ROSIMEIRE LEAL DA MOTTA

E SEU "EU POÉTICO"

POETISA E ESCRITORA CAPIXABA

VILA VELHA - ES - BRASIL

 
     


Rosimeire Leal da Motta
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© Rosimeire Leal da Motta.

 

Choque social, visto como algo normal pela sociedade. O nada é sua maior riqueza.

Sem tetos, mendigos, vadios, miseráveis, vagabundos... de vários nomes eles são chamados.

Perambulando pela existência... errantes. Levando tralhas, sujos, fétidos, marginalizados, pedindo esmolas, mas prefeririam um emprego. Cada um tem uma história para contar, contudo, o passado está fechado num livro sem páginas em branco. Nenhuma perspectiva, vagando dia após dia.

Todos passam longe deles, pois pensam: "São ladrões!" No entanto, foi a vida que lhes roubou a integridade, a cidadania. Ou teria sido o destino?

Sem casa, morando nas ruas, debaixo de viadutos, dormindo sob as marquises, praças, onde for possível.

Seu principal inimigo é a noite... trevas...

No inverno, o uivo do vento lhes murmura a injustiça social. Folhas secas voam sobre eles... gesto de zombaria.

A poeira gruda em seus corpos, bloqueia a memória. Já não conseguem folhear o álbum de suas lembranças felizes.

Choveu em cima deles, viraram lama. Tremem encolhidos, envolvendo a si mesmos, apertam os dentes, as mãos e os pés, querendo resistir, sobreviver.

Na neblina tentam visualizar a passagem no tempo, onde o melhor de seus sonhos se perderam. Porém, tentativa inútil: necessitam ajuda para encontrar a saída deste labirinto.

OBS.: Esta Crônica faz parte do livro:
"Voz da Alma" - Autora: Rosimeire Leal da Motta
Editora CBJE - RJ - Novembro/ 2005 - Poesia e Prosa.

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