REVELAÇÃO
Gustavo
Felicíssimo
Não
estamos
acima
da poesia
para justificar
nossa
imperícia
frente
ao verso;
à
sua frente,
somos
a fração
do imponderável
entre
existência
e linguagem.
Tua biografia
não
é
a tua
obra
e o que
dela dizem
não
é
a melhor
imagem.
Deixa
o teu
leitor
à
vontade,
oferta-lhe
a poltrona
mais confortável,
um gole
de água
fresca
e o convide
ao delicado
mergulho
em tuas
vivências.
Não
perguntes
sobre
os teus
poemas,
observa
primeiro
se possuem
raízes
e se oferecem
frutos
saudáveis.
Cuida
que a
palavra,
esse incrível
instrumento
que tens
às
mãos,
não
seja mais
importante
que os
sentidos;
mas a
memória,
tua fascinante
e intrigante
memória,
dela tirarás
teus versos.
Preserve-a
ilesa,
perene,
infinda,
na imutável
companhia
das coisas
que te
são
caras.
Na memória
reside
a chave
que decifra
a inadvertida
presença
da poesia
nas coisas.
Sua morada
é
escura
e espera
que acendas
as lâmpadas,
assim,
todas
as coisas
se revelarão.