Sereias
O mito das sereias não é uma passagem histórica, distante de nós pelo tempo e espaço, mas arquetípica, já que "a mitologia não é uma narrativa das origens, mas o origem de toda a narrativa". O homem tem necessidade de narrar, para repassar valores que transcendem sua compreensão. O que temos hoje são o canto das sereias contemporâneas. Mas quem são elas? Essas criaturas mitológicas, meio-peixe meio-mulher, conquistam os homens não por amor, mas pela ânsia de obter poder sobre ele. E, por mais estranho que pareça, esta mulher exerce um grande poder de fascínio sobre os homens, sugando sua atenção e paixão.

História

As sereias na época de Homero eram 3 irmãs, filhas do deus Aqueló e da musa Calíope. Lígia toca flauta, Parténope lira e Leucósia lê textos e cantos. Seus nomes gregos evocam as idéias de candura, de brancura e de harmonia. Outros dão-lhes os nomes de Aglaofone, Telxieme e Pisinoe, denominações que exprimem a doçura da sua voz e o encanto de suas palavras. Conta-se que elas eram ex-companheiras de Perséfone, filha de Deméter, que foi raptada por Plutão(Hades), Senhor dos Infernos. Segundo a lenda, as sereias devem sua aparência a Deméter, que as castigou por terem sido negligentes ao cuidarem de sua filha.

O oráculo predissera às Sereias que elas viveriam tanto tempo quanto pudessem deter os navegantes à sua passagem, mas desde que um só passasse sem para sempre ficar preso ao encanto de suas vozes e das suas palavras, elas morreriam. Por isso essas feiticeiras, sempre em vigília, não deixavam de deter pela sua harmonia todos os que chegavam perto delas e que cometiam a imprudência de escutar os seus cantos. Elas tão bem os encantavam e os seduziam que eles não pensavam mais no seu país, na sua família, em si mesmos. Esqueciam de beber e de comer e morriam por falta de alimento. A costa vizinha estava toda branca de ossos daqueles que assim haviam perecido. A aparência das sereias evoluiu através os tempos. Na época da Antiga Grécia, eram representadas como seres alados, com rosto humano e corpo de ave. Nas mãos têm instrumentos: uma empunha uma lira, outra duas flautas e a terceira gaitas campestres ou um rolo de músicas para cantar. Também pintam-nas com um espelho, penteando seus longos cabelos. Sua transformação em criaturas metade mulher, metade peixe, remonta da Idade Média e das lendas celtas e germânicas. As lendas irlandesas e inglesas fazem referência a presença de sereias por toda a extensão da Costa, enquanto a mitologia germânica, as vê surgir na espuma das ondas. A tradição celta relata Ahez, filha do rei Grallon, que submergiu nas águas por haver entregado a cidade de Ys ao diabo, se convertendo então em sereia.


Invocação às Ondinas
Eu vos saúdo, Ondinas, que constituis a representação do elemento água. Conservai a pureza da minha alma, como o elemento mais precioso da minha vida e do meu organismo. Fazei-me pleno de sua criação fecunda, e dai-me sempre intuição de forma nobre e correta. Mestres da água, eu vos saúde fraternalmente. Amém.

Oração das Ondinas
"Rei terrível do mar, vós que tendes as chaves das cataratas do céu e que encerrais as águas subterrâneas nas cavernas da terra; rei do dilúvio e das chuvas da primavera, a vós que abris as nascentes dos rios e das fontes, a vós que ordenais à umidade, que é como o sangue da terra, de tornar-se seiva das plantas, nós vos adoramos e vos invocamos. A nós, vossas móveis e variáveis criaturas, falai-nos nas grandes comoções do mar e tremeremos diante de vós; falai-nos também no murmúrio das límpidas águas, e desejaremos o vosso amor. Ó imensidade na qual vão perder-se todos os rios do ser, que sempre renascem em vós! Ó oceano das perfeições infinitas! Altura que vos mirais na profundidade; profundidade que exalais na altura, levai-nos à verdadeira vida pela inteligência e pelo amor! Levai-nos à imortalidade pelo sacrifício, a fim de que sejamos considerados dignos de vos oferecer, um dia, a água, o sangue e as lágrimas, para remissão dos erros. Amém."
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