SABEDORIA
Márcia
Hazin
Um
dia, sem
querer,
Escutei
alguém
que dizia:
"Não
tenho
inveja
de quem
tem recurso,
Tenho
inveja
de quem
sabe ler"
Me doeu
como um
sôco,
aquilo,
Mas, ainda
assim,
era poesia.
Morri
um pouco
naquele
dia,
Mais que
se morre
todos
os dias,
As lágrimas,
me escorriam.
Era velho,
já.
Marcado
pelo sol
quente
do sertão.
Aquela
dor, lhe
gritava
tão
alto,
Que vencia
a vergonha
que trazia.
Por não
saber
ler.
Não
teve a
sorte,
Mas a
coragem
de confessar
que a
vida lhe
passara,
Em branco.
Como uma
folha
de papel
vazia.
"Não
tenho
inveja
de quem
tem recurso,
Tenho
inveja
de quem
sabe ler".
Aquela
criatura,
não
trazia
com ele
a leitura,
Mas na
alma doída,
Todas
as sabedorias
da vida.