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DESENCANTO
Manuel Bandeira
Poeta e prosador brasileiro - 1886/ 1968

 

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto

Meu verso é sangue. volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias, amargo e quente
Cai, gota a gota, do coração

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca,
Eu faço versos como quem morre.

 

 

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