DA
MAIS ALTA
JANELA
DA MINHA
CASA
Alberto
Caiero
Poeta
português
- Heterônimo
de Fernando
Pessoa
Da
mais alta
janela
da minha
casa
Com um
lenço
branco
digo adeus
Aos meus
versos
que partem
para a
Humanidade.
E
não
estou
alegre
nem triste.
Esse é
o destino
dos versos.
Escrevi-os
e devo
mostrá-los
a todos
Porque
não
posso
fazer
o contrário
Como a
flor não
pode esconder
a cor,
Nem o
rio esconder
que corre,
Nem a
árvore
esconder
que dá
fruto.
Ei-los
que vão
já
longe
como que
na diligência
E eu sem
querer
sinto
pena
Como uma
dor no
corpo.
Quem
sabe quem
os terá?
Quem sabe
a que
mãos
irão?
Flor,
colheu-me
o meu
destino
para os
olhos.
Árvore,
arrancaram-me
os frutos
para as
bocas.
Rio, o
destino
da minha
água
era não
ficar
em mim.
Submeto-me
e sinto-me
quase
alegre,
Quase
alegre
como quem
se cansa
de estar
triste.
Ide,
ide de
mim!
Passa
a árvore
e fica
dispersa
pela Natureza.
Murcha
a flor
e o seu
pó
dura sempre.
Corre
o rio
e entra
no mar
e a sua
água
é
sempre
a que
foi sua.
Passo
e fico,
como o
Universo.