POESIA
IMPURA
Vanessa
Marques
Poesia
impura!
Impura
por esta
terra
Por este
chão
Pela alma
daqueles
que cantam
sua solitária
dor
Também
impura
Também
humana
Repleta
de terras
e de chãos
E de gentes.
Impura
pela pressa
com que
surge
Dessas
mãos
inertes
há
segundos
atrás.
Vem célere,
impensada...
E se vai.
Calmamente...
Eu queria
cantar
a canção
do meu
povo
De toda
a minha
gente
Que sou
eu.
Seus suores,
seus viveres,
suas capelas
divinamente
medíocres
E seus
desejos
mediocremente
divinos.
Mas não
tenho
mãos,
nem pena
para tanto.
Apenas
esta poesia
impura.
Impura
por ser
de minhas
mãos
que nasce...