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HORAS MORTAS
Alberto de Oliveira
Poeta brasileiro - 1859/ 1937

 

Breve momento, após comprido dia
de incômodos, de penas, de cansaço,
inda o corpo a sentir quebrado e lasso,
posso a ti me entregar, doce Poesia.

Desta janela aberta a luz tardia
do luar em cheio a clarear no espaço,
vejo-te vir, ouço-te o leve passo
na transparência azul da noite fria.

Chegas. O ósculo teu me vivifica.
Mas é tão tarde! Rápido flutuas,
tornando logo a etérea imensidade;

e na mesa a que escrevo apenas fica
sobre o papel - rastro das asas tuas -
um verso, um pensamento uma saudade.

 

 

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