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POEMAS MORTOS
Zena Maciel


 

Quantos poemas ficaram guardados nos casulos
da alma por medo de perderem o encanto
ao se transformarem em palavras
Morreram em nossos enrugados corações
antes de nascerem
Não viram as cores da vida
Não sentiram o cheiro da terra
Não beberam água da fonte
Não viajaram no brilho das estrelas
Não choraram a solidão do mundo
Não tiveram o direito
de acalentarem um grande amor
Não se perderam no universo
das loucas paixões
Não beijaram a boca dos sonhos
Não se encantaram com a utopia do olhar
Não percorreram o solitário
caminho das vãs ilusões
Não se deleitaram com o silêncio da noite
Não conhecerem a azul felicidade
Murcharam como as folhas secas do tempo
Deixaram-se levar pelos ventos
das tempestades invernais
Diluíram-se com o peso da própria dor
Se foram como se vão os grandes amores
Carregam consigo o coração e
deixam de lembrança fragmentos
de sementes de saudade
Não me deram se quer o direito
de acenarem um simples adeus!

 

 

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