mas pelo seu marido, seu filho, Dionísio e todos os seus amigos.
FIM
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