SER
POETA
Fátima
Irene
Pinto
Ser
poeta
é
sina,
porque
há
sempre
um exalar
de perfume
e dor
em cada
texto
que
o poeta
assina.
É
caminhar
no fio
da navalha,
é
às
vezes,
ser
cruelmente
retalhado
ao resvalar
em cada
rima.
É
gastar
versos
indóceis,
querendo
nascer...
Nascendo,
são
filhos
pródigos
que
seguem
seu
rumo,
deixando
o poeta
vazio
para
que
de novo
ele
possa
"conceber".
Ser
poeta
é
ver
as coisas
mais
simples
pelos
olhos
de uma
abelha,
multifacetadas.
E assim,
enxergar
detalhes
mil,
onde
os outros
não
conseguem
enxergar
nada.
Ser
poeta
é
enfeixar
todas
as reverberações
de um
diamante,
ciente
de que
ele
será
sempre
e tão
somente
um mero
matiz.
Ser
poeta
é
conviver
com
uma
sensibilidade
imensurável,
que
exalta
e aniquila,
que
desnivela.
Que
o eleva
ao Reino
de Deus
e simultaneamente
o rebaixa
ao Reino
de Hades...
E em
meio
a estas
tempestades
que
fulminariam
o mais
comum
dos
mortais,
ser
poeta
é
caminhar
sozinho,
implorando
ao mundo,
a compreensão
de seus
ideais!