O
ESCREVER
DA POESIA
Ilona
Bastos
Não
sei se
escrevo
poesia
Ou se
a poesia
me escreve.
É
presunção,
decerto,
julgar-me
criadora,
Chamar
poesia
a estas
palavras
Que debito,
desajeitadas
e frouxas,
Nas brancas
páginas
de um
caderno.
Maior
presunção,
ainda,
Acreditar
que meus
actos
desconexos,
Pensamentos
e gestos
perplexos,
Encerram
em si
a poesia,
o motor
Gerador
do meu
viver.
E,
contudo,
a poesia
existe
em mim
E em meu
redor.
Sinto-a!
Encontro-a
amiúde,
Em manhãs
de sol
radiante,
Em tardes
de plúmbeo
céu,
Em noites
quentes
de abóbada
estrelada.
Nem
sempre,
é
certo,
a reconheço,
Nem sempre,
é
certo,
me toca
e aborda
Não
sei mesmo
de onde
vem,
Os caminhos
que percorre,
Suas maneiras
e manhas.
Dias
há
que a
procuro
em vão,
Nas esquinas
e nas
sombras,
Mesmo
nas iluminadas
avenidas
Que essa
luz branca,
esfuziante,
Torna
nítidas
e confusas,
Na confusão
que tudo
invade,
E cresce,
se a poesia
não
está.
É-me
estranha,
é-me
íntima
a poesia!
Ténue,
fugidia,
forte,
impressionante,
Dá
sentido
ao que
sentido
não
tem,
Mas se
a escrevo
ou se
me escreve,
Isso é
que eu
não
sei bem