Série Inglesa 1974/1975 com 78 episódios produzida por Gerry A Andersen.
Em 13 de Setembro de 1999, uma explosão sem precedentes, causada pelo excesso de lixo atômico enviado a Lua, tirou este asteróide de sua órbita, causando grandes cataclismas na Terra. Junto com a Lua cerca de trezentas pessoas que estavam na Base Lunar Alpha se perderam nas profundezas do espaço.
Espaço 1999
Diário Suplemento: 914 dias desde que saímos da órbita Terrestre, estamos atravessando em setor relativamente deserto e calmo no espaço, há apenas uma massa de energia, aparentemente inofensiva, próximo ao nosso curso. Em compensação a população da Base começa a mostrar sinais de fadiga. Quase todos os dias atendo novos casos de depressão, insônia, pesadelos e em alguns, um sintoma preocupante de paranóia. Se isso continuar vai acabar afetando a todos. Dra. Helena Russel gravando.
Na central de comando tudo estava calmo e seguindo a rotina. O Comandante Koenig saiu de sua mesa e foi até a estação de Maya.
- E então Maya? - perguntou John referindo-se a massa de energia que vagava no espaço, a qual estava sendo analisada por diversos postos de ciências.
- Apenas energia Comandante. - respondeu a bela transmorfa virando-se em direção ao Comandante. Maya era a última de sua espécie. O Comandante Koenig era indiretamente o responsável por esta situação. Mentor, o pai de Maya havia construído um computador biológico e pretendia alimentá-lo com a população de Alpha, ao tentar impedi-lo destruindo o computador, John Koenig provocou um grande cataclisma que culminou na destruição de Psycon. Mas Maya não parecia guardar nenhum tipo de recentimentos, muito pelo contrário, tinha admiração pelo Comandante.
- Podíamos enviar uma Águia até lá. - disse Tony, o segundo em comando, aproximando-se dos dois e colocando a mão afetuosamente no ombro de Maya. John fez que não viu, na verdade estava mais que satisfeito com o relacionamento dos dois, preocupava-se muito com Maya, o relacionamento dos dois indicava que Maya estava se adaptando cada vez mais ao convívio com os humanos.
- Não me parece uma boa idéia! - respondeu o Comandante pensativo. - Aquilo poderia de alguma forma está relacionado com os problemas emocionais e de conduta que Helena mencionou?
- Talvez. - respondeu por fim. - Nossos corpos emitem energia, é possível que... - ela fez uma pausa pois não conseguia dar seqüência ao raciocínio que se iniciara em sua mente. - ...estou falando bobagens.
- Ok! - disse John com um sorriso e colocando a mão sobre seu ombro. - Investigue isso está bem?
- Sim senhor. - respondeu Maya ao mesmo tempo que digitava alguns comandos em seu console mudando a imagem em sua pequena tela.
- Está tão ruim assim? - perguntou Tony seguindo John enquanto este se afastava de Maya e falando em voz baixa.
- Helena acha que pode piorar. - respondeu John demonstrando sua preocupação. - Ela receia que isso se desenvolva para uma histeria coletiva.
- É bom nem pensar nisso. - disse Tony balançando a cabeça de um lado para o outro, como se quisesse espantar a idéia enquanto caminhavam para um ponto mais afastado das outras pessoas.
Neste momento Helena entrou no centro de comando, John olhou-a ternamente e imaginou se teria conseguido sobreviver a tudo pelo que já haviam passado sem o seu apoio e carinho. Ele notou seu olhar preocupado quando ela aproximou-se.
- Acabo de confinar Peter Grayson. - disse em voz baixa. - Ele está ouvindo vozes, diz que há outras pessoas aqui em Alpha. - John está ficando pior. - completou a doutora preocupada.
- Mas ele estava bem. - disse Tony, sem querer acreditar nas palavras da Dra. Russel. - Ontem jantou comigo, Maya e Sandra, estava disposto contando piadas.
- Há alguma coisa que possamos fazer? - perguntou John.
- Tratar os sintomas apenas. - respondeu Helena. - Mas é preciso sabermos a causa disso John, ou saíra de nosso controle.
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- Estive lá! - disse uma voz. - Eles são ... sei lá ... tudo aquilo que deveríamos ser.
- Sabe que não devia. - respondeu outra voz, mas não com tanta firmeza, pois sua curiosidade já havia sido instigada.
- Outros estiveram lá, todos estão falando deles, eu tinha de ir. - respondeu.
- Como eles são? - perguntou.
- Diferentes, belos. - respondeu. - São como os mais velhos disseram que éramos. Pretendo voltar.
- Posso acompanhá-lo? - perguntou.
- É claro que sim.
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Dois dias haviam se passado, os problemas psico-emocionais continuavam a aumentar, e a nuvem continuava lá, impassível, como um sinal agourento, agora mais próxima da rota da Lua, as estações de pesquisa estavam recebendo diversos sinais eletro-magnéticos, e complexos padrões energéticos.
As duas formas de espectrais encontravam-se no Centro de Comando observando as pessoas trabalharem, as vezes quando se aproximavam parecia que os humanos podiam senti-las. Essas duas criaturas não viam propriamente os humanos, apenas os sentiam como formas de matéria, podiam sentir seus pensamentos, suas emoções ...
- Você tinha razão. Eles são muito interessantes. - disse uma das formas.
- Gostaria de poder me comunicar com eles, há tantas coisas que não entendo.
- As dimensões são diferentes. Isto não é possível.
- Dogmas deixados pelos mais velhos, alguns deles podem nos sentir, e há boatos de que até nos verem.
- Ah! É. - respondeu a outra forma de forma irônica. - Estamos aqui há muito tempo e ninguém nos viu.
O Comandante havia solicitado uma reunião com os oficiais de Comando para discutir a situação médica e a provável relação com a nuvem.
- Fiz um gráfico com Helena e pode-se supor algum tipo de influência. - disse Maya. - Vejam aqui parece ter havido um aumento quantitativo de energia na nuvem, algumas horas depois o centro médico começou a receber pacientes com dores de cabeça, crises de choro ...etc.. Ouve mais três picos semelhantes a este nas últimas 48 horas.
- Quanto tempo ainda ficaremos no campo de influência da nuvem? - perguntou John.
- Mais duas semanas, segundos meus cálculos. - respondeu Sandra.
- Poderíamos destruir aquela coisa? - perguntou Tony.
- Não acho uma idéia sensata. - disse Maya. - É um tipo de energia completamente estranho para nós, não sabemos qual seriam as reações, poderíamos até mesmo abrir uma fenda no espaço com esta atitude.
- Se ligarmos nossos campos defletores talvez possamos nos proteger .....
- Comandante ... - ouviu-se uma voz no comunicador - é melhor ver isso.
John pressionou uma tecla no console da mesa e a porta se abriu mostrando o Centro de Comando. Na tela central a massa de energia expandia-se lentamente e mudava de cor.
Maya levantou-se sendo seguida por John e Tony. Ela sentou em sua estação e começou a manipular o equipamento com habilidade, as informações mudavam rapidamente na tela.
- Alguma coisa está acontecendo - disse Sandra de seu posto. - Há um grande aumento de emissões eletroestáticas.
- Levantar escudos - disse John.
- Escudos levantados. - respondeu Alan Carter.
- Não consigo entender estas leituras - disse Maya.
Neste momento um zumbido estranho atingiu toda a Base, na tela Central via-se pequenos raios formarem-se ao redor da nuvem e descarregarem-se sobre a Base.
De repente os geradores de força começaram a falhar, como se estivessem sendo drenados.
- O que está acontecendo? - perguntou John aproximando-se do posto de Maya.
- Não sei. Parece que alguma coisa ... energia contida tentando atravessar os escudos - respondeu Maya analisando os gráficos na tela.
- Acho que temos visita .... - interrompeu Alan aproximando-se de John e mostrando o local onde a Dra. Russel estava.
- Helena afaste-se! - disse John.
Mas Helena não se moveu, parecia paralisada. A sua frente uma luz incandescente parecia adquirir forma humana, a criatura contorcia-se como se sentisse dor. O zumbido na Central de Comando e em todo o complexo estava atingindo um nível insuportável.
Os geradores continuavam a pulsar, tentando resistir a enorme quantidade de energia que tentava sair da Base, relatórios de formas luminosas espalhadas pela Base começaram a chegar juntamente com relatos de histeria de diversas pessoas, o ambiente de repente ficou carregado de sons que pareciam estar em suas mentes e a sua volta. Curiosamente Maya parecia ser a única imune a todos estes acontecimentos, todos a sua volta contorciam-se com as mãos nos ouvidos como se evitassem ouvir alguma coisa, ela olhou ao redor imaginando o que poderia fazer para diminuir ou acabar com o sofrimento de seus amigos. De repente tudo parou.
Lentamente o Comandante Koenig tirou a mão dos ouvidos e olhou ao redor, procurando ouvir alguma coisa, as pessoas começaram a se levantar e assumir seus postos. Ele foi até onde Helena.
- Você está bem? - perguntou colocando a mão em seu ombro e acariciando seu pescoço.
- Sim. - disse a médica sem tentar esconder seu alívio por aquele inferno ter acabado.
- John! Veja! - disse Tony aproximando-se dos dois.
Duas formas luminosas haviam adquirido forma humana, um casal muito jovem jazia inconsciente no chão.
- Quem são eles? - perguntou Helena a ninguém especificamente.
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- Todos os sinais vitais estáveis. - disse Helena para John, Maya e Tony que estavam parados próximos ao leito dos dois alienígenas. - Não entendo porque ainda estão inconscientes.
- O que querem de nós? - perguntou Tony sombriamente.
- Não tenho a mínima idéia, mas nunca vi pessoas tão bonitas. - disse Helena. - São perfeitos, peso, altura, simetria.
Tony observou as feições dos dois alienígenas, pareciam muito jovens, como se estivessem saindo da adolescência, ambos tinham cabelos castanho escuros e não eram altos, a moça tinha uma constituição delicada, o jovem parecia-se com um atleta. Inconscientes pareciam-se com duas belas esculturas gregas.
- Vou enviar dois seguranças para cá! - respondeu o Comandante. - Assim que um deles acordar me chame.
A Dra. Russel estava sentada em sua mesa examinando alguns relatórios quando a moça acordou. Ela ficou alguns minutos apenas deitada olhando para o teto, sentindo o cheiro, o contato com a cama, os lençóis, as cores... olhou para o lado e viu um homem deitado em outra cama, sentia-se confusa com todas aquelas sensações simultâneas. Foi somente quando ela se mexeu que a doutora deu-se conta de que estava acordada.
Helena virou-se ao ouvir o movimento atrás de si, ela estava sentada na cama observando as próprias mãos, como se nunca as tivesse visto em toda sua vida, depois levou as mãos ao rosto e começou a olhar em volta admirada e ao mesmo tempo assustada. A doutora também a observava sem reservas, sua constituição física era pequena, tinha cabelos compridos, castanho escuro e seus olhos possuíam uma tonalidade de azul que ela jamais havia visto em qualquer humano, o que contrastava com sua pele clara e sua vestimenta azul. Parecia-se com um anjo.
A moça finalmente deu-se conta da presença da doutora, por um longo momento ficaram simplesmente se olhando. - "Acho que não devemos ter medo uma da outra" - Helena tinha certeza de tê-la ouvido, mas o som não saia de seus lábios, pois eles se moveram apenas para um esboço de sorriso. Ao colocar os pés no chão suas pernas falharam e se não fosse a agilidade da médica em ampará-la ela certamente teria caído no chão.
Ao ver as mãos de Helena sobre si, ela parou e ficou olhando como que admirada ou surpresa, a médica não sabia o que pensar, tinha a impressão de que tudo para aquela criatura era uma grande novidade, como se estivesse viva pela primeira vez e consciente disso. A moça tocou sua mão, seu rosto, o tecido de seu uniforme e depois seu cabelo, tudo com delicadeza, como se fosse uma carícia.
- Venha! - disse - Sente-se aqui. Você está fraca. - ela ajudou-a a sentar-se. - Como se chama?
- "Hannah. É tudo tão estranho ...." - Disse novamente olhando para si, como see fosse impossível estar ali. Agora a médica tinha certeza, ela não estava falando, a comunicação era telepática. Ela viu o homem deitado no leito ao lado do que estivera e levantou-se. Temendo que ela caísse de novo Helena a acompanhou de perto.
Ela acariciou os cabelos encaracolados de seu companheiro e correu as pontas dos dedos sobre seu rosto como se fizesse um desenho. - "É tão lindo ..." - soou na mente da Doutora. - "Como eu sou?" - perguntou virando-se para Helena.
- Linda! Como um anjo. - respondeu Helena sorrindo diante de uma atitude tão inocente, ela se lembrou de um espelho na gaveta de sua mesa. - Espere. - disse indo buscar o objeto.
- Ela colocou-o em frente ao rosto da moça que pareceu encantada com a visão. "Sou eu ...?"
- Hum! Hum! - disse Helena.
Ela colocou o espelho sobre um móvel e virou-se para a médica - "Você também é linda." - disse acariciando os cabelos da médica que sorriu - "Quando ele vai despertar?"
- Não sei! Não conheço a fisiologia de vocês, não sei nem se ele está com algum problema. - respondeu a médica com sinceridade.
- "Causamos dor em vocês" - disse lembrando-se - "Não era nossa intenção."
- Por que vieram? - perguntou Helena
- "Curiosidade" - disse - "Não devíamos ter vindo&".
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John entrou na sala e viu Helena próximo a divisória de vidro que separava o ambiente em consultório e enfermaria, observando a alienígena que estava em pé ao lado de seu companheiro.
- Ela disse alguma coisa? - perguntou John
- Nada importante, mas ... - Helena fez uma pausa. - ... a impressão que eu tenho é de que ela acabou de vir ao mundo, talvez seja difícil de acreditar mas ela não tem nenhuma noção de si como indivíduo, até mesmo seu companheiro ela parece nunca ter visto.
O Comandante não disse nada e entrou na sala seguido por Helena. Quando a moça virou em sua direção ele revirou sua mente em busca de alguém com uma aparência, tão agradável e angelical como aquela criatura.
" - Está zangado?!" - soou em sua mente. Ele olhou para Helena interrogativamente.
- Telepatia! - respondeu a médica.
- Aborrecido! - respondeu John. - Como se chama?
- "Hannah" - Ela aproximou-se do Comandante examinando-o atentamente. - "Você é como ele." - disse indicando seu companheiro. Foi então que John compreendeu o que Helena havia tentado lhe explicar.
- O Comandante e seu companheiro são homens e nós duas somos mulheres. - explicou-lhe Helena.
- De onde você vem? - perguntou John.
- "Da coletividade." - ela fez uma pausa e baixou a cabeça comoo se pensasse em algo - "Não há como explicar-lhes, não pertencemos a esta dimensão, não somos assim" - completou mostrando a si mesma.
- São formas de energia como vimos no Centro de Comando? - perguntou Helena
- "Não sei. Talvez, dizem que um dia fomos como vocês." - respondeu.
- O que aconteceu? - perguntou John
- "Só os mais velhos sabiam, mas eles não existem mais. Há apenas conversas na coletividade do tempo em que podíamos tocar uns aos outros, ver as cores, falar e cantar. Vocês sabem cantar?" - perguntou
- Sabemos sim. - respondeu John com um esboço de sorriso, surpreendendo-se com a simplicidade de suas perguntas e respostas. - Porque estão aqui?
- "Não era nossa intenção fazer-lhes mal" - respondeu - "Sentimos sua presennça, suas vidas são tão repletas de sensações, de cores ... ficamos curiosos. Ela disse que nossa presença causa-lhes mal. Iremos embora assim que ele despertar."
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Já faziam dois dias que as criaturas estavam na Base Lunar Alpha, o outro alienígena havia acordado de seu prolongado sono. Seu despertar não havia sido tão suave como o de Hannah. A quantidade de sensações, cores, luzes e sons da enfermaria bombardearam seus novos sentidos, levando-o ao terror. Mas com a atenção da Dra. Russel e sua companheira ele logo se acalmou, e por várias horas ele demonstrou o mesmo desnorteamento que Hannah.
Todos que haviam entrado em contato com Hannah e Yulai haviam sentido a diferença na personalidade de ambos. Embora Yulai tivesse a mesma aparência angelical que Hannah, em seu olhar havia um brilho quase que lunático, ele estava literalmente extasiado com a experiência, o toque mental de Hannah era cálido, ela tinha cuidado para não causar-lhes mal, ao invés de buscar uma experiência que não poderia entender ou ser desagradável para ela e para os outros, ela fazia perguntas, enquanto que Yulai não se continha, bombardeava a mente dos humanos com toda sua intensidade e lia suas mentes como se fossem livros, objetos de seu próprio uso.
Estavam os dois em pé no Centro de Comando observando os humanos seguirem sua rotina. Embora os humanos não pudessem ouvir sabiam que estavam conversando e para alguns esta conversa silenciosa era incomoda.
- É tudo tão colorido, percebeu como eles se relacionam? - disse Hannah olhando-os.
- Sim. - respondeu Yulai. - Mas são confusos. Pensam uma coisa e dizem outra.
- São limitados pela verbalização, pela matéria de seus corpos. - disse Hannah. - "Temos que ir embora, nossa presença os deixa doentes."
- Ainda não - respondeu Yulai de modo brusco, Hannah olhou-o tentando saber o que ia por sua mente, mas ele havia fechado-se para ela.
- Yulai, não podemos ficar aqui! - disse Hannah.
- Por muito tempo apenas imaginamos o que seriam cores, sons .... - respondeu - Como pode querer voltar para o nada ...?
- Não sabíamos o que era dor, até o momento que chegamos aqui - respondeu a moça. - E não gostei dessa sensação, e eles não gostam também.
- Pois eu gosto de cada nova sensação ... - respondeu Yulai com um sorriso. - E não quero ir embora agora. - finallizou fechando-se para Hannah.
Neste momento Helena aproximou-se dos dois.
- Venham! Quero lhes mostrar uma coisa? - disse Helena com um sorriso.
- Vamos! - disse Hannah para Yulai.
- Vá você. Prefiro ficar aqui. - disse-lhe. A moça deu de ombros e saiu eem companhia de Helena.
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O Comandante Koenig aproximou-se de Yulai, que parecia muito entretido observando Sandra. John olhou em direção a moça e teve um pressentimento desagradável. Definitivamente não gostava dele.
- Estamos nos afastando da massa de energia. - disse John. - Se ficarem mais tempo talvvez não seja possível voltarem.
- Está nos expulsando Comandante? - ouviu John em sua mente ao mesmo tempo qque via a expressão quase que de desafio de Yulai. - Não sabemos como voltar.
- Como? - perguntou John surpreso.
- Não sabemos como assumir nossa forma original e nos juntarmos aos demais. - respondeu Yulai. - Isso tudo foi um aacidente, ... um agradável acidente. - completou saindo e deixando o Comandantee sozinho observando-o afastar-se.
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Helena observava Hannah com o gatinho no colo acariciando seu pelo, enquanto o animalzinho tentava em vão morder sua mão.
- É tão macio! - disse Hannah - Mas não tem pensamentoos e emoções como vocês.
- É um animal, não tem inteligência, segue seus instintos. - respondeu a médica, aproximando-se e acariciando o gato também.
- Você e o Comandante quando se tocam ou se olham é diferente. Porque? - perguntou. Por um instante Helena ficou sem saber o que responder, não conseguia imaginar como era a vida daquelas criaturas.
- Não é tão simples assim de explicar. - disse por fim. - O relacionamento homem e mulher é diferente, como por exemplo entre dois homens ou duas mulheres. As vezes gostamos demais alguém, desejamos esta pessoa sempre perto, para conversar, partilhar alguma coisa, tocar. Gostamos tanto desta pessoa que queremos ela dentro de nós, fazendo parte de nossa vida, é como se completássemos uma parte que nos falta, quando este sentimento é recíproco dizemos que nos amamos. Este relacionamento é o ápice de sensações no contato humano... - Helena parou de falar quando sentiu que Hannah partilhava integralmente de sua mente, sentiu-se invadida e com raiva quando viu o sorriso aflorar nos lábios bem feitos de Hannah.
- "Desculpe! Não era minha intenção." - disse a moça. - "É assim que vivvemos, perdidos uns nos outros, sem limites, sem individualidade, o que acredita ser o "nirvana" é na verdade um inferno. Uma busca sem fim de algo que nem ao menos sabemos o que é, um desejo ..., uma fome continua e insaciável de vida." - Hannah colocou o gato de volta na pequena jaula. - "Foi isso que nos trouxe até vocês, acredito o quanto seja difícil para vocês imaginarem o quão maravilhoso é estar aqui. Ver todas estas cores, sentir todos os cheiros, poder ver e tocar outra criatura viva, sentir seu calor e saber que estas experiências são únicas, somente minhas e que nem mesmo Yulai poderá tê-las."
- Acho que compreendo. - disse a doutora aproximando-se de Hannah. Pelo menos agora entendia a reação de depressão e histeria dos habitantes de Alpha. Aquelas criaturas eram como almas penadas vagando pela eternidade. - "Almas Penadas???" - ouviu a outra em seu pensamento. - Fantasmas, algumas pessoas de meu planeta acreditam que é isto que acontece quando morremos, que nossas almas ficam vagando entre os vivos.
- Ah! Vocês estão aqui! - disse John entrando. Por um breve instante ele teve a impressão de estar atrapalhando algo. - Desculpem! Preciso conversar com você. -- disse voltando-se para Hannah.
Ela não disse nada, mas sua expressão facial indicou que poderia ser naquele momento. Elas saíram do laboratório de zoologia e foram para os aposentos do Comandante.
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- Yulai me contou que vocês não podem ir embora de livre e espontânea vontade. - disse John após servir a si e as moças com xícaras de café.
- "Temo que ele tenha razão." - disse a moça - "Já tentei falar com ele diversas vezes desde que despertou mas ele sempre desconversa, diz que temos tempo. Na verdade acho que além de não podermos sair daqui por nossos próprios meios, ele também não deseja isso".
- Vocês precisam ir embora! - disse John de forma veemente.
- John! - disse Helena. Ela compreendia a necessidade deles partirem, mas ele não precisava ser tão grosseiro.
- "O Comandante tem razão Helena" - respondeu a moça que ainda segurava sua xícara, como se fosse mais importante observar a fumaça sair ou sentir o calor do caneco do que ingerir o seu conteúdo. Ela entendia a urgência no pedido do Comandante. - "Não é por mim. É Yulai, não é?" - perguntou olhando para o Comandante Koenig.
- Há alguma coisa nele que assusta. - disse John levantando-se. - O modo como nos olha, como se comunica, há uma espécie de hostilidade implícita.
- "Sinto estarmos causando todos estes transtornos" - disse a moça. - "Nossa presença aqui, nesta forma foi um acidente. Se eu soubesse que de algum modo lhes causaria dor, jamais teria vindo."
- Pode se comunicar com os outros de sua espécie? - perguntou Helena.
- Não sei. Com certeza não com seus escudos levantados. - respondeu a moça. - Mas se os baixar outros virão e poderão ficar presos aqui, como aconteceu comigo e Yulai. Isso pode não ser bom para vocês.
- Hannah! Seu amigo pode de alguma forma nos fazer mal? - perguntou John olhando-a diretamente nos olhos. Ela simplesmente acenou afirmativamente.
- "Por um tempo infinito apenas imaginamos como seria possuir um corpo, poder tocar, sentir ... este é um desejo quase que doentio em todos nós. Tente imaginar por um instante como seria se você não pudesse ouvir, falar, ver, mas sentisse o tempo todo milhares de vozes junto a si, milhares de pensamentos. " - John e Helena a escutavam com atenção. - "Estar aqui é o primeiro momento de paz e individualidade que experimentamos, Yulai definitivamente não quer ir embora e eu não o culpo por isso. "
- Como pode ficar do lado dele? - perguntou Helena. Acompanhada daquela pergunta Hannah sentiu algo parecido com surpresa e decepção.
- Não estou do lado dele ou do de vocês. - respondeu a moça - Gostaria muito de ficar aqui, partilhar isto tudo com vocês, mas para ficar aqui terei que levar uma meia vida ou então destruir vocês. - ela fez uma pequena pausa e completou. - Prefiro ir embora.
- Não compreendo. - disse John. - O que quer dizer com nos destruir? - perguntou muito apreensivo, de repente Hannah deixou de se parecer com um lindo anjo e tornou-se uma ameaça real.
- Poderíamos nos apossar de seus corpos, o senhor ... ou melhor, o que traz dentro de si, aquilo que o torna único deixaria de existir - disse Hannah consciente de que os estava assustando.
- Se podem fazer isso, porque não o fizerem ainda? - perguntou Helena
Hannah olhou-os com seus profundos olhos azuis, sorriu e levantando-se foi observar a paisagem lunar.
- Yulai está tão ocupado em sentir, ver, tocar que não pára para pensar, não se deu conta de que isso é possível. - disse Hannah, ainda olhando para fora do complexo. - Quando a mim, tenho estado quase que o tempo todo em sua companhia - disse referindo-se a Helena. - Não faz idéia do quando seu mundo interior é rico e belo, o de todos vocês, jamais destruiria isso. Tentarei conversar com Yulai mais uma vez.
- Faça isso por favor. - disse John.
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Maya caminhava pelo corredor distraidamente, pretendia voltar a sua estação quando foi abordada por Yulai. Ela estranhou, pois não era possível a comunicação entre eles, ele apenas podia ouvi-la.
- O que deseja? - ela perguntou.
Ele continuou parado a sua frente, sem que ela esperasse ele acariciou-lhe o rosto e seus cabelos.
- Não compreendo o que deseja. - disse dando um passo para trás. Mais um passo e ficou de encontro com a parede, ela olhou para os lados, mas não havia ninguém.
Ele continuava tocando-a, suas mãos desceram pelo seu pescoço seguindo por seus braços, em seus olhos havia um brilho estranho.
- Por favor pare ou terei que chamar a segurança. - disse, mas ele não parecia escutá-la, estava literalmente fascinado. - Pare! - gritou empurrando-o, e transformando-se em uma criatura com quase duas vezes o tamanho de Yulai e infinitamente mais forte. Yulai parou estupefato pois desconhecia esta particularidade de Maya.
Neste momento Hannah apareceu. Ela parou completamente surpresa ao ver a criatura transformar-se em Maya. Ela recuperou-se mais rápido que Yulai e aproximou-se de Maya indicando com um gesto para que prosseguisse.
- "Como ela fez aquilo?" - perguntou Yulai
- "No momento isto não vem ao caso. O que há com você?" - perguntou Hannah rispidamente.
- "Não consigo senti-la. É estranho, queria descobrir porque?" - disse Yulai -
- "Atacando-a física e mentalmente." - disse Hannah. - "O que quer? O qque procura?"
- "Temos um corpo, mas ainda não somos iguais." - respondeu Yulai.
- "Yulai, apenas temos a mesma forma que eles, jamais seremos iguais.
- "Podemos nos comunicar, sentimos o contado, vemos as cores..." - disse Yulai.
- "Mas não como eles. Você sabe disso, todas estas coisas para eles vem carregadas de emoções e de significados que para nós não quer dizer nada." - disse Hannah - "Eles estão com medo de você... de nós."
- "Você não entende Hannah!" - disse Yulai tentando convencê-la. - &"Esta é a única chance que temos."
- "Não pertencemos a este lugar! Eu quero ir embora. - disse Hannah. - Jamais deveria ter vindo com você.
- "Vai negar que não está gostando?" - disse Yulai. - "Diga que não gossta disso?" perguntou acariciando seu rosto e trazendo-a para si. - E disto? - disse em voz baixa encostando seus lábios nos dela.
Ela fechou os olhos sentindo o contato morno de seus lábios, mas recuou quando sentiu suas mãos em seu corpo, sua língua forçando caminho entre seus lábios.
- "Pare!" - disse empurrando-o. - "Percebe! Não é igual, estamos apenas imitando o comportamento deles."
- "Você é que não entende, não vê a possibilidade que temos aqui." - disse - "Quando os outros de nossa dimensão souberem virão também."
- "Não podemos conviver com eles". - disse Hannah. - "Nossa presença os deixa doentes."
- "Como você é limitada!" - disse Yulai sorrindo ironicamente. - "Através deles podemos sentir tudo o que quisermos, entrei em contato com um homem, enquanto estava adormecido, você não imagina o universo de coisas que vi e senti, partilhei toda sua existência, quando os outros vierem poderemos nos apossar deles ai então minha querida Hannah .... - ele puxou-a de novo para si. - ...teremos tudo aquilo que buscamos e desejamos.
- "Não vou permitir que os destrua. O Comandante Koenig não irá deixar que isto aconteça." - disse Hannah soltando-se de seu contato desagradável e fechando sua mente para ele.
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Quando Hannah deixou Yulai no corredor não se sentia bem. Sua mente era um redemoinho de pensamentos e sensações, sentia um enorme aperto no peito e seus olhos estavam cheios de água, sentia tantas coisas ao mesmo tempo, de repente tudo a sua volta começou a girar antes que ela pudesse se apoiar ou pedir ajuda tudo a sua volta escureceu e ela sentiu seu corpo ser amparado por alguém.
Alan passava no corredor naquele momento e amparou-a antes que fosse ao chão, sem dificuldade ela pegou-a no colo e levou-a para a enfermaria.
- O que aconteceu? - perguntou Helena no momento em que ele entrou carregando o corpo da moça. - Coloque-a aqui. - disse indicando a cama.
- Não sei! - respondeu Carter - Encontrei-a passando mal no corredor. Acho que ela vinha para cá.
- Hannah! - chamou Helena.
Hannah abriu os olhos mas parecia não ver nada a sua frente, sua respiração estava pesada, a Dra. Russel pode perceber as pupilas de seus olhos dilatadas.
- Calma! - disse Helena tentando acalmá-la. De repente ela começou a agitar-se, a doutora podia sentir sua angustia e desespero com mais intensidade do que gostaria. - Calma Hannah! Tudo bem. - a moça sentou-se tentando afastar-se. Alan e Helena estavam sendo bombardeados por suas fortes emoções. - Não lute contra. - disse Helena. - Está assustada, com medo ... o que está sentindo é normal.
Era visível o seu esforço inútil para se acalmar, Helena puxou-a para junto de si. No início ela tentou resistir, mas era mais forte do que ela, as lágrimas saiam sem nenhum constrangimento.
- Peça para John vir até aqui. - pediu Helena para Maya. - Tudo bem, já está passando. - disse para a moça que a agarrava como se estivesse pronta para cair em um abismo. - Respire fundo, assim.
John chegou alguns minutos após o chamado de Maya, quando ele entrou na enfermaria Hannah ainda tentava controlar suas emoções.
- "Eu quero ir embora daqui!" - disse desesperada.
Helena afastou-a de si e entregou-lhe o copo d´agua que Maya trouxe.
- Melhor? - perguntou Alan preocupado.
Embora ainda estivesse muito assustada ela conseguiu tranquilizá-lo.
- O que aconteceu? - perguntou John sentando-se do outro lado da cama.
Era preciso fazer alguma coisa para impedir Yulai, mas ela não sabia o que. Sentia-se dividida, ele pertencia a sua espécie, era parte dela. Por outro lado aqueles seres tinham o direito de seguirem seu caminho sem interferências. Não podia permitir que destruíssem criaturas tão belas, tão ricas e cheias de vida.
- "Não abaixe os escudos da Base de forma alguma." - disse. O comandante sentiu o apelo de urgência por trás daquela frase. - "Ele não quer ir embora e pretende trazer os outros para cá."
- O que ele pretende fazer exatamente? - perguntou John.
- "Não sei." - respondeu após longos minutos. Sua respiiração ainda era pesada e em seus olhos ainda haviam lágrimas. - "Quando ele entrou em contato com aquela mulher partilhou o mesmo espaço que ela, por um breve instante viveram ambos no mesmo corpo. Ele sabe que isso é possível, tenciona trazer outros para cá, para se apossarem de vocês."
- Há alguma coisa que podemos fazer para impedir? - perguntou Helena.
- "Não sou cientista. Talvez Maya descubra um jeito de nos enviarem de volta." - disse olhando para a psycom que estava em pé ao lado do Comandante sem ter a mínima idéia do que falavam, porém naquele momento tinha certeza de que seu nome havia sido mencionado. - "Foram seus escudos que possibilitaram a nossa materialização em seu universo. Naquele momento Yulai fazia uma experiência tola. Ele ficou no caminho da moça, o normal seria que ela o atravessasse sem maiores problemas, talvez com um leve incomodo mental, ele deve tê-la forçado de alguma forma e ela sentiu-o por completo, logo depois você ordenou que erguessem os escudos..."
- O que aconteceu depois? - perguntou John
- "Foi como se fôssemos sugados de algum lugar, tudo ficou claro e muito colorido, havia muita dor ... muitas vozes, gritos." - Hannah fez uma pequena pausa. - "Todos que estavam aqui se foram, menos eu e Yulai, ficou um enorme vazio, como se tivéssemos perdido parte de nós. Depois acordamos aqui."
John voltou-se para Maya para contar-lhe o que Hannah acabara de narrar.
- Sente-se melhor? - perguntou Helena enquanto os dois conversavam.
- "Sim" - respondeu a moça ainda segurando a mão dde Helena.
- Talvez aquilo não seja apenas uma nuvem de energia. - disse Maya. - Mas sim uma espécie de portal entre a nossa dimensão e a deles. Como chegaram até aqui? - perguntou a Hannah.
- "Não nos locomovemos como vocês, usamos o pensamento." - respondeu Helena dando voz as palavras de Hannah
- Pode ter sido qualquer coisa. - disse Alan. - Vocês não fazem idéia da quantidade de ppadrões e tipos de energia que são liberados por todos estes equipamentos.
- Sem falar nos padrões eletro-estáticos de nossos corpos, que são individuais e únicos.
- "Contam que há muito tempo éramos como vocês, então aconteceu alguma coisa, falam de explosões, luzes e de enorme vórtex tragando o universo." - mais uma vez Helena deu voz as palavras de Hannah para que Maya pudesse ouvi-la.
- Permitiria que fizéssemos alguns exames em você? - perguntou John.
Antes de consentir, ela olhou para Helena como se precisasse de sua aprovação.
- Helena descubra se ela emite algum tipo de energia, não importa o quão mínima seja. - disse John - Vamos Maya temos que descobrir o que exatamente aconteceu naquele momento no Centro de Comando.
- Vou com vocês. - disse Alan. - Isso vai dar um trabalhão.
- "Comandante!" - chamou Hannah, John parou próximo a portta enquanto Maya e Alan já se encontravam no corredor. - "Vigie Yulai! Ele pode machucar alguém. Sei que para vocês é muito difícil, mas tentem evitar que ele leia seus pensamentos."
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Maya, Sandra e Alan iniciaram uma varredura completa de todas as condições ambientais possíveis do Centro de Comando, verificando todos os relatórios do momento em que os alienígenas se materializaram na Base.
Yulai ficou curioso com a movimentação, mas sempre que se aproximava dos três eles começavam a pensar banalidades. Ele fazia perguntas mas todas eram respondidas com evasivas. Começou a ficar apreensivo, tinha certeza de que estavam tramando alguma coisa.
Ele foi até a enfermaria onde encontrou Hannah deitada sobre uma mesa ligada a diversos aparelhos e a Dra. Russel e Ben monitorando diversos consoles.
- "O que está fazendo?" - perguntou ao entrar na sala.
- "Satisfazendo curiosidade deles." - respondeu Hannah - "É o que estamos fazendo não é?" Porque não permitir que façam o mesmo. Você bem que poderia colaborar um pouco ao invés de ficar transitando por aí assustando as moças. - Helena ouviu o comentário e sabia que ela se referia ao incidente com Maya.
- "Levante-se daí" - ordenou - "Não percebe que estãoo tramando algo contra nós" - completou aproximando-se de sua companheira.
- Não pretendemos machucá-los. - disse Helena aproximando-se. - São apenas exames inofensivos.
- "Saia daí agora Hannah" - dirre ignorando a doutora. Yulai pegou-aa pelo braço, obrigando-a a se levantar, ela ofereceu resistência. De repente eles estavam se encarando, seus olhos ficaram azuis como pedras de cobalto, seus corpos de repente pareciam brilhar. Helena e Ben sentiram-se excluídos, a presença familiar de Hannah em suas mentes havia saído. Helena aproximou-se do painel pronta para solicitar ajuda, ao mesmo tempo que observava seus corpos adquirirem uma luminosidade azulada, Ben observou que as leituras começaram a oscilar, pois Hannah continuava a conectada aos aparelhos.
Yulai soltou-a com violência. Por alguns minutos ficou ali parado, ofegante.
- "O que foi isso?" - perguntou tentando esconder seu medo.
- "Nunca mais tente fazer isso comigo." - disse Hannah.
Yulai saiu furioso da enfermaria. Ele não ia permitir que Hannah estragasse tudo. Não iria voltar mais para aquele mundo sem forma, sem cores, sem calor ou frio. Tinha de descobrir como baixar os escudos para que os outros viessem. Tinha certeza de que muitos da coletividade iriam querer aproveitar esta chance.
Sentiu-se triste por Hannah, por muito tempo haviam sido bons amigos, por que ela se virava agora contra ele. Ele voltou para o Centro de Comando e ficou observando as pessoas trabalharem e penetrando em suas mentes.
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- Veja esta leituras Helena. - disse Ben chamando a Dra. Russel que estava tirando os conectores de Hannah.
- É incrível! - disse Bem fascinado. - Por um breve instante ela se transformou em energia pura.
- O que ele tentou fazer? - perguntou Helena a Hannah.
- "Não sei ao certo" - respondeu a moça levantando-se. Ela não estava mentindo.
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O Comandante Koenig e Maya estavam na Enfermaria, onde Ben e Helena lhe relataram o episódio ocorrido entre Hannah e Yulai.
- Talvez seja o único modo de mandá-los embora. - disse John - Precisamos convencer Hannah a nos ajudar.
- Será que ela vai concordar? - perguntou Ben.
- Como faremos? - perguntou Helena.
- Não sei, talvez pudéssemos usar um container de energia - disse John pensativo.
- Poderia funcionar. - disse Maya. - Mas estamos esquecendo de uma coisa. E os outros na nuvem?
- Maya tem razão. Quando mandarmos Hannah e Yulai embora eles contarão aos outros e o ataque será iminente. - disse Helena.
- Podemos reforçar nossos escudos. - disse John. - Se desligarmos os sistemas não essenciais será possível remanejar a energia disponível em Alpha. - o Comandante virou-se para a médica entusiasmado. - Helena converse com Hannah, convença-a aa ajudar-nos. Eu e Maya vamos cuidar do resto.
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Hannah estava no alojamento que lhe haviam destinado. Helena havia lhe mostrado como acessar os arquivos de músicas, mas estava preocupada demais para inebriar-se com Strauss.
Precisavam sair dali, mas como convencer Yulai sem machucá-lo. Na enfermaria, por um breve momento ela sentiu que podia destruí-lo. Aquilo a assustou, não desejava que ele desaparecesse para sempre. Maldita a hora em que havia resolvido seguí-lo.
A porta de seu alojamento se abriu e Yulai entrou com passos seguros.
- "Precisamos conversar" - disse sentando-se a sua frente. - "Droga Hannah. Vivemos sonhando com isto, é nossa única chance. Nós dois podemos dar uma nova vida para nossa comunidade."
- "Não é real Yulai! Você sabe disto". - respondeu a moça -
- "Será quando tomarmos seus corpos". - disse Yulai. - "Tente Hannah e eentenderá o que estou falando".
- "Eu sei do que está falando" - respondeu a moça - "Quando estava com a Dra. Russel no Laboratório de Zoologia, percebi que era possível. Mas também percebi que isso a destruiria. Não podemos fazer isso Yulai, é errado. Eles tem direito a vida."
- "E nós não?" - respondeu irritado com a teimosia da moça - "Acha que temos vivido? Chama aquele inferno estéril de vida."
- "É como somos. E assim que deve ser" - disse Hannah - "Não vou ajudá-loo a destruí-los."
- "Farei sozinho!" - respondeu o rapaz com veemência, havia um brilho estranho em seus olhos. - "Se ficar em meu caminho a destruirei também".
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Dois dias haviam se passado, Yulai continuava a espreita tentando descobrir o plano do Comandante Koenig e invadindo a mente dos habitantes da Base Lunar Alpha, que agora estavam evitando-o deliberadamente. Ele lhes causava dor e os assustava, seus modos, o jeito que os olhava, em todos seus gestos parecia haver uma ameaça implícita.
Em contrapartida Hannah havia se afastado do convívio com os humanos e de seu companheiro. Passava a maior parte do tempo em seu alojamento ou então na Enfermaria, onde Helena e Ben faziam diversos testes com ela.
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Yulai estava observando um dos Engenheiros, tinha certeza de que ele sabia como abaixar os escudos. Seria agora ou nunca.
O rapaz estava distraído com seu trabalho quando sentiu um pontada na cabeça, de repente tudo a sua volta deixou de existir e ele passou a lutar desesperadamente por sua existência. Era como se algo estivesse em sua mente, sugando-a, havia muita dor e sofrimento, como se todas suas emoções estivessem sendo estimuladas. Ele levou as mãos a cabeça e começou a gritar de dor e desespero.
Seus companheiros chamaram o Centro Médico e logo a seguir Helena chegou com dois enfermeiros. Ela viu Yulai nas proximidades olhando fixo para o homem. Seu corpo parecia brilhar. Estava se transformando em energia.
Neste momento John chegou e quando viu o alienígena, não pensou duas vezes em atirar. Mas sua arma não fez nenhum efeito.
O Engenheiro continuava a se contorcer de dor. Maya que havia acompanhado o Comandante Koenig transformou-se em uma criatura enorme e partiu para cima de Yulai, mas ele continuava em pé, imóvel, com seu corpo brilhando, quando a criatura se aproximou e tocou-o foi repelida por um feixe energético. Ela gritou de dor e caiu inconsciente e logo a seguir Maya retornou a sua forma original.
O engenheiro estava morto e Yulai saiu do local como se nada tivesse acontecido.
O comandante Koenig acionou a segurança da Base, mas não tinha a mínima idéia de como iria deter Yulai.
- "Acho que chegou a hora" - ouviram em suas mentes a voz suave de Hannah.
- Tony! - disse John - Prepare o container.
O rapaz acentiu e sai a seguir.
- Gostaria de não ter que fazer isso com você - disse John de dirigindo a moça./p>
- "Eu também" - respondeu. Todos sentiram sua tristeza, porém não sabiam se era por ter que deixar Alpha ou por ter que ir contra seu companheiro.
O Comandante acariciou-lhe o rosto com um gesto paternal, Hannah sorriu e segurou sua mão, olhando-a atentamente, como se fosse a última vez que tocaria um ser humano.
- "Lembrarei sempre de vocês" - disse por fim
- Nós também não a esqueceremos - disse Helena.
Nesse momento a segurança localizou Yulai em um dos corredores do setor norte e o grupo, formado pelo Comandante Koenig, Helena, Maya, Tony e Hannah seguiram para o nível 2, corredor C.
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No momento em que Yulai avistou-os tentou dominar a todos com sua mente.
- "Páre" - disse Hannah - "Você os está machucando" - era evidente que todos menos Maya estavam sentindo dores.
- "Você não vai me impedir." - disse o rapaz, porém ele já começava a sentir Hannah invadir-lhe a mente, ele sorriu escarnecendo dela. - "Você não tem coragem!" - disse - "Está encantada por estas criaturas. Vamos Hannah, me ajude, é sua última chance."
Como resposta Hannah aproximou-se mais do rapaz e ele sentiu algo poderoso tentar apossar-se de sua mente, aquilo assustou-o um pouco. Ele tentou segurar seu braço com força, mas ela permaneceu imóvel, e seus corpos começaram a brilhar.
Os humanos não sentiam mais dor, e assistiam a cena sem nada poder fazer. Esperavam o momento em que poderiam prender as duas formas de energia no container.
Helena ainda podia sentir a presença de Hannah em sua mente, havia muita raiva e medo.
O brilho foi aumentando, e ambos já aram quase energia pura. Hannah podia sentir a presença da médica, e isto a estava atrapalhando, por um breve segundo sentiu Yulai ganhar terreno.
- "Tem que deixar-me ir Helena" - disse Hannah - "Como?" - ouviu a médica perguntar.
As duas criaturas já quase não tinham mais a forma humana. De repente Helena sentiu-se tonta e como se algo tivesse saído de si, ela quase caiu mas John a amparou. Com um sinal ele ordenou que Tony e Maya ligassem o aparelho.
As duas criaturas agora eram uma única forma de energia, azul e pulsante que lutava para não ser tragada pelo container. Os humanos sentiram dores de cabeça, mas não tão forte. O brilho no corredor era ofuscante e vários painéis a sua volta começaram a entrar em curto.
De repente tudo se acalmou e o corredor ficou vazio.
- E agora? - perguntou Tony.
- Vamos liberar o container com um dispositivo automático de abertura. - disse John - Você está bem? - perguntou a seguir para Helena.
- Sim. - respondeu - Será que sentem dor? - perguntou preocupada com Hannahh
- Espero que não! - respondeu o Comandante.
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Após algumas horas liberaram o container e assim que ele chegou a nuvem o dispositivo automático abriu-se.
Hannah e Yulai eram novamente parte de um. Centenas de vozes ao seu redor, indagando, murmurando, milhares de sensações unidas.
Em Alpha todos olhavam a grande tela, onde a nuvem de energia estava a muitos quilômetros de distância.
John Koenig apertou o botão do console substituindo a imagem da tela central. Não gostara de fazer aquilo, principalmente por causa de Hannah. Ainda de modo pensativo ele resolveu esquecer aquele episódio. Voltou-se para Helena e acaricio-lhe o rosto, sentindo sua pele quente e macia e pensando que aquelas criaturas nunca saberiam o que era amor, que estavam condenados a vagarem para sempre perdidos uns nos outros.
- Será que eles conseguiram? - perguntou Alan que estava ao lado da estação de Sandra.
- Espero que sim. - respondeu Helena, que estava próxima. - Sentirei falta dela. Era como uma criança aprendendo sobre si, e sobre o mundo.
FIM
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