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ALMA DE POETA
Humberto Soares Santa

 

 

A minha alma está frente a mim, perdida,
Feita de sonho, amor e algum lamento,
De amizade, fervor e de tormento,
Fluida, informe, chorosa e retraída.

Sente-se triste e só, por mim retida,
Sem qualquer cor, difusa, quase vento,
Pairando à minha volta em gesto lento,
Chorando pelo poeta e pela vida.

Com cor, chega o alvor da madrugada
Enquanto que por mim, algo se esfuma.
Bem perto, oiço a minha alma destroçada

Que grita ali, perdendo-se na bruma :
- Vês !... Eu sou pouca coisa ou quase nada
Mas tu, poeta !... Tu !... és coisa nenhuma !!!...

 

 

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