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POETA
José Roberto Abib

 


Sou o poeta das letras pálidas,
Talvez amorfas e indiretas,
Vez ou outra, mal vívidas
E das vozes que o tempo cala.
Canto os sentimentos feridos
As esperanças nati-mortas
De quem hoje em dia
Escolheu a síntese anti-humana
Da era cibernética
Tenho palavras que calam
Também em mim
A dor consumida no silêncio
Das gélidas noites invernais.
Inspirada no clamor de quem,
Ainda não se sabe feliz.
Lembro-me dos momentos em que o frio,
Precedendo a solidão
Transforma as horas em acoite
E, mal podendo escolher,
Invento idéias,
Sentimentos marcantemente anímicos
Alimentados pela esperança
que jamais findará
De quem em breve, um dia,
Sobre o mal triunfará.
Traduzindo, em verso e prosa,
Seu próprio jeito de ser,
Romanceado,
Patético,
Excluso e incluso
Haverá, para sempre
de lhe pertencer.

 

 

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