RÉQUIEM
PARA OS
POBRES
VERSOS
"requiem
aeternam
dona eis"
Dionisio
Teles
O
poeta
comete
injustiças
e finge
que não
vê.
Somente,
expõe
na vitrine
da sua
loja de
fantasias
aquilo
que lhe
parece
belo -
um exibicionista!
Almeja
uma construção
poética,
lírica
e descarta,
humilha,
assassina
alguns
versos
que lhe
parecem
indevidos
- perverso,
e atira-os
no lixo
como um
restolho
qualquer.
Pobres
palavras
!
São
chamadas
á
vida,
arrancadas
do seu
espaço
etéreo,
invocadas
a trabalhar
para o
feiticeiro
das rimas
e, não
se enquadrando
nos propósitos
do rufião
literato
são
devolvidas
a um tempo
qualquer
- um nada
maior.
São
substituídas
por possíveis
atores
mais cênicos
- não
recebem,
sequer
um: -
obrigado
!
Concluída
a obra
final
- uma
escultura
de letras
nem mesmo
para pedestal
elas servem,
- são
tangidas
para longe
como escravos
indolentes.
Como é
cruel
o poeta
- indecente,
diria
aproveita-se
da fidelidade
canina
destas
serviçais
que, mesmo
escorraçadas,
banidas
retornam,
ao primeiro
chamado
do farsante
e voltam
a servi-lo
na ânsia
de serem
úteis.
Perdoem-me
letras
não
empregadas
perdoem-me
frases
destroçadas
perdoem-me
estrofes
defenestradas
perdoem-me
versos
descartados
perdoem-me
poemas
inacabados.
Nas noites
de insônia
pressinto
a presença
de vocês
rodeando-me
e rangendo
correntes
como zumbis
- mortos-vivos,
a me impor
castigos
e medos.