UM
ROMANCE
Ilona
Bastos
Mergulho
na leitura
de um
romance,
que me
atrai,
que me
situa
em espaços
de céu
azul,
de mar
azul,
de calor
ou de
trovoada,
de uma
felicidade
que aspiro,
indiferente
às
ditas
e desditas
das personagens.
Posso
mesmo
sorrir
de alegria,
de ironia
ou de
prazer,
porque
viajo
por outras
vidas,
em terras
outras,
distante
destas
mesas
prosaicas
que disciplinadamente
se alinham
pela biblioteca
fora.
Mais
do que
isso,
mergulhada
na leitura
de um
romance,
elevo-me
acima
dos que
me rodeiam,
tristes
criaturas
embrenhadas
em áridos
compêndios
de direito!
Olho-as
e dou-me
a pensar:
Pobres
dos que
me julgam
aqui,
limitada
por este
corpo
inestético,
que se
apoia
e se debruça,
sobre
um livro
de papel
barato!
Pobres
deles!
Pois que
me encontro
bem longe,
na companhia
dos que
me não
podem
ferir,
nem julgar,
nem condenar,
porque
para eles
sou invisível,
mas confidente
ou cúmplice,
ou simplesmente
inexistente
Mergulhada
na leitura
de um
romance,
encontro-me
em terras
límpidas,
onde até
as gotas
de chuva
me iluminam
o rosto
de uma
claridade
transparente,
e cada
raio de
sol penetra,
directo,
no meu
coração,
numa abastança
de felicidade!