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A POESIA QUE NÃO NASCEU
Maria José Zanni Tauil

 

Uma poesia está
entalada na minha garganta
Preciso expeli-la
sem demora...
Um poema teima
em ganhar vida...
Está cheio de metáforas
com conotação de amor...
Está cheio de eufemismos
com conotação de dor...
Está cheio de antíteses,
de sensações desencontradas...
Meu poema
está em fase gestacional...
Quer se eternizar no papel...
Ele martela meu pensamento
Leio o jornal, busco a distração,
o poema se revela aos meus olhos...
Fecho-os
e o poema baila
na penumbra interior...
Não consigo me livrar...
Ele insiste em nascer,
vem envolvido
em alegrias e tormentos,
um torvelinho de contradições,
de paradoxos...
É como um vômito,
um espirro,
algo impossível de conter
Inunda minha alma
e a minha razão...
Envolve o meu ser...
Não me contenho
e, irritada,
pego lápis e papel...
Como por encanto,
o poema some...
Não ganhou corpo,
não teve nome...
Simplesmente,
foi abortado...

 

 

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