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MEUS GUARDANAPOS DE PAPEL
António Cândido Paiva

 

Ao almoço, é convosco que eu converso
E vos conto meus mais íntimos segredos,
Vos aponto a angústia dos meus medos
Espalhada, por aí, em cada verso.

É em vós que eu embalo os meus amores,
Rascunho os meus mais puros sentimentos
Ou meus loucos e lascivos pensamentos,
E Amarfanho os meus pesares e as minhas dores.

Vos rasgo nos meus momentos de loucura,
Sem respeitar a imaculada brancura,
Como se fossem uns lençóis de bordel.

Perdoai minhas sacrílegas objecções
E alguns chulos e doidos palavrões…
Meus queridos guardanapos de papel!

 

 

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